Domingo, 7 de Janeiro de 2018

Dia de Saudades

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R E C O R D A N D O 

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publicado por Maria José Rijo às 14:35
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Domingo, 1 de Maio de 2011

Dia especial o de hoje...

 Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como
estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve
Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e
agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão
eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra
que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de
minha Mãe...

 

Sebastião da Gama 

 

estou: Mãe Ana

publicado por Maria José Rijo às 00:30
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Domingo, 3 de Maio de 2009

Neste Mês de Maio

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.940 – 13 de Maio de 1988

 

 

 

Uma das formas de Poesia que mais me agrada e que considero muito difícil – é a quadra.

Rimar quatro versos de sete sílabas qualquer pessoa consegue, porém, não é a isso que se pode chamar propriamente quadra.

Não são os versos alinhados, certinhos na rima de redondilha maior ou menor, que só por essa circunstância, se tornam numa quadra de verdade.

 

“Uma quadra é conseguir

Em quatro versos somente

Dizer o nosso sentir

No sentir de toda a gente”

 

Como muito bem disse um autor, cujo nome não cheguei a saber, e que assim ganhou um primeiro prémio nuns jogos florais (Luso-Espanhóis) – creio.

Quadras belas há imensas, todos o sabemos, mas de uma maneira geral, ninguém sabe quem são os seus autores. Não refiro casos como o do poeta António Aleixo que encontrou, felizmente, quem compilasse a sua obra.

               

Refiro a quadra que corre de boca em boca, anónima, solta e livre, tão sentenciosa no seu jeito popular e tão perfeita, tão de toda a gente, que cada qual a sente e diz, como se sua fora.

Um poema, qualquer que seja, por via de regra quando se diz, juntar-se-lhe o nome do autor.

À quadra não.

            soldado desconhecido por Holy Joe.

A quadra é como o soldado desconhecido que é citado apenas globalmente como – tropa – esquadrão, unidade, ou, o que quer que seja sempre com significado colectivo.

A quadra é também um pouco assim leva consigo a força do sentimento, a chama, a semente, o conceito de beleza, a filosofia poética da alma do povo, e daí, que se designe apenas por: - Quadra Popular – e tanto a enobreça e lhe baste.

                   borboleta-na-mao1

Gosto de quadras e gosto das cantigas ao desafio onde elas surgem espontâneas, ingénuas e toscas, ou cheias de subtilezas criticas, de brejeirices e humor, outras vezes.

                    

Gosto de quadras quando elas vão à raiz da vida e soltam os sentimentos profundos que se abrigam no coração dos homens, que deles não falam por pudor, mas que na poesia, como no pranto livremente se expandem.

Por isso, quando na solidão dos campos do Alentejo, um homem ergue a voz e canta:

 

Ó minha Mãe, minha Mãe

Ó minha Mãe, minha amada

Quem tem uma Mãe tem tudo

Quem não tem Mãe não tem nada.

 

Não se saberá, ao certo, se é oração ou canto que se escuta, mas saberemos, sem dúvida, que é o eco de um profundo sentimento de amor que repercute através dos tempos.

 

Maria José Rijo

 

 

estou: 2 de Maio de 2009
música: Dia da Mãe

publicado por Maria José Rijo às 17:33
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Coisas da Minha Memória

Á LÁ MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.821 – 24 de Janeiro – 1986

  

De há uns anos para cá – caímos nisto! – Chamo-a, não me responde – se responde é lenta e negligentemente que o faz.

Se a censuro, esconde-se; se insisto desaparece, fico às apalpadelas no vazio, o que me desespera.

Tendo eu que viver com ela, que outra não tenho, e substitui-la me é impossível, o nosso relacionamento só subsiste porque sendo eu a viver dela, e sendo, também eu, o que ela me traz e dá – esforço-me por a ajudar e resigno-me a suportá-la tal e qual está.

Bem que eu a persigo e alicio; - vá, diz lá … diz! … diz!... Mas de nada me vale. Amua, caprichosa na birra, e não lhe tiro uma referência sequer, se for essa a deliberação que tomou.

Faz-me partidas a cada passo, e não se incomoda nada de me deixar suspensa e angustiada, no meio duma frase, e partir para voltar quando dela já não careço. Por vezes traz-me umas que lhe pedira, e mesmo sabendo que percebi a trapaça e não acho graça, - insiste, insiste, insiste!... Depois, aparece sorrateira, como se de nada pudesse ser acusada, trazendo nas mãos ofertas preciosas, que eu julgara perdidas para sempre.

E assim vamos indo!...

Diz-me com frequência que está cansada, velha, regressiva, e para mostrar dedicação, traz-me lembranças

 

enternecedoras, coisas que ela desencanta em recônditos escuros, e exibe-os vitoriosa, justificando-as por íntimos indícios.

As minhas mãos tocam um objecto, e em lugar de me deixar atenta ao que faço – não senhor! –

 

Mostra-me com elas os gestos de minha Mãe; - O relógio dá horas? – Em vez de me deixar ir realizar o que pretendo – não senhor! – Vejo o meu Pai suspender a leitura do Jornal, tirar os óculos – esfregar os olhos – repô-los, despedir-se e ir ao escritório.

           

Oh! – Que Deus me valha! – Pois queria eu hoje falar de coisas que pensara, e aqui fiquei, esperando em vão – quem, à hora certa, me falhou e se sumiu para parte incerta, com a bagagem que eu juntara.

Isto é feio e não se faz!

-- É justo que eu desabafe!

 

Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 21:23
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Saudades

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.746 – 30 – Janeiro de 2004

# - 7 de Janeiro de 2004 #

 

 

Maria Barbara Trinité Rosa e Maria José Rijo, participam a todas as pessoas interessadas, que no dia 7 de Fevereiro, pelas 11 horas, será celebrada na Igreja do Salvador, missa do trigésimo dia pelo eterno descanso de sua santa mãe – a avó Ana.

Desejam também, em seus nomes pessoais, de netos, bisnetos, trinetos, sua desvelada empregada e amiga Bia, da querida Paulinha e de todos os demais “netos do coração” que com seus cuidados ajudaram a amparar as fragilidades dos seus quase cento e quatro anos – agradecer as orações, a companhia, as flores e todo o apoio que por qualquer forma lhes tenha sido expresso por tão irreparável perda.

Para todos em geral uma palavra de gratidão extensiva à Fundação Gonçalves, sempre disponível com o seu pessoal eficiente, representado neste caso com a presença diária da Lina e da Paula; bem como às enfermeiras Céu Garcia e Goretti, impecavelmente prontas e carinhosas na sua ajuda.

Desejam ainda, muito veementemente, tornar público o especial reconhecimento que lhe merece o Doutor Luís Monteiro, que ao longo de quatro anos, em que começando por ser médico assistente, sabedor e eficiente se transformou no amigo atento e protector, que, nas horas finais, agiu como o missionário iluminado e piedoso – o Homem – cujo espírito de missão e generosidade, transcende a própria condição humana.

Um aceno de coração, também para a minha companheira do “velho” Colégio Luso – a Querida Céu Barradas – cuja mão amiga, mais uma vez, segurou a minha nos maus bocados do meu longo caminho.

Permita-se-me ainda uma especial referência ao Senhor Presidente da Câmara, a quem politicamente já tenho criticado, mas que teve a grandeza de alma de não confundir as águas, o que só posso registar com grato e comovido respeito.

A todos, e para todos, sem excepção, o profundo reconhecimento de todos nós.

 

Maria José Rijo

 

estou: 5 anos

publicado por Maria José Rijo às 00:04
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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Minha Mãe

 

.

Deu-me a vida e o mundo
Seus sonhos
Semeou-os em mim
E
, eu
neles vivia, me via e me revia
E, sendo ela tudo para mim
Nela tudo fui
No amor que em mim floria
Ela, não mo dizia
Mas, eu sabia!
Sabia que era assim
Bastava ver
Como ela olhava para mim...

Minha Mãe partiu
Levou meu mundo com ela

Deixou-me neste vazio
Sem tempo e sem idade

Como que suspensa por um fio
a balouçar sobre a eternidade


Maria José Rijo

 

 

 

estou: A minha Mãe

publicado por Maria José Rijo às 00:17
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