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O seixo branco

Terça-feira, 10.04.07
 

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“Para fazer qualquer coisa!”
Foi a recomendação da criança que, com uma expressão séria no

olhar e um ar quase solene abriu a pequena mão estendendo para

mim o inesperado presente: - um seixo branco, rolado e macio,

por certo talhado e burilado ao longo dos tempos pelo movimento

de mil ondas e marés.
Com ternura e respeito ( que nunca é demais o respeito que se

deve a qualquer criança), agradeci a prenda que ainda hoje conservo,

e vão passados mais de trinta anos.
Mas, o que espera uma criança de nós?
O que espera? – é a pergunta que permanece.
- O que espera quando a beleza de um simples calhau lhe toca a sensibilidade ao ponto de acreditar que umas mãos maiores do que as suas possam gerar , com tal beleza, um milagre maior!
Que crédito depositam os “pequenos”, nas virtudes dos “grandes” para confiadamente recomendarem e esperarem que aconteça aquilo

em que acreditam, ou que desejam poder vir a acontecer!
Será que merecemos tais créditos? – Será?
Seremos realmente capazes de fazer “esses” milagres?
Se nos olham com confiada esperança, uns olhos de criança, o que espera a Vida de nós?
O segredo, a resposta, consistirá em descobrir quem somos, e como somos, e crer que esse segredo, talvez consista apenas, em aceitar que podemos corresponder ás melhores expectativas que outros depositam em nós ...
E, se nos apraz acreditar nas boas possibilidades que olhos alheios nos oferecem, talvez isso nos crie – também - o dever de não repudiar – linearmente - a ideia do mal que, também, outros admitam possamos causar...
É que, às vezes, quem olha à distância, consegue uma objectividade

que se escapa a quem de olhar tanto de perto se encandeia e quase

cega.
Um seixo branco, para fazer qualquer coisa...
Que coisa mais fazer com ele do que pensar, não sei.
Também a Vida nos é dada em branco para fazer qualquer coisa...
O maior receio, o maior medo, é fazer com ela, o que se pode

fazer com qualquer belo seixo branco, guardá-lo, preservá-lo,

conservá-lo e olhá-lo de vez em quando a pensar no que se poderia

ter feito com ele, para que poderia ter servido, ou, se simplesmente, poderia ter servido para qualquer coisa, que afinal, não chegou a acontecer...


Maria José Rijo

Escritora e Poetisa

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:30

Faz de Conta

Terça-feira, 10.04.07

É indiscutível que somos animais de hábitos.
Na minha memória está tão arreigado o hábito de aliar ao som da chinfrineira dos altifalantes

a promessa da visita do Circo, que antes de tomar consciência do que nos querem impingir, em

altos berros, os carros de propaganda que, de rua em rua, de beco em beco, de porta em porta

nos “vendem o seu peixe”, antes disso, frente ao despropósito do alarido, canta- -me no coração

a lembrança das alegrias e deslumbramentos que os espectáculos circenses com a bicharada, os

 palhaços ricos que me intimidavam, e os pobres cujas desastradas proezas me fascinavam,

sempre me ofereciam nos meus tempos de criança...
Assim que , só depois da íntima evocação, venha o acordar de consciência que nos faz descobrir

a origem dos sons, identificar o assunto, pensar e fazer conjecturas...
Segue-se, então o encolher de ombros, o sorriso, o esquecimento ou o despertar de algum interesse.
Ainda há bem pouco tempo foi assim.
Logo, logo, todo aquele carnaval foi caindo em cesto roto, mas insistência frenética, a pouco e

 pouco, aguçou a curiosidade e, vá de tentar, cada qual, entender a causa da barafunda, que, se não

 fora o “pregão”, para a maior parte passaria em brancas nuvens.
Uma vez postos, quase à força, na peugada dos vestígios, todos pensam de acordo com os

 ditames da sua cachimónia, e, como é lógico, dos factos e pessoas que conhecem!
Fica-se alerta e ouvem-se nas rádios os “edificantes” improvisos.
Pois é!
Mas, paremos por aqui.
Quem recorda os velhos Circos da sua infância, fatalmente recorda fábulas e contos.
Lindas algumas. Horripilantes outras.
Terrífica a fala do lobo que arreganhando a voraz dentuça, disse ao cordeiro: - se não foste tu
que sujaste a minha água, foi o teu pai que é mais velho.
E fez imperar, um silêncio de morte.
Daí que, faz de conta, que nada aconteceu.
Vitória, vitória, acabou-se a história!
E, a esta hora todos lá estão comendo pão com melão e deram-me um prato de lentilhas que à
luz do sol se transformaram em mentiras.
Alvíssaras para mim que este conto chegou ao seu fim!



Maria José Rijo

.

Jornal Linhas de Elvas

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publicado por Maria José Rijo às 01:16





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