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O Pequeno Cidadão

Sexta-feira, 31.08.07

            Pego num pequeno livro e surpreendo-me. - É uma velha “Corografia” do Ensino Primário Elementar datada de 1931!

            È uma brochura, que, ao tempo custava 5#00. É um exemplar da quarta edição da Colecção Escolar “Progredior”.

            Percorre-me uma estranha emoção. Um misto de saudade, confusa surpresa, e, também uma alegria, fresca, quase infantil. Miro e remiro a capa. Leio tudo que nela se escreveu até às letrinhas mais miúdas. Aprecio os desenhos que a decoram. São clássicos. Uma ânfora com flores enquadrada por um portal ao gosto estético da velha Grécia encimado pelo ex-libris da casa editora em que, num livro aberto, se pode ler. Fiat lux – tudo dentro os padrões da época, sóbrios, despojados de futilidades. O ensino era ainda uma coisa solene e, com os livros não se brinca! - Era a recomendação sempre repetida.

            O livro tinha qualquer coisa de sagrado, porque dele vinha o saber e o saber correspondia ao enunciado: Fiat Lux! - Faça-se luz!

            Também naquele tempo o papel era um bem precioso que desde a primeira infância se aprendia a poupar e utilizar com respeito.

            Nas mercearias, por essas épocas, até se aproveitavam as margens dos jornais velhos para fazer as contas aos fregueses. Talvez por essas e outras circunstâncias se tivessem criado hábitos de poupança e economia que hoje parecem exagerados mas, a que a época presente, responde, ela também, com exageros de extremos opostos: dissipando e esbanjando sem pensar que: - nenhuns recursos são inesgotáveis e que por detrás de cada objecto, ou produto, está no trabalho, ou no esforço que custou a quem o criou um pouco da sua alma e muito do seu tempo. Que é como quem diz, - da vida de alguém que, em profissões mais ou menos modestas, contribuiu para o nosso bem estar.

            Mas voltemos ao livro.

            Não me lembrava se ele fora meu, ou de quem fora. A parte o amarelecimento apergaminhado que o tempo lhe deu, o livro está novo.

            Sentei-me comodamente para o “ saborear “como se fora o meu novo livro escolar onde a lição do dia me aguardasse e eu tivesse os dez, onze anos de então...

            Abri-o. E, eis que, aos meus olhos comovidos saltou uma frase escrita em letra de criança que diz assim: - este livro pertence ao cidadão José d`Almeida Rijo.

            Deitei contas. Nascido em 1920, o pequeno cidadão era aluno da 4ª classe, quando assim registava a sua “propriedade”!

            Habituada a ler e a escrever nos livros de escola as frases corriqueiras do:” se este livro se perder e alguém o encontrar faz favor de o entregar a fulano ou a beltrano”.

            “Se este livro for perdido e por alguém for achado se não for por um ladrão e for por alguém honrado aqui fica a direcção onde deve ser entregado... “

            Habituada a estas e outras cantilenas que na minha adolescência se escreviam na contracapa dos livros escolares, fiquei a olhar e a pensar o que leva, ou teria levado um menino de 11 anos a “ sentir-se” um responsável cidadão

            Corri ao álbum das fotografias e, lá estava, fardado de “Rata”

(Caloiro do Colégio Militar) com cabelo cortado rente, como é típico nas Instituições Militares, o Rapazinho que fora nesse distante 1931, o orgulhoso dono daquele livro com mapas a cores de todo o Império Colonial Português... Parte insular ou ilhas adjacentes: Açores e Madeira...A que se seguiam: Províncias Ultramarinas ou Colónias... e, de cada uma delas, fotografias.

            Palácios e majestosas árvores em Bolama. O hospital de S. Tomé. Vista parcial de “Loanda” com a baía em primeiro plano; rua da Praia do Bomfim em Mossâmedes, o imponente edifício da Estação dos Caminhos de Ferro em Lourenço Marques... e, por aí fora até chegar a um mapa desdobrável que desde a aurora boreal a um aviãozinho que visto a esta distância no tempo, parece uma miniatura, feita em caixas de fósforos, do modelo usado por Coutinho e Cabral... Comporta também esse “Panorama Geográfico”, como é denominado, o desenho de um Balão e, de um Dirigível pairando num horizonte que também exibe um sol nascente e, a que não falta a figura ameaçadora de um vulcão a vomitar lava vermelha, incandescente.

            Lembrei-me então que também eu estudara por um exemplar destes. Lembrei-me também de como fora emocionante a mudança para os livros da Quarta Classe, tão diversos no aspecto e conteúdo das “cartilhas” e dos infantis livros das primeiras leituras. Revivi a emoção e o medo da vizinhança do 1º exame. Tudo isso em turbilhão me envolveu e, dei comigo, emocionada, entendendo aquele puro e inocente orgulho de menino, criado sem Mãe, a quem era pedido mais uma prova de coragem, um acto de valentia, como de um navegador que saísse a barra para as Descobertas – sair de casa! - Deixar o Pai, a Avó, os Irmãos e partir em procura da sua dimensão de Homem, de Cidadão independente que o futuro promete a todos os meninos. (ou devia prometer...)

            Então aconcheguei a mim aquele testemunho do passado, como quem conforta embalando, afundei-me em recordações e pensando em todas as CRIANÇAS, gostaria de ter o poder de exorcizar cantando-lhes a velha balada:...” vai-te embora papão feio de cima desse telhado, deixa dormir o menino o seu sono descansado” e acrescentaria por minha conta:... Deixa viver os meninos, seus sonhos, mesmo acordados...

 

                                                         Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.583 – 1 de Dez. de 2000

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:54

O embaraço

Quinta-feira, 30.08.07

                Não se trata de escrever.

            O problema, é: - melhor - consiste em : - escrever o quê!?

            Num jornal, o campo de escolha é mais vasto. Porque sendo mais vasto o campo de interesses e a variedade de assuntos há sempre a hipótese de tocar as preferências de alguém. Numa revista, mais especificamente, numa revista de actualidades, que quem compra, compra para se distrair, quase, mais para folhear do que para ler, a procura de um tema requer ponderação diferente. O que se pode escrever de tão ligeiro que seja lido sem esforço, que entretenha mas não mace e que, em simultâneo, tenha algum conteúdo Porque, e, aqui é que está o busílis, quem escreve, deseja, espera, necessita, que alguém leia o que escreveu quer comungue, quer divirja da sua opinião, mas que leia, aplauda ou conteste.

            Quem escreve, espera sempre que alguém, ao ler possa sentir que já pensara no assunto, só que ainda não o verbalizara, ou nele se detivera a pensar por distracção ou falta de tempo, ou, que nele já largamente meditara e compare os pareceres.

            Quem escreve, quer comunicar. Não o faz de maneira tão directa como a fotografia o consegue. Mas, intenta o mesmo: - prender a atenção relatando o que viu, o que sentiu, o que pensou, o que o alegrou ou fez sofrer, o que o deslumbrou, ou aquilo que repudiou.

            Escrever, é repartir, sentimentos, opiniões, em qualquer caso e sempre a escrita expõe o seu autor e, como tal, sendo dádiva, também é risco. A fotografia é diferente.                                                               

            A fotografia, empresta-nos o gozo do olhar.

            A escrita, a abordagem da alma.

            A fotografia, olha-se.

 A escrita, lê-se.

            São falares distintos

            A fotografia, mostra.

A escrita compromete.

 

            “ Hoc opus, hic labor est” que, é como quem diz, aqui é que a porca torce o rabo!

            É que, no entanto, a imagem, é celebrada como tendo o privilégio de valer mais do que mil palavras. Mas, mesmo assim conserva a inocência de quem constata, estando de fora. 

            A abordagem à imagem é instantânea, abrangente.

            A abordagem à escrita é feita gota a gota. Palavra por palavra. Interioriza-se a ideia, o sentido, e, é a nossa própria imaginação, a nossa sensibilidade que nos fornece a imagem interior, a consciência do facto relatado, que, num ápice, num relance, a fotografia, pode, realmente, mostrar.

            Coado pela sensibilidade, o relato escrito, nunca se separa da marca da opinião - que vincula o compromisso de quem diz, ao que disse ou diz, pela interpretação mais ou menos explícita , ou, apenas implícita -  de quem conta o que quer que seja .

            Convenhamos então, que falar de qualquer coisa interessante, agradável, ligeira, para que não canse, e, que ao mesmo tempo, consiga prender uns instantes de atenção, não é tão fácil como pode parecer.

            Não dispondo da facilidade das imagens, reduzida ás palavras sempre menos sedutoras, ocorre-me perguntar:

            Será que alguém leu até aqui! - Será!

            Se tal aconteceu, quem o fez, decerto compreendeu que escolher um tema que preencha todos estes requisitos, ás vezes, é para quem escreve - um embaraço.

 

 

 

 

                                                                             Maria José Rijo

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Revista Norte Alentejo-- Crónica

Nº 9 – Fevereiro / Março – 2001

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:01

Carta Aberta

Terça-feira, 28.08.07

Tentei responder a cada um dos vossos comentários de per si.

Tentei. Porém, a Vida, (com maiúscula, como escrevia Sebastião da Gama) sempre nos surpreende – às vezes de forma agradável, como no caso do vosso apreço pela minhas “Conversas Soltas” – o que muito me tem ajudado a aceitar que, afinal valeu a pena, mesmo no silêncio duma modesta rotina, ter ido contando velhas lembranças, ou anotando as diferenças que a evolução dos tempos vai impondo a todos nós...Blog de Arte

Foi, também, valha a verdade, a forma que descobri para, da minha “toca” (sou por índole tímida, ao ponto de parecer vaidosa a quem não priva comigo), manter uma relação viva com a cidade natal de meu marido, que me acolheu há 60 anos, quando casei.

Porém, na minha idade, já se é mais solicitado a dizer adeus aos “nossos” de coração, que partem sem retorno, do que, jamais se julgou ser suportável.

Assim que, mesmo aceitando a inevitabilidade dos factos, sem revolta, isso não exclua o sofrimento e algum desanimo inibidor para cumprir, em tempo certo, o que, prometido, se tinha como dívida.

Hão-de perdoar-me, creio.

Penso com responsabilidade na amizade que me oferecem, e que aceito e retribuo porque amizade e intimidade, nunca foram sinónimos embora me fosse grato conviver convosco.

Encanta-me saber que me entendem, que gostamos de ler e pensar juntos, mesmo não sendo, sempre, coincidentes as nossas opiniões, o que é saudável.

Enternecem-me os “presentes” de: - poemas, citações, achegas várias, desde nomes de netos, profissões, idades…minúcias das vossas vidas que vão enriquecendo a minha.

 Agora, a Dolores e as suas amigas que espreitam o blog todas as noites, “cerimónia” que eu própria repito todas as manhãs, para receber a dádiva de amizade da Paulinha.

Penso que se me esforçasse acabaria por aprender a fazer com o computador qualquer coisa mais do que escrever, era natural que sim.

Mas valeria a pena arranjar essa preocupação? – Não acredito.

 Gosto de me sentir protegida. Sinto-me menos só.

 

E, agora que já me expliquei, vou tentar responder a algumas questões que me foram postas:

Conheci José Régio, aos 17 anos, quando fiz exame do 6º ano, mas acedi à sua intimidade através do poeta elvense Casimiro de Abreu, depois dos 20, já casada. Tive então acesso a sua casa, um verdadeiro mundo de beleza e

magia. Guardo dessa visita um “terço”que me foi oferecido e a promessa de uma referência a dois versos de um poema meu – o que não veio a acontecer.

 

          “E se eu morrer antes de alcançá-la

          A Luz saberá

          Que eu gastei a vida a procurá-la!”

 

Convenhamos que para a época, era uma afirmação arrojada, mas o tempo não a desmentiu de todo.

 

 O outro esclarecimento, que devo, é sobre João Falcato que foi grande amigo de meu marido e meu, que dirigia um Colégio em Elvas, e fazia parte da tertúlia literária de onde nasceu o jornal Linhas de Elvas em 1950.

Julgo que as suas obras estão todas esgotadas e – sei – que morreu aos 90 anos, desejando reeditar “Fogo no Mar”.,

  

Os postais de gastronomia por que me perguntaram, com receitas tradicionais e textos meus, foram editados quando fui vereadora da Cultura Já me confessou a Paula que pensa pô-los on-line.

 É desse tempo que recordo Rogério Marques a quem com afecto aqui saúdo.

Antes que a mim própria pergunte se isto é um testamento, saúdo-vos a todos, agradeço as visitas, a que penso referir-me sempre que possível, desde que a minha sobrinha continue a desfiar este rosário…

 

Um abraço – Maria José Rijo.     

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publicado por Maria José Rijo às 16:00

Certificado!

Terça-feira, 28.08.07

Este certificado foi passado pela Dina e pelo Café da Franky

que fizeram o favor de escolher entre blogs.

 

Fica aqui o agradecimento para:

 

http://www.coisasimplesepequenas.blogspot.com/

 

http://cafedafranky.blogspot.com/

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:27

As despedidas

Segunda-feira, 27.08.07

            Há pequenos nadas que de repente nos chamam a atenção, nos obrigam a pensar e como tal nos sugerem alguns comentários e reparos.

            Mais uma vez assim foi.

            Uma locutora da televisão ao despedir-se no final dum programa, com o ar mais convencido do mundo, deixou um voto, que apesar de simpático me pareceu além de imprevisto, um tanto descabido pelo excesso de “originalidade.”

 Foi assim:- tenha uma boa vida!

Comecei então a reparar como todos e qualquer um dos outros locutores se despediam ao finalizar a sua prestação de serviços.

Enquanto uns com muita segurança afirmam: volto amanhã!

Outros, com o ar de quem tem trunfos na manga, quase ordenam: - tenha uma grande noite!

 Outros, sem pretensões anunciam: despeço-me até amanhã... e por aí fora cada qual, quer duma maneira discreta ou mais floreada, diz tudo o que lhes vem à cabeça, usa qualquer expressão por mais ou menos oportuna que seja, menos a tradicional frase que todo o cristão aprende desde que começa a falar:- até amanhã se Deus quiser!- ou a formal despedida de todos os tempos : - Boa noite! - Até amanhã, já que cada um tem liberdade para ser crente ou não o ser.

Não podendo deixar de situar esta inovação, de variedades, no tempo, cheguei sem grandes surpresas à época da revolução dos cravos que foi a data em que se fizeram as descobertas e respectiva execração dos termos chamados fascistas

De alguns excessos o correr dos anos já fez o expurgo.

Outros, por menores, têm-se esgueirado como “pulga por costura” e vicejam tornando tortuoso o que era escorreito e transparente, convenhamos, que, sem honra nem glória -. Apenas com o propósito de exibir um certo laicismo - que pretende ser de bom tom mas, que tresanda a mal  digerido e mal assumido já que apenas se ostenta e sustenta de exteriorizações sem consistência - quase ingénuas ás vezes.

Deste consentimento com que se anui sem reserva ao que cada um queira ou não fazer e dizer mesmo que ao serviço do publico. Deste desinteresse pelo deslizar de pequenas coisas nesse plano inclinado onde nada ou quase nada do que é clássico se mantém em equilíbrio, chega-se à permissividade de programas que envergonham e comprometem a dignidade humana. Ou a tal perda da noção de valores que se faz parar um país preso da emoção forjada em torno de um homem fechado num banheiro.

           Consultam-se psicólogos para virem dizer que situações destas marcam nefastamente os filhos do infeliz protagonista deste incidente! - Sem se reparar que a cruel e desnecessária projecção dada ao caso alargou incomensuravelmente o peso da angústia que caiu sobre as crianças e avolumou o horror da sua recordação.

Pensando e repensando, com uma certa ironia, como é natural, nestes despropósitos, apetece-me terminar esta crónica cumprimentando estes “ heróis” com a frase que meu Pai, quando éramos crianças, de nós se despedia: - tenham juízo!

 

                                                     Maria José Rijo

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   Revista Norte Alentejo

     Nº 8 – Janeiro /Fevereiro - 2001

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publicado por Maria José Rijo às 22:27

… Uma cadeira qualquer …

Domingo, 26.08.07

 

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Á la Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.802 – 6 / Junho / 1985  

 

“Seis personagens à espera de autor” – é o título duma obra de Pirandelo – de que eu gosto.

E… se fosse uma cadeira à espera dum personagem?

Não era nada mais do que um pensamento que me atravessou o espírito, quando empoleirada no meu lugar da camioneta, viajava meio dormente, estrada fora – Elvas, Lisboa – olhando a paisagem rotineira.

Uma cadeira, numa sala de espera, enfileirada com outras, tesa e chata, tem sempre um ar de bocejo irreprimível, por mais cómoda que seja…

Qualquer cadeira tem sempre uma história para ser contada, sonhada ou, até por inventar ainda.

A cadeira do nosso canto! – A nossa! – A que nos faz afirmar seguros: - “O meu lugar é ali”…

A cadeirinha pequena, esfolada, coxa às vezes pelo inábil manuseio e que, mesmo assim, se conserva porque evoca infâncias distantes que vimos florir e só de olhá-la se nos amolece o coração e faz sorrir…

A cadeira de balanço das mães velhas – das avós…

Essas, guardam no ritmo do seu balanceio sonhos e esperanças confessados a medo, contos de fadas, sabedoria aprendida e desprendida de gestos de amor verdadeiro…

“A cadeira amarela” – da casa pobre onde viveu Van Gogh, em Arles – pintada em tela – célebre! Que companheira de solidão teria sido!... Receptiva às roupas que se despem, ao corpo cansado que se abandona pesado de desencanto, aos esboços amarrotados, aos papéis, ao copo de água à cabeceira para as noites difíceis dessa vida de tragédia – sempre vizinha da loucura – e fechada em suicídio!...

As cadeiras de rodas – amparo e bordão de tantos infortúnios…

As cadeirinhas de costura – sempre perto das janelas – enamoradas da luz até à agonia dos dias – rente à vida que corre lá fora do outro lado das vidraças…

A cadeira eléctrica – esse prodígio de barbaria, cínico, hipócrita – fruto duma sociedade fria e cruel, traiçoeira e falsa, criada para fingir que a morte é digna só porque o sangue não escoa empapando o chão…

As cadeiras de praia, cheias de cor, com todos os tons da preguiça no lazer dos corpos lassos…

As cadeiras dos tronos – ricas, faustosas e opressoras como o peso das coroas cravejadas de jóias – preço alto de honrarias e intrigas temíveis…

A cadeira que se nega ou oferece!

“Nem o convidou a sentar! – não lhe ofereceu uma cadeira!”

“Sente-se aqui! Tem aqui uma cadeirinha!”

“Não lhe faças lugar!” – O seu lugar é aqui!”

A cadeira dos mestres – a Cátedra! – e a do Mestre, dos mestres – só imaginável:

“Está sentado à mão direita de Deus Pai!”…

Mas, uma cadeira de braços com o fundo de bunho aparentemente inteiro e as quatro pernas nos sítios certos, rematando uma montureira istalada à beira da estrada, numa clareira sombreada de arvoredo, entre montes de lixo e latas vazias de refrigerantes – o que poderia sugerir?

Um pic-nic da poluição?

Ou que “ela” veio para se instalar e tomou assento nos lugares mais incríveis?

Não sei! – Mas, sou forçada a reconhecer que uma cadeira qualquer, em qualquer lugar que seja – sempre dá para pensar: …

Uma cadeira aqui? – Quem a poria?

Para quê? – Para quem?

E às vezes a história é mal contada, ou fica por conta, como desta vez…

 

  Maria José Rijo

 

 

                       

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:37

“O Pancho”

Sábado, 25.08.07

I

Há meses, perdi-lhe o conto

                              Já estou em crer que é enguiço

                                Que procuro e não encontro

                                  “O Pancho” – levou sumiço?

 

II

De amigos não tinha míngua

                                 Destemido – o raio do gato!

                                   Bicho sem papas na língua

                                        Vivia com o Falcato

                                                   

 

III

Ou fosse de Borba o vinho

                                    Ou sortilégios de Baco

                                    Nada calava o Bichinho

                                 Nem tricas, nem desacatos

 

IV

Gato sábio, sabidão

                                  Prudente, manso, matreiro

                                      Ronronando ao coração

Conquistou-nos por inteiro

V

E, agora, desaparece

Pr’aí assim, de Rondão!

Se na Câmara não se conhece

Onde está o “gato” então?

 

VI

Em Marte, não foi falado

Que a nave seguiu vazia

Tanto tempo silenciado

Dava p’ra essa ousadia.

 

 

VII

Ninguém o viu no “Cantigas”

No “Boletim” nem retrato

Vamos lá deixar de intrigas

E saber onde anda o gato.

 

 

VIII

Se o Pancho não está na Europa

Nem em qualquer Sindicato

Se o gato não foi p’ra tropa

Faz favor cacem o gato!

 

 

IX

Por lebre, não se comia

Não era tonto p’ra tal

Vai junto a fotografia

Que ele é assim: - tal e qual

X

É tu cá – com o Soares
Tu lá – com o Almeida Santos
Por “partidos” não bebe ares
Não se verga a “tais” encantos

 

XI

Com Veiga Simão na Cultura

Foi chefe de gabinete

Consta, até que na altura

Fez um belo brilharete.

 

XII

“Ab imo corde” – com Zenha

Outro P.S. afamado

Que em alistá-lo se empenha

Mas, sem qualquer resultado.

 

XIII

Sabe-se que o gato “é verde”

Que torce pelos leões

Roe as unhas, quando perde

Mas... mantém as ilusões

XIV

Penso pois, chegada a hora

De bater aqui o pé:

-          Volte o Pancho sem demora

Porque o gato já não o é

 

XV

Nem o gato do Falcato

Ou d’outra qualquer criatura

O Pancho é – sem desacato:

Figura de literatura

 

XVI

Que volte lesto e em festa

Volte – que é desejado

Senão! – a S.I.C – nos resta

“Ponto de Encontro” marcado

 

XVII

Que venha de “Baleeira”

Naufrago em “Fogo do Mar”

Que o Pancho queira, ou não queira

Ao “Linhas” tem que voltar.

 

 

Maria José Rijo

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.413 – 1 /9 Set. /97

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Fotos - http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:37

A Chave

Quinta-feira, 23.08.07

No jornal “Linhas de Elvas” nº1756, de 19 de Outubro de 1984, sob o título “a Chave”, na minha rubrica então designada “A la Minute” escrevi assim:

 

......Como música de fundo na minha memória, o eco de uma voz.

A voz do Santo Padre com aquele seu jeito, tão particular de falar português.

Com aquele seu olhar tão directo, de céu limpo tão azul:

”Porque é o Homem”

O “Homem...”

Lembram-se como Sua Santidade pronunciou esta palavra recortando o “m” final?

Parece que foi ontem, ali em Vila Viçosa...

“o Homem” como se dissesse: - “Homem-me”.

E essa sua maneira de dizer faz que a palavra tenha uma ressonância, um eco que não tem, se dita por nós.

É como se todo o sentido, todo o significado, todo o valor divino do humano se evidenciasse de repente às nossas consciências...

Os trabalhadores tornam-se: os homens – O Homem!

Os exércitos tornam-se: os homens – O Homem!

Os inimigos tornam-se: os homens – O Homem!

Todos readquirem a dimensão certa, são os Homens, são o Homem!

Com mais fé, com mais tolerância, com mais amor.

Com verdadeiro sentido de “os outros homens”, o homem verdadeiro é aquele que aceita viver com a consciência de Deus.

Nesse caminho encontrará a resposta em si, e, dela dará testemunho na sua vida.

Se o homem reconhecer que “nada do que é humano lhe é impossível”( como disse Santo Agostinho)- não precisará de ser sábio para entender que aos mesmos homens que escolherem os caminhos das guerrasVeja fotos do papa

 e destruições também estão abertos os caminhos da Paz,  da Justiça e da Santidade.

E, é essa a chave

.

Vão passados 21 anos.

Vejo-me hoje, entre aquele número sem conta dos que choram a morte do Papa João Paulo II.

E, na minha memória, dele, resistirá o eco da sua voz, então ainda forte e possante, pronunciando a palavra “Homem” como sinto que Jesus teria dito a Lázaro levanta-te e anda!

Porque dita por ele a palavra Homem encerrava todo o caminho da humanidade, tinha toda a força da sua fé e o significado de uma profecia de esperança dirigida a cada um de nós

Assim também o entendi e creio.

Assim o mundo inteiro lhe reza e agradece.

                                                                               Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

7-Abril – 05 – Nº 2.808

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:20

Ler e pensar

Terça-feira, 21.08.07

         Também através da leitura se pode fazer, um pouco, o percurso da  vida de cada  um de nós ,quando o hábito de ler nos acompanha ao longo dela.

            Começa-se ,quase sempre pelas histórias em quadradinhos, seguem-se-lhes os contos - dantes, eram de fadas - passa-se para as aventuras, depois, vêm as novelas e os romances.

            A certa altura,  começamos a reparar na forma como as intrigas romanescas nos são contadas e embora aderindo emocionalmente ao enredo ultrapassa-se a fase dos prantos pelos agravos e desditas porque passam os personagens e ganha-se objectividade sobre o que se lê.http://www.leitematerno.org/livros_recomendados.htm

            Então começa a etapa mais frutuosa, que é a de ler e pensar, que se segue à de ler e apenas sentir.

            Começam-se a definir critérios de escolha e preferências. 

            Fazem-se incursões por caminhos diversos. Deixa-se a ficção um pouco de parte. Procuram-se biografias, relatos de viagens, cartas, romances  históricos. Com um pouco de sorte ganha-se o jeito de ler poesia também.

            Então o livro deixa de ser apenas o entretenimento a pura curiosidade pelo fio da meada e ganha o valor acrescentado de ser o amigo e o mestre.

            Para encher tempo, até as velhas revistas das salas de espera dos consultórios dão uma certa ajuda. Embora se tratem quase sempre como se faz com os esporádicos encontros de rua . diz-se-lhes - Olá! e segue-se em frente. Porém, para levar para casa, para se sentar à nossa mesa , levam-se os amigos. Aqueles de quem se gosta. Aqueles com quem nos sentimos bem.

            Com os livros passa-se a mesma coisa. Para os ter à mão, perto de nós , para que nos sirvam de companhia, têm que nos saber falar ao coração e à inteligência, têm que despertar em nós qualquer espécie de interesse, têm que nos ajudar a entender quem somos, têm que nos abrir caminhos.  É que, como acontece com as pessoas, também o livro pode ser um bom ou um mau companheiro. Pode ser uma benção ou um veneno.

            Daí o cuidado com que se escolhem, se guardam, se olham, se recordam, se revisitam em leituras meditadas ou fugazes de trechos que se sublinharam, marcaram, e quase se sabem de cor.

             Manusear um livro é um prazer. Afagar-lhe a capa, tacteando-a, é como sentir o perfume de uma flor antes de a colher ,é o bater à porta da aventura de iniciar a leitura, é o afago no que desperta em nós afecto e estima, é o abraço no encontro do amigo.

            Mais cedo ou mais tarde, para quem gosta realmente de livros, para quem não concebe viver sem a sua companhia, acaba por chegar a hora de  procurar nos livros o que se espera dos mestres - a sabedoria.

            Escolhem-se então autores que na juventude nos pareciam fastidiosos, excessivamente solenes e descobrimos como as suas palavras são cheias de mensagens, como esclarecem as nossas dúvidas, como nos abrem novos caminhos, como nos ajudam a encontrar respostas dentro de nós.

            Como lidaram com as suas próprias interrogações, as suas perplexidades, como construíram os seus percursos íntimos.

Perdida a “voracidade” com que na juventude se devorava tudo quanto  aparecesse em frente dos olhos para ler,  enreda-se o nosso interesse  com temas, que nessa época nos pereciam incapazes de merecer o nosso interesse , quanto mais o nosso entusiasmo. As Confissões de Santo Agostinho,

 

- No Coração do Infinito e,

Cartas Abertas de Jean Guitton , -

 As Aproximações do professor Agostinho da Silva

a que juntei agora - Os Evangelhos de 2001-

do professor Marcelo Rebelo de Sousa    

        são o mestres que ando a reverenciar...

        Tenho, neles, pano para mangas.

         Dariam para uma vida inteira.

         Aprender até morrer ,diz o ditado.

         Aproveitemos então, para ler e pensar.

 

 

                                                           Maria José Rijo

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Revista Norte Alentejo -- Crónica

Nº 10 – Março/Abril 2001

 

                                                              

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publicado por Maria José Rijo às 21:25

Reminiscências – Os sinos

Segunda-feira, 20.08.07

Quando a sociedade estava estruturada de tal maneira que as famílias não estavam reduzidas, como agora, apenas ao seu núcleo básico de pai mãe e filhos. 

Quando eram famílias alargadas e, em todas elas cabiam os idosos e também nelas se dava guarida a parentes pobres ou amigos doentes e solitários...

Por esse tempo, as crianças dessas famílias cresciam escutando histórias de abnegação, de coragem e de sacrifício, também de festas de família, de passeios e, até de circunstâncias anedóticas, poemas, contos de fadas, tudo o que as pudesse encantar entretendo-as e ajudando na sua formação lhes alargasse o conhecimento e fortalecesse o caracter.

Não se ensinava aos meninos que é mais importante para se ser feliz sustentar um automóvel do que aprender a partilhar e viver a riqueza de amar e proteger um irmão, por exemplo.

Todas, por esse tempo conheciam a lenda do filho que levou seu pai, já velho e incapaz de trabalhar para um local isolado onde se propunha abandoná-lo sentado sobre uma manta para aguardar a morte sem incomodar ninguém. Todos sabiam que o velho pai, sem uma única queixa apenas lhe recomendou: - leva metade da manta meu filho!

Leva, porque assim quando teu filho para aqui te trouxer já nem manta precisarás de comprar. 

E, todos sabiam que o filho retomou seu pai nos braços e o reconduziu a casa onde, mais tarde, acarinhado por toda a família deixou este mundo.

Nessa “era” que já parece tão remota como os dinossáurios o casamento era um sacramento e abarcava alegrias e sacrifícios,

Renúncias e heroísmos que fortaleciam o espirito de família e o amor que os unia.

 Daí que seria impensável querer chamar de casamento esses contratos entre seres do mesmo sexo que tanto parece deslumbrar os progressistas.

Ora isto vem a propósito de algumas críticas que ouvi através da comunicação social sobre o “conservadorismo” do Santo Padre, João Paulo II, o que me fez pensar:

Se foi assim criticável a sua intransigência porque se vergou o mundo inteiro a seus pés?http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt/106522.html

Não será também pela coragem e fidelidade, nada fáceis, que foi capaz de manter em relação às suas convicções e princípios morais apesar de de todas as pressões?

Julgo que sim.

Não é por certo o culto do facilitismo desbragado que conduz à virtude, nem será a eutanásia ou o aborto que irão melhorar o mundo.

O mundo, só melhora melhorando as pessoas, e, daqui não há que fugir.

Não é a igreja que deverá transigir aos caprichos de quem vive sem rei nem roca.

Nós é que teremos que encontrar e seguir o rumo certo para as nossas Vidas, seguindo- a.

Ocorreu-me o desejo de fazer estes comentários quando escutava os sinos a saudar “esse” peregrino de Fátima que partiu para a sua última viagem, desta vez, rumo à Mãe do céu.

E, enquanto pelos ares vibrava a sua música nostálgica e comovente, mentalmente repetia como uma reminiscência de infância os restos esparsos dum poema ( talvez de Soares de Passos, será ? já não me lembro!)

 

 

Tange, tange augusto bronze

Teu som casado comigo

                      Inda na morte me agrada

Inda ali sou teu amigo!

 

 

 

                                            Maria José Rijo

@@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.809 – 14 / Abril / 05

Fotos - sinos .. http://olhares-meus.blogspot.com/

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