Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Mistérios -- ( D. Maria Júlia Celestino da Silva )

 

 

“ Retomai confiadamente nas mãos o terço do Rosário,

fazendo a sua descoberta à luz da Escritura,

de harmonia com a Liturgia, no contexto da vida quotidiana”

 

 João Paulo II

 

 Vezes sem conta, ao longo destes últimos quase vinte anos, li ao telefone,

a seu pedido, porque a vista já não a ajudava, alguns dos meus escritos à

Senhora Dona Maria Júlia Lopes Celestino da Silva.

Vezes sem conta, todas as vezes - melhor dizendo senti que era um privilégio

meu fruir da amizade e atenção de quem para além de uma vastíssima cultura

 e de um profundo e raro saber da história de Elvas até ao mais pequeno ou requintado

 pormenor de costumes do passado, tudo  contava com a vivacidade e até

jovialidade do seu indizível encanto pessoal e da sua lucidíssima inteligência.

      Deste modo se foi cimentando uma amizade que me encantava e enriquecia

 Porque a partir “ de uma certa idade”, deixa de haver idades que nos distanciem

uns dos , há, apenas, pessoas que se entendem, se estimam ou  não...

Assim que, pelo menos, semana a semana púnhamos “a nossa escrita em dia”

...a notícia ou o concerto que se escutou na rádio, o livro ou o poema que subitamente

a lembrança iluminou na memória e nos traz recordações, tristezas , preocupações

,alegrias, gracinhas das nossas crianças, tudo dava para  partilhar , comover ou rir

aliviando e alimentando o coração.

Mas os anos passam e são inclementes. E. até o que parece fácil como

um simples telefonema a certa altura carecia de ter um código.

Marcar o número, deixar tocar um pouco, desligar e voltar a tocar alguns

 Instantes mais tarde – porque : dizia-me com sorrisos na voz – cada vez ando mais

devagar...

Da cozinha até à sala rezo um Mistério...

E, fomos alongando...

Da cozinha até à sala , rezo dois Mistérios...

E, por último – mas sempre sem revolta, com a mesma paz e a mesma  graça

   sabe, que já quase rezo o terço inteiro? 

 

E, agora que inesperadamente nos deixou tudo recordo e penso:

            Quarta feira dia 13 de Outubro, dia de Nossa Senhora prezam-se no terço os

 Mistérios da Glória  - os gloriosos.

Quinta   Mistérios da Luz – os luminosos.

Sexta, dia em que foi para a sua morada final, evocavam-se os Mistérios da Dor –

dolorosos.

Daí que eu pense que já que o peso dos anos não mais  entrava o passo a 

quem tão bem entrosou a fé nas dificuldades do quotidiano, Nossa Senhora

que a chamou num dos seus dias de nomeada, a  terá recebido – lesta -  em sua glória,

com uma braçada de lilases em flor, (dobrados , como os da sua preferência),

daqueles que das suas mãos eu recebia , em data certa, e hoje já são saudades que

deponho em sua memória.

 

 

 

                                                             Maria José Rijo

 

                                               

                                     

                                               

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.784 – 21 / 10/ 2004

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 23:41
| comentar | Favorito
partilhar

.Maria José Rijo


. ver perfil

. seguir perfil

. 53 seguidores

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
21
22
23

24
27
28
29
30


.posts recentes

. Mistérios -- ( D. Maria J...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@