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Daí que…

Terça-feira, 22.04.08

                       

Já tenho contado Algumas vezes que o terramoto dos Açores – desse horror impossível de esquecer – guardo também uma inesquecível lição de confiança nas pessoas.

Com a terra ainda a tremer em centenas de “réplicas” sucessivas, esquecidos dos bens perdidos (2 terços da ilha reduzidos a escombros) restando a muitos, só a roupa que tinham no corpo – ninguém procurava as riquezas soterradas.

     TerramotoCed4 (2).jpg (59652 bytes)TerramotoCed8 (2).jpg (59882 bytes)

Todos, absolutamente todos, corriam à procura uns dos outros e conhecidos ou desconhecidos, desapertavam-se de uns abraços para novos abraços na pura festa da alegria de se encontrarem vivos.

Foi um momento ímpar de comunhão espiritual, foi um saudemo-nos irmãos do tamanho do mundo, que uma ilha aflorando no meio do oceano – é um mundo dentro do Mundo.

      TerramotoFla1 (2).jpg (54352 bytes)TerramotoFla2 (2).jpg (56205 bytes)

Eu não queria, ninguém queria ou jamais terá querido que um terramoto acontecesse. Mas, porque aquele teve que acontecer, não me canso, ainda hoje, apesar do sofrimento que depois se seguiu, de dar graças a Deus por tê-lo vivido – por ter podido receber o meu quinhão de dor, medo e angustia de ser ilhéu, ao lado daqueles que lá têm que fazer o seu percurso de vida.

              150

Para quem não tente fugir ao que pensa ser o seu dever é bom ter que agradecer a Deus “as frestas” por onde inesperadamente se pode espreitar o homem desprevenido dando instintivamente a dimensão do seu amor ao próximo – a sua dimensão de gente verdadeira.

Daí, que além de outras demais razões, eu aporte na centelha divina de todo o ser humano.

Daí, que eu creia no meu semelhante e em mim.

Daí, que eu não me canse de agradecer a Deus ser uma mulher de fé.

Daí, que eu acredite em milagres….

 

                  Maria José Rijo

@@@@@

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.911 – 23 Outubro de 1987

       

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publicado por Maria José Rijo às 22:30


3 comentários

De Adalgisa Alexandra a 22.04.2008 às 23:18

Gostei do seu texto.
Textos que eu gosto sempre - só têm de ser
seus - como este.

Que horror ter passado por um horror como
o que acabou de contar.
Eu só de pensar nisso morreria de susto.
Mas a Tia já passou por cada coisa na sua vida,
um terramoto não se esquece jamais.

Um grande beijinho.
Gisa

De Flor do Cardo a 22.04.2008 às 23:37

Cara Maria José
Foi ruim ter passado por um terramoto - realmente
é uma coisa que não se esquece facilmente.
Acredito o quanto sofreu, conheço a sua sensibilidade
e acredito que isso a tivesse feito sofrer e sentir
outros sentimentos.

Mas a vida é assim ... um mundo de sensações
a todos os niveis - boas e más.
Estamos aqui para ser testados - levados ao
máximo ponto de tudo o que se pode acontecer
na vida.

Bom texto - lindo o seu blog - ou antes - os blogs.
Os meus parabéns mais uma vez.
A sua sensibilidade é muito bonita.

Luciano

Ah o meu neto está na mesma - estacionado.
Graças a Deus.

De Dolores Maria a 23.04.2008 às 00:37

Olá Tiazinha
Cá estou eu a deixar um beijinho.
Ainda estou algo combalida de tantas coisinhas
mas vamos andando.

O Seu blog - deixe-me dizer - está a cada dia
mais bonito, mais repleto de si - como uma
biografia viva de uma Mulher especial - uma
Senhora das letras, com uma sensibilidade
extraordinária.

Parabéns pelo blog e Parabéns para mim que
tive a sorte de me deparar consigo - aqui -
neste mundo imenso que é a Internet.

Sabe que a minha sogrinha leva horas a ler
os seus artigos. Gosta mesmo de verdade.

Ah... O meu médico o Dr. Manuel de Freitas e
Freitas já leu alguns artigos e prometeu-me
que ainda vai escrever alguns comentários,
~mas quer ler mais para trás e para a frente
(acho que quer ler tudo - e ele que não leia
este comentário ou não sei, não sei...)

Beijinhos Tia
Gostamos muito de si

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LIVROS PUBLICADOS:

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