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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.349 – 3-Maio- 1996

Conversas Soltas

.

Dizia-me minha Mãe, no dia do seu aniversário, que as vacas loucas, coitadas, eram apenas vítimas.

Quem estão loucas são as pessoas e o contágio passou aos pobres bichos indefesos.

Alimentando a sua curiosidade e interesse pelo mundo que a cerca através da rádio. Atenta aos noticiários, faz, à luz da sua inteligência e formação moral, um confronto muito particular entre o “seu” mundo e o mundo de agora.

Desta vez focava a sua atenção para dois casos. As vacas loucas e o programa do Herman.

                    

Tudo loucuras como dizia com ironia e graça. Lamentava não ter visto o programa.

Mais propriamente: lamentava não poder ver qualquer programa.

No entanto pelas críticas e pelo tema fazia os seus juízos e queria, pedia, a todos nós pormenores que lhe permitissem entender melhor as opiniões e reparos ventilados pelas mais diversas personalidades que ela, com atenção escutara…

                              

Sabia o parecer de Maria Barroso e outros que resumia para confrontar com a nossa apreciação.

Que importância, terá isso, – dirão!

Eu julgo que importa e muito.

Minha Mãe nasceu em 1900.

Pela graça de Deus continua ágil de raciocínio, de inteligência viva e atenta ao que a cerca com um agudo espírito de observação.

Convive com gente jovem.

Do seu tempo ninguém já resta e as visitas de casa têm idades paralelas às dos netos e bisnetos.

Assim o seu parecer surge como contra-ponto referenciando valores de ontem e hoje.

São quatro gerações que se confrontam nas avaliações que faz o que torna os seus comentários muito interessantes e aguça a curiosidade dos jovens que volta e meia repetem: “Vamos ouvir o que a avó Ana diz disto?”.

Ultimamente tenho ouvido muitas referências a um filme que – no mínimo – é considerado “estranho”, “perigoso”, etc... etc,...

Vou procurar ler e informar-me.

“Kid” – julgo ser o nome.

Desde chocante a alarmista ou estarrecedor – tudo se lhe chamava.

Quero ver como o comentará minha Mãe, quando dele se der conta.

Vou procurar ter condições de satisfazer as questões que sobre ele, por certo, me porá.

                          

Ah! – É verdade, ela diz que o Herman é como todos os filhos únicos muito mimados.

Tendem a ficar invariavelmente mal-educados, vaidosos e cheios de caprichos.

No caso dele é muito talentoso – ainda abusa com mais facilidade da permissiva mediocridade do meio para chamar as atenções que a qualquer preço quer só para si próprio.

Eu concordei.

 

Para mim, o Herman, ou é genial, o que não pode ser a todo o momento – ou é tremendamente ordinário o que acontece com muita mais frequência.

E, como está na moda!...

É como as roupas de farda – já nem é necessário passá-las a ferro – estão sempre funcionais.

Uma coisa é certa:

Se ele quis superar os programas super-ordinários da S.I.C retirando á “Antena Um” o que lhe restava de obrigação de ser um Serviço Público – conseguiu-o!

 

 

 

Nunca o bronco e oportunista critério de Teresa Guilherme teria ousadia para tanto.

 

Maria José Rijo

 

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