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Os Padres das nossas vidas

Sexta-feira, 25.01.08

A morte inesperada do senhor padre Acácio Marques que a todos nós

surpreendeu e a alguns de nós, como a mim própria, provocou sofrimento e um doloroso sentimento de perda, fez-me pensar profundamente na presença, por vezes tão mal avaliada dos Padres nas nossas vidas.

Talvez, também a isso me levasse um dolorido desabafo, de um amigo que muito preso: - “a morte de um padre é também uma desgraça”, e acrescentou; há tão poucos!

Muita gente pensa e diz escarnecendo que os padres fazem isto, aquilo, aqueloutro. E, por tal os julgam e condenam, como se julgar fosse obrigação sua.

 Mas, quando nos baptizam, nos dão a comunhão, nos confirmam na fé, nos casam ou dão a extrema unção, para além dos seres humanos falíveis como todos os demais, eles são nesses momentos muito especialmente a voz e a mão de Deus.

E, não é tão difícil assim de entender. Quando os nossos próprios pais, por mais defeitos que tenham como gente que são, nos abraçam e aconselham – não procedas assim por estas mais aquelas razões, embora continuem a ser os frágeis humanos que erram, são mais, muito mais, do que isso são, na divina medida do humano – “os Pais” são então, a mais sincera voz do amor pelos filhos.

E, quer queiramos quer não, o Padre, enquanto Portugal “ainda” tiver liberdade para, pelo menos, nas igrejas conservar os seus Santos e viver sem perseguições a sua Fé Cristã, os padres continuarão a ser figuras de referência nas nossas vidas.

São ainda os padres que nos encaminham nas aflições e nos abrem caminhos de redenção. Quer dizer, em todos os actos solenes das nossas existências, lá está o “Padre” connosco levando a palavra de Deus às nossas vidas.

Mas, o padre Acácio, que dele vinha falar, era, e foi, um padre especial. Tirava da sua fé a coragem de não agradar, se ela a isso o intuísse.

Lutava pelo Amor de Deus, não para que a amassem a ele.

Quando há cerca dezasseis anos passou uma tarde em nossa casa a falar comigo fiquei a dever-lhe não a piedade, nem a palmadinha nas costas. Fiquei a dever-lhe a coragem de ir em frente.

Depois, pouco mais falamos, a não ser quando baptizou dois dos meus sobrinhos netos e foi almoçar connosco a Juromenha, mas uma ou outra vez, no Comercio do Porto, onde colaborava fazia-me um aceno por escrito.

Guardo-o no meu coração pelo afecto e pela admiração e respeito que lhe devo.

E, hoje pensando nele, pareceu-me justo trazer à lembrança de todos nós “os Padres das nossas Vidas” – que nos amparam, nos aconselham, nos abençoam e que, tantas vezes andam longe demais da nossa gratidão e dos nossos corações.

Rezemos por ele e por todos nós.

                          Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.952 – 17 – Janeiro – 2008

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:54


7 comentários

De Flor do Cardo a 26.01.2008 às 00:49

Já tinha lido este seu texto e tinha realmente
gostado e fez-me pensar nos padres de hoje.
Eu era amigo, muito amigo deste padre que
falava a sua verdade, que deveria ser a verdade
de todos , mas que não é assim.
Gostava dele porque não tinha pruridos em
dizer, em alto e bom som, o que devia aos que
caminhavam longe da verdade.
Era um grande homem - poucos há que sejam como
ele, o que devemos todos lamentar.

Este seu artigo - é um bom artigo - que louvo
pela verdade das suas palavras.
Também sofri com esta perda.
Era o meu confessor, o meu sacerdote por excelência
, o meu amigo Acácio - fora da igreja.

É assim a vida... e a morte...
Deus é que sabe o destino que tem para nós e
o que temos de passar - de bom - e de mau...

Uma coisa Boa - é este blog onde a verdade
a alegria e a sabedoria e a sensibilidade me
fazem feliz.

minha amiga ouço o mar revolto, as omdas a
baterem nas rochas - gosto de as ouvir,
adormecer com este belo embalar.
Sei que sabe do que falo.

Despeço-me até amanhã
Seu amigo elvense

Flor do Cardo

De Dolores Maria a 26.01.2008 às 00:58

Venho de passagem - mas já li o texto.
Achei lindo embora não conheça este
senhor padre. Mas por ser padre e a Tia
falar assim dele, devo confessar que só deve
ter sido muito boa pessoa.
Estou em Guimarães e imagine a coincidência
a minha Tia Joana - tem um irmão que é o
Senhor padre Demétrio que amanhã, Sábado,
comemora o aniversário - 80 anos de vida e 50
de sacerdócio. É um velhinho muito querido
que fala de Deus com um amor imenso, é um
santo.
A minha familia é quase toda daqui de Guimarães.
Eu nasci aqui, nesta linda cidade.

Muitos beijinhos minha amiga.
Bom fim de semana e não esteja triste, os
padres vão todos para o céu e estão juntos
do Senhor.

Beijinhos

DO LO RES
O Avelino também manda beijinhos

De Gustavo Frederich a 26.01.2008 às 01:20

Perfeito!
Este seu texto toca num ponto muito importante
na vida de todos os católicos ap. romanos.
Os padres que conhecemos desde a mais tenra
idade deveriam acompanhar-nos por toda a vida.
Sou muito católico, vou á missa, comungo, rezo
todos os dias e tento seguir os ensinamentos da
bliblia dentro do que acho coerente nos dias que
correm.
Aqui onde vivo, tenho amizade com um velho
padre da igreja da minha freguesia. É um senhor
de idade algo avançada mas que tem uma sabedoria
e descernimento de santo.
Dá-me bons conselhos e ajuda-me espiritualmente.
amanhã vou conversar com ele e vou levar-lhe
cópia deste seu texto. Confesso, não lhe ter ainda
contado - mas falo com ele imensas vezes sobre
os seus artigos, faço-lhe a tradução e ambos
conversamos longamente.
Ele gosta da forma como fala da vida, da coerancia
e lucidez das suas palavras.
Os seus artigos têm importância para nós, na
medida que nos leva a aprofundar assuntos e a
conversar sobre eles.

Lamento a morte deste seu amigo, mas a vida é
assim - dá e tira - com o mesmo sorriso generoso.
Quando menos se espera - lá está o anjo
que nos vem buscar e nos leva deste tempo
em que o viver aqui na terra - chegou ao fim.

Quero muito acreditar que esta parendizagem
nos faça melhorar a alma (onde está a marca
de Deus) - para que Ele nos possa julgar,
sábiamente no final dos tempos.

"Não chores por quem parte
que com devoção sobe para junto do Pai,
Chora por quem fica na vida
que muitas atribulações ainda
terá que enfrentar.
Acarinha os que sofrem a perda do amigo
porque a sua alma está inconformada,
abraça-o na dor e faz-lhe ver que Tu
que estás junto dele - lhe vais limpar
as lágrimas"

Eu limpo as suas lágrimas, não Chore mais!
Beijinhos Tia
este poema é da autoria de um outro padre
meu amigo que já morreu e estará no reino
dos céus.

Seu amigo
Gustavo Frederich

De Bernardo Oliveira a 26.01.2008 às 10:10

Muito interessante este seu Texto.
Realmente nas nossas vidas há sempre um padre.
Este sem duvidas foi um dos que passou na sua vida
e na de muitos.
Hoje em dia, em que os padres não são aos molhos,
por assim dizer, é sempre de lamentar quando um
morre, é como uma lacuna, dificil de alguém voltar a ocupar ou de se ajustar á nossa comunidade
Mas a vida é feita disto - Vida e Morte.

Cumprimenta-a
Bernardo Oliveira

De Julião Dimas Sobral a 26.01.2008 às 16:54

Acabei de descobrir o seu Blog e devo de dizer que
hoje sou um homem de muita sorte.
Este seu cantinho é muito agradavel.
Tem boa prosa e poesia, notáveis reminiscências,
lindas fotografias, belissimos artigos de tantos
e variados temas.
Ve-se que é uma pessoa de alma e sensibilidade
enorme cuja lucidez me encantou profundamente.
Também apreciei os textos politicos - e estavam
muito bem - o que também me agradou.

Devo dizer-lhe que tem aqui um blog como não
há muitos - onde uma pessoa se sinta bem e
feliz pela forma como se comunica e nos fala
da vida.
Bem haja por ser assim como é.
Eu sou de Bragança que gosto muito de andar
por saqui, nestes caminhos... até descobrir um
blog que me encante.
Como este tão seu.
Maria José Rijo deixo-lhe aqui um abraço de
PARABéNS pela alegria que hoje me deu.

Voltarei

Julião Dimas Sobral

De Dina a 26.01.2008 às 17:27

Lembro-me do padre Acácio desde sempre...vivia no mesmo prédio que a minha professora da primária, alguém que também deixou a sua marca em muitos elvenses Dª Mariana Orrico Manaia, depois fez parte do Emissor Regional de Elvas durante algum tempo mas quando penso nele o que me vem logo à memória é a sua diferença em relação à maior parte dos padres da minha meninice, ele era diferente e durante muitos anos não percebi muito bem porquê...só alguns anos depois percebi que a sua diferença afinal era devido ao seu envolvimento com as pessoas não só pelas palavras mas sobretudo pelos seus actos. Ambas concordavam o que nem sempre acontece.

De mariajoaocoimbra@gmail.com a 26.01.2008 às 22:16

Sem dúvida, Maria José. E quando parte, para sempre, uma pessoa especial como era o Padre Acácio, o mundo fica mais pobre.

Um abraço

Maria João

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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