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HOJE - 1986

Domingo, 30.12.07

“ Agarra na tua dor

e faze dela um poema”   

(Goethe)

 

Hoje!

Roubaram a minha alma

o sonho antigo

que eu guardava secreto

e mostrei em dia verde…

 

Levaram-no a soalheiro

Como quem mostra roupa suja

Enodoada…

 

Vi meu sangue exposto

Indefeso e morto

Vestido da esperança agonizante

 

Hoje!

Calma e quieta, paciente

No meu canto de espera

Recolhida, aguardo

Quem da sua própria alma

Olhos bem cerrados

Tire a luz e veja

 

Com rugas,

Sinais de risos e prantos

Escreve o tempo sabiamente

Vida

Em cada rosto

 

É a caminhada pela noite

Negra e funda

Que se faz o percurso para cada Madrugada.

 @@

Elvas 2 de Setembro de 1986

Maria José Rijo

@@@@@

A Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.854 – 12 de Setembro de 1986

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 10:54


4 comentários

De Gustavo Frederich a 30.12.2007 às 23:32

Meu Deus.
Esta sua poesia é bem sentida, bem lá do fundo
da sua alma e coração.
Triste, mas ao mesmo tempo bela e intensa como
também o é, sem sombra de duvida, a Vida.
Se a sua prosa é perfeita a sua poesia não fica atrás.
Tem uma alma e coração muito bonitos, as suas
palavras e a forma de cantar a vida, são testemunhos desse encanto especial, que como
uma áurea, a cerca.

Sensibilidade imensa em cada verso, deste
belo poema.
Sinto tristeza ao pensar que para escrever
este tipo de poema - só poderia estar a sofrer.
Nota-se, sente-se.

Muitos beijinhos
por este dia tão triste de Setembro.

Peço-lhe - se puder mostre um pouco mais da
sua poesia. Estou deveras interessado.

Seu Amigo e Admirador

Gustavo Frederich

De Dolores Maria a 30.12.2007 às 23:36

Hoje 2 posts.
Que maravilha!
Um belissimo poema - que o meu Avelino
diz que é um reflexo da sua alma triste, num
dia igualmente triste, frio e cinzento - este de
Setembro.
Mas belo pelo significado - dessa sua alma
grande, bonita e sensivel.

Os nossos Parabéns
Gostamos imenso.
Dolores e Avelino

De Artur batista a 31.12.2007 às 19:40

Lindo este seu poema.
Profundo como a sua tristeza neste momento.
Tem imensa sensibilidade para a poesia.
Gostei imenso.

Seu amigo
Artur Batista

@@@
COMEÇA HOJE O ANO

Nada começa: tudo continua.
Onde 'stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.

Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.

Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento.

Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento

Fernando Pessoa

£££

Para si com um beijinho
A.Batista

De leoneljoao a 31.12.2007 às 20:47

Dª Maria Jose
como lhe tinha dito e malas desfeitas cá estou de novo
e como eu me lembro desta poesia . . . pois foi quando aprendi a conhecer a nossa vereadora da cultura.
Bom Ano

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