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Recordação ((( A MINHA IRMÃ )))

Sábado, 08.12.07

Nasci e cresci numa família devota de Nossa Senhora do Carmo.

Minha avó paterna usava escapulário e, porque ele era a reprodução fiel daquele outro que figurava pendente da mão de sua Santa padroeira – que sempre vira no quadro que centrava a parede do seu quarto à cabeceira da cama – isso mostrava (aos meus olhos de criança) o celestial parentesco – eu que unia as duas – Nossa senhora e minha avó.

 

Minha avó rezava muito. Rezava baixinho mexendo os lábios e fazendo correr as contas polidas do seu rosário entre os dedos das suas mãos, de grossas veias azuis salientes, descansadas no regaço.

Minha avó rezava com o cuidado, o amor e a serenidade com que fazia tudo – desde as roupinhas para as nossas bonecas ao arranjo dos seus vasos de flores – craveiros, flores de Lis e cambraias, ou ao passajar da roupa da casa.

A figura da avó, além de importante era cheia de atraentes mistérios e grande parte da sua sedução residia no jeito de afagar e consolar na doença ou no castigo; no gosto de entreter conversando, contando velhas histórias de família, lendas e orações longas e lindas como contos de fadas.

 

Tudo quanto a avó fazia ou dizia tinha o mesmo ar respeitável e antigo da nossa doce, querida e paciente avó.

Pela mão da avó íamos à missa, ao mês de Maria, à novena do Sagrado Coração de Jesus e às procissões.

Pela mão da avó se levavam flores ao cemitério e se ia rezar pela paz dos mortos, pela mão da avó se ia à festa da Senhora do Carmo, em Moura, a nossa Vila natal, agradecer o bem da vida e o amor da família, no primeiro domingo de Outubro de cada ano.

Pela mão da avó se ia à chaminé por o sapatinho na noite de Natal…

 

Pela mão da saudade trago aqui hoje, esta lembrança como homenagem a todos os Avós, porque Natal é também a evocação dos que passaram pelas nossas vidas e nelas deixaram marcas de amor que só a nossa própria morte desfará.

 

                                       Maria José Rijo

@@@@@

Á La Minute

Jornal linhas de Elvas

Nº 1.920 – 25 de Dezembro de 1987

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:55


6 comentários

De Dolores Maria a 09.12.2007 às 00:06

... Antes demais ...
((((( Agradeço IMENSO IMENSO ))))))
As suas palavrinhas para mim. Só vi hoje.
Fiquei tão comovidamente feliz.
A Senhora é uma alma boa, generosa que
escuta tantas parvoices minhas - mas eu vivo
este blog.
Gosto imenso de andar por aqui saltitando
de um lado para o outro.
Obrigado pelas palavras ((( para mim))).
££££

Adorei este artigo de Natal.
A senhora e a sua Mana.
As fotos muito bonitas - em crianças e agora
- as duas -- LINDAS, eu achei.
Que bom.
Muitos beijinhos (( Tia ))

Até amanhã

DO LO RES

De Gustavo Frederich a 09.12.2007 às 00:14

Texto brilhante!
A Senhora e a sua irmã - ambas em crianças
e depois -- o caminho até ao momento.
Perfeito.
Ambas na posição inicial, noto parecenças e
diria que a Senhora seria a menina da esquerda.
Estou certo? - Ou errei?

Este seu texto agradou-me de sobremaneira.
A minha tiazinha Lucinda, uma velhinha mara-
vilhosa que me dava muitos miminhos, também
era devota de Nossa Senhora do carmo.

Gostei - sinceramente Gostei deste texto, onde
as suas recordações estão à flor da pele.
Gosto destes textos cheios de reminiscências,
autobiograficos - que nos falam de si - das
vivencias da escritora que é Maria José Rijo.

Estou-lhe grato por mostrar aqui tanta
beleza de alma, tanto luz de coração.
Bem haja.

Seu admirador

Gustavo Frederich

De Anónimo a 09.12.2007 às 14:22

Olá! Olá!
Vinha eu agradecer o comentário tão simpático que deixou hoje no meu Dualidades e deparo-me com esta bonita homenagem às avós.
Só quem não teve o privilégio de privar com uma avó não se emociona com o seu relato.
Muito bonito!
Obrigado por tudo.
NP

De Mariana Trindade a 11.12.2007 às 09:02

Texto perfeito, repleto de sensibilidade.
Certamente foi uma criança imensamente
Feliz. Acredito se a vida começar com uma
infância rica em amor e carinho nos tornamos
pessoas melhores, de espiritos confiantes
neste futuro - tantas vezes advesso - á vida.
Parabéns por este belo blog onde as suas
palavras, repletas de vida, me fizeram olhar
para o passado, recordar a minha infância.
Vivo no Porto, numa rua estreita e fria, onde
as pessoas quase não se conhecem e desconhecem
os mundos que cada um de nós traz dentro.
Beijinhos e muito obrigado por
nos mostrar textos tão bonitos.
Parabens

Mariana Trindade

De Maximiano Loureiro a 11.12.2007 às 09:31

Acabei de encontrar este seu blog e andei
por aqui, por estes seus caminhos a ler.
Acredite que estou encantado com tanta beleza e
delicadeza.
Ler estes seus textos - exclusivos - de beleza
e composição. Só posso agradecer a alegria
que sinto ao ler Maria José Rijo.
Sou de Bragança e fiquei fascinado.
Voltarei para ler mais e mais.

Saudações Natalicias

Maximiano Loureiro

De fotografo porto a 12.01.2011 às 18:08

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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