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Metáforas

Quarta-feira, 18.07.07

Tudo começou com uma exclamação desesperada, mal se abriu a porta de casa.

 - Que pé-de-vento passou por aqui?

E, logo em seguida: - isto assim não tem pés nem cabeça! Eu, jurava a pé firme, jurava a pés juntos, que não há gente mais desarrumada do que esta!

 Semelhante exagero, – fez-me rir.

 Assim, o novo alvo fui eu.

 E tu, evita rir, porque, rir, faz pés de galinha e já estás cheia deles. Com esse riso, desautorizas-me e fico com os pés em falso1 Foi a imprecação final.

Ri, ainda com mais convicção, por me aperceber de que num curto espaço de alguns segundos a palavra mais usada fora “pé?”

Então, por troça, comentei frisando bem o que dizia:

- Não me pegues no pé, porque, quem meteu o pé na poça, foste tu, fazendo todo o mundo fugir daqui, a sete pés, por terem levado ao pé da letra, esse teu ar de quem, nem em criança, pôs o pé em ramo verde!

 Divertidas, rimos então nós duas e juntas evocamos as metáforas, que nos vinham à memória, em que aparecia a palavra pé ou o seu plural.

Era o: - rapa-pé: - adulador...

O pé de alferes- namoradeiro...

O: - pé-coxinho: - de quem não tem capacidade para fazer obra de jeito...ou o jogo infantil do mesmo nome!

 Era o: - pé na argola - de quem faz asneira...

Era o fugir a sete pés – de quem tem medo...

Era o pé cá, pé lá, de quem não pára num sítio só...

Era o pé ante pé de quem anda à socapa!

Era o: - dar o passo maior do que o pé, – de quem extravasa do que sabe ou pode!

Era o: - pé para além do chinelo! – Com idêntico significado

Era o: - pé dentro, pé fora, dos indecisos.

Era o pé de cabra – para arrombamentos....

Era o pé de alferes - para quem corteja amores...

Era o pé quebrado para as tentativas mal resolvidas da poesia...e de tudo que não sai perfeito....

Era o pé descalço para a classificação pejorativa dos mal-educados...

Era o finca pé - para os teimosos...

O pé de salsa para os vaidosos...

O jurar a pés juntos dos irredutíveis.

O -  pé firme  - para os que crêem ter a verdade na mão...

Era o - estar de pé- ou morrer de pé, - para quem persiste numa postura digna.

Também, o: - ao pé - para quem está perto.

O - estar aos pés  - de quem se serve,  ou , de quem se admira – ou -  de quem se ama.

O -  lamber os pés  - de quem se humilha perante outrem...

O: - “lava – pés” – símbolo da humildade e amor ao próximo!

Há, também o: - ponha aqui o seu pezinho! (das velhas cantigas da infância)...

Há o pé de dança! E quem não dança, ou já dançou?

O pé de chumbo, ou pé pesado, para quem...arrasta o pé...

O pé de igualdade- na circunstância citada e outras...

Há ainda o: - pé de galo – das mesas redondas onde se invocam espíritos, se impinge patranhas e se desfiam medos...

E, há também, que me lembre – o: - “pied de poule” padrão – importado de França - e sempre em moda nos tecidos clássicos!

Mas, em bicos de pés me escapo, não sem afirmar que:

- o pior, é quando está tudo em - pé de guerra,- porque ninguém se entende... como nós por cá - politicamente, vamos indo - o que sem  metáforas., se pode afirmar...embora nos vá faltando o pé...

 

                                            Maria José Rijo

                                         Escritora e Poetisa

 

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.919 – 24-Maio-2007

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:19





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