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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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E... Arriba Espanha!

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.359 – 12--Julho--1996

CONVERSAS SOLTAS

  

Como foi – posso contar.

Se, por ventura foi como deveria ter sido – já é discutível.

Numa praça bem em evidência um local sinalizado para um aparcamento de carros de deficientes.

                                        

Pode ser ali, decide o condutor da viatura confiado no sinal colocado nos vidros que indica que é essa a condição do proprietário.

                  

Tranquilos vão resolver os problemas que os levaram á cidade de Badajoz na tarde escaldante.

Demoraram-se apenas o necessário. Não muito.

Ao regressar não têm carro.

                    

Em seu lugar, colado no passeio um aviso colorido, dum vermelho reflector com letras negras que indicam que a grua fizera a transferência do veículo.

Ultrapassando o desconforto do impacto da situação, telefonam para a polícia e mais isto e mais aquilo...

Tomam notas apontam referências.

Utilizam um táxi e vão parar lá onde o diabo perdeu as botas em procura do carro que lhes pertence e se afigura ter sido indevidamente retirado dum local que lhe era reservado por indicador próprio

                           1[1].jpg

Os amáveis intermediários que facilitaram e promoveram os contactos telefónicos referem delicadamente que em Portugal fazem pior aos espanhóis.

(farão? – não sei!)

Que a polícia portuguesa multa indiscriminadamente e apreende os carros se não pagam imediatamente.

(Será? – não sei!)

Também previnem que todos os cuidados são poucos para quem se introduz onde os carros ficam detidos.

Que é um bairro onde os assaltos são moeda corrente.

Cria-se um clima de constrangimento. Mas, a aventura segue.

                                   

A autoridade que preside ao aprisionamento dos veículos frente ao cartão de invalidez a 100% que lhe apresentam – desfaz-se em desculpas. O condutor da grua – cora de vergonha – apenas cumpria a ordem da polícia que o convocara por rádio.

Ambos ensinam como deverão proceder as indefesas vítimas deste equívoco para tentar que os seus direitos sejam repostos.

Tudo certo.

Porém! – Só libertam o carro mediante a entrega de 13.000 pesetas.

Uma senhora portuguesa empresta a quantia – o carro é restituído aos donos.

Talvez que dentro de 3 meses – no mínimo recuperem a verba desta forma tão pouco ortodoxa lhe foi extorquida.

Talvez!

Ao que dizem o símbolo que o carro exibia não é idêntico ao que se usa em Espanha.

Pasma-se que não seja internacional como é a cruz vermelha, ou outros...

Aliás – pasma-se por muitas outras coisas.

Confesso que também pasmei com esta história.

Com esta complicada história!

Mas... adiante

Arriba Espanha!

Viva Portugal!

 

Maria José Rijo

 

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