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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Sabe Deus!

Começava a ter saudades, destes dois dedos de conversa que sempre entretêm o espaço de tempo que se ocupa com uma visita.

Mas, todos sabemos que é assim: - metem-se férias, celebração de tradições, encontros e reencontros que as épocas propiciam e, de repente temos consciência que o tempo passou e deixamos para trás muitas coisas que gostaríamos de ter realizado.

Vá então de tentar recuperar o jeito habitual de viver, que, sabe Deus, muitas vezes se corta a contragosto.

E, por ter começado esta visita a escrever “sabe Deus” qualquer coisa dentro de mim me trouxe à memória o fatalismo do fado que, se, se canta, é porque - muito bem - nos canta.

Mas, quer eu escrevesse esse epíteto ou outro, como:

- Quem sabe! -

Sabe-se lá! – Foi Deus!

         Só Deus Sabe! – É a força do destino!

         Quem viver saberá!... Ou: - contará...

         Está no segredo dos deuses... e por aí fora...

         Não estaria tentando títulos certos para fados incertos, ainda que o pudesse parecer.

Estaria aventando conjecturas – mas, conjecturas de esperança, não de desgraças. Porque vividos que estão os pesadelos porque todos temos passado, está na hora de acreditar que o pior já passou.

Que quando a noite finda, é a madrugada que se lhe segue e traz consigo um novo dia.

Essa é a ordem da Natureza – mesmo sobre o caos.

Confiemos.

A gente sabe que as casas nos centros históricos das nossas cidades, se esboroam como biscoitos molhados no chá quente...

A gente sabe que os utentes de cargos políticos e outros, entram para eles cheios de ambições pessoais e saem cheios de dinheiro...

A gente sabe que aqueles que nos deveriam servir de padrão de referência pela dignidade, honestidade, lealdade, rigor com que exercem os seus altos cargos, se expõem dia a dia na televisão e nos jornais a contar, ou, muito, muito pior, a insinuar as piores coisas uns dos outros, desacreditando-se e desacreditando as suas funções e cargos...

A gente sabe, aprendido a duras penas, o que por aí se diz ou, por aí, se faz...

A gente sabe que chegados a este ponto de degradação só é possível acreditar e aguardar o regresso às origens – o recomeço.

A gente ouve que o traçado tal, foi por ali, e não por acolá ou “acoli”...sempre por torpes razões...

A gente ouve que há planos Directores Municipais que fazem piruetas, derrapagens, travagens e avanços impensáveis para passar com seus cortejos de oferendas às portas dos compadres...

 A gente ouve que não tem havido sobreiral ou quinta que tenha conseguido impedir a caminhada dos gigantes das botas altas, que já no tempo das fadas assustavam os indígenas...

A gente, sabe o que ouve, mas a gente não sabe quem o viu, quem garante e prova o que diz...

A gente não esquece o que ouve, e pensa no que, como um eco, se repete... se propaga e nos ofende.

Mas a gente crê, crê com toda a força da esperança que um dia as coisas podem mudar e, mais do que expor no pelourinho os que prevaricaram, é importante começar a apontar os que cumprem, – que também os há-de haver! - Os que fazem bem, os que são justos e segui-los sem desconfiança.

Porque esses sim! Esses é que nos podem mostrar o caminho se ainda o houver como acreditamos.

Tenho a certeza que é mais consolador saber os nomes dos heróis do que dos ladrões.

Todos sabemos quem foi Ali-Bá-Bá.

Dos ladrões, só se diz: que eram quarenta.

Nomes para quê? - Ainda que sejam milhentos...

Herói não é quem rouba.

Herói – é quem salva o tesouro.

 

                    Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal O Despertador

Nº 226 – 6 de Fevereiro 2008

A Visita

 

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