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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Casimiro Abreu

Em dezanove de Fevereiro de dois mil e três, com oitenta anos, faleceu em Elvas este Poeta, que, também em Elvas tivera o seu berço em vinte e dois de Janeiro de mil, novecentos e vinte e três.

Foi a enterrar há três anos discreta e apagadamente.

Não deixou heranças fabulosas em dinheiros e bens materiais deste mundo.

Nada do que torna importantes, as pessoas, nesta vida.

Nada do que torna as pessoas colunáveis e condecoráveis.

Nada!...

Nem sequer foi jogador de futebol!!!

Nem ganhou o totoloto!

Não teve, por isso, um aceno de saudação, oficial, da sua terra, nem foi capa de jornais.

Não está na toponímia da cidade – não é nome de rua, nem de praça!

Nem de estádio!

Foi apenas um Poeta!

Um poeta que fez Elvas crescer na área em que o ser humano, realmente vale – em ideias, em iniciativas que tornaram a cidade conhecida por eventos culturais que alargou até Espanha.

Um poeta que idealizou progresso através de empreendimentos que outros aproveitaram para prosperar!

Um poeta, que com inteligente ironia, glosou em poemas satíricos os símbolos do conservadorismo e do atraso parolo, que impediam a sua cidade de olhar em frente...

Um poeta, cujo capital era massa cinzenta e, a coragem de a usar...

Um poeta que, está também, na génese dum jornal que dirigiu, e que foi lutador, valente e ousado, quando era difícil e perigoso sê-lo.

Um homem que sabia que a Vida, também é risco, e arriscava sem medo.

Um homem que não consentia que atacassem qualquer dos seus colaboradores, e considerava como feita a si próprio, qualquer beliscadura que alguém ousasse contra eles...

Um poeta com alma e coragem, que não virava costas a quem estivesse ao seu lado, lutando por valores que ele entendia como justos e promissores para o bem das gerações futuras.

Um poeta talentoso, que publicou livros onde evoca lugares e usos da sua terra natal, e reminiscências de infância que fazem história, porque referem costumes burgueses hoje, já quase desaparecidos.

Um poeta que encabeçava um pequeno “clã” - de amigos e admiradores - que manteve viva a chama da resistência à ditadura, sem esperar contrapartidas de cargos, honras ou regalias – mas que pelo contrário, lhes punha, a cada passo, a segurança e a liberdade em risco.

Um elvense, que, como outros, também hoje esquecidos, ajudou à instauração da democracia de que, outros “clãs” em proveito próprio, sem ética, nem pudor, (porque não basta à mulher de César, ser séria, é também preciso que o pareça!) se aproveitam afoitamente como se fossem monarcas com direitos de sucessão congénitos!

Enfim ! - fruto dos tempos! – Por certo!

Mas, falta de idealismo, também!

E, falta de outras coisas mais...

Às vezes, apenas egoísmo e apatia das “plateias” que – uma vez instaladas - adormecem frente aos acontecimentos, sem interiorizar o que escreveu Michel Quoist :“ Eu, sou o outro!”

 

Termino com dois versos, apenas, de um poema do livro “Pórtico” de Casimiro:

 

“Depois de ter escutado lamentos fora de mim,

Senti o peito repassado de ais, só iguais,

A choros que vêm de mim!”

 

 

                       Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.855 – 2/Março/2006

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