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Faz de conta...

Terça-feira, 27.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.716 – 27- Junho-2003

Conversas Soltas

 

@@@@@@

 

 

É indiscutível que somos animais de hábitos.

Na minha memória está tão arreigado o hábito de aliar ao som da chinfrineira dos altifalantes a promessa da visita do Circo, que antes de tomar consciência do que nos querem impingir, em altos berros, os carros de propaganda que, de rua em rua, de beco em beco, de porta em porta nos “vendem o seu peixe”, antes disso, frente ao despropósito do alarido,

        

canta-me no coração a lembrança das alegrias e deslumbramentos que os espectáculos circenses com a bicharada, os palhaços ricos que me intimidavam, e os pobres cujas desastradas proezas me fascinavam, sempre me ofereciam nos meus tempos de criança...

Assim que, só depois da íntima evocação, venha o acordar de consciência que nos faz descobrir a origem dos sons, identificar o assunto, pensar e fazer conjecturas...

                     

Segue-se, então o encolher de ombros, o sorriso, o esquecimento ou o despertar de algum interesse.

Ainda há bem pouco tempo foi assim.

Logo, logo, todo aquele carnaval foi caindo em cesto roto, mas a insistência frenética a pouco e pouco aguçou a curiosidade e, vá de tentar, cada qual, entender a causa da barafunda, que, se não fora o “pregão”, para a maior parte passaria em brancas nuvens.

Uma vez postos, quase à força, na peugada dos vestígios, todos pensam de acordo com os ditames da sua cachimónia, e, como é lógico, dos factos e pessoas que conhecem!

Fica-se alerta e ouvem-se nas rádios os “edificantes” improvisos.

Pois é!

Mas, paremos por aqui.

 

Quem recorda os velhos Circos da sua infância, fatalmente recorda fábulas e contos.

Lindas algumas. Horripilantes outras.

Terrífica a fala do lobo que arreganhando a voraz dentuça, disse ao cordeiro: - se não foste tu que sujaste a minha água, foi o teu pai que é mais velho.

E fez imperar, um silêncio de morte.

Daí que, faz de conta, que nada aconteceu.

Vitória, vitória, acabou-se a história!

E, a esta hora todos lá estão comendo pão com melão e deram-me um prato de lentilhas que à luz do sol se transformaram em mentiras.

Alvíssaras para mim que este conto chegou ao seu fim!

 

 

 

                     Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:58


6 comentários

De Dolores Maria a 27.05.2008 às 01:26

Diria que é muito interessante esta sua visão, ete seu
texto.
Sou uma grande apreciadora de fábulas e de Circo.
Gosto de rir com os palhaços, gosto da sua alegria,
das caras pintadas, da festa de tudo o que envolve
o circo.

Parabéns Tia por falar deste assunto - que normalmente está ligado às infancias de cada um.
Como sempre - um texto perfeito.


Muitos beijinhos Tia
DO LO RES

De Gustavo Frederich a 27.05.2008 às 01:39

Impressionante.
Sempre que entram pedaços de lembranças - das
suas reminiscências - do que se passou no seu
passado - interessa-me.
Não sei explicar - mas fico encantado com o imenso
manancial de recordações que estão na sua mente
e coração e alma.
Haverá imensas - pelo que já me aprercebi - um
mundo com 80 anos - repleto de muitas lembranças
- boas, más, mais ou menos - felizes, queridas,
tocantes, sentidas, inesquecíveis, - algumas outras
estão guardadas como sensações - gostos, cheiros,
paladares - e mais um sem fim de sinais que
enchem o nosso universo.

Sabe, gosto da maioria dos textos que publica,
Durante este ano inteiro - acompanhei cada passo
seu aqui - cada crecer dia a dia - na minha
espectativa - da surpresa de cada manhã ou em
cada noite.

Como agora.
Fabulas, circos - são meios - contextos onde a
imaginação me faz sorrir.
Quando era criança - os meus pais levavam-me
sempre aio circo - penso que todas as crianças
passam por essa experiencia - eu ia com prazer
mas porque era apaixonado pelos animais - em
especial pelos cavalos - como pode calcular - no
entanto os palhaços - onde todas as pessoas
encontram motivos para rir - a mim deixavam-me
triste, não entendo muito bem - mas não fico
feliz com eles - alguma nuvem escura faz sombra
no meu coração - e não encontro neles motivos
de felicidades - porém os meus amiguinhos
deliravam.
Coisas da vida!

Adorei esta sua apreciação.
Gosto sempre.
Não deixe de escrever aqui - é que o blog e um
meio que voa pelas alturas de um universo
inteiramente por explorar - completamente - e a
sua "voz" - vai longe - nas suas asas.

Com imensa amizade
Gus

De Aristeu a 27.05.2008 às 01:46

Olá Boa noite
Hoje - agora - neste instante
sou eu.

Acabei de ler este texto que me tocou muito
não só pelo tema em si - que muito me agradou
mas pela forma engraçada como fala dele.

Aliás a sua forma humana de tratar os assuntos, sejam
eles que de tipo forem - são explorados de uma
forma muito especial.
É essa sua forma - terna - de falar que me
agrada - as palavras rendem imenso na sua mão.
Acho que é daquelas pessoas enamorada
pelas palavras e pelo mundo que elas nos levam
a percorrer - universos especiais - o seu universo
é especial - como a sua própria pessoa também é.

Obriagado por esta alegria que me deu.
Recordar a infancia.

Um beijinho

Aristeu

De Maria José a 31.05.2008 às 13:20

Aristeu - queria que soubesse que gosto muito de si
Eu sei que isso nada vai contar na sua vida, porém sinto que o Aristeu vai saber intuir todas as razões que me levam a esta " declaração de amor"
E isso dá-me um conforto íntimo a que não quero fugir.
É bom amar pessoas, ou admira- las porque são isto ou aquilo, ou fizeram ou fazem mais nem sei o quê...
Mas o melhor , o que mais enche a alma é admirar, gostar, porque são gente de verdade, Gente grande de coração como é o Filho que cuida do meu amigo
Luciano
Beijinhos tia Zé

De Adalgisa Alexandra a 27.05.2008 às 01:49

Olá Tiazinha
Muitos beijinhos.
Já li o seu texto e pelos comentários - eu não vou
fugir a esta regra - eu adorei também.
Na minha infância - o circo e as fabulas estão
presentes - eram os nossos presentes.

Obrigado Tia
por este presente

Adorei

Gisa

De linhaseletras a 28.05.2008 às 00:27

Que belo texto, gostei muito e fez-me lembrar os meus tempos de menina, dos circos ambulantes que andavam de terra em terra, e eram muito puros, muito genuínos .
Boa noite

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