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Reminiscência - nº 32

Quinta-feira, 12.06.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.973 – 12 Junho de 2008

Conversas Soltas

Reminiscências - nº 32

         

 

As mulheres lá na aldeia quando viam uma pessoa magra diziam sem hesitações, -  coitada ! Parece que não come pão de gente.

Em contrapartida se eram avantajadas de peso, eram apreciadas como sendo tão “profêtas que tinham um pêto que nã viam-na barriga e uma barriga que nã viam-nos péis”.

Era portanto esse o paradigma, a referência, para a perfeita formosura – volume!

 Mais ou menos a situação de que hoje, se diria – necessita banda gástrica – mas... Era assim.

Ao ter conhecimento do desaparecimento recente de um célebre costureiro francês, cujos figurinos vestiram com a maior elegância estilizadas beldades do nosso tempo, por uma destas ligações inesperadas da memória, fiz o confronto íntimo entre estas duas tão diferentes noções de beleza e a evolução de modas e costumes, através dos tempos, mesmo nesses povoados perdidos nas lonjuras das distâncias do Alentejo, onde nem os jornais chegavam e a que hoje a televisão, igualiza os anseios e os sonhos.

Dei então comigo a sorrir e quedei-me enfronhada em lembranças desses tempos que mais ou menos, sempre me divertem, mas, não menos, me dão razões de angústia, para pensar.

Porque, num meio tão pobre, onde o trabalho era sazonal e entre tarefas, sempre, ligadas a actividades das lavouras, em que mais ou menos todos ganhavam o pão de cada dia, havia épocas em que a maioria não tendo trabalho, não tinha de que viver, – e tinha que mendigar, envergonhada, de monte em monte para conseguir subsistir, – não seria de esperar que a magreza, que poderia ser, traduzível, por fome, pudesse competir- em beleza -  com a imagem de um avantajado físico que  evocasse  mesa farta...

Esses tempos, estão a várias décadas de distância dos meus dias de hoje, mas, foi tão marcante para a minha formação tê-los presenciado que deles guardo até hoje a lição de Vida que deles apreendi.

Logo a seguir a ter terminado a quarta classe, a ida para o Liceu afastou-me, fisicamente da aldeia, embora, a marca da sua vivência, como um ferro em brasa, - dela – e da sua gente, me tenha feito para sempre - pertença.

Tudo isto porque evocando os meus nove ou dez anos, a que reportam estas memórias pensei nos jornais infantis que então a criançada lia. Eram o Senhor Doutor, era o Tim-Tim, outros que agora não me ocorrem e, era também, o suplemento infantil do jornal “O Século” o – Pim-Pam-Pum.

                  

Pois esse suplemento que, saía semanalmente, contava as aventuras de uma rapariga assaz desempoeirada que se chamava Farolinhas Faroleta  e que se tornou o meu ídolo de criança.

Para me parecer com ela, copiei o seu penteado com risquinha o meio e tufos de cabelo de cada lado da cabeça

 Já que não a podia imitar pilotando avioneta, viajando pelo estrangeiro, e era impensável que me deixassem fazer um fato de xadrez com uma manta de viagem, ou, outras coisas que tais, que a minha heroina inventava e deliciavam a minha fantasia de criança, pelo menos a “ moda” do cabelo não perdi.

Que, isto de modas, é mesmo assim: - têm que ver com o nosso mundo interior para que nos assentem como segunda pele e nos deixem confortáveis.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:01


3 comentários

De Luisinha a 12.06.2008 às 17:28

Oh tia querida
Sabe que adorei esta sua reminiscência?
Sou uma apaixonada por reminiscências, por
histórias de outros tempos e a Tia conta-as de uma~
maneira excepcional.
Aproveito para lhe perguntar como lhe chamavam
quando era pequena, Maria José ou havia um outro
nome? é Que eu queria chamar à minha Nina esse
mesmo nome que lhe chamavam a si - não me
ocorre nenhum - e tenho cá dentro de mim - que vai
ser uma Maria José. Se Deus me fizer essa vontade.

Muitos beijinhos Tia

Luisinha

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