Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Entretanto...

            Entretanto fui e voltei, no calendário novo S. Mateus se apresenta.

            Posso, deste meio tempo testemunhar como estava espantosamente fria a água do mar, no Algarve, este ano.

        E, posso reafirmar que sinto Fátima como uma lição viva de fé e, também, ou, talvez por isso, como um lugar privilegiado para se exercitar a tolerância entre as pessoas e o reencontro connosco próprios.

            Não sei se alguém consegue – mesmo lá – estar a cem por cento rezando o tempo inteiro. Digo rezar, sentindo em aguda consciência a mensagem do que interiormente a sós ou em conjunto se repete.

            Não refiro recitar orações de cor. Eu, não consigo.

            Quando dou por mim estou a olhar em redor observando e pensando em coisas já afastadas do ponto de partida.

            Corto a oração para aceitar agradecer o lugar que me dão. Volto a cortar de seguida para dar o que tinha recebido.

            Acomodo-me mal nalguma nesga de degrau entre gente que não conheço – nem conhecerei nunca.

            Encontro-me sem saber como ao lado de uma mulher de xale e lenço, farta “barba” negra nas pernas tostadas ao léu.

            Chinelo no pé, rosto corado e franco que transpira mais alegria de ali estar – do que suor, – e conta... Conta ou reza?! – Tem os três filhos já formados. Um médico, casado com médica, exercendo ambos em Coimbra. Outro e mais outro aqui e ali.

            Ao lado o seu homem, cúmplice feliz dum percurso já longo de vida – aquiesce, com a cabeça grisalha descoberta. Roupas asseadas de pobreza digna. Ambos, reparo, se benzem com suas mãos calejadas, unhas grossas encardidas, bem debruadas de peles gretadas e escuras.

            Ele permanece de pé.

            Eu observo... Ela exausta de cansaço e emoções vergada pelo calor do sol, abre o xale no chão e senta-se em cima.

        No meio da multidão aquela pequena clareira no chão de Fátima, é como que um altar de mãe, em honra da outra Mãe a que, naquele dia representações de catorze países estavam a render graças.

            Isto também é Fátima. Isto e tudo de Bom e puro que às vezes ainda conseguimos descobrirem dentro de nós.

            Estava eu a pensar no “nosso” S. Mateus e comecei a falar de Fátima.

            Umas coisas não andam tão longe de outras quanto, por vezes, nos possa parecer.

            Dizia que enquanto fui e voltei, entretanto – outro S. Mateus surgiu no calendário.

            Bendito seja pois o Senhor Jesus da Piedade – agora e sempre!

            Amém!

                              Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.368 – 20 Setembro 1996

Conversas Soltas

@@@@@

Fotos do blog ->  http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 21:11
| comentar | ver comentários (3) | Favorito
partilhar

.Maria José Rijo


. ver perfil

. seguir perfil

. 53 seguidores

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
21
22
23

24
27
28
29
30


.posts recentes

. Entretanto...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@