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A Bandeira Nacional Portuguesa

Domingo, 22.04.07

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.863 – 27/Abril/ 2006

Conversas Soltas

 

 

 

Tal como prometi, e - promessa é dívida, como se sabe - aqui deixo a transcrição de um texto que possuo, sobre a nossa bandeira e se intitula:

Descrição Heráldica e Considerações Históricas

 

Os símbolos da Pátria são: a Bandeira Nacional, o Hino Nacional e o Chefe de Estado.

A Bandeira Nacional representa as lutas da fundação, a independência e restauração de Portugal e os descobrimentos marítimos.

No reinado de D. Afonso Henriques a Bandeira era branca com uma cruz azul larga ao centro, simbolizando o emblema do cruzado e o azul, a cor principal das armas da Casa de Borgonha.

Sofrendo várias alterações ao longo dos vários reinados, a Bandeira Nacional com a Implantação da Republica passa a ser verde e vermelha, sendo composta por um rectângulo de pano cuja altura é igual a dois terços da largura.

È dividida em duas partes, na vertical, sendo a parte que fica junto à haste de cor verde, ocupando dois quintos da superfície e a outra parte de cor vermelha, ocupando três quintos.

Simbologia:

Cor Verde Representa a esperança em melhores dias de prosperidade e bem-estar e também os campos verdejantes.

Cor Vermelha – Representa o valor e o sangue derramado nas conquistas, nas descobertas, na defesa e no engrandecimento da Pátria.

Esfera Armilar Situa-se no centro da divisão das duas faixas, simbolizando as viagens dos navegadores portugueses pelo Mundo, nos séculos XV e XVI.

Armas de Portugal- Assentam sobre a esfera armilar, sendo compostas por um escudo maior com outro mais pequeno brocante, simbolizando o escudo, a arma de defesa utilizada pelos nossos antepassados nos combates.

Escudo Maior – É vermelho e à sua volta estão representados sete castelos que representam as cidades fortificadas que D: Afonso III tomou aos mouros.

Escudo Pequeno É branco e encerra cinco escudetes azuis pequenos, fazendo alusão às cinco chagas de Jesus  Cristo. Cada um desses escudos contêm cinco besantes de prata que contando duas vezes os da quina do meio, recordam os trinta dinheiros pelos quais Judas vendeu Jesus Cristo e simbolizam o poder régio de cunhar moeda.

( besante: nome de uma moeda de ouro antiga, cunhada em Bisâncio)

 

Autores da Bandeira Nacional:

Columbano, João Chagas e Abel Botelho.

 

Quis o acaso, se é que os acasos existem, que um texto que  de há tempos contava transcrever, viesse a ter a sua oportunidade de o partilhar com os meus leitores, mesmo, mesmo, sobre a data em que se comemora a revolução da Liberdade.

Que “ela “não nos falte jamais, nem a coragem de “a” defender e usar em prol dos nossos ideais de Justiça e de todas as causas que promovam o Bem da Humanidade

 

 

 

Maria Jose Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:49

xanu -- disse - II

Sábado, 21.04.07

xanu -->  http://www.coisasimplesepequenas.blogspot.com/

 

XANU ---  disse sobre Os Amigos - Dr.João José Falcato na Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

às 03:20: 
     

Confesso que não conheço muito da obra do Dr. João Falcato mas a obra de Dª Maria José Rijo, essa sim conheço-a bem e gosto tanto que já a recomendei a muita gente. Gosto da sua sensibilidade artística no geral, não só como escritora mas também como pintora. Tenho pena que actualmente em Elvas não se lhe dê o devido valor por questões partidárias.
Tenho saudades das nossas conversas. É um prazer falar com essa senhora que tanto aprendeu durante a sua vida e que sabe transmitir esse conhecimento duma forma que nos cativa. Poucos permanecem indiferentes e quando o fazem é por pura e simples teimosia para não lhe chamar burrice.
Espero que um dia Elvas saiba reconhecer o valor dessa senhora que continua a ser simples como todos os que são grandes.
Paula peço-lhe que se tiver oportunidade transmita à D. Maria José Rija o meu apreço e lhe dê um beijinho por mim. Diga-lhe que tenho saudades das nossas conversas na Renascença.
Aldina

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publicado por Maria José Rijo às 20:51

Entrevista - de 1960 - Hoje deponho eu ...

Sexta-feira, 20.04.07

Natural de Moura.

Antiga aluna do Liceu de Beja.

Poetisa de sensibilidade apurada, cujas revoltas internas aparecem

diluídas numa forma que não obedece a escolas mas é de vivo

sentido poético.

Os seus versos dizem-nos sempre alguma coisa de profundo.

Dois livros já publicados. “... E vim cantar” e “ Paisagem ”.

Reside desde há anos em Elvas

 

                                                     ENTREVISTA

Hoje

Deponho

Eu ...

  

9 – 4-1960

                                            Maria José TravelhoRijo

 

 

Que é para si a Felicidade?

 É o equilíbrio conseguido num exercício funambular complicado em

que as cordas bambas são: consciência, dever, etc.

Errou a Evocação?

- Não sei para que Deus me criou.

Como define a mulher?

- Um ser incompreendido. Deus fez o homem, depois a mulher.

Esboçou e criou.

O esboço não “atinge” a obra, mas a obra “compreende” o esboço.

A coisa que mais detesta?

- Os meus erros.

A sua maior ambição realizada?

- Acho a ambição irrealizável.

 

Em sua opinião há uma verdadeira poesia modernista?

- Bip ! Bip ! Bip ! Bip !

 

A sua maior virtude?

- Nenhuma virtude é maior...

Que gostaria que se escrevesse no seu epitáfio?

- Nada. Entre o céu e a terra, basta que me pese a distância.

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:09

Os Amigos - Dr.João José Falcato

Quinta-feira, 19.04.07

.

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº 2.839 – 10 – Novembro - 2005

Esse grande mestre – o Povo – que é mestre porque acumula a sabedoria dos tempos, ensina: Família – são os amigos que Deus nos dá – Amigos -  são a família que a gente escolhe!

Daí, que quando nós dizemos -  é como um irmão para mim, ou como um pai, estejamos a dar voz à escolha de afectos que nos habitam e fazem parte da estabilidade emocional das nossas vidas.

Todos, mais ou menos, temos amigos. Alguns, porém são amigos especiais. Daqueles que Cícero definiu:

 Photo of a statue of Cicero

“ Ter um amigo, é ter um outro eu;

quando um está ausente o outro o substitui;

se um é rico o outro não precisa de nada,

se um é fraco o outro dá-lhe as suas forças “

 

Já tive dois Amigos assim.

Um, o Dr. Pires Antunes – o meu mano António – disse-nos adeus em Fátima em Agosto de 87; o outro, o Dr. João Falcato, o meu mano João - partiu agora, no dia de Todos os Santos, ao rés da meia noite quando a sua vila de Borba sossegava para adormecer depois  de um dia cheio de bulício em que entre abraços, saudades, lágrimas e risos se vivem e revivem os encontros e desencontros das vidas, como é uso e costume ano a ano, nas festas e feiras das nossas terras.

Dois homens diferentes, com percursos distintos, porém, dois homens marcados com dons especiais.

Um, todo virado para as coisas do céu, encontrou em Fátima a porta por onde entrou no caminho a que a sua fé o conduzia...

O outro(sou um rural! segredava-me) que com a terra se irmanava num telurismo de comovente oração, partiu no dia em que as colheitas de Outono se espalham e mostram, pelas ruas da sua vila natal como um hino de graças a Deus pelo que o céu permite que da terra se colha.

Desse homem – desse “louco” de génio – desse sonhador com alma e generosidade de menino, que beijava as mãos de quem cuidasse de suas velhas Mães; porque, da sua, por quem guardava um profundo culto, ele sempre falava com sombras de lágrimas turvando o luminoso azul dos seus olhos vou, penso que o devo fazer, pela sua profunda ligação à nossa cidade, deixar um bosquejo ad hoc, sem pretensões  nem exatidões de  biografia.

                     

Chamava-se João José Falcato e nasceu em 17 de Agosto de 1915. Tinha 90 anos.

Era natural de Borba. Mercê de circunstâncias várias seus pais, gente abastada, arruinaram-se.

Fez exame de instrução primária aos 18 anos e partiu para Lisboa onde foi Perfeito num colégio e teve o apoio do professor Agostinho da Silva que seduzido pela sua luminosa inteligência lhe ministrava durante as horas do almoço a preparação necessária para aceder à Faculdade.

Embarcou no paquete “Melo” (como oficial?) para ganhar dinheiro.

 

Nessa viagem o paquete naufragou. Viu morrer muitos dos seus companheiros a arder nas chamas que devastaram o navio. Viu outros serem engolidos por tubarões. Conseguiu, com alguns outros mais, sobreviver dias no mar numa pequena baleeira. Foram salvos por um navio que os desembarcou no Brasil.

Aí permaneceu meses num hospital.

Sobre essa dolorosa experiência, escreveu, já em Coimbra, em cuja Universidade se matriculara e se formou em história e filosofia, um romance, que fez imenso sucesso – Fogo no mar – (sobre ele, Matilde Araújo, sua colega de curso, apresentou a sua tese de licenciatura). Sobre o mesmo tema escreveu também “A Baleeira”

Foi fundador e director de revistas e jornais (Brados do Alentejo, revista Volante etc...) e colaborador em muitos outros. Deu precioso apoio ao Linhas de Elvas, na sua fase de lançamento, e, onde intermitentemente foi colaborando ao longo da sua vida.

Escreveu vários livros, num deles “Elucidário do Alentejo? – faz numa belíssima prosa/poesia a apologia da “loira açorda”. Em “Roteiro de Amor”, espraia-se louvando Elvas.

Foi redactor do Diário de Notícias – de onde viria a sair, como muitos outros, pela mão de Saramago – após o 25 de Abril.

Foi chefe de gabinete de Veiga Simão enquanto Ministro da Educação. Nessa qualidade, bem como na de Redactor do D.N. viajou pelo mundo, especialmente por Angola. Sobre essas viagens deixou-nos obra valiosa em livros e crónicas - Saudades de Portugal – Angola do Meu Coração - Foi um dos fundadores do jornal “ o Dia” com João Coito seu amigo particular, que em 2001ao falar sobre o Panteão Nacional, assim se lhe referia: - ”Já foi seu conservador durante algum tempo, por amável e justa decisão do Dr. Almeida Santos, o meu velho amigo João Falcato, ilustre escritor e jornalista que a idade e o gosto transformaram no mais afamado e amoroso cultivador dessas perfumadas vinhas de Borba”. Foi contemporâneo e amigo de figuras gradas das nossas letras de quem guardava livros com honrosas dedicatórias. Almeida Santos (que foi seu caloiro de republica, em Coimbra), Mário Soares (a quem apresentou Maria Barroso, com quem se casaria, circunstância que os três relembravam, com humor até em entrevistas), Virgílio Ferreira, Torga, Namora, Alçada Baptista, Eugénio de Andrade etc. de artistas, Bual, Gil Teixeira Lopes e outros. Foi devotado amigo de Sebastião da Gama, de quem falava com lágrimas de saudade e, que, por misericórdia de afecto, amortalhou por suas mãos.

 Um nunca acabar de histórias ligadas à história das letras portuguesas que faziam de João Falcato, um brilhante conversador, conhecedor do mundo e das pessoas que esbanjava cultura e saber com um espírito, uma graça e uma vivacidade inigualáveis.

Em Elvas foi director e proprietário do Colégio Elvense – de boa memória – onde leccionava e onde granjeou bons amigos entre os seus antigos alunos.

Foi um dos fundadores da Adega Cooperativa de Borba sua terra de berço onde vivia plantando vinhas e sonhando êxitos para os netos que adorava.

Junto de si, quando faleceu, tinha o seu devotado neto Zé.

A sua última publicação foi: “Entre Gatos e Pardais” contos infantis, da Bertrand, em 96.

Na sua Vila morreu, incompreendido por muitos, talvez...mas admirado por todos que o sabiam e entendiam como um “eterno estudante coimbrão” ali desterrado porque preso pelo coração à terra fértil que não o traía, respondendo sempre, ao contrário das pessoas, com

os frutos da gratidão!

A terra não se vende!

A terra não se fabrica!

Só há a que Deus criou!

 

 Repetia com unção, olhando as suas vinhas, como que unindo céu e terra numa mesma oração de graças.

                                                 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:41

Adeus Anica

Quinta-feira, 19.04.07

Quando nos reencontrarmos, só Deus sabe quando ,teria de usar a tua expressão

 mais expontânea - “estou em falta contigo!”- se não cumprisse agora este dever

de me despedir de ti como se te fizesse uma visita de cortesia tanto a teu agrado.

            Tenho estado a pensar nas vezes em que me telefonavas só para indagar 

se era a saúde ou qualquer razão preocupante que me silenciara a voz no nosso

jornal.

 Depois com a tua natural delicadeza acrescentavas sempre :- tu sabes

que é o que leio primeiro.

 Invariavelmente eu, em vez de  agradecer ,comentava:- olha, quem

diria, ela sabe ler!- e lá vinha o teu divertido remoque:  cala.-te ,mafarrico 

não levas nada a sério!

Mais de cinquenta anos de amizade deixam muitas raízes de saudade

ligadas a pequenos gestos, miudezas aparentemente sem valor, com

que se atam as vidas.. Porém não é das minhas mágoas que venho

 falar explicitamente.

Venho falar de ti. De ti porque mereces ser lembrada. De ti, pelo culto

de respeito que te merecia a verdadeira Amizade.

De ti, de quem jamais alguém escutou uma palavra menos correcta, ou

sentiu uma desatenção.

De ti , como paradigma duma geração que cresceu tendo por ideal :

cumprir antes de exigir.

Venho falar da tua época, onde o sentido do dever  presidia à educação.

 Venho falar do testemunho disso que deste ao longo dos teus quase noventa

 e seis anos de vida.

Tu cultivavas a amizade . E cultivavas a delicadeza também.

Na tua casa, quem para ti trabalhava era respeitado como Amigo, e,

como tal  viveu lado a lado contigo vidas inteiras. Não te esquecias de

um aniversário fosse de rico ou pobre que conhecesses; porque,

 para ti, conhecer significava cuidar, estimar e tratar de igual para

igual. Significava a tua obrigação de cumprir o culto da Amizade.

Significava o teu sentido cristão de olhar o próximo como se foras tu,

Porque assim era - não esperavas atenções, - eras tu a primeira a praticá-las.

Era a tua presença na doença, na adversidade, era o mimo para o

bébé que nascia, era o telefonema ou a lembrança escolhida com esmero

nos aniversários

Tendo mais em conta o que entendias por  teus deveres do que a preocupação do que poderias exigir como teus direitos, não te aproximavas de ninguém para reclamar o que poderiam dever-te, mas sim com a gratidão pela amizade que recebias , muito valorizavas e te fazia dizer com sinceridade:- estou em falta contigo!- porque, quanto davas de ti, te parecia sempre pouco.

Tratavas as pessoas como tratavas as tuas flores, - com desvelo. Por isso o

 teu pátio era um pequeno paraíso e a tua amizade um bem sem preço.

Penso, que lá onde agora estás, a tua alma deslumbrada terá o brilho que

se acendia nos teus olhos quando em cada ano chegávamos ao Santuário

de Fátima e olhavas a imagem da Virgem na capelinha onde o tempo

se escoava sem o termos em conta. Penso que será assim.

Cada atitude tua, tinha implícita, a alegria e a gratidão pela Vida que te

era concedida e respeitavas em cada gesto, em cada palavra.

Foste, na candura do teu viver para o Bem, sem disso te dares conta,

uma pessoa diferente, uma pessoa assaz singular

Se Nossa Senhora quiser, para o ano voltaremos...dizias com uma aceitação

de crente verdadeira na hora da despedida.

Não precisarás voltar - já lá chegaste, mas como o coração é um refugio

sem limites para guardar presenças vivas de quem foi “regressando” à nossa frente,.se eu lá voltar ,nunca o duvidarias,( tenho a certeza) irás comigo.

Findo que foi o tempo do prazenteiro : olá  Anica !que nos alegrava a alma,

e sem o recurso da tua ditosa saca preta, qual bolsa de prestidigitador ,

de onde tudo aparecia como por milagre,( e sempre marcava presença

nas nossas excursões,) num aceno de onde a saudade se desprende, já sem

o recurso do lenço branco que sempre me emprestavas ,para a circunstância, direi apenas :- adeus Anica. !

 

                                                              Maria José Rijo

                                                        Poetisa, Pintora, escritora...

in - Jornal Linhas de Elvas

Nº 2. 560 – de 16/6/00

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publicado por Maria José Rijo às 23:22

Xanu -- disse

Quinta-feira, 19.04.07

Xanu --- >  http://www.coisasimplesepequenas.blogspot.com

 

Xanu disse sobre A minha poetisa - del Alma... na Quarta-feira, 18 de Abril de 2007 às 07:18:

     

Adorei reler Maria José Rijo. Tenho o previlégio de a conhecer bem e é uma pessoa duma enorme sensibilidade. Durante muito tempo foi a minha tábua de salvação, quantas vezes me salvou à última da hora quando um convidado de última hora me falhava num programa a nível nacional ou então quando os chefes do Porto estavam aflitos e me ligavam para a convidar porque com ela em estúdio era sucesso garantido. Que saudades desses tempos.
Que bom ver que alguém gosta tanto ou mais do que eu, do que esta senhora escreve .
Bjs

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publicado por Maria José Rijo às 00:06

A despedida...

Quarta-feira, 18.04.07

Foto - Paula Travelho

 

 

Olaia tentando não morrer

depois de uma

mutilação assustadora

 

pobres árvores!

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publicado por Maria José Rijo às 23:49

Mistérios -- ( D. Maria Júlia Celestino da Silva )

Quarta-feira, 18.04.07

 

 

“ Retomai confiadamente nas mãos o terço do Rosário,

fazendo a sua descoberta à luz da Escritura,

de harmonia com a Liturgia, no contexto da vida quotidiana”

 

 João Paulo II

 

 Vezes sem conta, ao longo destes últimos quase vinte anos, li ao telefone,

a seu pedido, porque a vista já não a ajudava, alguns dos meus escritos à

Senhora Dona Maria Júlia Lopes Celestino da Silva.

Vezes sem conta, todas as vezes - melhor dizendo senti que era um privilégio

meu fruir da amizade e atenção de quem para além de uma vastíssima cultura

 e de um profundo e raro saber da história de Elvas até ao mais pequeno ou requintado

 pormenor de costumes do passado, tudo  contava com a vivacidade e até

jovialidade do seu indizível encanto pessoal e da sua lucidíssima inteligência.

      Deste modo se foi cimentando uma amizade que me encantava e enriquecia

 Porque a partir “ de uma certa idade”, deixa de haver idades que nos distanciem

uns dos , há, apenas, pessoas que se entendem, se estimam ou  não...

Assim que, pelo menos, semana a semana púnhamos “a nossa escrita em dia”

...a notícia ou o concerto que se escutou na rádio, o livro ou o poema que subitamente

a lembrança iluminou na memória e nos traz recordações, tristezas , preocupações

,alegrias, gracinhas das nossas crianças, tudo dava para  partilhar , comover ou rir

aliviando e alimentando o coração.

Mas os anos passam e são inclementes. E. até o que parece fácil como

um simples telefonema a certa altura carecia de ter um código.

Marcar o número, deixar tocar um pouco, desligar e voltar a tocar alguns

 Instantes mais tarde – porque : dizia-me com sorrisos na voz – cada vez ando mais

devagar...

Da cozinha até à sala rezo um Mistério...

E, fomos alongando...

Da cozinha até à sala , rezo dois Mistérios...

E, por último – mas sempre sem revolta, com a mesma paz e a mesma  graça

   sabe, que já quase rezo o terço inteiro? 

 

E, agora que inesperadamente nos deixou tudo recordo e penso:

            Quarta feira dia 13 de Outubro, dia de Nossa Senhora prezam-se no terço os

 Mistérios da Glória  - os gloriosos.

Quinta   Mistérios da Luz – os luminosos.

Sexta, dia em que foi para a sua morada final, evocavam-se os Mistérios da Dor –

dolorosos.

Daí que eu pense que já que o peso dos anos não mais  entrava o passo a 

quem tão bem entrosou a fé nas dificuldades do quotidiano, Nossa Senhora

que a chamou num dos seus dias de nomeada, a  terá recebido – lesta -  em sua glória,

com uma braçada de lilases em flor, (dobrados , como os da sua preferência),

daqueles que das suas mãos eu recebia , em data certa, e hoje já são saudades que

deponho em sua memória.

 

 

 

                                                             Maria José Rijo

 

                                               

                                     

                                               

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.784 – 21 / 10/ 2004

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:41

A Senhora Minha Mãe

Quarta-feira, 18.04.07

 Conversas Soltas.        

Jornal Linhas de Elvas

Nº2.290 de 10 de Março de 1995

 

Confesso-me incapaz de definir a confusão de sentimentos que

me inundam e estão a condicionar tudo quanto faço.

            Talvez, o mais forte seja uma comovida ternura a que poderia chamar:

- Íntima alegria.

            Qualquer coisa de tão puro e tão frágil que me encanta, quase faz

sofrer e não consigo expressar.

            Mas, sei que me vão compreender quando eu contar que minha Mãe,

se Deus quiser, fará no mês de Abril noventa e cinco anos e que esse

esperado e feliz acontecimento povoa, quase por inteiro, o meu espírito.

            Não admira, assim sendo, que perpassem na minha mente

 recordações sem conta de que me apetece falar.

            Não herdaram meus olhos a cor azul dos lindos olhos de meu Pai,

que minha Mãe tanto gabava.

            Nasci morena, como a minha Mãe. Trigueira, como ainda hoje é de

uso designar, também as ciganas, lá nos lugarejos remotos deste Alentejo

da minha alma onde me fiz gente.

            Mas… de Mãe e Pai herdei outros bens. Raízes que me têm

sustentado vida fora.

            Transmitiram-me, como genes, valores também já por eles herdados

de seus maiores. Gentes modestas como eles – mas gente séria.

            Ensinaram-me a respeitar os outros como forma primeira de respeito

por mim própria.

Identifiquei, no seu trato, a bondade, a tolerância, a ternura, a solidariedade, a piedade e o dom de saber perdoar.

            Explicaram-me, com firmeza, que as pessoas se enobrecem

 pelo trabalho digno, pela coragem e honestidade do seu comportamento.

            Falaram-me de justiça, esperança, liberdade… Mas, alertaram-me

que só é livre quem souber – quem for capaz – de ser escravo da sua

palavra, honrar tais valores e deles der testemunho na sua vivência quotidiana.

            Preveniram-me que o futuro – tenha a extensão – que tiver, para

qualquer um de nós – será sempre vivido como toda a existência;

instante a instante – porque é impossível açambarcar tempo.

             Tempo, não é terra, nem dinheiro. Tempo não permite usura –

embora também possa render juros…

            Entre o rigor destas coordenadas cresci.

            Cresci, como crescem as crianças a quem Deus concede a graça

 de viver entre Pai e Mãe: observando e com eles aprendendo ao longo

dos cinquenta anos que durou o seu casamento que a morte de

meu Pai rematou.

            Ora, não é que nestes preparativos, interiores e exteriores, em que

 ando empenhada, para me ausentar uns dias para junto de minha Mãe,

que, aliás, visito com frequência – me pareceu lógico falar das coisas em

que medito quase obsessivamente?!

            Tenho a nítida convicção de que não pretendo ser exemplo para

ninguém.

            Deus me salve de semelhante presunção!

            Apenas cito os meus mestres como me é, muito legitimo fazer.

             Daí, evocar minha Mãe, que, destes valores sustenta o seu coração,

 há quase um século e vive hoje no seio da família, que a venera, como

merece.

            Afinal, ela, que não dispõe de bens materiais, terrenos, dinheiros,

todas essas coisas pelas quais tantos se atropelam, agridem e corrompem – envelhece docemente entre as filhas, os netos e os bisnetos.

            Bisnetos!

            Raparigas e rapazes de dezoito e vinte anos, que se revezam

para a acompanhar e tratar preparando-lhe refeições e tudo de que

necessita nem que, para tanto, desistam de festas e passeios.

Em troca, recebem o que dela sempre emanou - amor – por

 vezes em advertências que nem lhes afagam o amor próprio. 

            Já quase invisual, mas corajosa, frontal, inteligente e lúcida,

como sempre foi, mantém o controlo moral da família com a

 autoridade indiscutível do seu exemplo.

            … Quando lhe conto dos meus escritos, porque se interessa

 vivamente, das especulações de má fé a que se sujeita quem se expõe

furando a sistemática aprovação subserviente que por norma envolve

quem detém poderes…

            …Quando lhe dou conta da coragem porque me esforço – para

merecer os Pais que tive – e me faz defender ideias e interesses colectivos

– alheando-me da comodidade própria…

            …Quando lhe confesso que sonhava que jamais no futuro fosse

possível alguém frente a decisões de hoje – pasmar – pensando com

espanto e dor: como foi possível?!!

            Como foi isto possível???

            Só porque os cifrões esmagaram a razão!

            …Quando a distraio com as minhas opiniões, o seu querido rosto

alegra-se e refresca-o um doce sorriso que a rejuvenesce.

            No entanto – como quando eu era pequena recomenda como

se admoestasse:

                        “-Segue a tua consciência

                        -Escuta e atende as pessoas de bem mas nunca

consideres provocações.

            Lá diz o ditado:

                          Coitado de quem as diz …

                          Quem as ouve, não tem culpa.”

 

 

      Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:27

O seixo branco

Terça-feira, 10.04.07
 

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“Para fazer qualquer coisa!”
Foi a recomendação da criança que, com uma expressão séria no

olhar e um ar quase solene abriu a pequena mão estendendo para

mim o inesperado presente: - um seixo branco, rolado e macio,

por certo talhado e burilado ao longo dos tempos pelo movimento

de mil ondas e marés.
Com ternura e respeito ( que nunca é demais o respeito que se

deve a qualquer criança), agradeci a prenda que ainda hoje conservo,

e vão passados mais de trinta anos.
Mas, o que espera uma criança de nós?
O que espera? – é a pergunta que permanece.
- O que espera quando a beleza de um simples calhau lhe toca a sensibilidade ao ponto de acreditar que umas mãos maiores do que as suas possam gerar , com tal beleza, um milagre maior!
Que crédito depositam os “pequenos”, nas virtudes dos “grandes” para confiadamente recomendarem e esperarem que aconteça aquilo

em que acreditam, ou que desejam poder vir a acontecer!
Será que merecemos tais créditos? – Será?
Seremos realmente capazes de fazer “esses” milagres?
Se nos olham com confiada esperança, uns olhos de criança, o que espera a Vida de nós?
O segredo, a resposta, consistirá em descobrir quem somos, e como somos, e crer que esse segredo, talvez consista apenas, em aceitar que podemos corresponder ás melhores expectativas que outros depositam em nós ...
E, se nos apraz acreditar nas boas possibilidades que olhos alheios nos oferecem, talvez isso nos crie – também - o dever de não repudiar – linearmente - a ideia do mal que, também, outros admitam possamos causar...
É que, às vezes, quem olha à distância, consegue uma objectividade

que se escapa a quem de olhar tanto de perto se encandeia e quase

cega.
Um seixo branco, para fazer qualquer coisa...
Que coisa mais fazer com ele do que pensar, não sei.
Também a Vida nos é dada em branco para fazer qualquer coisa...
O maior receio, o maior medo, é fazer com ela, o que se pode

fazer com qualquer belo seixo branco, guardá-lo, preservá-lo,

conservá-lo e olhá-lo de vez em quando a pensar no que se poderia

ter feito com ele, para que poderia ter servido, ou, se simplesmente, poderia ter servido para qualquer coisa, que afinal, não chegou a acontecer...


Maria José Rijo

Escritora e Poetisa

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:30






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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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