Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Até parece fácil!
“O eterno é a reunião de todo o passado e todo o futuro num só instante, a eternidade é o instante.”
Esta frase, este pensamento, de Santo Agostinho é um verdadeiro manancial de sabedoria.

Fechando, embora, um conceito adquirido pela sua percepção e pelos conhecimentos do seu espírito, ela abre, para nós, portas a um mundo infindável de caminhos da razão.
Todos nós, já pensamos ou dissemos a propósito de alguém: - à última hora, ou, no último instante, redimiu-se, arrependeu-se...concertou o mal que tinha feito.
A sabedoria popular, afirma: - até ao lavar dos cestos é vindima...
A fé assegura-nos que até ao último momento da Vida, da Vida de qualquer um de nós, ainda é tempo de como qualquer filho pródigo voltar a casa do Pai – e ser recebido em festa!
Na verdade, a Vida terrena é apenas um pequeno percurso no tempo, uma fracção ínfima de um todo infinito.
Um ponto numa linha cujo começo não se identifica e cujo termino não se determina.
Na verdade, a Vida, é apenas a conquista do instante que nos concede a entrada na eternidade.
Sendo assim, se assim for, a morte é tão-somente o mergulho no infinito, no eterno.
O regresso à mão que nos concedeu a oportunidade da experiência de ser.
Até parece fácil pretender a gente embrenhar-se no pensamento de um Santo que até aos 32 anos foi frívolo, amante de mulheres, mas, ao que contam os seus biógrafos: sempre ávido de Deus.
Não será também essa a tradução dos nossos anseios de perfeição, sucesso, poder, e tudo o mais que interpretamos como caminhos de felicidade e realização pessoal?
Não será tudo isso, apenas e somente um anseio de Deus, concebido à medida pequena da nossa pequeníssima dimensão?
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.713 – 6/Junho/03
Conversas Soltas

