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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Se bem me lembro...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.895 – 7 de Dezembro de 2006

Conversas Soltas

 

Esta conhecida frase, quando proferida por Vitorino Nemésio, numa rubrica de televisão assim também designada, era como que um abrir de portas para espreitar a alma desse humanista, português de lei, que, também foi poeta e escritor universalista. Porém, agora, penso que essa mesma frase, proferida por essa mesma pessoa, só tinha essa abertura porque, Vitorino, já não era jovem, quando a escolheu para evocar, partilhando connosco o que da sua vivência mais aflorava ao seu espírito. Ainda com seu sotaque da ilha Terceira, lá ia soltando como onda atrás de onda, sem nunca se antever exactamente até onde se espraiaria a riqueza armazenada do seu saber – aqueles esparsos da memória que com a palavra narrava e, com as mãos moldava, e, de que, como diriam seus irmãos ilhéus, guardava mistérios. (o que quer significar: incontáveis, imensos, no dialecto açoriano)

                             

Pois não é que, assim como perfilhamos versos de poemas, porque neles encontramos retratados os nossos sentimentos, os nossos mais íntimos e indefinidos anseios, também, talvez mercê do tempo já vivido, eu tenha ganho afecto a esta frase, tão breve na quantidade de palavras, tão expressiva e tão honesta de intenções que nasce pendurada dum condicional – se – que deixa à memória espaço para ser perdoada, no caso de não ser, ela, tão precisa quanto se desejaria que fosse – como sempre se aspira que seja!

 

Pois - “se bem me lembro”-  sempre o nosso Autarca manifestou até agora, a sua piedade religiosa, invocando Fátima e o Patrono da cidade, o Senhor Jesus da Piedade. “Se bem me lembro”, até quando rezou por mim (o que tão bem fica à sua natural generosidade e pendor religioso) para que eu fosse perdoada do meu pecado de má língua, foi o Santo da casa o invocado, ainda com a certeza de que, com o Seu meio perdão, viria da autárquica condescendência a outra metade que me seria necessária para descanso da minha alma... 

Ao tomar conhecimento numa entrevista dada – agora - ao jornal “O Despertador” de que, também era de sua devoção, São Mateus,( eu que pensava que seria o Bom Jesus de Braga, destino , também das costumadas excursões) - reconheci que as pessoas, de má língua, como eu, com tanta propriedade fui apodada, na tal referida circunstância , deveriam antes de emitir juízos críticos, averiguar as origens de certas mudanças, para falar fundamentadas, o que agora tentarei fazer .

Começo - mea culpa -  reconhecendo  as boas e justas razões que ao fim de três anos impuseram crismar o auditório do edifício onde está, meio oculto, o museu de fotografia João Carpinteiro!

Raciocinemos: - se, a palavra auditório, tem como raiz “audi” de “audire”, isto é: ouvir, há pelo menos três anos de atraso nesse contrito acto de reparação: - dedicar um espaço – para ser bem ouvido por Santo de tão entranhada devoção, já que, não sei por perto, de igreja ou orago que lhe seja dedicada. E, o que é justo - é justo!

Reconheço mais: - que essa decisão está na linha de respeito, pelos outros, que fez suprimir a biografia do dono da Fundação e, dono do acervo do Museu, (que da pena do ilustre e saudoso elvense Dr. António Barradas havia saído), e estava na parede lateral esquerda à entrada, como, obviamente, é de praxe, que não ali, porque nesta cidade não se cultiva o protagonismo desbragado

Reconheço mais - que, ao homenagear   agora - São Mateus –se confessa o lapso tremendo, que assim se corrige, de não ter sido o nome de  Santo de tanta fé, dado ao Coliseu, inaugurado durante as suas onomásticas festividades . Mas, se quem peca e se emenda, a Deus se encomenda, a misericórdia Divina terá em conta tão santas quão verdadeiras intenções.

 

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