Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
“Sê bem-vindo – Ano Novo “
O que poderá fazer um ano velho quando está preso apenas por alguns dias na folha do calendário!
![]()
Certamente o que faz qualquer velho que se sente e sabe a dobrar a inevitável esquina do seu tempo.
Imagina o novo.
Imagina e sonha.
Sonha e reza. Reza, porque o novo – por ser novo – é limpo.
E, ser limpo, é ser puro.
É estar em branco como o papel onde ainda escreveu, a tela por pintar, a pauta sem notas, o sonho por viver, o caminho por percorrer.
Pode, é verdade, olhar para trás.
A tentação é grande e é legítima.
O passado é a referência. Ao passado não se volta.
Futuro não se conhece quem o terá.
Nessa fronteira entre “nunca mais” e “ninguém sabe” cresce a esperança que a todos permite dizer: - amanhã!
Adeus ano velho.
Bom e mau! Feio e lindo! Amargo e doce! Generoso e cruel.
Ano – tempo – onde tudo da vida cabe, até a morte.
Passaste – como sempre tudo passa e passará.
Só te peço uma coisa: - dize ao ano que te sucede – que vai surgir a seguir a ti... – diz a esse ano ainda imaculado e limpo – a esse esperado ano novo – que procure ser sincero, verdadeiro, franco.
Dize-lhe quando lhe abrires a porta para o seu dia “Primeiro” – feliz como um rei jovem a quem oferecem um trono – diz-lhe que não se deixe iludir – e não nos iluda também.
Dize-lhe.
É que, muitas vezes – repara – acontecem coisas tais como esta que ponho à tua consciência: - Defendem-se com boas e parangonas os direitos da criança.
Depois – olha, olha bem – repara: exibem-se, apalhaçam-se, explora-se a sua candura, põem-se-lhe na boca palavras porcas, expressões acanalhadas – que nos devem envergonhar – em lugar de fazer rir e bater palmas – só para encher os bolsos dos adultos.
Olha que a prostituição não é só e apenas, do corpo. Olha que a prostituição é coisa de alma – principalmente: coisas de alma!
Qualquer criança tem direito à pureza como a água que brota no cume das montanhas!
Mas... abre a televisão e pensa se o que te aponto não é violência grave e trabalho.
Trabalho ignavo.
Porcaria e nojo.
Repara como coisas destas se deixam passar encorajadas com palmas e gargalhadas alarves.
As piores mentiras – Ano Velho - são estas verdades – dize ao ano Novo !
Mesmo entre nós – à nossa vista... tantos luzeiros... tantos luzeiros... tanta confusão entre “um rico Natal” que deveria ser e... “Natal rico”, de aparência, que é.
De uma vez por todas – não te deixes trapacear – ajuda o “Novo”.
Sê corajoso e adeus Ano velho!
Sê bem-vindo Ano Novo!
Maria José Rijo
@@@@
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.382 – 27- Dez. 1996
Conversas Soltas
Autoria e outros dados (tags, etc)
4 comentários
De Dolores Maria a 26.12.2007 às 00:30
antes de ir deitar-me.
Finalmente terminei as tarefas da casa...
estou cansada... mas agora, ao ler este seu
bonoto texto - já me sinto com forças para
encarar melhor o fim do ano.
Que nos trará o Ano Novo?
Esperamos sempre o melhor mas... nem sempre
é assim...
Gostei muito deste texto, é verdadeiro de belas
palavras. Sentidas todas elas.
Os meus Parabens.
Com muita amizade
DO LO RES
De Gustavo Frederich a 26.12.2007 às 00:40
Acabei de ler este novo e belo texto.
Surpreendente!
Neste momento sou o visitante 40.151 .
Estes numeros só podem querer dizer que este
blog é muito visitado - porque tem bons textos, bem
redigidos e sempre actuais mesmo que estes
tenham 20 e poucos anos de diferença - com a
actualidade.
Acho isso - a actualidade - um porto importante
num escritor - ser capáz de ter textos actuais-
mesmo que estivessem sido escritos no passado.
É o que acontece aqui.( nem sempre- nem nunca).
Sabe - como presente pessoal - ofereci-me - os seus textos - impressos aqui na minha impressora - mas
encadernados. Numa bela encadernação de pele
que eu tenho como o meu livro preferido.
Ficou muito bonito. Acredite.
Como vê por aqui - nem só se fazem maldades,
como o de toda a gente roubar tudo o que aparece.
Agora - na recta final - caminhamos para o ano
Novo, que desejo nos venha beneficiar a todos.
Agora despeço-me desejando voltar
Seu Amigo
Gustavo Frederich
De Lucas Marquês a 26.12.2007 às 01:45
Bonito texto.
Lucas Marquês
De Malaquias Beirão de Sousa a 26.12.2007 às 12:00
Gostei imenso desta visão - confronto - entre o
Ano Velho e o Ano Novo.
Entre o que normalmente esta invisivel aos olhos de
todos.
Realmente esta sua lucidez chega a embriagar-me
de pensamentos novos que me fazem pensar mais
fundo na realidade - que V. Exª., tem da vida.
Gostei imenso.
Cumprimenta-a
Malaquias Sousa









