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Coisas que se dizem: Ter tempo

Domingo, 29.04.07

Por vezes se bem pensássemos, nós próprios ficaríamos admirados com o conteúdo intrínseco das afirmações que fazemos.

            Ter tempo!

            Mas, quem tem tempo?

O que é o tempo para se ter ou não ter!

Até porque, do tempo, só se teve ,ou foi nosso, o que por nós passou, e, como tal , já nem temos. Também jamais alguém sabe de quanto tempo poderá  vir a dispor.

Voltando ao princípio o que é o tempo?

O tempo é a vida?- Viveu pouco tempo, muito tempo... diz-se!

É o estado da atmosfera? - está bom tempo, mau tempo, também se afirma!

Como está por aí o tempo?- Soe perguntar-se. Já a resposta é que difere. O tempo está de boa cara, má cara. Faz carrancas, carantonhas, faz fosquinhas, caretas.

Terá o tempo rosto? Ou terá feitio?

O tempo é bom, ou está bom. O tempo é mau ou está mau. O tempo é bonito ,é feio. É de bonança, borrasca.

            O tempo perde-se!- Perdi o tempo. Também se encontra : achei tempo.

            Convenhamos que são excessivas as opções. Então como escolher?

Será a relação entre as épocas?- presente, passado, futuro...mas alguém segura e sustem, por ventura, qualquer delas?

Volta-se ao princípio : quem tem tempo?

Pode-se ter a memória das vivências , mas o tempo, propriamente,  ninguém o guarda. Ninguém o pára. Ninguém  conserva para mostrar “o seu tempo”, mas do que se fez ao longo dele se poderá dar testemunho.

Então, será o tempo, lembrança?- memória...

Será o tempo idade?.- Será duração das coisas, das pessoas? - será apenas um conceito relativo , contrário ao de eternidade!

A idade é distância do princípio. A distância dá perspectiva para um olhar mais lúcido sobre os factos. Será isso o tempo?- A idade?

Mas idades !- são fracções de tempo, - do ferro, do bronze, antiga, média, etc ., etc , eras...Outras  eras ...outros tempos...

Será a sucessão de horas, dias, semanas anos que nos dão a sensação de tempo?

Será o tempo apenas criação dos relógios?- mas, mesmo com os relógios do mundo todos, a tritura-lo ritmicamente, ou parados, o tempo passa, escoa-se, não se deixa aprisionar.

Se passa , para onde vai! - ninguém o pára, ninguém o detém , ninguém o toca. , ninguém o palpa.

Então como se mata ?- e, do tempo, também se diz que se mata e que se gasta, que se aproveita, se estraga., deita fora ...

Não sei o que é o tempo. Nem sei se o dia e a noite se sucedem apenas para que não tenhamos a audácia de pensar que “o nosso tempo” é infinito, porque do tempo não se conhece o fim , nem o principio, ainda que saibamos que é finita a parcela que nos cabe.

            Sei que vivo, tenho vivido nesta época, que se tornou a minha porque nela existo. Sei que época quer dizer um determinado tempo ;que sendo este, agora , assim , se torna o meu.

Não entanto, sendo meu, o  não possuo...mas, gasto. Gasto, ou usufruo?.

Como é que gasto se ele permanece aquém e depois de mim?

Também se usa dizer:- chegou cedo, chegou a tempo., ou mesmo fora de tempo. Cedo é madrugada, manhã? Ou, cedo, é antes do esperado?

Outra frase repetida à saciedade é que tempo é dinheiro. Será riqueza a velhice - e pobreza a juventude ! Será esse o conceito a extrair de tal afirmação? Ou, viver é amealhar experiência  e ser milionário de tempo. E, os que se apressam para ganhar tempo. Onde o têm? Onde o retêm se o ganharam e lhes pertence!

. Até porque o tempo a que chamamos nosso é de toda um geração, é também, de outros aquilo que designamos de forma possessiva: - o meu tempo.

Em tempo se nasce, em tempo se vive, e, no tempo - na nossa hora - saímos do nosso tempo . Do tempo que nos teve e tivemos simultaneamente -  sempre sem segurança de amanhã, de hoje, ou simplesmente : - agora, mas ,com memória de passado e esperança no futuro que existe, como tempo, ainda que não nos venha já a pertencer - se vive.

Se, como disse João de Deus: ( e eu creio nos poetas porque sendo “visionários” antecipam as realidades ) - a vida é o dia de hoje - a vida é ai que mal soa,- a vida é sombra que foge,- a vida é nuvem que voa - Sou levada a crer ,em última análise que - o tempo -  que afinal não sei definir ,se mede com a Vida, que , por sua vez, pelo tempo se afere - A vida dura um momento , mais leve que o pensamento, - também refere o poeta.

Assim: Vida e Tempo se confundem; e sendo para nós, bens efémeros, são parte de um “Bem Infinito” no qual perpassamos como nos céus as estrelas cadentes, rastros de luz que o negro da noite absorve e envolve no esquecimento como faz o tempo.

 

 

                                 Maria José Horta Travelho Rijo

 

                                              Escritora e Poetisa

 

 

Revista Norte Alentejo

Nº2 – Julho de 2000

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publicado por Maria José Rijo às 22:06

A escrita...

Domingo, 29.04.07
                              

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publicado por Maria José Rijo às 00:41

...e Deus dispõe!

Sábado, 28.04.07

Costumo peregrinar pelos caminhos íntimos do meu coração revivendo lembranças.

É uma forma de iludir a solidão procurando ser contente e grata por tanto de bom que a Vida já me ofereceu, afastando a humaníssima tendência que sempre nos assalta do lamento pelo que nos falta.

Desta vez aconteceu-me a experiência de integrar uma peregrinação de carácter cultural religioso, organizada pelo M.T.A, pelos mais belos lugares de Itália.

Foi uma viagem como muitas vezes se sonha e, algumas acontece, entre pessoas que a conviver se enriquecem com as pequenas cedências e adaptações sempre necessárias à paz e harmonia que só assim se consegue em grupos tão heterogéneos.

Foram dias em que os nossos olhos iam viajando de beleza em beleza e a nossa memória pode armazenar informação e encanto que por certo, darão para peregrinações interiores de vidas inteiras.

Pensava, chegar a casa e repartir as minhas lembranças com uma das já raras amigas de infância que ainda conservava...

Pensava bater à porta dela, como se minha fora, porque nesse clima corriam as nossas vidas, para dividir o que o meu coração guardara também para lhe oferecer.

Porém, ela deixou-nos na manhã do dia em que o nosso grupo chegou a Elvas.

Foi para a sua última viagem sem aguardar o meu regresso

Entrei, assim, em casa mais só, mais pobre e mais triste e sem muita capacidade para expandir, ou sequer avaliar, o mundo de emoções que por lá colhi.

Resolvi no entanto escrever este bilhetinho para dizer adeus, até sempre, e muito, muito obrigada a todos os meus companheiros de viagem pela simpatia com que me aceitaram no seu grupo, e, também, para além de agradecer, felicitar toda a organização, que simbolizo na pessoa ímpar que é – pela graça de Deus - a Irmã Fátima.

            Depois, permitam me que vos conte que o faço com o coração apertado de tristeza pela falta da CarmenMaria del Carmen Baena Nunes da Silva da Cruz Almeida – pequena de estatura, mas grande de alma, entre os grandes e minha amiga de sempre, que há dois anos “entardecia” lado a lado comigo.

           Assim, do muito que sonhei, foi o que me restou!

           Realmente, o homem põe mas, só Deus dispõe!...

                                                         Maria José Rijo

                                                      Escritora e Poetisa

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.829 – 1/ Set. 05

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 00:05

Reminiscências- Andorinhas e Olaias

Sexta-feira, 27.04.07

 

            Um dos encantos particulares das Avós doutros tempos era a arte de contar histórias.

            Estávamos ainda bem longe destes tempos em que distrair crianças significa comprar coisas.

            A linguagem das Avós centrava-se no convite: - vem-me fazer companhia, conversamos, conto-te uma história...

            Agora é : - vem que te pago um gelado, ou, vamos ao “super”, ou ao “macro” fazer compras...

            Às vezes na linguagem antiga também entravam outros aliciantes, como por exemplo: - ajudas-me a fazer um bolinho, lanchamos,... Ou: - levo-te à novena, ao mês de Maria, posso-te ensinar a costurar, podemos ver gravuras lindas nos livros, postais antigos, podemos jogar qualquer coisa que te apeteça, etc. etc. etc...

            Era então nesse convívio confiado, amigo e protector que se escutavam episódios vividos por familiares e amigos ilustres ou muito amados, se recontavam velhos contos e lendas transmitidas de geração em geração, se enraizavam laços de afecto contra os quais, nem o tempo se atrevia a atentar.

Quando as andorinhas chegavam, já em qualquer família, as crianças andavam havia dias e dias a espreitar o seu aparecimento. Mal o Natal passava começava-se a dizer: - reparem -  os dias já estão a crescer. Já se sabe, no Natal crescem a passada dum pardal, Janeiro em fora crescem uma hora, e quem bem contar, hora e meia há-de encontrar. Qualquer dia chegam as andorinhas para anunciar a Primavera.

Então, um belo dia, ao abrir as janelas ouvia-se o seu inconfundível chilreio e lá estavam elas enfileiradas nos fios dos telefones como notas musicais em pautas gigantes, e era evidente que ainda que o frio subsistisse e a chuva marcasse presença mais ou menos constante, qualquer coisa de indefinido se insinuava no ar e um certo cheirinho a Primavera, uma suave sugestão de fresco e de flores enfeitiçava a atmosfera enquanto que, uma vaga penugem verdinha recobria a terra nos longes do horizonte como nos ensinavam a observar.

Não restavam dúvidas: - O Inverno despedia-se.

A Primavera avizinhava-se.

Era então que minha Avó a quem cabia o “privilégio” de acordar e arranjar as netas para irem à escola, abrindo de par em par a janela do quarto onde os ninhos se conservavam de ano para ano, dizia numa voz feliz: - Vocês ainda a dormir! - que vergonha !  - vá! - toca a levantar! - escutem as andorinhas o que já fizeram! - e, imitando o seu canto ia repetindo : - fui à missa, vim da missa, lavei a casa e estou aqui, quiri, qui , quiiii...

Vamos lá! Não sejam preguiçosas, façam como as andorinhas...

Outro sinal anunciador da aproximação da Primavera, para nós, era o florir de algumas árvores. Principalmente as olaias.

Costuma-se dizer que as violetas e as mimosas florescem no Carnaval porque Fevereiro é o seu mês por excelência, porém, até na literatura se alia o florir das olaias ao anuncio da Primavera.

Recordo-me que em Rebeca, o celebre romance de Daphne du Maurier se faz essa referência.

Também essa lembrança é uma reminiscência, embora de outras épocas consequentes. Como é, também, a história dos lilases que não resisto a contar. Alias todas as histórias antigas eram como botões de flor. Começavam aparentemente insignificantes, como se não tivessem nada que oferecer e acabavam abrindo-se à nossa compreensão como as flores se abrem ao nossos olhos e encanto...

Ora, pois:- foram prevenidas as plantas que deviam preparar-se para a festa das  rosas que seria no mês de Maio. Todas se recolheram no seu silêncio de mistério a preparar as cores e formatos que pretendiam exibir. Elaboraram seus perfumes, seus matizes e esperaram a sua hora, com recato e paciência que a festa era para todas.

O lilás não!

Alvoroçado, apreçado, vaidoso da sua beleza, não olhou a datas nem a recomendações. Mal se sentiu perfumado explodiu florindo num alarde de formosura indescritível.

Chamava as abelhas, espargia essências, embriagava os sentidos de quem o admirava. Sentia-se triunfante.

Foi então que reparou que tendo cada coisa seu tempo, nada sendo eterno, a sua oportunidade se esgotara e, ele teria que partir sem assistir à festa das rosas!

Fora apressado. Não soubera esperar.

Florira, é certo! - mas não iria à festa...

Chegara e partira sozinho...

                                                  Maria José Rijo

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.602 – 13/Abril /01

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:28

25 de Abril de 1974

Quarta-feira, 25.04.07

 

Foto -- http://www.fundacao-mario-soares.pt/arquivo_biblioteca/Dossier02/05.htm

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:04

“O Espelho da Sala de Jantar”

Terça-feira, 24.04.07

Sento-me distraidamente à mesa da sala de jantar.

            Estou tão embrenhada nas minhas preocupações que o faço como qualquer despojo que à deriva fosse retido ali antes de seguir na corrente do imparável rio da vida.

            Alguém me dissera: - sente-se à mesa que lhe levo já o pequeno-almoço, e, eu obedeci com a indiferença com que teria feito outra coisa qualquer que me fosse sugerida   Foi então que dei com os olhos no espelho.

            É verdade, o espelho!

            Lá está reflectida a mesa por inteiro. A mesa vazia posta no entanto como sempre para seis pessoas.

            Lugares certos: - os da avó, da mãe, dos quatro filhos quer venham, quer não que os seus lugares permanecem preparados, esperando-os, como acontece no coração da mãe.

            Toalha branca, sempre toalha branca. Ao centro no sentido do comprimento - a mesa é oval e o tampo estende-se por dois metros -  alinham-se a bandeja dos molhos as velas ,a taça  da fruta, o cesto do pão, o vinho - sempre tinto - e com a garrafa sem rolha, e numa das extremidades a pequena salva com os remédios da avó.

            Com flores naturais ou secas, há sempre um pequeno toque de sensibilidade que marca o centro deste lugar de comunhão de afectos ocupado agora apenas por mim.

            Fixo os meus olhos no espelho como se fossem de outrem e cedo à invasão das recordações que me atam a estes lugares.

            A casa está velha, quase decrépita, - quase? - Talvez mais para sim do que para não. , talvez...Os móveis são todos antigos. Alguns a precisar de bons arranjos, mas belos, sólidos. Estão na casa há quatro gerações. Já ninguém dá por eles. Fazem parte das paredes a que sempre estiveram encostados .E o espelho, também.

            Aquela moldura preciosa que o enquadra sempre recebeu a minha atenção. Parece renda. Toda ela é de rosas saídas do pau-preto e florindo suspensas a caminho dos nossos olhos. Coisa linda! Parece retirada do lavrado do Mosteiro da Batalha.

            Agora no espelho imenso, apenas eu, me vejo perdida no silêncio da mesa vazia.

            Os filhos foram tomando seus rumos.

Noutras terras, noutro continente em busca de sonhos ou miragens o pai sempre ausente. A avó então veio sentar-se ali, não, em seu lugar mas, no seu lugar, preenchendo assim a sua própria solidão e a cadeira vaga .

            Agora porém, que não é a algazarra das festas de anos, das reuniões de Natal, das surpresas das visitas dos filhos, do som de esperança dos passitos dos netos, dos amigos com quem sempre se reparte o bolo podre ou a bola de carne que o gosto pela tradição obriga a que se faça mesmo quando o dinheiro escasseia agora , que é a doença que tudo comanda - só agora ,pela ausência dum simples sorriso, daquele jeito generoso de entender mazelas e pequenas misérias, desta condição sem medida de ser gente - só agora é que dou conta de como o belo espelho é frio e de como despida daquela presença, se impõe a decadência dum ambiente onde no entanto uma certa

nobreza se preserva e só a gentileza e a bondade de uma  pessoa revestia de encanto - do seu natural encanto.

            Uma rajada de vento abre o portado da janela por de traz de mim. Por instinto levanto-me para a fechar. Mas não o faço imediatamente. Fico a olhar as copas das árvores que escondidas do avanço do cimento na fundura dos quintais dos antigos prédios aqui da Lapa e da Estrela ainda sobrevivem para falar duma Lisboa que os novos tempos, sem piedade, nem consciência, vão destruindo com a meticulosidade perversa de quem pensa que há futuro sem passado. e há presente sem memória.

             Recordo-me, a mim própria , garota ainda, pela mão de meu avô , temerosa e emocionada a passar ,à noite, sob os plátanos que rasmalhando sem sossego ao compasso da mais leve brisa misturavam os seus sons de mistério com o eco do lúgubre choro dos alcatruzes atados nas velas dos moinhos que do alto dos cerros descia até nós lá por esse Algarve que o dinheiro e a ganância já sepultaram

. Sons da memória. Sons que são a trama da nossa estrutura de ser. Sons de fundo, sobre os quais a vida havia de ir apontando outros como quem reescreve sobre uma pauta já preenchida onde as melodias se sobrepõem e confundem.

            Mais uma vez me evado pelos caminhos da memória que percorro em busca de conforto.

O vento amainou e a aragem fresca que me lambe o rosto seca-me os olhos já cansados das mágoas a que vou resistindo mal.

                Inesperadamente chega-me enchendo o ar um vibrante toque de sinos.

            É a primeira vez que os escuto aqui. Sem bem perceber porquê alegrei-me.

            Corro ao telefone só para anunciar na tua varandinha ouvem-se os sinos da Basílica!

            Depende do vento - é a resposta tranquila que escuto Também costumo escutá-los.

            Os sinos são sempre um sinal...

            Tudo depende dos ventos!

Dos ventos da sorte; fico a pensar.

            Talvez Deus me estivesse a querer dizer: então, então!

            Sou Pai - esqueceste ?

            Infelizmente às vezes a nossa fé é bem menor que o nosso medo!

            Sou obrigada a reconhecer.

                                                Maria José Travelho Rijo

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.459 – 26-6-98

Conversas Soltas

 

Hoje dia 24 de Abril  (1900)  - a linda Senhora D. Ana dos Santos Travelho

-  avó Ana - faria precisamente 107 anos 

Mãe  -- (da  minha escritora e poetisa preferida, e melhor amiga,) --

que eu tive a honra de conhecer.

Não vou nunca esquecer o toque da sua mão na minha, o seu perfume e a forma como dizia o meu nome...

Vou recordar sempre aquela Senhora maravilhosa que falava ternamente

na infancia das suas lindas meninas e do que contava entre sorrisos.

Que no céu, junto do Senhor esteja feliz...

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publicado por Maria José Rijo às 00:49

O Pão - Reminiscências

Terça-feira, 24.04.07

Junto ao contentor do lixo, um saco de plástico transparente deixava ver perfeitamente o conteúdo: - Pão!

Qualquer pessoa responsável, nem precisa ser mãe de família, olha e mentalmente pensa: - torrado dava para pequenos-almoços, merendas... No capítulo das sopas, açordas, sopa de tomate, de cação, de batata, de espargos,... Dava migas simples, migas de bacalhau, migas gatas, migas à nossa moda alentejana. Sopa de ensopado, sopa da panela, Também daria fatias douradas, fatias recheadas, pão ralado, ou outras coisas mais...

Podia, ainda, servir para ração de galinhas, de gado, p’ró cão, p’ró gato, para dar aos pardais ou a quaisquer outros passarinhos.

Tudo, tudo, menos o destino de desprezo, no chão, com a sentença da viagem até ao vazadouro público!

Pão!

Mas pão, nas minhas reminiscências é uma evocação mítica.

Pão é Vida – é mistério da criação – é Hóstia – é sangue, suor e esperança da humanidade através de todos os tempos.

Não é aquele alimento corriqueiro que se compra na padaria com a displicência com que se compra outra coisa qualquer...

Pão é também oração: - o Pão-nosso de cada dia nos daí hoje!

E, era tudo isso que estava junto ao contentor.

Era a história dum alimento mítico.

Lá... lá naquela tal aldeia, igual a todas as aldeias daqueles tempos no Alentejo, de lá, bem do fundo da memória soltam-se as lembranças das manhãs frias ou chuvosas em que a carrinha puxada pela égua alazã trotava estrada fora levando as crianças a caminho da escola.

Dum lado e doutro da estrada a terra das searas, às vezes acabada de lavrar, terra de barro, vermelha como carne viva, aconchegada no silêncio contemplava o céu e aguardava o germinar da semente que da mão do homem já tinha recebido ou lhe ia lançando para os sulcos que o arado ia rasgando ao compasso do esforço da muar que o puxava e  que o homem seguia em passo  a ele ajustado.

Era largo e generoso o gesto do semeador.

Era belo e solene como uma profecia de esperança feita por um deus.

A terra é mãe, dizia a cada passo o almocreve que conduzia a carrinha, como se rezasse.

E, como numa cumplicidade feliz com o tempo, assobiava baixinho ou trauteava alguma cantiga sem soltar a “beata” do canto da boca.

E, ano adiante por o mesmo caminho íamos seguindo como numa saga todas as fazes por que a seara passava até ser pão e sustento das gentes. Quem tinha pão já não era pobre de todo.

No pão, no “panito,” não se mexia sem lavar as mãos, mesmo por lá onde mais do que a pobreza, a própria miséria, muitas vezes imperava. O pão fatiava-se encostando-o ao peito, sobre um pano branco. O saco, “o taleigo ” do pão só servia para pão,  nada mais,

por respeito. O pão punha-se sempre direito sobre a mesa, porque ninguém ganha o pão com honra de barriga para o ar.

O pão é fruto do trabalho, é filho da terra, e a terra que dá o pão que alimenta a vida também gasta o corpo do homem já sem vida

Com pão se comunga.

Quando o pão cai ao chão levanta-se e beija-se por desagravo, como se pede desculpa a alguém que inadvertidamente tivéssemos ofendido.

Desde muito jovens as raparigas aprendiam a peneirar a farinha, a amassa-la com água, dentro dos grandes alguidares de barro. Antes de o fazer escondiam os cabelos sob um lenço branco, cobriam as roupas com aventais também alvos como a farinha e faziam o sinal da cruz. Eram preceitos transmitidos e aceites através de gerações.

 Terminavam a tarefa da amassadura de respiração ofegante e faces coradas como no cansaço feliz de um acto de amor.

Antes de abafar a massa, para que levedasse, com a mão direita desenhavam-lhe uma cruz enquanto rezavam: Deus te acrescente, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, Amem!

E eram as mesmas mãos que tinham mondado a seara, que tinham partilhado a ceifa ao lado dos homens, que tinham limpo o trigo nas eiras depois que o trilho o separara da palha, que cumpriam essa tarefa abençoada, depois que da moagem ou das azenhas do Guadiana, chegavam a casa as sacas de farinha.

Eram as mesmas mãos que sabiam tender a massa e aconchega-la nos tabuleiros entre as dobras dos panal ”.

Eram as mãos de quem sabiamente ensinava: Pão, nunca se deita fora, nem se estraga, nem se deixa de sobra sobre a mesa.

O que alguns esbanjam, seria a salvação de outros que nada têm.

Essa, também é, ainda hoje, e, será sempre uma verdade perene.

                                       Maria José Horta Travelho de Almeida Rijo

Jornal Linhas de Elvas

24-Março – 05 – Nº 2.806

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 00:18

Dia do Livro

Segunda-feira, 23.04.07

Hoje no dia do Livro vou-vos indicar os meus livros preferidos e de cabeceira:

 

1º --- >>  ... E vim cantar

                Poemas

                de Maria José Travelho Rijo

                Coimbra - 1955

                 ... com belissimos desenhos da autora

que  a critica disse - na voz de Marciano Ribeiro Cipriano:

 ... os seus poemas são admiráveis revelações da alma poética de

Maria José Travelho Rijo, cuja leveza de construção e realidade dos

emas garantem à autora um triunfo que não carece de favor para

e consolidar. E o triunfo virá sem duvida.

e o triunfo veio...

 

2º --->> ... Paisagem

                  Poemas

                   Composição e impressão das oficinas da Coimbra Editora, Limitada

                  1956 -- Desenhos da autora

 

e a critica voltou a dizer:

Vive em Maria José travelho Rijo uma aânsia incontida de escrever, e a poesia é o seu meio próprio de expressão.

Os seus versos não são banalidades doentias e lamechas de poetas luarentos, mas tão somente expressões vivas e reais do que a sua alma tem para contar. O calor forte da vida; as suas lutas e os seus fortes contrastes são o tema favorito da autora. O social impera nas suas produções e impõe-se por forma bela e admirável neste novo livro.

Há em Maria José Rijo um sentido real do mundo e dos seus problemas, e na sua delicada sensibilidade de poetisa - que o é por mérito próprio - ....

 

 

 

3º --- Conversas soltas - REZAS E BENZEDURAS

          Crónicas do Jornal Linhas de Elvas

          Por Maria José  Rijo

          Desenhos do pintor Manuel Jesus

          Este livro foi editado pelo Jornal Linhas de Elvas  

 

 

 

 

 

Gostava que  -  se alguém, dos que passam por estas páginas,

dessem a sua opinião - caso tenham, obviamente , os livros ou

tenham conhecimento deles.

Gostava de conhecer outras opiniões.

Grata

 

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:35

Instantâneo em Fátima

Domingo, 22.04.07

Basilica

 

Há vários anos que, em meados do mês de Setembro, rumo direito a Fátima. O que em princípio foi uma necessidade pungente, tornou-se um hábito, como que um ritual, que conforta o coração cumprir.

Fátima é o que é.

Para muitos local de oração e penitência, para outros passeios, convívio, curiosidade, meditação, visita a Nossa Senhora, encontro ou reencontro com a Fé, ou, até a procura dela ou de si próprio.

Por tudo isto, e mais que não sei dizer, Fátima, tem um clima espiritual místico e misterioso que envolve tudo e todos que pisam o seu chão

A Fátima vai-se por bem. Quero dizer, por razões boas. Por amor.

A Fátima vai-se agradecer, ou pedir, saúde, vida, protecção.

A Fátima, cada qual chega imbuído do melhor, do mais generoso, do mais puro sentimento que é capaz de albergar no seu coração.

Por isso, também, o ar de Fátima é leve e envolvente. Pode chover a potes, pode o calor ser de rachar, pode, é verdade, mas Fátima, com aquela sua condição de ser mais olhada do interior do que do exterior, mantém o seu clima de alma muito próprio, e o aconchego de quem sabe que para amar e rezar, todo o tempo é tempo certo – é bom tempo.

Desta vez, algumas pessoas aproveitávamos o apoio do muro de mármore, que envolve a pequena capela das aparições, onde nos é oferecida a comunhão para assistir à celebração da Missa, com a mais respeitosa atenção, quando a porta por de trás se abriu e alguém silenciosamente deslizou para colocar rosas brancas no espaço reservado para flores.

A cerimónia prosseguia, mas, com as ofertantes das flores, entrara uma gorda e anafada pomba branca que, olhando para tudo e para todos, passeou pelo espaço que tanta gente costuma percorrer de joelhos, e, como se ela própria estivesse a cumprir alguma promessa solenemente deu duas voltas.

À porta os guardas, sorridentes, mas preocupados, olhavam sem saber o que fazer.

Sacudi-la, espanta-la! – Poderia começar a esvoaçar sobre o altar e estragar a cerimónia.

Limitaram-se, expectantes, a aguardar.

Foi então, que serena como entrara, saiu, parando um pouco à porta a olhar para trás como se quisesse fixar bem o que vira, ou tivesse dúvidas se deveria ou não dar uma voltinha mais, e, num repente, tão inesperadamente como entrara, saiu levantando voo.

Momentos após, os sacerdotes, fizeram o mesmo percurso, no mesmo espaço dando a Comunhão aos fieis.

Comunguei com um sorriso de alma. Parecia que a encarnação do Divino Espírito Santo tinha por ali passado, antes, a fazer o Seu anúncio.

Momentos de beleza que a Vida nos oferece e que, como fugazes mas misterisos acenos se prendem a nós para sempre.

                                  Maria José Horta Travelho Rijo

in:

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.885 – 28/9/06

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:21

As gavetas da memória

Domingo, 22.04.07

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.853 – 16 - Fevereiro-2006

Conversas Soltas

           ConfrontaÁo

As gavetas, são um mundo, uma verdadeira instituição.

Penso até que mereceriam ter uma irmandade, uma confraria.

Por vezes, as gavetas, são um mundo de ordem, outras, um mundo de mistério, de evocações, segredos lembrados ou meio esquecidos, e, também, não raro, verdadeiros caos de balbúrdia e confusão...

Quando se é criança, são um mundo proibido de mexer. E, embora algumas lhes estejam destinadas, só mais tarde, quando as mexidelas, não signifiquem necessariamente desarrumação, só então, o acesso a esse mundo dos adultos, lhes é liberado.

A gaveta é, um mundo privado.

A gaveta é, muitas vezes, também, um retrato de alma, e, pode valer como um cartão de identidade profissional.

As gavetas são tão importantes que, quando são avantajadas, ganham o estatuto de: - gavetões. Por outro lado, se são maneirinhas, têm o mimoso epíteto de gavetinhas.

Quero dizer: têm como que personalidade, características identificadoras.

...A do puxador de madrepérola...a das flores pintadas...

              

Depois, há ainda as gavetas fechadas, aferrolhadas, essas que, são as tais, condizentes com a importância de serem especiais e misteriosas.

E, há as outras do: mete p’rá’í nessa gaveta que depois vejo...de que já se perdeu há anos a chave e, com ela, a consideração.

Há também as gavetas património da família. São as gavetas da cozinha.

Aí, nessas, todo o mundo julga saber de tudo. Todo o mundo mexe e remexe...e, são as causadoras das perguntas e das confusões domésticas.

             

Onde está o rapatachos? - o lugar dele era aqui! - Já o mudaram?! Pois não deviam! - A mania de mudarem as coisas de sítio...

Assim nunca se sabe de nada! E, a colher de pau para os bolos!...

E o saca-rolhas? – Será que anda tudo a banhos...

Outra coisa que fugiu do lugar de sempre!

                

Há também as gavetas prazerosas, são as do bragal, com seus bordados e rendas de enfeites, seu cheirinho de guardados, com ressaibos de alfazema, ténues, como lembranças vagas, das mãos hábeis de quem as urdiu pacientemente e, agora nos aparece numa mistura de encanto e saudade...

 

Quantas horas de amor de mães, avós, tias, amigas, na feitura de enxovais. Toalhas, lençóis, pequenos enfeites...

Então, e o gavetão das trouxas, das casas antigas com passado e longas histórias de vida!...

Quantas pontas para desenrolar lembranças de bailes, casamentos, baptizados, comunhões, idas ao teatro, a recepções... Até de festas de mascarados naqueles Carnavais cheios de requinte em que se abriam os salões e as velas ardiam nos lustres, enquanto as intrigas de amor fervilhavam a coberto das mascarilhas...

Realmente, é inesgotável de sugestões e sedução esse mundo das gavetas...

   

Nas gavetas da minha secretária, arrumei durante anos e anos, os meus lápis e canetas, o papel de cartas, os envelopes, o então indispensável mata-borrão, borrachas,

Clipes, agrafadores e toda essa parafernália que acumula quem gosta ou precisa de escrever.

Um dia, porém, o meu companheiro de cinquenta anos reformou-se e, apareceu-me com umas caixas bizarras onde transportava para casa, todos os pertences que também ele acumulara nas gavetas da sua secretária de serviço. Então, como resposta á pergunta: - onde ponho isto? - Mudaram de dono as minhas gavetas.

   

E, nem mesmo agora que essa cedência já há muitos anos se tornou desnecessária, na convicção do meu coração elas deixaram de ser de quem foram, e, até ao fim serão parte da história da minha vida.

As gavetas, estabelecem a fronteira entre o meu, o teu, o nosso...

As gavetas, são, efectivamente, uma demonstração de posse, de marcação de território no nosso mundo dos afectos.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:06


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