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2 de Setembro - 2006

Domingo, 14.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.882 – 7- Setembro -2006

Conversas Soltas

 

Em 2 de Setembro, no ano de 1950, a tempo de ir, pela mão de seu fundador, - Ernesto Alves e Almeida - como um filho pela mão de seu Pai, ao primeiro S. Mateus da sua vida, nasceu o jornal “Linhas de Elvas”.

Por um destes desígnios misteriosos da vida, Ernesto, deixaria o leme dos destinos do seu jornal, quarenta anos depois, também num dia 2 de Setembro, deixando o Linhas de Elvas, como legado a seu único filho e actual Director.

Herdar um jornal, como o “Linhas”, é quase herdar um destino.

       

É herdar um compromisso com a independência de expressão, é herdar uma bandeira hasteada em defesa da liberdade.

Não é herdar um emprego, nem um trabalho, se bem que englobe tudo isso e muito mais.

Herdar o “Linhas de Elvas”, não foi herdar apenas um jornal.

Foi herdar uma missão de serviço a uma cidade.

Foi herdar a causa da justiça, a defesa dos seus ideais.

Foi herdar o compromisso de honra de dar voz aos fracos frente aos poderosos

Foi aceitar a luta sempre desigual da verdade contra a falácia.

Do doce enganoso, contra o amargo que cura.

Aceitar a herança de um jornal é aceitar riscos.

É arriscar dinheiro, conforto, tranquilidade, paz em nome do bem comum.

Aceitar a herança de um jornal é um acto de coragem.

Quando João Alves era pequeno, talvez com três, quatro anos, uma tarde na Piedade a brincar ao lado de seu Pai, de meu marido e de mim, caiu e esfolou um joelhinho.

O Pai, ergueu-o imediatamente pedindo com carinho: - não chores!

Ele, era dez reis de gente! - Vestia um bibe, como então todas as crianças usavam, ficou empoeirado, muito quieto, olhou-nos de frente, empertigou-se, com muita dignidade, sacudiu a roupa e disse com comovente convicção: - O João é um homem!

E não chorou.

Pois é João!

– Espinho que nasce para picar, nasce logo com o pico...

Todos os Homens sabem, que o maior orgulho, o único orgulho que a dignidade lhes consente – é o de serem capazes de controlar as suas emoções, voltar atrás se for necessário, para continuar em frente, como corajosamente acabas de fazer.

Obrigada pela lição de Carácter e de Honra que deste a todos nós.

Neste dia de aniversário, nada mais nobre para o destino de um Jornal, do que reconhecermos que ele tem ao leme um Homem que sabendo assumir toda a fragilidade de quem é humano, sabe sobrepor, a dignidade e o dever acima do seu conforto e da sua conveniência., e que aceitando contratempos e sacrifícios, defende a terra onde nasceu e honra a memória de seu Pai dando, também a seu próprio filho o exemplo do que é ser um Homem de Palavra, de Bem e de Coragem.

Parabéns!

Parabéns, obrigados e longa vida são os meus votos.

É que, se com ternura te vi crescer, confesso hoje, aqui, o orgulho de merecer a amizade do Homem de Bem que a Vida de ti fez.

 

 Maria José Rijo

 jornais

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publicado por Maria José Rijo às 00:23


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