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Um tema inesperado

Segunda-feira, 09.07.07

Comprei esta semana o “Semanário” para ler com tempo e vagar o que ao longo destes últimos dias se tem escrito sobre as dúvidas que surgiram quanto à “engenharia” de Sócrates.

Se é engenheiro, agente técnico, bacharel, catedrático, aprendiz de feiticeiro, isto, aquilo, aqueloutro, não sei, nem me interessa.

Como já ouvi dizer - e muito bem – a quem tem autoridade e respeitabilidade para o afirmar - é 1ºMinistro - porque para tal foi eleito por inequívoco escrutínio -  que ninguém  pode contestar.

Porém, se mente - como se afirma - em relação ao seu grau académico, aí , já todos temos que nos interrogar sobre algumas questões.

Quando da “pretensa entrevista esclarecedora” não ficaram dúvidas para ninguém que Sócrates, fala com fluência, tem boa presença e veste com elegância como se presenciou pela televisão. Quanto ao resto, fica-se a pensar em como é surrealista a realidade do ensino no nosso país, quando se ouve afirmar que foi possível, alguém, ingressar na UNI, sem certificados de nada... Apenas fazendo fé na palavra do aluno candidato que um certo dia, podendo até ser um ano depois, uma bela manhã acorda mais bem disposto e pensa: - deixa-me lá ir entregar na secretaria da Universidade, alguns dados meus, já que eles coitados foram tão simpáticos ou... que raio de palavra calha aqui para qualificar o “belo” gesto!!! – Nem sei! - Há tantas...- não escolho. Decidi!

Então, é assim que se inscreveram todos os estudantes? – Ou foram apenas alguns?

Ou, pior, ainda – foi Sócrates - o único?

Porque, ter dito, há quinze anos que era engenheiro antes de ter terminado o curso até tem um certo “charme”, pois faz-nos reconhecer que ele afinal pertence à raça humana.

Não é um ser à parte.

Não é o deus infalível, que teimosamente persiste em governar contra a esperança de um país que nele acreditou, mas - já – nele, não se reconhece.

Que foi jovem e cometeu os pecadilhos da juventude, como todos os jovens fazem, e, assim sendo, pode - a qualquer hora - lembrar-se de o ter sido e reconhecer que é gente, susceptível de errar, de sofrer, de se equivocar,  ser incompreendido e, deixar de se mostrar o infalível predestinado para salvar as contas do Estado à custa da miséria do povo que o elegeu acreditando nas suas promessas, que tem feito questão de não cumprir!

Pode até concluir que, ser rigoroso, não é, por exemplo, fechar todas as Urgências.

Pode até ser, e deve ser, emendar a mão! – Porque o povo não vive com o nível económico dos ministros...

Mas... continuando: - apresentar versões diferenciadas num currículo para actos oficiais... bem! - Sempre aprendi que com coisas sérias não se brinca!

Porque, se o Senhor Primeiro-ministro, esqueceu por não terem importância, as mentirinhas da sua juventude, e, isso se aceita e compreende! – Já não se entende que possa ter esquecido que as mentirinhas não podem constar de qualquer currículo a sério.

Claro que verificando como também esqueceu das razões que o fizeram ser eleito, essa realidade torna-se mais preocupante.

Muito boa gente, como eu, agora, pode admitir que se trata de amnésia, situação susceptível de tratamento.

Cuidados a ter em conta.

Se, em lugar da minha usual colaboração para este jornal, estes comentários fossem dirigidos ao Senhor Primeiro-ministro, até para que ficasse mais evidente que o meu único intento é compreender o que se passa, eu ousaria termina-los parafraseando

a sua confessada forma habitual de terminar as cartas, que escreve, e que, alias, também usou para o antigo Reitor da  Universidade Independente:- seu Sócrates.

Neste caso: - Sua Maria José

Até porque, na minha idade, este jeito, ficaria com um ar bem carinhoso de uma velhota a escrever para um belo rapaz.

 

Porém, não são essas as circunstâncias...

 

 

                                            Maria José Rijo

                                Escritora e Poetisa

 

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.914 – 19 – Abril - 2007

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publicado por Maria José Rijo às 18:05

Não me recordo!

Segunda-feira, 09.07.07

Do     Não me recordo da ideia que me impeliu a escrever.

Aliás, varias vezes assim me acontece.

Ouço, leio, ou vejo qualquer coisa que me chama a atenção e me desperta a vontade de a comentar e, entretanto, ou porque o telefone tocou, ou porque qualquer outro interesse se interpõe e me distrai, quando me proponho fazer o que pensara, já estou completamente perdida da “tal” motivação.

Paro então, sempre na esperança de que a memória me restitua os fios da meada, mas quase sempre, resultam inúteis todas as tentativas para restabelecer ligações com circuitos desligados.

Julgo que isto nos acontece mais quando queremos impor a nós próprios o ritmo vulgar do dia a dia, para nos negarmos, em desespero de causa, a aceitar ter acontecido o que nos faz sofrer, e que jamais pensamos poderia acontecer, como se a nossa vontade, alguma vez pudesse funcionar como um exorcismo para o mal, ou um talismã para a felicidade.

Penso, que também será assim com outras emoções. Pode alguém abrir a janela pela manhã, dar de caras com um dia esplendoroso, (dia de rosas, como dizia minha Mãe) e sentir uma vontade imensa de louvar a Vida. Depois, logo de seguida, ligar a essa emoção repentina, uma lembrança mais funda, guardada dentro de si e, sorrir apenas ou emudecer, e já não ser capaz sequer de falar,  porque a voz se lhe cala frente à avalanche de recordações, que a lembrança de um qualquer instante, acordado na memória,  interpõe  - como nuvem - entre si e o sol.

Não sei se alguém já terá sentido, e dito, que a saudade é como uma nuvem. Se ninguém o fez,  fica dito agora, porque, por detrás dela, como por detrás da nuvem está o sol, aliás, é do sol, dos momentos de luz, que a saudade provém, não dos momentos de sombra ou escuro de qualquer vida.

Bom e mau tudo se recorda, mas - saudade – saudade -  será sempre, também, a memória,  que a cada instante oferece  ilusões de presença, do que é impossível recuperar, porque tendo acabado para sempre na vida real, sobrevive ao tempo e à morte, apenas, como lembrança.

Falar da Vida , será sempre uma tentação; como tentador será sempre todo o mistério indecifrável.

Todos temos teorias.

Todos julgamos saber isto, ou aquilo.

Da Vida todos temos experiência, até porque a estamos a viver, porém, quando julgamos chegar a um dado seguro, ele escapasse-nos como areia em ampulheta.

O que sabemos realmente? - o que é verdadeiramente nosso? Seremos mesmo donos de  alguma coisa ?  Seremos donos do nosso corpo, ou, até da nossa própria vontade ?!

Se somos tão poderosos, porquê mazelas, doenças, deficiências...

Durante estas campanhas pró e contra o aborto, tanto se disse e, no final nada se concluiu.

Até, para quando, depois da fecundação, começa a história da pessoa humana, as dúvidas se mantém.

Então o ser humano – a pessoa - não será  pura e simplesmente a Vida que resulta da soma das vidas do óvulo e do espermatozóide, em torno da qual, com o material genético de que dispõem criam o próprio “invólucro”-  e, porque não?

Não será “essa” Vida , em si, a alma desse corpo que assim se gera...

Porquê com um corpo intacto se diz: - deu a alma ao Criador, quando a Vida se extingue?

Porquê, se às vezes num corpo esfacelado a Vida persiste?

Certo, até agora, para quem vive, só a morte.

E, livre, livre, só o pensamento.

Metade dos portugueses, mais ou menos, foram às urnas. O Sim ganhou.

Entendo quem se absteve.

É, e será sempre, uma questão séria de mais, para se dividir entre preto e branco. Culpado e inocente.

Ninguém se atreverá a negar a existência do arco-íris – julgo eu... 

 

                             Maria José Rijo

                  Escritora, Poetisa, articulista

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 13:43





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