Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
HOJE - 1986
“ Agarra na tua dor
e faze dela um poema”
(Goethe)
Hoje!
Roubaram a minha alma
o sonho antigo
que eu guardava secreto
e mostrei em dia verde…
Levaram-no a soalheiro
Como quem mostra roupa suja
Enodoada…
Vi meu sangue exposto
Indefeso e morto
Vestido da esperança agonizante
Hoje!
Calma e quieta, paciente
No meu canto de espera
Recolhida, aguardo
Quem da sua própria alma
Olhos bem cerrados
Tire a luz e veja
Com rugas,
Sinais de risos e prantos
Escreve o tempo sabiamente
Vida
Em cada rosto
É a caminhada pela noite
Negra e funda
Que se faz o percurso para cada Madrugada.
Elvas 2 de Setembro de 1986
Maria José Rijo
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A Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1.854 – 12 de Setembro de 1986
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4 comentários
De Gustavo Frederich a 30.12.2007 às 23:32
Esta sua poesia é bem sentida, bem lá do fundo
da sua alma e coração.
Triste, mas ao mesmo tempo bela e intensa como
também o é, sem sombra de duvida, a Vida.
Se a sua prosa é perfeita a sua poesia não fica atrás.
Tem uma alma e coração muito bonitos, as suas
palavras e a forma de cantar a vida, são testemunhos desse encanto especial, que como
uma áurea, a cerca.
Sensibilidade imensa em cada verso, deste
belo poema.
Sinto tristeza ao pensar que para escrever
este tipo de poema - só poderia estar a sofrer.
Nota-se, sente-se.
Muitos beijinhos
por este dia tão triste de Setembro.
Peço-lhe - se puder mostre um pouco mais da
sua poesia. Estou deveras interessado.
Seu Amigo e Admirador
Gustavo Frederich
De Dolores Maria a 30.12.2007 às 23:36
Que maravilha!
Um belissimo poema - que o meu Avelino
diz que é um reflexo da sua alma triste, num
dia igualmente triste, frio e cinzento - este de
Setembro.
Mas belo pelo significado - dessa sua alma
grande, bonita e sensivel.
Os nossos Parabéns
Gostamos imenso.
Dolores e Avelino
De Artur batista a 31.12.2007 às 19:40
Profundo como a sua tristeza neste momento.
Tem imensa sensibilidade para a poesia.
Gostei imenso.
Seu amigo
Artur Batista
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COMEÇA HOJE O ANO
Nada começa: tudo continua.
Onde 'stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento.
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento
Fernando Pessoa
£££
Para si com um beijinho
A.Batista
De leoneljoao a 31.12.2007 às 20:47
como lhe tinha dito e malas desfeitas cá estou de novo
e como eu me lembro desta poesia . . . pois foi quando aprendi a conhecer a nossa vereadora da cultura.
Bom Ano

