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Reivindico!

Quarta-feira, 18.06.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.719 – 18 /Julho/03

Conversas Soltas

 

Mandaram-me, pessoas amigas, uma bela fotografia tirada no deserto de Moçâmedes, junto a um exemplar dessa maravilha, que merece a toda a gente, visita e registo fotográfico, e, que é, nem mais, nem menos, do que a celebérrima Welwitchia mirábilis.

      

Este nome de Welwitchia, advém-lhe do nome do botânico austríaco Friedrich Welwitsch (1806-1872) que a classificou.

                

Trata-se de uma planta dos desertos quentes de África, em forma de volumoso cogumelo de cinquenta a setenta centímetros de altura que parece partida por um golpe de machado em dois pedaços, configurados por grandes folhas persistentes, podendo ultrapassar dois metros de comprimento.

 

As flores são em espiga, têm seis longos estames, anteras com três células e, o fruto é um cone escamoso, amarelo ou vermelho, de onde as escamas se separam isoladamente libertando as sementes – assim reza a botânica que consultei.

 

Ora, perante tanta celebridade, tanta fama, concedida a uma espécie vegetal só porque consegue viver na adversa secura de um deserto, não admira que me apeteça reivindicar igual ou maior fama, registo individualizado em botânicas e dicionários, glória e destaque para a nossa vulgar e saborosa MELANCIA.

       

       Quente como um deserto, é no Verão o nosso Alentejo.

Bafo de lume é o que parece que se respira na estiagem impiedosa.

 

Nessa estação, saem da terra esturricada pelo sol, ondas de calor que criam miragens aos olhos quase cegos por tanta luminosidade, de quem se afoitar a percorrer os campos silenciosos, onde ás vezes até as cigarras emudecem...

 

E, aí, nessas terras de sequeiro, nasce e se cria a melancia. Serpenteando rastejam seus ramos gavinhosos de grandes folhas verdes que o sol chamusca com a ajuda da aragem escaldante, que, como febre, contorce e resseca o viço de quanto se atreva a querer por lá medrar...

        

Pois aí, sem mais nem menos, com sua casca em tons de verde, escuro, claro, ou listada, na terra de aparência exausta e morta cresce, e engrossa a redonda, gorda e suculenta “citrullus vulgaris”, planta hortense de frutos comestíveis refrescantes e ricos em vitaminas A, B1, B2, e C.(como a retrata a botânica)

Não sei de onde ela extrai a água...

Mas, ela consegue esse milagre.

Depois, oferece-a transformada em sumo vermelho e doce que dessedenta, conforta e lambuza as bocas gulosas que a devoram na procura de consolo e de frescura que regala.

Reivindico, pois, fama e glória para essa milagrosa criação da generosa Natureza.

Afinal a sua origem é também a África...

E, como estamos num pais de permanentes contestações, exijo esta reparação.

Imediatamente!

Já!

Que ninguém mais visite o Alentejo, no Verão, sem levar orgulhosamente consigo, uma bela foto ao lado de uma monumental melancia!

 

           Maria José Rijo 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:48


5 comentários

De Dina a 19.06.2008 às 01:48

Adoro melancia. Este texto fez-me lembrar os meus tempos de criança, passados no Alentejo precisamente nos meloais que o meu pai semeava.
Ele morreu era eu muito jovem mas ouvi a minha mãe repetir tantas vezes que não havia ninguém que conseguísse melões e melancias mais doces que as dele, que tinha um jeito especial para lidar com a terra, que tinha umas mãos que transformavam tudo o que tocavam em autênticas maravilhas.
Seja por isso ou porque actualmente as coisas já não têm o mesmo sabor, já há muito tempo que não como uma melancia realmente saborosa. Espero que seja este ano.

De Dina a 19.06.2008 às 02:48

Graças a este texto também eu escrevi um sobre melancias. Obrigado por me fazer recordar tempos tão felizes.

De dualidades np a 19.06.2008 às 10:42

Não pude deixar de comentar...
Justiça seja feita à nossa melancia que tão bem sabe nesta época do ano!
Fresca e doce não há melhor manjar para um almoço quente que precede uma reconfortante sesta.
Beijinhos

De Flor do Cardo a 19.06.2008 às 17:42

Realmente só a minha amiga para me levantar a
moral que ultimamente tem andado tão por terra.
Li atentamente o seu comentário para mim - o que
me deixou muito mais animado - essa perspectiva
de caminhar para o são Mateus - recordou-me os
velhos tempos e sorri... sorri com o seu comentário,
é que a Senhora tem uma forma única de comunicar.
Muito grato pela "força" que recebo neste caminhos,
nestas descidas para o fim...
Grato sempre.

Sobre a melancia tenho que concordar consigo,
realmente a nossa melancia é unica, bendita seja
ela no nosso Alentejo.
Gostei imenso do texto e como sempre está muito
bem escrito.

Um abraço

Luciano

De Gostavo Frederich a 19.06.2008 às 18:07

Olá Tia antes de mais quero muito agradecer-lhe o
lindo comentário que me dirigiu.
Devo dizer-lhe que tudo o que digo aqui - é real e
verdareiro, sem rodriguinhos como dizia a minha
tia... eu GOSTO imenso desta sua forma de escrever,
de contar a vida. Gosto da forma como trata os temas
um poucos mais politicos, da realidade em que os
enquadra e da LUCIDEZ tremenda que acompanha
cada um deles - estou impressionado com o seu
blog - que vejo como uma sala aberta - uma
exposição impressionante de arte - arte a vários
niveis e trabalhos de diversos materiais.

Sabe, acho que ficaria aqui até terminar os caracteres
disponiveis para os comentário e não terminava...
Estes seus dominios são excepcionais e quero
muito acompa-los dia a dia, já que praticamente a
minha prima os actualiza diariamente.

Hoje temos um texto real - sobre a melancia - sou
um apaixonado pela cor - as melancias são de uma
riqueza em água que impressiona.
Repare:
A melancia, natural da Índia, pertence à
mesma família da abóbora e do melão.
É uma planta rasteira, com folhas grandes
e flores pequenas, de cor amarela. A fruta
pode ser arredondada ou alongada, com
tamanho variável entre 25 e 75 cm. A casca
é lisa, lustrosa, verde-clara, com estrias de
um verde mais forte no sentido do comprimento.
Sua polpa é vermelha, com muitas sementes, achatadas e pretas. Há uma variedade de
melancia, conhecida como melancia-japonesa ou katama, que tem polpa amarela. Em geral, a melancia é consumida ao natural, como
sobremesa, principalmente no verão. Sua
polpa dá também um excelente suco e uma
compota de sabor muito agradável.
--A melancia é uma fruta altamente refrescante,
ideal para ser consumida nas épocas de muito
calor. Tem propriedades hidratantes (contém
cerca de 90% de água), além disso, possui
também açúcar, vitaminas do complexo B e
sais minerais, como cálcio, fósforo e ferro.
--Uma melancia de boa qualidade tem casca
firme, lustrosa e sem manchas escuras. As
manchas claras não são sinais de um produto
de má qualidade. Para saber se está boa por
dentro, bata com o nó dos dedos na casca.
Se o som for oco, a melancia está boa. Também
é possível saber se ela está boa calando-a: corte
um pedacinho e prove. Lembre-se que as
melhores melancias são as que têm polpa
vermelha e bastante suco
--Fora da geladeira, a melancia se conserva bem durante uma semana, se guardada em lugar fresco
e arejado. Depois de cortada, deve ser conservada na geladeira, envolvida em plástico ou papel de alumínio, para evitar que absorva o odor de outros alimentos. Se quiser apressar o amadurecimento
da fruta, basta embrulhá-la em uma folha de
jornal por um ou dois dias.
-- polvilhada com açúcar, a melancia fica
mais digestiva.
aproveite a parte branca da melancia para fazer doce, que se prepara da mesma forma que o
doce de mamão verde
quando for comprar melancia, escolha
comparando duas frutas do mesmo tamanho:
fique com a mais pesada
--a maior melancia conhecida pesava mais de
90 kg.
para curar erisipela, aplique uma pasta feita
com polpa e casca de melancia trituradas
para combater a febre, tome suco de melancia
ou coloque fatias da fruta sobre a barriga
as sementes de melancia são boas para curar infecções das vias urinárias. Triture as sementes
e prepare uma emulsão. Tome depois que
esfriar a melancia é ótima também para
eliminar o ácido úrico do organismo
--
Achei engraçado estas informações.
Deixo para si.

Com muitos beijinhos e grande admiração
Gus

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