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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Neste Natal -

Estava para ali descuidada a reler páginas, ao acaso, de livros que volta e meia, folheio por puro prazer de os manusear, quando, na prosa exemplar do grande pensador, que foi, António Sardinha encontrei em - “Do Valor Da Tradição”- o que passo a citar:

Para nós a Tradição não é somente o Passado. É antes a permanência no desenvolvimento.

E mais adiante:

A sociedade é uma criação, não é uma construção, - não é um mecanismo. Porque é uma criação, a sua existência é condicionada por certas leis naturais, de cuja acção convergente um dia resultou. Ora por” Tradição” nós temos que entender necessariamente o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter a sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem e pelo respeito das quais continua durando.

Claro que estou a respigar excertos do texto. Como é óbvio, estou a escolher o que julgo responder melhor a algumas das nossas dúvidas mais comuns sobre tradição, e tradições, conceitos que assimilamos, muitas vezes sem para eles encontrarmos definições que nos satisfaçam.

Penso, que pelo menos, nesta prosa editada em 1942, que mais não seja, como curiosidade, tem interesse adquirir mais estes pontos de referência.

Continuo a citar:

Antecipando-se ao seu tempo, o senhor de Bonald declarava há mais de um século que as instituições do passado, não eram boas por serem antigas, mas eram antigas por serem boas.

Eis aqui o fundamento positivo do “tradicionalismo”.

“A tradição”para nós não vale sentimentalmente, como as ruínas valiam para os românticos, - como uma quantidade morta, que a saudade encheu do seu perfume estranho.

A”Tradição”vale, sobretudo, como a permanência na continuidade

Depois de, citando António Sardinha, falar do valor da tradição, nada mais oportuno que citar um elvense de relevo, o escritor Antonio Thomaz Pires que em 1923 – (tudo lembranças do século passado) – registou para a posteridade em “Estudos e Notas Elvenses”as principais tradições do Natal em Elvas.

Algumas delas, ou muitas delas, terão já caído em desuso.

Porém as guloseimas e comezainas mantêm-se quase inalteráveis, embora a “vigília” já não principie pela consoada ás oito da noite, collação que se compõe de peixe, pão, e esparregado e salada de alfacecom mais ou menos abundância, ninguém resistirá à doce tentação de se regalar com uma azevia, ou uma tirinha de nógado , mantendo assim, viva, pelo menos, a tradição gastronómica, que heroicamente tem resistido ao decorrer dos tempos.

Talvez se tenha perdido um pouco a tradição das searinhas e dos presépios de musgo, e figurinhas...Mas não de todo, bem como as roncas que a pouco e pouco têm vindo a  reganhar o seu espaço cortando, com os seus sons roucos, o silêncio das geladas noites do mês do Menino.

Talvez o pai natal, com o seu colorido e seu saco de brinquedos tenha conquistado um lugar predominante nos nossos costumes, talvez...

Porém, a liturgia diz:

“ Um Menino nos foi dado e ele nasceu para nós!”

A Sagrada Família no Egito

Volto, a António Sardinha:

A dignidade humana só se reconhece nos laços que a ligam ao seu destino imortal no momento em que uma Virgem dá á luz no estábulo de Belém.

Para todos: - Um Santo Natal!

Haja Paz!

                                                 

                     Maria José Rijo

@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.741 – 26-12-03

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