Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



"Palavras - palavras - palavras "

Domingo, 08.06.08

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.346 – de 12 de Abril de 1996

Conversas Soltas

            alentejo1.jpg

        Chamava-se Fausta.

         Era pálida, loura, franzina.

         Não lhe recordo as feições.

         Se feia ou bonita, nem saberia agora dizer.

         Teria apenas, tão-somente a inocente beleza de ser criança.

         Nem parecia diferente das demais por estar descalça.

         Olhando por essa perspectiva, diferentes, seríamos as cinco ou seis garotas vestidas com conforto e calçadas, de entre as mais de trinta que frequentavam a escola lá da aldeia, onde ela e eu entramos pela primeira vez, naquele dia.

                  Gato no Alentejo

         Corriam os anos trinta.

         Mais de meio século já resistiu esta ponte de tempo que liga esse passado a este presente que ora vivo. É por ela que o vai - vem da memória me traz lembranças que, inesperadamente, se apresentam tão frescas que as fixo com o espanto de quem julga sonhar.

         Estamos na Páscoa.

         Um cântico da procissão que á luz das velas serpenteia subindo a avenida, perto de mim, traz-me ao espírito palavras já antigas no meu conhecimento.

        Escutadas desde a infância, repetidas saboreando-lhes a sonoridade mas, das quais só muito mais tarde se intuiu a profundidade do sentido que carregam.

         Paixão! Paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

         Paixão, é uma delas.

         E, umas palavras acordam outras que vão surgindo, trazendo recordações.

 

         Então, de repente, a Fausta apareceu-me tal e qual como naquele dia distante em que a conheci vestida de preto.

         Preto de luto.

         Preto já ruço, feio, esverdeado, pobre.

         Preto de mágoa.

         Preto de paixão – morrera-lhe o Pai. Mãe, também já não tinha.

        “A mocinha anda morta de paixão” – comentavam as comadres.

         Crianças que éramos, unidas pelo desamparo de ir pela primeira vez à escola, aproximou-nos.

         Foi de mãos dadas que entrámos na aula, nos sentámos juntas e ficamos companheiras.

         “Não queira ficar ai” – segredou a empregada “que essas moças ás vezes, têm piolhos!”

         Não me mexi. Fiquei.

         Os pés dela, espalmados, com a pele grossa e gretada, perturbavam-me, mas faziam parte da imagem pungente da menina.

Numa lamúria aciganada, as mulheres da aldeia apontavam-na a dedo: - Coitadinha!

         Mas, esse dó convencional, impudicamente exposto, não a vestia, não a alimentava, não lhe aquecia o coração.

         Apenas, talvez, mais a humilhasse ou ofendesse.

         Andar descalça, pedir de porta em porta, eram coisas comuns nas pequenas aldeias do Alentejo, naquela época.

         Não ter pai, não ter mãe eram circunstâncias referidas com frequência sobre outras crianças quando o paludismo campeava e outras pragas sociais que devastavam vidas à compita com a tuberculose que a miséria, a falta de higiene e de esclarecimentos tornavam comuns e já nem alarmavam...

         E, – coitadinha! – Dizia-se a muita gente. Quase a toda a gente – por tudo e por nada.

         Foi então que se rotulou a diferença.

         A Fausta era orfã.

         Orfã, significava ainda e também que mesmo que tudo tivesse, nada lhe viria, jamais, daquelas mãos que seguravam a sua enquanto diziam:

-    Anda! – Vem com o Pai ou, com a Mãe!

Os anos passam. A gente vai vivendo.

 Aprende coisas novas.

  Julga esquecer coisas velhas...

Experimenta novas emoções, novos medos, novas esperanças.

Zanga-se, alegra-se. Triunfa, ganha e perde.

         Chora, canta, ri. Sofre e é feliz.

         Deslumbra-se. Habitua-se. Deixa correr.

         Tudo o que foi novo se vai tornando natural, comum. Tão natural como o rio que corre, a nuvem que esvoaça no céu azul, cinzento, negro...

         Mas, um dia, algo muda e redescobre-se de quantos pequenos milagres se faz a maravilha dum quotidiano a que – às vezes – depreciativamente se chama de ronceiro.

Reminiscências do passado afloram ao espírito. Primeiro quase com timidez. Depois vivas e despertas .

São lembranças.

“Com três letrinhas apenas se escreve a palavra Mãe...”

Orfã – tem quatro só, e conta a falta dela.

E, para designar os Pais que perdem os filhos, os Avós que choram os netos – porque não haverá palavra?! – Ou palavras?!

Orfã , também deveria ser considerado um estado civil com direito a bilhete de identidade. Como solteiro, casado...

Como viúvo.

Palavras... Palavras... Palavras...

Ás vezes de mais – às vezes de menos...

Ás vezes para quê? – se todas nem chegariam.

 

Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 19:07


10 comentários

De Dolores Maria a 08.06.2008 às 22:34

Triste mas bonito.
Já tinha uma alma grande em criança.
Claro que sim.

Muitos beijinhos Tia

DO LO RES

De maria José a 09.06.2008 às 22:22

Meus queridos - tal como tinha dito devo ir para Juromenha àmanhã. Deveremos ficar até domingo, portanto venho despedir-me e deixar um grande beijinho para todos.
A nossa Paulinha fez anos hoje,não sei, por isso, se ela terá tempo para por algum texto.
Veremos!
Fazem favor de continuar a ser felizes
Beijinhos e, até breve se Deus quiser
tia Zé

De Dolores Maria a 10.06.2008 às 01:14

Olá Tiazinha
Espero que faça boa viagem e que esteja feliz.
Muitos beijinhos Tia mas eu continuarei a vir aqui
todos os dias - na esperança que a Paulinha
ponha aqui maravilhas para eu poder ler.
Gostamos muito de si
e tenho de lha contar que no domingo fiz uma
açordinha alentejana para a Luizinha que ficou
cheia de Desejos - deve de ser a Zézinha que
lhe apeteceu

De Gustavo Frederich a 08.06.2008 às 22:49

Especialmente gratificante saber que toda esta
alma que tem agora - cheia de sensibilidade já
a tia em criança - claro que sim.
Só uma criança MUITO ESPECIAL seria capaz
de ter uma reação assim.

Algumas características dos índigos
Conforme Doreen Virtue, Ph.D, conselheira
científica nos EUA, você pode identificar uma
Criança Índigo através das seguintes características principais:
- Possuem alta sensibilidade.
- Têm uma quantidade excessiva de energia.
- Se aborrecem facilmente podendo aparentar
que só mantém a atenção por curtos períodos de tempo.
- Precisam de adultos seguros e emocionalmente estáveis.
- Resistem a autoridade se ela não for democraticamente orientada.
- Preferem aprender por métodos e caminhos
não tradicionais e com prioridade a leitura e a matemática.
- Podem frustrar-se facilmente pois têm grandes idéias mas lhes faltam recursos e pessoas que ajudem a concretizá-las.
- Aprendem através da exploração, mas resistem
a memorização pura e simples.
- Não se mantém sentados por muito tempo a
não ser que estejam absortos em algo do seu interesse.
- São muito compassivos; têm muitos medos relativos a morte, especialmente a perda
daqueles que ama.
- Se experimentam o fracasso muito cedo,
desistem ou desenvolvem bloqueios na
aprendizagem.
E, após todos esses anos de estudo e de
observação, evidenciam-se para mim, alguns
sinais claros de que estamos diante de uma criança “diferente”. Citarei alguns:
- Não aceita o “não porque não”, como resposta. Exige argumentação sincera, plausível e não aceita “enrolação”.
- Seu olhar é muito profundo.
- Maturidade de um adulto.
- Calma, paz interior.
- Alto grau de energia que precisa ser investida.
- Inteligência emocional e espiritual.
- Não sentem medo.
- Sabem quem são e o que vieram fazer aqui, conhecem sua vocação e missão de vida.
- Liderança natural, reconhecida e não forçada.
- Demonstram uma super sensibilidade.
- São especialmente criativos.
- Grande interesse ou mesmo atração por temas ligados a magia, percepção extrassensorial, misticismo, sentidos especiais e “super poderes”.
Possuem amigos invisíveis com quem conversam
e de quem recebem mensagens.
Conversam com animais e segundo informam,
os animais conversam com eles.

Quem sou (Mensagem de um Índigo)
Não me peçam para dizer
Não me peçam para falar
Apenas me permitam sentir
Não digam o que devo pensar
Nem pensem por mim
Por favor.
Não ousem afirmar quem eu sou
Pois vocês não alcançariam
Venho de um lugar distante,
Milhas e milhas à frente
Se desejam conviver comigo
Estejam prontos para a aventura
Aprender e ensinar.
Se desejam me proporcionar
O maior bem, a vida,
Abram o coração,
os ouvidos e todos os sentidos,
Simplesmente,o seguirão.
Abram o coração
E permitam-me fazer o mesmo.
É minha única linguagem,
Minha única canção,
O coração...
(Ingrid Cañete)

...

Achei interessante este artigo.
O que me diz?

Com um grande beijinho
Gus

De Maria José a 09.06.2008 às 22:38

Meu sobrinho Querido
Fico sempre deslumbrada com a sua enciclopédica sabedoria.Que bom deve ser para o "nosso Amigo"Padre conviver com o Gus! Devem enfiar uns assuntos atrás de outros como contas dum colar...
Tenho um sobrinho bisneto indigo -o Lourenço -é tão doce e querido,quanto difícil,mas tem um sentido de justiça arripiante.
Obrigada!
Vou até Juromenha
Beijinhos tia Zé

De António Piedade a 08.06.2008 às 22:52

Passei para actualizar as minhas leituras e
deparei com este texto tão bonito e algo
triste - mas sem deixar desaparecer a beleza
da sua escrita.

Gosto dos temas que escolhe.
Um abraço

António Piedade

De Maria josé a 09.06.2008 às 22:41

Olá!- obrigada por ter voltado e pelo comentário
Um abraço grato
Maria José

De Flor do Cardo a 09.06.2008 às 21:50

Começo por concordar com o Gustavo Frederich
porque realmente a Senhora Dona Maria José Rijo
foi uma criança especial que se transformou na
alma bonita e imensa de sensibilidade que sempre
tem sido ao longo da sua vida.

Tudo o que sei de si - minha amiga - é digno de
uma alma superior, de um estatuto avançado na
ascenção das almas (ensinamentos de meu neto)
e que eu acredito serem verdades em si.

Este texto é especial mente bonito e claro com uma
ponta de triste - para mim vai contar como uma
reminiscência - que de facto é.

Minha amiga - hoje já com forças e saudades de
estar por aqui - caminhar neste chão de sua casa
já me sinto mais confortado e uma ponta de
alegria encheu o meu coração.
O Aristeu tem falado de uma nova fotografia - aqui
na barra do lado -que fui ver - e é uma foto de
como me lembro de si ( das primeiras vezes que
a vi - na companhia do Ze) claro.

É bom caminhar no passado e olha-lo agora
com outros olhos. Fiquei feliz de a rever.

Um beijinho e boa continuação.
Com amizade e admiração

Luciano

De Maria José a 09.06.2008 às 23:03

Meu Amigo
Várias vezes tinha já pensado em si com alguma preocupação. O Aristeu tinha-me dito que estava cansado e, por mim avalio que, por vezes, cansado quer dizer adoentado.Ainda bem que era infundado o meu receio.Como sabe os meus laços com seu Filho e Neto já estão apertados como pediam o seu coração e o meu.
Obrigada. Muito obrigada.
É reconfortante herdar a amizade dos filhos dos nossos velhos amigos. Obrigada.
Agora só falta que me ofereçam um retratinho dos tres.
Gostava de pedir o mesmo aos outros amigos fieis, mas como receio que me achem intrometida, não ouso...
Obrigada por tudo - beijinhos - maria José

De artesaoocioso a 10.06.2008 às 11:08

Também conheci a pobreza dos anos trinta.
Os sapatos cardados, a roupa voltada » para ser aproveitada, as bolas de trapos e a vida triste.
Com o seu belo e comovente texto também a minha memória viajou até aquele tempo.
Cumprimentos

Comentar post





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Junho 2008

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930


comentários recentes

  • Anónimo

    Cá estou eu ... meia hora depois da meia-noite...B...

  • Anónimo

    PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS Muitos beijinhos n...

  • Anónimo

    Minha querida TiaMuitos Parabéns pelos 94 anos - q...

  • Anónimo

    Boa AmigaSou o filho de Augusta Silva Torres que a...

  • Anónimo

    Eu sabia... sabia que era este mês que a tia fazia...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

BLOGS DA CASA

EFEMERIDES

Aniversarios Blog

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2020

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Blogs- quem nos cita



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.