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Agradecimento

Segunda-feira, 30.07.07

Venho agradecer os tantos e tão generosos comentários que tenho recebido de todos vós, e que, se me encantam, também mais me surpreendem e quase intimidam.

Nunca pensei que os horizontes do que escrevo ultrapassassem a familia e alguns amigos.

Sabe bem, depois dos 80 perceber que se chegou, ou chega, "à fala" com outros corações.

O meu gosto pela verdade e rigor, obrigam-me a vir contar, que o meu escrito sobre Amália chegou ao conhecimento de A. Santos por um amigo comum - o escritor João Falcato - hoje já falecido. Daí presumo, a atenção da resposta.

Já pedi à Paula moderação e recato na adjectivação com que a sua terna amizade me brinda.

Como o computador para mim, é apenas uma máquina de escrever e nada mais dele sei, nem lhe peço, o blog é obra dela. Por isso também lhe estou grata e mais ainda porque ela "catou" toda a minha papelada quando me propunha destui-la, passou tudo no seu próprio computador e ainda são cerca de 700 artigos, fora o resto...

Devo-lhe pois, esta oportunidade unica e preciosa deste convivio feliz que quebra a minha solidão.

Bem quereria conhecer cada um de vós contar e escutar vivências, beber um café, um chá, um refresco, conviver...

Resta-nos aproveitar o que é possível...

Sou mesmo do Baixo Alentejo. Por Beja e arredores se passou a minha infância e adolescência.

Fiquei a olhar as iniciais B.M. ( que não decifrei... ) afinal quem quer que seja é da minha geração.

 

A todos deixo um abraço agradecido,

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:42

Não peço, imploro!

Domingo, 29.07.07

Li uma notícia que ameaça de mortal agressão plátanos da nossa terra.

Uma notícia que se lê e sente como uma sentença de morte para algumas das nossas mais belas “árvores de cada dia!”

Das que têm as folhas mais rumorejantes, as copas mais frondosas, dão as mais generosas sombras, têm o porte mais majestoso e o verde mais claro para que lhes associemos lembranças de frescura nas tardes escaldantes dos Verões da nossa terra...

Das que albergam mais aves para dormir, e onde, mais se escutam entoadas por elas, as saudações da Liberdade e da Vida ao raiar de cada aurora.

As árvores que no começo do Inverno estendem tapetes sobre as lamas do chão com as cores de cobre, amarelos e avermelhados com que se pintam as suas folhas para rodopiar nas aragens do entardecer e irem morrer longe da copa que as solta como sonhos perdidos ou já vividos...

 

“As folhas secas de Outono

Em revoadas ao vento

São como ilusões perdidas

Nas asas do pensamento...”

 

Porque provocam alergias! – Acusam-nas.

Há quem seja alérgico ao pólen das oliveiras, ao pelo dos cães, aos cavalos, ao pó doméstico, ao perfume das mimosas, à tinta de pintar os cabelos! – a tudo e mais alguma coisa.

O que não se poderá é destruir tudo quanto cause alergia seja a quem for! - a troco de  se derrubar o mundo.

Nalguns países faz-se a defesa dos polens usando máscaras no rosto, como na defesa para epidemias de gripes, e outras!

Ainda que em locais determinados se destruíssem alguns potenciais motivos de alergias ninguém iria viver em redomas ou deixaria de sair de suas casas toda uma vida.

Ninguém poderia, além do mais mandar que o vento deixasse de fazer a polinização e espalhasse como que ao sabor da sua fantasia a sua preciosa sementeira de vidas.  

Teremos é que, todos quantos sofremos de alergias, ter atenção ás épocas mais críticas e fazer as vacinas da praxe, para que possamos respirar e deixar respirar o mundo em paz, - e as árvores fazer o que sabem : - crescer em beleza direito ao céu!

Não imagino nem na mais arriscada das fantasias ver derrubar os plátanos das ruas de Florença, os centenários plátanos das avenidas dos jardins das Caldas da Rainha, os verdadeiros e majestosos claustros formados por essas árvores frondosas e magnificas nos Parques das Termas de Portugal, Luso, Buçaco, ou de qualquer outro lugar do mundo.

Tantas e tantas árvores têm sido queimadas vivas por todo o nosso país.

Todos os Verões a televisão nos apavora com as imagens desses seres vegetais a serem consumidos pelas chamas, estáticos, e indefesos ardendo como archotes que deixam em cinzas florestas inteiras.

Não queiramos somar ao estalar dos ramos e troncos que o fogo consome o som arrepiante das serras mecânicas que as trituram como feras vorazes que quebram e roem ossos de presas ainda vivas...

...Quando o acordo de Quioto não se cumpre!

Quando a poluição nos invade... (e, essa sim, é a maior causa das alergias), porquê atentar contra as nossas naturais aliadas?...

 

Já nos tiraram tanta coisa! – e outras mais nos ameaçam levar, que pelo menos, não peço – imploro!

Imploro com toda a força do meu deslumbramento por elas:

- Por misericórdia! - Deixem as árvores em PAZ!

... e rezemos todos: 

Obrigado Senhor pelas árvores, como parte do nosso Pão do espírito, que, como o Pão para o corpo te pedimos e agradecemos em cada dia!

 

                                                 Maria José Rijo.

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Conversas Soltas

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.870 – 16-6-06

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fotos:

http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:58

Segredos do Amor

Sábado, 28.07.07

Verdadeiramente, nunca lhe soube o nome!

Toda a gente lhe chamava “Ti Carrapiço” e eu também, embora sempre tenha pensado que se tratava de anexim, destes que passam de pais para filhos, como é bem vulgar no Alentejo.

Isso também não vem ao caso.

A verdade é que ele respondia tão prontamente pela alcunha, como o “Serra d’Aires” que lhe seguia os passos, pelo nome brejeiro que ele lhe dera: “mira-as por baixo”.

Quando o conheci já ele me parecia velho.

Talvez nem o fosse! – Mas, tinha a pele tão crestada que o seu rosto, visto de perto, parecia terra lavrada – com rugas e rêgos tão certinhos correndo-lhe a cara toda que até parecia obra de arado.

Guardava gado desde criança. Era um homem de corpo curtido, baixote e seco.

Passava frente às nossas janelas, mais ou menos à mesma hora, todos os dias, quando levava os “bichinhos a buver aos pocinhos” – era, então a minha oportunidade – que raramente perdia.

Com a ligeireza dos meus 15 ou 16 anos, corria para ficar à conversa com ele, mal começava a ouvir a música dos chocalhos dos bois, a crescer de tom à medida que se aproximava, para pachorrentamente, beberem à vez.

Ele sabia um sem fim de lendas, superstições, mezinhas e “ditos” que deliciavam a minha imaginação.

A ele por certo, honrava-o a atenção com que uma “menina de estudos ouvia um pobre sem letras”.

Um belo dia, a mulher, a “ti Carrapiça”, que regressava da “venda” da aldeia com a cesta do “avio” à cabeça, ficou por ali um bocado para contar, indignada, que “os moços”, não sei de quem, a tinham “enchido de enxovalhos”: - “ barba d´homem, bruxa velha” e mais coisas no género.

Confortei-a! – mas, fui pensando que realmente a idade a tratara muito mal, se é que a mocidade alguma vez, a teria favorecido!

Os três, como que à porfia, fomos descobrindo a forma mais feroz de classificar os “tais moços”, e, parecia que nada mais havia a dizer quando o “ti Carrapiço, que ficara encostado ao cajado a seguia com o olhar , o vulto da mulher que se afastava, disse falando alto, como quem tem o hábito de comungar com a solidão em cada instante: “só é cá sei como ela ficava bonita nas horas do íntemo”.

“p’racia uma romã! P’racia a’nhâ mãe, que Deus haja! – q'ando amassava o pão p’ra gente!”.

Depois, tomando de novo conta da minha presença acrescentou pouco à vontade! – Saúde! – Vou-me andando!

Precedido pela música dos chocalhos, pontuada pela “esquila” da coleira do cão, lá partiu, perturbado, por ter deixado escapar o segredo de amor que para si próprio guardara a vida inteira.

 

                                                               Maria José Rijo

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Á la Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1905 – 11 de Setembro de 1991

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:24

Parece… mas não é!

Sexta-feira, 27.07.07

Aquele problema da rede e dos cães parece coisa simples!

Parece, mas não é!

Se calhar até nem parece problema – mas, é! - é problema de gente.

--Que os cães vadios são um perigo!

--Que os cães vadios tombam os recipientes do lixo … sujam a cidade – propagam doenças – são nojentos – sarnosos e mais isto, e aquilo, e aqueloutro …

Tudo certo!

São argumentos contra verdades irrefutáveis. Que também se abatem outros animais para a nossa alimentação, por exemplo, e mais isto e aquilo e aqueloutro … tudo certo – sabido – irrefutável!

Só que … o cão, o gato, e, ainda mais o cão do que o gato, não era imprescindível ter-se, mas … dava gosto… apetecia – Então, escolheu-se, deu-se de presente à criança, ao adulto e quis-se que fosse companheiro, amigo, guarda…

Fez-lhe lugar em casa, deu-se-lhe de comer, encarou-se nos olhos e chamou-lhe: meu! – Nosso!

Ele abanou a cauda agradecendo e a gente confirmou o gosto de se sentir dono, com uma palmadinha terna num flanco ou com uma festinha breve na cabeça de pelo macio.

Aprisionou-se a nós por laços, por hábitos.

Ensinou-se-lhe a confiança!

Depois…

Depois… verificou-se que afinal – os bichos dão trabalho, despesa, são incómodos quando se quer sair.

E, também se reconheceu que … crescem!

Crescem e perdem a gracinha, e que as crianças já nem lhes ligam, que os aborrecem, por vezes.

Eis que “o meu cão”, “o nosso cão” já é agora “este cão” – “o raio do cão” – “a chatice do cão” – e, do regaço dos donos onde deixou de caber, do banho de “bonecas”, da coleira de brinquedo com laço e fita – para a soleira da porta da rua – foi um ápice na rota de desencanto.

Depois… o proscrito vira … vira latas, sujo, sarnento, esquecido, vadio. Então, numa madrugada – é apanhado pela “rede” a beber na sarjeta, ou, a roer qualquer coisita abichada no lixo.

E, porque foi ensinado pela gente – a confiar na gente – mesmo na desgraça não perde o jeito de chegar aos homens e deixa-se caçar. Depois … lá vai ganindo um destino que não merecia.

É que este problema da “rede” e dos cães – que parece simples – parece! Mas não é!

É o problema de prometer e não cumprir…

É o problema de prometer e trair…

É afinal, um problema de gente – um problema da gente.

 

                                                             Maria José Rijo

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Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.831 – 4 de Abril de 1986

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:02

Inês de Castro

Quinta-feira, 26.07.07

Desde esse longínquo século XVI, em que D. Afonso IV, cedendo a pressões e intrigas, consentiu que Inês fosse assassinada, que a “beleza” de Inês não para de crescer.

Inés de Castro, clic para aumentar

Inês de Castro, certamente foi bonita, bela talvez, ou até ambas as coisas – que Inês morreu jovem e, a juventude tem esses atributos naturais. Porém, a esta distância no tempo, não se poderá realmente garantir como era Inês, pois que, só da sua beleza, poetas, escritores, artistas e, a própria lenda se ocupam.

Sepulcro de Inés de Castro, clic para aumentar

Poderia Inês ter sido inteligente, bondosa, compreensiva ou apenas iluminada pela felicidade que o amor de Pedro lhe inspirou! – E se foi arrogante, vaidosa, vulgar de coração – ninguém o diz, nem por certo o saberá. 

Talvez, apenas, porque foi mártir tivesse ficado linda de pasmar, como são as fadas e as sílfides.

Talvez tivessem sido loiros e anelados os seus cabelos, - talvez lisos como fios de luar, - talvez brilhantes como raios de sol, - talvez sem termo de comparação porque não sendo já reais, são só sonhados, e o sonho não tem medida…

Talvez tivessem sido azuis, transparentes como o céu os seus belos olhos claros…

Talvez nem fossem azuis, mas sim verdes, - porque quem os diz da cor do mar – sabe de quantas tonalidades é o mar capaz de se revestir…

Pode até ser que, quem os refere transparentes como água, tenha pensado em algum lago parado, num jardim sombrio e, assim, os seus olhos já teriam sido negros como noites profundas e não verdes ou azuis…

Inês de Castro, rainha consorte póstuma de Portugal

Talvez Inês tivesse sido apenas, e simplesmente, uma mulher como outra qualquer sem nada de particular, uma mulher que tivesse desejado viver o seu amor humano, tão mansamente como corre a fonte das suas lágrimas na Coimbra dos poetas…

Para isso, não carecia ter sido tão branca como de ela se conta que era, nem o seu colo ser de cisne ou, tão ebúrneo, como sempre é referido – que as mulheres, de qualquer cor, ou menos belas, todas têm coração.

Detalhe do túmulo no mosteiro de Alcobaça

Talvez Inês tivesse ficado branca, porque exangue, na violenta e injusta morte que lhe deram.

Inês, tornou-se um mito e se habita o nosso imaginário é porque, vítima da perseguição levada até à loucura do assassinato – quem de morte a sentenciou – lhe abriu as portas da história e a fez perdurar na memória dos tempos que de outra forma a teriam talvez, esquecido.

Inês pode ter sido apenas uma mulher comum, só tornada perigosa pela visão deformada dos invejosos e caluniadores da sua época que – sendo insaciáveis na ambição – não souberam entender que a uma mulher, mesmo rainha, para ser feliz, lhe basta um ideal de amor – e, no vicio da suspeição temeram nela a sua própria cobiça…

Nos antigos compêndios escolares dizia-se:

“Inês de Castro era uma Senhora de origem castelhana, de rara beleza, por quem o príncipe D. Pedro se apaixonou…”  

Em “Os Lusíadas” – Camões – transcende-se tratando a tragédia da sua morte: “ Estavas, linda Inês, posta em sossego,” … Eu “conheço” Inês.

“Conheci-a” na sua estátua jacente do seu túmulo de pedra rendilhada, na penumbra do Mosteiro de Alcobaça – perto daquele outro, onde Pedro – o justiceiro – também enfrenta a eternidade.Túmulo de D. Pedro I, Mosteiro de Alcobaça

De quem a matou, todos, sem hesitação dizem, sem piedade; - os assassinos!

Sobre Inês, que “depois de morta foi rainha”, paira o mistério que fez crescer e perdurar a lenda.

Junto ao seu túmulo as pessoas passam, param e olham, suspiram, rezam talvez, ou sonham!

Algumas vezes ainda – vão deixando por lá, poeticamente, flores – porque as histórias de amor nunca envelhecem e hão-de continuar sempre a enternecer os corações.

 

                                                                 Maria José Rijo

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Á la Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.050 – 6 Julho 1990

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:04

A BICA

Terça-feira, 24.07.07

Nas passagens de nível sem guarda há avisos em letras gordas a prevenir: - Pare – Escute – Olhe.

Pensando no vício generalizado da “Bica” apetece também: - parar, olhar, pensar, e tentar entender.

Coisa simples, bagatela sem cotação, nem parece lógico pensar em coisa de tão pouca monta – mas – a “Bica” torna-se quase uma instituição.

A “Bica” intromete-se em tudo, em toda a parte.

A “Bica” comanda. A “Bica” impera. A “Bica” tem mais adeptos do que as novelas brasileiras ou o Benfica - Sporting. A “Bica”, pelo que se vê, entrou nos orçamentos domésticos com a inevitabilidade da verba da renda da casa, da água, da luz, do gáz ou do próprio pão.

A “Bica” não é uma tradição. A “Bica” é moda.

A “Bica” é modernice instalada, intrometida a despropósito – como as portas de alumínio nos burgos antigos – mas, a “Bica” manda. A “Bica” não é o café que as famílias portuguesas faziam, coado pela manga de flanela, em grandes cafeteiras de barro, ou mexido com a colher de pau e “assente” com a brasa viva da lareira. Esse, era o café da cortesia para oferecer nas cozinhas com o pão e queijo às comadres prestáveis que faziam jeitos na mira de “o” conquistar. O outro, era o café de balão – fervido na chama da lamparina de álcool – feito à mesa de jantar após as refeições tomado em família entre dois dados de conversa, só para gente crescida, com uns bolitos caseiros e uma aguardente velha para o chefe de família.

O café dos cafés, era a bebida dos negócios, dos viajantes, da população flutuante, separadas dos lares pelas profissões. Era o mediador em conhecimentos superficiais obrigatórios, convívios de ocasião a que o sentar à mesma mesa emprestava o ar de confraternização, que facilitava a conversa, o compromisso.

Era o ponto de partida, o pretexto.

Porém, a “Bica” sendo café, não é nada disso.

A “Bica” está a tornar-se vício e, para muitos, até a oportunidade de fugir ao trabalho, interromper a tarefa que se faz sem gosto, sem entusiasmo, sem amor.

 

A “Bica” torna-se então o objectivo da vida sem objectivo, torna-se a muleta para um tempo sem dimensão de grandeza, enraizada num projecto de futuro – a burla negra e doce.

A “Bica” não é nem um direito nem um dever para ninguém. A “Bica” não é nem privilégio nem defeito, coisa certa ou errada, boa ou má.

A “Bica” é apenas o bom ou mau pretexto, conforme a motivação de quem a saboreia, ou simplesmente a consome.

 

                                                 Maria José Rijo

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Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.962 – 28 Outubro 1988

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:26

A Alma do negócio

Segunda-feira, 23.07.07

A Senhora Leonor cheirava rapé.

O rapé vendia-se nas tabacarias e, por vezes, naquelas lojecas antigas – as capelistas – lá por esse tempo em que eu era criança.

As rapézeiras, tratavam-se assim, com certo desdém – eram quase sempre pessoas de idade – metiam a “pitada” nas narinas, às escondidas, e assoavam-se depois em grandes lenços escuros para encobrir as manchas de fuligem que lhes escorria do nariz, depois de fungarem o rapé.

“Parece que aquela cheira” – dizia-se à boca pequena, referindo A ou B que frequentavam a loja da Dona Bia da Porta-Nova.

Porta-Nova, era anexim. Contava-se que o pai dela fizera uma porta de “estalo” para a casa, na época em que a comprou e onde ainda morava descendência, e ficou assim conhecido. Depois, quem herdou a casa, herdou o anexim. Por acaso, naquela altura que refiro, a porta e toda a casa já eram bem velhas, mas conservavam ainda certa dignidade e até beleza.

Na fachada tinha um “passo” entaipado – “coisas de republicanos” – explicava a Dona Bia, num tom tão neutro que não permitia reconhecer se concordava, ou não, com o evento.

No beiral de telha mourisca, todos os anos, o arroz-dos-telhados (arroz de gato) e a parreirinha-amor, com as suas miúdas florinhas lilases, faziam viçosa bordadura. Isso preocupava a Dona Bia por causa do algeroz que se entupia, e das goteiras que provocavam repasses nos, tectos do primeiro andar e tornava-a ansiosa para localizar os pedreiros que conhecia.

“Problemas de quem tem propriedades” – dizia a Senhora Leonor, retribuindo o amigável desdém com que a outra fornecia, à sucapa, o rapé. Aliás, rapé, era palavra que jamais se pronunciava ali.

A transacção fazia-se assim: - já tem aí a encomenda?

-- Já, sim Senhora! – ou -  Ainda não!

A resposta era: “Atão dê cá!” – ou – “Volto depois”!

-- Se quer, espere uma migalhinha (ou um nadinha).

-- Vou andando – volto ao acender das luzes.

Se havia freguesia à frente para aviar, a Senhora Leonor conversava bagatelas disfarçando, e esperava que saíssem.

A loja era daquelas que já não há. Tinha um arsenal de coisas penduradas do tecto. Eram velas, meadas de linha, quinquilharias, pincéis. Também comportava uns armários com portas de vidro designados, com pompa, por “vitrinis” – e que ficavam de um e outro lado da porta, com cortina de ramagens, que resguardava dos olhares curiosos a intimidade da contra-loja.

A freguesia era sempre a mesma, antiga, conhecida e fazia invariavelmente as mesmas perguntas:

-- O seu Manolito, tem escrito? – Manolito era o sobrinho muito amado e estroina que vadiava em Lisboa à custa da tia que lhe sustentava necessidade e vícios e que, cochichavam, havia de a levar à falência.

E porque aqueles problemas eram tão conhecidos e crónicas como o reumatismo que lhe entorpecia o andar, ninguém esperava a resposta de ninguém e a conversa seguia como diálogo de surdos.

Um dia, ao fechar as contas, a Dona Bia pôs o candeeiro de petróleo, que à noitinha sempre acendia, sobre um prato de balança. A chama estava alta e pegou fogo aos pincéis que pendiam do tecto.

 

A Dona Bia não reparou, e quem a salvou do drama foi o meu olfacto apurado.

Aí , eu fui recompensada com os rebuçados com senha que davam direito aos prédios que serviam de chamariz à criançada cobiçosa e que os viajantes entregavam à parte para “saírem” à medida das conveniências.

Guardei muito bem o segredo da “minha sorte” que só conto hoje porque já não prejudica ninguém pois, na altura era a alma do negócio.

 

                                                                          Maria José Rijo

 

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A La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.028 – 2 Fev.- 1990

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:03

CHARLOT e EU!

Domingo, 22.07.07

Charlot nunca me divertiu no sentido corrente desta palavra.

Quero dizer: - não me faz rir …

Quando era criança, muitas vezes me fazia, até, chorar. Com o rodar dos anos continuou a comover-me, a dar-me que pensar, a apaixonar-me, a absorver o meu interesse mas … continua a não me fazer rir.

Maravilha-me vê-lo – mágico sonâmbulo – no magistral equilíbrio daquela corda bamba que faz a frágil fronteira que separa o riso das lágrimas – maravilhosamente, mas sei que, frente ao seu olhar sério, à bengala, ao coco, ao bigodinho, aos pés grandes postos de lado, à flor na lapela – a tudo quanto recorta a lembrança de Charlot dentro de nós – eu sou apenas de novo criança que no consultório do dentista espera o momento inevitável em que terá que enfrentar a situação que teme. E, quando surge a surpresa aliviada do: já passou! O volte-face que Charlot propõe no  ponto exacto onde a gargalhada ainda pode abafar o soluço – já a minha sensibilidade me pregara a partida, ali à frente do riso possível já eu dera o “passo em falso” que me estatelava no mundo da piedade pelo “rato” que não tem culpa de ser “rato” ou,  “aranha coitadinha” que não tem culpa de ter o corpo mole, peçonhento e repelente!

Foi assim e continua a ser assim… Paciência!

Mas lembrei-me de Charlot porque foi pela mão de Chaplin – com o seu Charlot – que tive acesso à história de imagens animadas – ao animatógrafo… velhos tempos!

Agora, é às vezes a televisão que mo traz de volta ao “cozinhar” as distracções, os terrores, os espantos e também, algumas vezes – menos – as delícias dos nossos lazeres.

Ditador -Charlot 2.jpg

Assim, nas inevitáveis situações de “gato” e “rato” desta vida, que não são afinal tão inevitáveis e fatais – quanto é ao rato ser rato e ao gato ser gato ou à aranha ser aranha! – Fornecem-nos ao domicílio, fartos motivos para pensar…

Na minha “galeria de espantos” pendurei há algum tempo um diálogo entre dois “edis peninsulares” que descontraídas e felizes, irmanados por opiniões coincidentes, falavam das vantagens de certas trocas e baldrocas (designadas pela plebe como contrabando) de produtos “sem espinha” – tais como – por exemplo – café!

Isto era, porém, tratado como se o julgamento das coisas pudesse ser feito conforme os julgadores e os julgados, sem que os factos que o motivaram tivessem que ser avaliados.

Alguns dias mais tarde – também pela T.V. – foi-nos explicada candidamente outra situação que pode ser contada assim:

Se fores “lá” e te calhar “el gordo” – podes mandar vir para cá – por “honestos profissionais da candonga” – o montante do prémio – porque – divisas que entrem trazem benefícios ao País – que muito as necessita!

Perante tanta ingenuidade, tal como nos filmes de Charlot – se os “gatos” me fazem raiva – “os ratos” só me fazem dó e também não consigo rir.

Fico apenas queda no meu espanto – a pensar:

-- Será possível?

 

                                              Maria José Rijo

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Á lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.779 – 29 de Março – 1985

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:07

Almeida santos Responde a Maria José Rijo

Sexta-feira, 20.07.07

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.624 -- 21 de Setembro de 2001

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A colaboradora do Linhas, Maria José Rijo, recebeu uma carta do Presidente da Assembleia

da Républica .

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O próprio Almeida Santos respondeu a um texto publicado nas páginas deste jornal , na coluna "Conversas Soltas" , de 13 de Julho de 2001.

Maria José Rijo emitia, naquele espaço de opinião, o seu parecer sobre o último destino  dos

restos mortais de Amália, questionando, entre outras coisas, "O que faz uma pobre mulher entre intelectuais, engravatados, sisudos, que nunca devem ter trauteado uma cantiga"?

Transcrevemos aqui, na integra, o que o segundo mais alto responsável da nação escreveu,

a esse propósito, no dia 3 de Setembro:

 

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 " Maria José:

Gostei de ler o seu artigo.

E - claro! - respeito a sua opinião. Mas foi a homenagem possível.

Como sabe, não era nada fácil contentar todos os admiradores de Amália. Uns a quiseram nos Jerónimos. A minha amiga preferia a solidão de um qualquer lugar pitoresco.

Triunfou o meio termo: nem nos Jerónimos - que deixaram de ser

Panteão - nem à sombra de um Jacarandá!

O lugar em que ficou também alberga outras almas sesíveis. Então

o Garrett? E o Junqueiro?

Por outro lado, talvez tenha sido esta a maneira de pedir à Amália mais um serviço a Portugal: tornar conhecido, e visitado, o Panteão

Nacional!

O Falcato - meu velho e querido amigo, de quem tenho saudades -

foi Administrador  do Panteão. É natural que tenha ideias próprias

sobre o seu destino.

Eu fui grande amigo da Amália. E não estou certo de que ela renegasse as companhias que lhe damos.

Seja como for: não foi fácil.

E a cerimónia de trasladação foi mesmo bonita!

Não concorda?

Creia-me, um sincero apreço",

                         Almeida Santos

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:36

Tenho opinião diferente...

Sexta-feira, 20.07.07

                                        Amália Rodrigues (retrato), 1954

 Foram de boa intenção, foram dignas e tiveram emoção e beleza as cerimónias que envolveram a trasladação da urna de Amália Rodrigues para o Panteão Nacional.

Foi bonito, poético, esclarecido e justo o discurso do Senhor Presidente da Republica.

De tudo isso ninguém terá dúvidas.

Mas...

Mesmo abstraindo das controversas opiniões populares, onde a unanimidade em aplaudir a homenagem, não escondeu o desagrado da forma como esta aconteceu. Ocorre-me uma pergunta que encerra uma dúvida pungente:- Amália , como teria preferido ? - como o povo alvitrava, ou como o poder político decidiu ?

Julgo, que nisso,- que parece deveria ter sido primordial para quem teve que tomar tal decisão,-  ninguém pensou.

Porque se o houvessem feito, todos, (e foram todos) que a reconheceram como: Única, Impar, Solitária, Genial!...Teriam tido dúvidas se seria ou não aquele o seu lugar - e teriam reconhecido que não era.

Amália Rodrigues com a irmã Celeste, Madrid, 1943

Sendo Única, Genial, Ímpar , (como todos a reconheceram)- em nenhuma companhia ficaria  “inter pares”

Tinha direito à solidão, como solitária foi a sua alma.

Poderiam ter-lhe destinado um pequeno “Tadj Mahall” no cimo do parque Eduardo VII , onde já criaram um jardim com o seu nome, porque, para ela, certo, era um templo de Amor, ali, à mão, ao alcance da sua gente , que ela nunca renegou - o povo.

O que faz uma pobre mulher entre intelectuais, engravatados, sisudas, que nunca devem ter trauteado uma cantiga? !

Amália Rodrigues no Lincoln Center, em Nova York, com o Maestro André Kostelanetz, 1966

Podem as altas individualidades, os reis, os heróis, todas essas celebridades que estão em túmulos pesados, na clausura gélida dos espaços onde o silêncio da morte impera e paira e, onde as crianças entram trementes como que receando fantasmas ,ter a morada certa na majestade do Panteão

Porém, Amália, aí, não!

Amália nada tem que ver com poses ,formalidades.

Amália tinha tudo a ver com  coração , sentimento, amor - saudade.

Amália era a voz de tudo isso, mais da fatalidade de tudo isso cantar.

Amália Rodrigues com David Mourão Ferreira e Alain Oulmain, 1964

Amália, era o destino aceito de não ter par, da  solidão interior. Era com as suas mãos nervosas amarfanhando os cadilhos do xaile ,enquanto o fado lhe brotava do coração subindo pela garganta, a imagem sofredora, de quem  por atavismo, por herança, por milagre e por castigo cumpre uma sentença -  cantar - libertar a alma na voz.

Amália entre escritores porque difundiu a língua portuguesa? - mas isso não é verdade! - Ela difundiu , sim, a alma portuguesa a que deu  voz - a sua voz. Amália deu a conhecer, mundo fora um povo cuja diáspora e consequente saudade dava o tom de dor ao seu canto.

Foi célebre. Foi amada por reis, idolatrada, bajulada por elites, admirada  e aplaudida por todo o mundo.

Amália Rodrigues - um dos seus retratos inesquecíveis

Mas, permaneceu igual a si própria : uma mulher simples, uma mulher de verdade de um Portugal verdadeiro - que ainda resiste...

Não fora assim e teria comprado casa de férias, em qualquer local cosmopolita deste mundo, mas não!

 Foi isolar-se no litoral alentejano onde mais que em qualquer outro sítio se podia dar ao luxo de ser ela própria, sem artifícios, nem disfarces, onde pintava flores, flores, até em cântaros de barro e por todo o lado como que a afirmar, que, semear beleza a aproximava  mais de Deus.

È por isso que penso que se fora ela a escolher teria sido diferente, e me apetece dizer como Sebastião da Gama: - “não encarcerem a asa!”

Façam-lhe uma tumba de pedra tosca, com uma guitarra esculpida em cima,

cavada na rocha, lá no cimo da falésia, isolada das pompas do mundo, mas rodeada de flores silvestres. Urzes, rosmaninhos, alecrim, lá perto do refúgio que ela escolheu para fugir a festas e honrarias na procura de si própria.

Amália Rodrigues, a última viagem. Olhos vidrados de lágrimas das pessoas simples, do povo, com as vozes embargadas, acompanham o cortejo fúnebre

E deixem que as brisas do mar sejam a sua serena companhia, e que as nortadas assobiem seus medos e  tirem sons e façam música na pedra que selar os quatro palmos de terra que a ninguém se negam no fim da Vida.

Deixem que os sons do fluxo e refluxo das ondas do mar embalem o seu sono eterno como um enamorado que de joelhos arrulhasse juras de amor sempre tão falsas como belas...

Libertem-na da pompa e circunstância com que os “ grandes deste mundo” empobrecem a pureza do que Deus cria.

Deixem que as gaivotas vão pousar sobre esse rude mausoléu, e que o luar  lhe lamba a pedra de mansinho como um cão doente faz às suas chagas.

É que jamais a Vida se curará de ter perdido voz assim.

Deixem que a sua lembrança se transforme em lenda , e ela viverá para sempre.

                                                              Maria José Rijo

                                                    Escritora e Poetisa

@@@@

 Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.615 – 13/Julho/2001

Conversas Soltas

 

 

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