Quarta-feira, 5 de Março de 2008

POEMA - Bênção – (À Laia de Prefácio)

Ele ai vai! O meu livro.

 

Foi como mãe que o gerei,

E tive-o também na dor,

Na luta contra o pudor

De quem mostra a sua alma!

 

De quem, num rasgo sincero,

Dá o próprio coração

E depois sofre a desdita

De o ver ir de mão em mão!

 

Ele aí vai! o meu filho,

O meu sonho, o meu menino!

Que eu deixo partir sozinho

E nem sei como cresceu!...

 

Ele a ninguém pede a mão,

De ninguém quer o bordão…

Vai viver a sua vida!

É como os filhos de carne!

Em sendo filhos crescidos,

São quase sonhos perdidos

Na vida de quem os teve!...

 

Pois vai! Parte, filho meu!

Vai procurar teu destino,

Que, mesmo mau, pequenino,

Será para mim o melhor!

 

Julga algum dia a semente

Que é mau o fruto que deu?

 

Só o julga com amor!

Só o julga em sentimento!

Só o julga como mãe…

E só vê que é filho seu!

E veste-o com tal carinho,

Que ainda que o mundo inteiro

Lhe grite quanto ele é feio,

Aconchega-o ao seio,

Beija-o chaga por chaga,

E tem perdão a cegueira

Dum amor que não tem paga…

 

Por isso, vai filho meu,

Pelas estradas da vida

Onde farás teu caminho…

Levas a bênção contigo

De quem à vista te deu!

 

E quer tu sofras, quer rias,

Nunca te julgues sozinho,

Pois o trono pobrezinho

Que um dia te viu nascer

Estará sempre em amor

Onde o seu filho estiver!

 

Maria José Rijo

Nov. ou Dezembro de 1954

 

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música: Livro I - Poema Prefácio

publicado por Maria José Rijo às 21:36
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