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“REGRESSO“

Quarta-feira, 27.08.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.357 – 28- Junho-1996

Conversas Soltas

                    

Às vezes quase inesperadamente, o nosso espirito fixa-se em interesses novos e as preocupações do dia-a-dia ficam como que submersas. Porém, reaparecem a breve trecho e tudo se reestrutura em nós como se nada tivesse acontecido.

Basta retomar o ritmo da vida dentro do nosso espaço habitual, compulsar cartas e jornais alinhados por datas, conversar com amigos e desconhecidos e, eis que está feito o ponto da situação.

Assim se entra na rotina doméstica.

Para acréscimo sempre se apresentam como complementos, propagandas de todas as espécies – até, boletins cheios de cor em lustrosos papéis.

A época também ajuda.

É verão, anda tudo na rua.

São os Santos Populares. Temos o jardim brilhando de luminárias e os comes e bebes oferecem a tentação quase, irrecusável dos churros e caracóis.

Poucos resistirão ao “convite” – até porque a isto se soma a mostra de artesanato como prometedor aliciante.

É evidente que, acontecendo tudo isto na minha vizinhança e querendo eu ficar “à la page” – fui.

Pois... antes não fora.

Antes lá não tivesse ido.

Distribuição de “mostra” mais confusa não sei imaginar.

Confusão de ordenamento de espaços poderia ser o título próprio para a balbúrdia que lá está exposta.

A nossa Câmara representa-se, ou apresenta-se, ou... (não lhe mereceu a Cidade a deferência de o fazer condignamente) e recebe-nos numa barraca – que barraca! – Sem ar nem graça e, tendo por complemento a tabuleta que diz: Turismo – colocada às três pancadas.

Uma “apagada e vil tristeza”.

Tive a impressão de que todos os inconvenientes da feira estavam como que acampados, livremente, à espera da designação dos seus locais de arrumação.

Verdade que tive.

Mas... não!

Era já o produto acabado.

Que pena! – Diga-se “sem tabus”.

Talvez que essa barafunda tenha facilitado o assalto que a feira sofreu.

Quem sabe?!

Pelo menos provou-se que os tais 10.000 contos de grades (segundo li) de nada valeram no caso presente.

Quando será que se entende que nem só de pão vive o homem?!!

Mas... sabem que mais? – Não estive para me incomodar.

Voltei para casa como quem lesse quadras em manjericos, assim:

Não te rales ó Maria

Deixa lá, que tu vais ver

No Boletim, qualquer dia

Que lindo que isto vai ser

                

Escolhidas opiniões

Papéis, cores e pinturas

Farão balões e balões

A subir lá nas alturas...

E... assim vai o mandato das obras – que sendo verdadeiras e necessárias – são também o retrato chapado da falta de imaginação, criatividade, golpe de asa – semente de futuro.

Apenas – pedra sobre pedra – sem mais nada que uma árida e nua ambição de poder.

Como se uma cidade fosse apenas um conjunto de casas, ruas, esgotos, etc, etc,

Como se uma casa – fosse um lar – só por ser casa...

Melhor do que ninguém – o Homem da Quinta do Bispo – escreveu assim:

“Com os seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e o seu aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa, um apelo súbito às energias mais fundas da nossa sensibilidade.

Qualquer dos grandes peregrinos literários de quem herdámos o veneno romântico do amor ao que se foi para nunca mais – Chateaubriand ou Barrès – bem poderiam ter-se sentado à sombra das suas muralhas e ouvir, de coração encostado a elas, a marcha compassada do tempo, marcando o ritmo da eternidade”.

 

Este é o verdadeiro espírito das coisas.

Afinal essa é a verdade – a mensagem que transmitem – o recado que deixam como herança às outras gerações e essa tem que ser a força impulsionadora que ligue – uma – condicione – até – o simples arrancar de uma pedra da calçada.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:27


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