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… Uma cadeira qualquer …

Domingo, 26.08.07

 

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Á la Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.802 – 6 / Junho / 1985  

 

“Seis personagens à espera de autor” – é o título duma obra de Pirandelo – de que eu gosto.

E… se fosse uma cadeira à espera dum personagem?

Não era nada mais do que um pensamento que me atravessou o espírito, quando empoleirada no meu lugar da camioneta, viajava meio dormente, estrada fora – Elvas, Lisboa – olhando a paisagem rotineira.

Uma cadeira, numa sala de espera, enfileirada com outras, tesa e chata, tem sempre um ar de bocejo irreprimível, por mais cómoda que seja…

Qualquer cadeira tem sempre uma história para ser contada, sonhada ou, até por inventar ainda.

A cadeira do nosso canto! – A nossa! – A que nos faz afirmar seguros: - “O meu lugar é ali”…

A cadeirinha pequena, esfolada, coxa às vezes pelo inábil manuseio e que, mesmo assim, se conserva porque evoca infâncias distantes que vimos florir e só de olhá-la se nos amolece o coração e faz sorrir…

A cadeira de balanço das mães velhas – das avós…

Essas, guardam no ritmo do seu balanceio sonhos e esperanças confessados a medo, contos de fadas, sabedoria aprendida e desprendida de gestos de amor verdadeiro…

“A cadeira amarela” – da casa pobre onde viveu Van Gogh, em Arles – pintada em tela – célebre! Que companheira de solidão teria sido!... Receptiva às roupas que se despem, ao corpo cansado que se abandona pesado de desencanto, aos esboços amarrotados, aos papéis, ao copo de água à cabeceira para as noites difíceis dessa vida de tragédia – sempre vizinha da loucura – e fechada em suicídio!...

As cadeiras de rodas – amparo e bordão de tantos infortúnios…

As cadeirinhas de costura – sempre perto das janelas – enamoradas da luz até à agonia dos dias – rente à vida que corre lá fora do outro lado das vidraças…

A cadeira eléctrica – esse prodígio de barbaria, cínico, hipócrita – fruto duma sociedade fria e cruel, traiçoeira e falsa, criada para fingir que a morte é digna só porque o sangue não escoa empapando o chão…

As cadeiras de praia, cheias de cor, com todos os tons da preguiça no lazer dos corpos lassos…

As cadeiras dos tronos – ricas, faustosas e opressoras como o peso das coroas cravejadas de jóias – preço alto de honrarias e intrigas temíveis…

A cadeira que se nega ou oferece!

“Nem o convidou a sentar! – não lhe ofereceu uma cadeira!”

“Sente-se aqui! Tem aqui uma cadeirinha!”

“Não lhe faças lugar!” – O seu lugar é aqui!”

A cadeira dos mestres – a Cátedra! – e a do Mestre, dos mestres – só imaginável:

“Está sentado à mão direita de Deus Pai!”…

Mas, uma cadeira de braços com o fundo de bunho aparentemente inteiro e as quatro pernas nos sítios certos, rematando uma montureira istalada à beira da estrada, numa clareira sombreada de arvoredo, entre montes de lixo e latas vazias de refrigerantes – o que poderia sugerir?

Um pic-nic da poluição?

Ou que “ela” veio para se instalar e tomou assento nos lugares mais incríveis?

Não sei! – Mas, sou forçada a reconhecer que uma cadeira qualquer, em qualquer lugar que seja – sempre dá para pensar: …

Uma cadeira aqui? – Quem a poria?

Para quê? – Para quem?

E às vezes a história é mal contada, ou fica por conta, como desta vez…

 

  Maria José Rijo

 

 

                       

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:37





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