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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Ângulos diferentes

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.642 – 25/ Janeiro /2002

Conversas Soltas

 

Valendo, embora, como sempre, a sabedoria popular de que a cada cabeça cabe dar uma sentença, acho que a história das formigas que uma rajada de vento assoprou para cima dum elefante pode, melhor, servir de exemplo

Quando se observam por ângulos diferentes, os mesmos acontecimentos.

 Na verdade, a que caiu sobre a tromba, contava depois, esbaforida de medo, que uma serpente lhe saíra ao caminho e a lançara com violência pelos ares.

A que pousou numa perna, narrava, quase incrédula, que descera por um tronco tão grosso e áspero que nem parecia real e, que se movimentava...

Já a que dera voltas e reviravoltas primeiro que conseguisse sair da orelha do paquiderme, falava dum entontecedor passeio num redondo planalto de onde se avistava quase toda a floresta em redor...

Todas falavam de um mesmo animal, só que, cada qual tinha apenas a perspectiva da parte que conhecera.

Em política, muito se passa deste modo.

Perde-se a perspectiva do todo, e puxa cada um a brasa à sua sardinha, tirando conclusões precipitadas, ou as que melhor lhes convêm.

 

 Olhar cada um só o seu pedaço, transforma a política num compadrio, numa tarefa menor, bem longe da nobre arte de governar. A percepção dessas situações torna o povo desconfiado, descrente, e convida à generalização que o faz olhar a parte, como um todo, classificando os políticos, sem excepções, de mentirosos e falsos, o que, parecendo lógico é injusto, porque sempre houve e haverá bom e mau, na política, como em tudo.

As manipulações de resultados e de percentagens se não sugerissem a manipulação dos destinos das pessoas dariam para rir...assim, não.

Contam-se maiorias absolutas que, bem feitas as contas nunca existiram.

Quando num todo, quase cinquenta por cento se abstém; uma boa percentagem vota branco, onde vão buscar essas tais maiorias?

Como tal pode acontecer, não entendo.

Ou será que um país se pode assim fraccionar, deixando de se considerar o valor e peso numérico – maior às vezes – dos que se calam e não pactuam -  do que, daqueles outros,  que se submetem e , mesmo descrentes, vão colaborando?

Como se podem ignorar esses indicativos e, não os contabilizar?

Vejamos:

Em 19.875 eleitores, votam – 10.975. Alheiam-se 8.900.

Juntando a esse número 354 que votam branco, temos 9.254 eleitores que explicitamente voltam costas ao sistema.

O P. S. ganhou com 8.085.

Sem precisar de mais números, fica evidente que ganhou a indiferença!

Haverá lugar para festejos perante tais resultados? - Creio que não.

Não será, antes, altura para que cada um procure entender e ler, o todo, da voz de um povo, em lugar de só fixar a fatia que lhe é favorável? – Julgo que sim.

Num qualquer clube de futebol os adeptos estão filiados. Podem contar-se.

       

A direcção do Benfica é eleita por benfiquistas, no Sporting, por sportinguistas...etc...etc...etc...

Num partido político, não é assim. Os partidos políticos, como os tubarões, trazem atrás de si cardumes de peixes miúdos que vivem parasitando, alimentando-se do que catam dos grandes. São uma chusma omnívora, voraz e flutuante que corre para onde algo lhe escorra para o papo.

Só têm um fito: - fartar-se – não importa de quê, nem à custa de quem.

Tendo aprendido isso, com a sua inata argúcia, o Povo, desiludido, abstém-se. Reprovando assim as malfeitorias que em nome da política se perpetram e recusando a cumplicidade do seu voto explícito.

Fazendo uma leitura autista dos resultados há lugar para foguetes.

Há sempre lugar para foguetes, para quem os queira deitar...

 Não faço futurologia, mas, creio firmemente que a chusma flutuante que já vi noutros séquitos, se a maré virar, também virará. Porque isso de convicções, fidelidade, princípios, honestidade, firmeza de carácter, ideais, em conclusão: - vergonha! – Está com muito baixa cotação na bolsa de valores correntes.

              Caos nas bolsas de valores do mundo todo

E, filiados na cor, haverá, tantos assim?

Dizia-me outro dia, pessoa amiga, a propósito destas massas flutuantes, que hoje há poucos homens a quem se possa e deva tirar o chapéu!...

                    

Se calhar é por ter perdido essa nobre função de mostrar deferência para quem possuía tais (perdidas) virtudes que o costume de cobrir a cabeça caiu em desuso!...

 

 

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