Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
A visita
Não venho, só, por compromisso, fazer a visita da praxe.
Não! – Venho por compromisso – é verdade!
Mas, venho em cumprimento da promessa feita aos leitores que muito insistiram para que eu também fizesse parte da família deste jornal, e também e muito principalmente, porque a isso me convocam, a gratidão e o bem-querer.
Estou aqui porque quando o Natal se aproxima passa a ser o coração a impor os seus desígnios, e a não consentir que qualquer outro sentimento, que não o afecto, comande os nossos actos.
Como tal, hoje, é a minha vez de falar “com a ternura dos oitenta” que um leitor, (que, deduzo, antigo como eu) – referiu – e que tomo como paradigma – para agradecer as dezenas e dezenas de cartas que me fazem crer que todos podemos e devemos da forma que nos for possível, dar algum contributo, que julguemos útil, para o bem comum.
E, muito embora, algumas vezes me sinta pouco á vontade com a importância que me parece excessiva, com que generosamente, falam do que escrevo, sei, que não são as cartas de apoio que me expõem. Sou eu que me exponho escrevendo com frontalidade o que penso, fazendo-o sem medo e assumindo com toda a responsabilidade os meus direitos e deveres de cidadania. E, sou levada a confessar que, se não fora, este sentimento de receptividade e de partilha, talvez, nem me valesse a pena escrever.

Assim que, apreço ou desapreço, são consequências naturais do risco em que incorro, e que tenho que saber aceitar, porque nada do que se diz, ou faz, é inócuo.
Santo António falou aos peixes...
São Francisco, ao irmão sol, à irmã lua, aos irmãos lobos...
Eram Santos.
Eu, sou apenas uma pessoa comum, de entre a gente comum, a quem tocam os problemas comuns a todos os comuns mortais, e acredito, que, por isso, sou entendida, por quem aplaude e, também por quem desdenha.
Quem me escreve – quase sempre – o faz sob pseudónimo e não me dá direcção para responder em particular, razão porque não me sentindo superior a ninguém, não posso, nem devo, ficar muda como se fora santa intocável, louvada em seu altar.
Assim, que neste Natal – a uma distância imensa, quando se avaliam perdas de afectos que nesta época, mais nos assombram com a saudade que sempre nos veste como uma segunda pele – eu tenha sentido a imperiosa necessidade de confessar, que com a companhia dos meus fieis leitores tem sido mais suave o passar do tempo que todos temos que percorrer para nos reencontrarmos com quem amámos e já partiu à nossa frente.
Não admira, portanto, que me abeire do Presépio com o coração cheio de gratidão pela Vida, que me deu, e dá, tantos e tão bons amigos, e que, para eles, e também para todos - quantos fazem e lêem este jornal - peça – como peço para mim – com desejos de um Santo Natal e de um Ano Bom - a Paz de Cristo.
Maria José Rijo
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Jornal O Despertador
Nº 200 – 20-Dezembro-2007

