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“ E nós ... pimba !

Domingo, 24.08.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.333 – de 12 de Janeiro de 1996

Conversas Soltas

           

 

Até que enfim encontrei algum sentido para o tema desta cantiga sem jeito, nem maneira, tão barulhenta e agressiva como um saca-rolhas que se metesse no ouvido.

É verdade.

É que nós – pimba! – Lá temos que ir votar outra vez.

Como o mal não é cantar.

O mal pode ser o que se canta – como mal pode ser em quem se vota.

Quem vota escolhe.

E, ninguém gosta de ser obrigado a escolher entre quem não lhe agrada para um determinado efeito.

Tenho a convicção de que, como eu, muita gente, neste momento se sente perplexa perante a obrigação cívica de votar.

Não se trata aqui de dizer mal deste ou daquele.

Não é isso.

As pessoas em questão até podem ser maravilhosas.

São-no, certamente.

As famílias e os amigos assim o garantem e repetem, e os vizinhos do lado, também.

Só que – para muito boa gente – como para mim, não têm o perfil certo para o lugar a que se candidatam.

Todos nós gostamos de nos rever em quem nos representa.

Agente gosta de escolher entre pessoas que admira, respeita e em quem acredita.

Não nos importa grandemente o que eles dizem ou, deles se diz.

Ninguém esquece o que deles viu, conhece, sabe – ouça o que ouvir...

E nem o ar descontraído, simpático do homem de cultura, a palavra fluente na ira, na ironia, ou na alegria – de um – faz esquecer o voto em Otelo... (o tal que afirmou poder resolver tudo com uns fuzilamentos no Campo Pequeno).

... Nem os beijos de telenovela barata, nos fazem esquecer a postura hirta, a rigidez de cimento armado do procedimento do outro... (Pese embora o seu saber, a sua honestidade e fidelidade aos adeptos).

Em nenhum deles me revejo.

Acho as campanhas, desta vez, pior do que pobres.

Acho-as mesquinhas, quase perversas.

              

Críticas civilizadas – embora rigorosas – com depoimentos muito inteligentes, só escutei duas: de Almeida Santos de um lado, de Ferreira do Amaral do outro.

O resto, de quanto ouvi, (e foi muito) só me pareceu roupa suja, insultos encapotados e ideias esfarrapadas repetidas até ao cansaço.

Ideia brilhante – só uma – aquela de fazer inquéritos de rua em capitais estrangeiras com três retratos na mão.

                  Mário Soares – Cavaco – Sampaio.

Como é óbvio só um não era identificado: - Sampaio.

Assim se redita (com eficiência) a mais valia de dez anos de governo.

Se é a compasso com a Europa que temos que seguir – Já é qualquer coisa colher frutos desse respeito.

E, como mais vale um mal conhecido...

Gostando do meu País como gosto mesmo contrariada irei votar.

Irei com a consciência de que vou sentir saudades do passado.

Mas, terei esperanças no futuro.

Espero ainda um dia ter a representar esta nossa Pátria – este Portugal – velho de séculos – alguém que sinta e fale a clara linguagem do povo português.

Alguém que sonhe para uma criança que se espera, não as riquezas do mundo, mas: “graças de santidade, Saúde e inteligência”.

Porque numa pessoa assim dotada cabe a tolerância, a abrangência, a bondade, o respeito pelos outros e tudo o que há de maior nobre no coração do Homem.

E, a distância que vai daí a um “corredor político” de profissão, é idêntica à que vai entre votar porque se gosta ou esta cantiga de: - nós pimba! – Termos que votar.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:15


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