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Vencedores - Rui Nabeiro

Domingo, 30.09.07

Tinham-me recomendado um programa do primeiro canal da T.V. que valia a pena ver porque dava a conhecer gente muito interessante.

            Gente que mercê do seu trabalho, iniciativa e coragem triunfara na vida e, tem hoje lugares de destaque na nossa sociedade em diversas actividades.Foto

            Nunca mais pensei nessa informação. Julgo mesmo que um dos nossos males é recebermos tanta informação, e tão diversa, ao mesmo tempo, que não chegamos a fazer uma triagem capaz e, ora nos enfrascamos de sucata, ora nos empanturramos de tédio e deixamos passar ao lado o que nos enriqueceria o espirito e lavaria a alma.

            Mas, adiante, que a hora não é de filosofias de trazer por casa. A hora é de falar no conforto e alegria que nos dá, até uma certa vaidade, de conhecermos Gente, - com maiúscula – que merece enfileirar na lista dos notáveis. Pois não é que naquele dia de acaso em que decidi espreitar o tal programa, dei de caras com um sorriso bonacheirão, num rosto de expressão bondosa e inteligente que todos conhecemos?Nada mais, nada menos, do que o ImageSenhor Nabeiro, o nosso Homem dos cafés Delta! O nosso estimado vizinho de Campo Maior.

            Fiquei a ver o programa, com interesse, e de repente dei-me conta dos meus sentimentos em relação ao que via e ouvia. Alguns depoimentos muito interessantes, outros com menos interesse.

            Havia os que serviam da circunstância para fazer sobressair a importância das suas altas relações sociais, quero dizer: elogiavam por ricochete de modo a que o elogio retornasse á fonte, e lhes viesse aureolar a própria importância; e, havia, claro, os que de coração nos olhos, e nas palavras, estavam, quase, nervosos por não serem capazes de dizer todo o bem, e toda a gratidão que lhe desejam expressar.

            Uma coisa, porém, ficou bem patente: - pelo menos em Campo Maior, todas as pessoas consideram Rui Nabeiro como patrono da terra e confessam com enlevo a amizade e gratidão que a todos, ele merece. Não conheço com intimidade o Senhor Rui Nabeiro, embora já tenhamos estado juntos em algumas cerimónias e nos tenhamos sentado à mesa em refeições de circunstância.

            Mesmo assim, guardo dele uma memória de delicadeza e expontânea generosidade que me apraz recordar.

            Uma certa vez, num determinado evento, reparando o senhor Nabeiro que um dos convidados para a festa não tinha lugar marcado, como deveria ter, dado que era pessoa, na altura, em destaque, antes que a gafe se tornasse notória, e mais humilhante para o ostracisado, levantou-se, foi cumprimentar e convidar para a sua mesa onde lhe fez lugar, muito embora a festa, fosse da sua responsabilidade. Um rei não faria melhor.

           Foto E, é este respeito pelo próximo, este ser capaz de se meter na pele do outro, mesmo em posições adversas, ou, muito principalmente nessas, é este humanismo atento ao próximo, estou convencida, esta atenção às pequenas coisas, que faz parte dos segredos do seu sucesso.

            Porque uma coisa é vencer, ganhar a batalha da vida adquirindo bens. Outra – a mais importante – ou a única que vale a pena – é não se convencer que a riqueza e o poder são tudo. É continuar Pessoa, ser Humano sensível, é ter a mão estendida para o outro. Sabendo que o outro, somos nós.

            E, fazer isso com total despojamento de vaidade como o Homem da Delta faz, é que o torna, na verdade vencedor. E o torna o Amigo, a pessoa querida de quem todos falaram. Parabéns. Parabéns a todos a quem o dinheiro e o poder, não afastou dos seus semelhantes e, ao contrário, os tornou mais próximos e atentos a eles.

            Parabéns.  

 

                                                Maria José Rijo

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.681 – 25 – 10 –2002

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publicado por Maria José Rijo às 23:31

O Gato Pias – Perder e Ganhar

Sábado, 29.09.07

        Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket Perder e ganhar são palavras tão correntes, tantas vezes repetidas a propósito de tudo e de nada que penso valer a pena meditar um pouco nelas.

            Afinal, o que é perder e o que é ganhar?

            Será que se ganha quando se pode por o pé sobre o peito do adversário deitado por terra, como é de uso ver nas fotografias de caça, mormente se a peça abatida tem peso e tamanho de vulto?

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            Será?

            Será que alguém se pode considerar vencedor porque dispondo de poder como o caçador dispõe da arma subjuga e cala os adversários, será?

            Então se assim é porquê a preocupação permanente de algumas pessoas em aproveitar a propósito e a despropósito circunstâncias de acaso querendo-as transformar em oportunidades - que em verdade não o são , e só colocam mal quem, sem sentido algum de conveniências, exibe o seu mau gosto, falta de educação, e falta de respeito pelos outros - para  exultantes, pisarem no seu semelhante?Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

            Será assim tão incontrolável a necessidade de se justificarem perante os outros, sendo, como se fazem crer, tão donos das verdades e das soluções?

              Na realidade arrogância não significa segurança, nem certeza de coisa alguma.

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                 Arrogância pode muito bem significar insegurança e medo, esforço irreprimível para abafar a incomodidade da consciência que jamais adormece...

            Um vencedor não se define por falar de poleiro.

Nunca será vencedor quem nada acata dos sentimentos dos outros e faz e desfaz obras de outrém só porque detém o mando e quer, e pode, exibir a sua força.

            Penso que não serão jamais esses os vencedores.

            Vencedor é quem resiste.

            Vencedor pode ser quem na aparência perde, mas luta, arrisca, sofre, suporta incompreensões, incómodos, grosserias, sarcasmos soezes, mas não se nega à luta de rosto descoberto.

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            Vencedor é quem entra na contenda sabendo que lhe falta a força, o poder, mas não dobra porque lhe sobra consciência dos seus direitos e dos seus deveres, da sua obrigação de não renegar aquilo em que acredita.

            Pensava nestas e em outras coisas. Pensava, porque lendo jornais, escutando noticiários, até vendo novelas, a reflexão se nos impõe.Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

            Apeteceu-me então, o que estou a fazer, chamar a atenção para a maneira como desde sempre, em todos os tempos alguns poderosos exerciam e exercem o poder.

            Como a cobiça, a má fé, a perfídia, se podem dissimular sob falsas aparências Vencer, ganhar...Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Só cada qual sabe o que lhe vai no coração. Às vezes, quem morre vencido à luz dos homens é vitorioso à luz de Deus. O contrário também pode ser realidade 

O que não deixará porém duvidas a quem quer que seja -  é que é sintoma de falta de caracter desrespeitar e achincalhar, a despropósito, um adversário vencido como se qualquer espécie de poder elevasse um Homem acima dos outros Homens.

                Pensava assim quando com um sorriso me ocorreu a história doPhoto Sharing and Video Hosting at Photobucket gato Pias

            Aprendi-a recentemente, mas não a esquecerei por certo.

            Expulso de uma ilha grega onde habitava respondeu a quem incrédulo lhe perguntou: (vendo-o sem malas nem embrulhos) - então partes sem bagagem?

            “Omnia mea mecum porto” (levo tudo comigo) respondeu sensatamente o gato.Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

            Todos levaremos tudo connosco quando partirmos de vez.        E, tal como o gato não precisaremos nem de malas nem de relatórios, medalhas, condecorações, ou albuns de fotografias das “maravilhas”que tivermos erguido neste mundo.

            Apenas e sem hipótese alguma de escamotear - quaisquer que tenham sido os resultados - espectaculares ou nefastos - as nossas mais secretas intenções  estarão sem disfarce possível como nossa única bagagem.

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   Levo tudo comigo - trazemos tudo connosco.                                                       Omnia mea mecum porto

Quer em latim, quer traduzida, a frase é curta - vale a pena fixa-la e 

 Medita-la

Vale mesmo a pena.

 

                                        Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.555 de 12/5/00

Conversas Soltas                                                                        

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:13

Para a DOLORES

Sexta-feira, 28.09.07

embora atrasado com um beijinho de Parabéns

da Maria José e da paula

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publicado por Maria José Rijo às 14:27

É Linda a Flor do Cardo

Sexta-feira, 28.09.07

 

um beijinho para quem se esconde por detrás dela

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publicado por Maria José Rijo às 14:20

Singularidades

Quinta-feira, 27.09.07

           .

 Há quem se encante com coisas várias. Eu também. E nem precisam ser coisas raras, pouco vistas.

            Deslumbram-me as flores, por exemplo. Com as suas especificidades próprias, as suas cores, beleza, formatos, os seus nomes, perfumes, manhas.

            Manhas, sim! Algumas dispõem de mecanismos ardilosos para chamar os insectos que ao visitá-las promovem a polinização que garante a reprodução que continuará a espécie. Outras soltam sementes aladas para que o vento as disperse e por longe as propague, como quem manda filhos para outras pátrias onde a vida promete mais vantagens.

            Outras revestem as sementes de filamentos que se agarram ás roupas das pessoas, ou ao pêlo dos animais que por elas roçam e assim as transportam como quem vai de boleia para o seu almejado destino.

            Há em algumas plantas, como se bichos fossem, um certo mimetismo que as ajuda na sobrevivência. É ver os pinheiros que toda a gente sabe altos, esguios, erectos, a contorcerem-se arrastados rente ao chão ali por S. Pedro de Moel, a fingir que lá não estão, rastejam dissimulando-se à nortada impiedosa que os fustiga mas, assim, não vence.

            É ver as figueiras lá para Sagres, S. Vicente, acocoradas como galinhas sobre os pintos para escapar heroicamente ao açoitar constante dos ventos salgados que as privam da liberdade de serem iguais às suas farfalhudas irmãs do resto do Algarve onde a doçura do clima as afaga e protege.

            E os nomes! São um prodígio de imaginação de fantasia, de beleza. Nomes de família, de espécie, como se fidalgos fossem ou bichos com pedigree...

            Das flores quantos nomes passam para as pessoas! - São as Rosas, as Margaridas, as Orquídeas, as Dálias, as Hortênsias, as Eufrásias, os Jacintos, os Narcisos, etc, etc, etc,

            E os apelidos! - São os Carvalhos, os Oliveiras, os Laranjeiras, os Pereiras...

            Se as flores dos jardins são semeadas ou dispostas ao sabor do arbítrio de quem escolhe, de quem as elege, e para elas prepara o terreno a preceito nada nos surpreende no resultado ainda que nos encante. Já as flores do campo têm uma linguagem diferente.

            Zonas há em que nalgumas estações do ano, como se o próprio arco -

 iris sobre elas tivesse entornado as suas cores, com os lilases dos rosmaninhos e dos chupa-mel, os vermelhos gritantes das papoilas, os amarelos e os brancos dos malmequeres, os rosados das corriolas se tornam um verdadeiro festival de beleza encobrindo o solo com infindáveis mantos de beleza. Então, aí, elas funcionam como mensageiras dos segredos da terra. Elas aparecem espontaneamente para dizer que sendo aquele solo próprio para nele proliferarem é porque a sua constituição é ácida, arenosa, é seca, húmida, argilosa ou de qualquer qualidade, conforme as necessidades da sua espécie.

São certamente as árvores, as flores, a vegetação em geral, uma forma de linguagem que a terra usa para falar ao coração dos homens. Tal como dos sentimentos dos próprios homens falam as acções mais do que as palavras.

            Porém também no mundo das flores por vezes as aparências iludem. Há plantas lindas que escondem venenos letais. Como há gestos e palavras que ocultam pérfidas intenções.

            Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos “bluffes”.

            As rosas tão delicadas, tão acetinadas, com seu todo angelical, são inseparáveis de seus acerados espinhos...

            Encantam mas, picam, fazem sangrar a mão que as colhe como se para tudo na vida tivesse que existir um contraponto de dor.

            Nem sempre o que é bom, como nem sempre beleza e fragilidade são símbolos de inocência...

            Porém não nego o meu fascínio por esse mundo vegetal, verde e mudo, a que só o vento ou o fogo dão voz mas elaborando no mistério da profundidade das suas raízes esquemas de vida e sobrevivência dignos dos cérebros mais sofisticados.

            Também aí a vida das flores se assemelha à das pessoas, com suas especificidades, seus nomes, seus feitios, suas qualidades, seus defeitos e fraquezas, suas virtudes e malefícios, seus perfis, suas estaturas ou suas frondes e típicos troncos, mas sempre com seu quê de mistério. Só não entendi ainda se são as flores que se revêem nas pessoas, ou se são as pessoas que se revêem nas flores.

            Também esta dúvida por certo é parte integrante do segredo e do encanto.

 

  Maria José Rijo

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Revista Norte Alentejano

Nº 3 – Agosto /2000

Crónica

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publicado por Maria José Rijo às 19:41

Na minha opinião...

Quarta-feira, 26.09.07

Depois de ler e reler, até com uma certa comoção, todas as provas de apreço pelo que escrevo, necessariamente tinha que parar para pensar e procurar entender o porquê da popularidade que as minhas “conversas” ganharam.

Na minha opinião o mérito não me pertence.

Nem sequer há para tal qualquer mistério.

Na minha opinião, o que acontece, é que não faço, nem pretendo fazer literatura.

Apenas converso. Penso alto!

Apenas ponho por escrito o que mais ou menos todos nós sentimos no vai vem do dia a dia, duma forma tão rotineira que nos esquecemos por vezes de parar para olhar o valor inestimável das pequenas coisas, por mais insignificantes que possam parecer e que somadas são as nossas vidas.

A nossa Vida!

Rompo a minha solidão, abro-lhe as janelas que posso para olhar para fora de mim.

Evito embrenhar-me na tristeza, ou quando ela me vence, assumo-a.

Assumo-a e falo dela. Conto a cada um que leia o que escrevo como a vida me perpassa e os sulcos de alma que ela escreve em mim.

Procuro não falar de fora para dentro. Arrisco falar de dentro para fora. Não sou juiz de ninguém.

Antes me ofereço, expondo o que sinto, sem disfarces, no caminho que, como gente, igual a toda a gente, tento fazer em direcção aos que, como eu, caminham procurando o rumo.

Porque, muito embora sejamos todos diferentes no aspecto, na capacidade de amar ou sofrer, as diferenças, já não serão, por certo, tão flagrantes.

          Quando vivi nos Açores, na ilha Terceira, constatei que de alguns pontos altos, se avistavam outras ilhas.

Lá do “Alto das Covas” era S. Jorge que se espreitava no limite do nosso horizonte.

          Notei muitas vezes que embora fosse uma situação vulgar as pessoas, olhavam sempre em procura do vulto da ilha, recortada lá longe, na bruma da distância.

Olhavam, e comentavam: - a alegria de uma ilha, é avistar outra ilha! – E havia, como que um toque de sonho, de meditação ou, até nostalgia, nesta apreciação.

Penso que, aqui, o fenómeno é idêntico.

A alegria de uma pessoa é “avistar” outra pessoa!

Que aqueles com quem cruzamos na rua, passam fechados, herméticos, indecifráveis nos seus semblantes, e pouco nos dizem, até porque fechados nos nossos casulos, nos esquecemos também, de os olhar.

Passam por nós, passamos por eles e continuamos desconhecidos.

Já com os amigos trocamos afecto, confidências, como é uso dizer: damo-nos bem!

Damo-nos!

É isso! - Quem escreve - dá-se, o que,  também não é um acto gratuito.

Nem pensar. Dá-se - porque precisa, também de receber.

Porque, talvez, precise mais do que ninguém de receber.

É a história das ilhas - a alegria de uma, é avistar outra...

Identificar – outra...

Porque é isso que quebra a solidão de ser.

Nasce-se - Só

Morre-se – Só

E, só o Amor, a Amizade a Solidariedade e todos os sentimentos maiores fazem as vestes para encobrir a nudez da solidão do percurso...

 

                             Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.851 – 2-Fev. -2006

Conversas Soltas

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De todo o coração repito hoje este mesmo agradecimento.

Com um afectuoso abraço para todos que com os seus comentários

me vão dando força para continuar.

Maria José 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:41

“ Os reclusos – Coitadinhos! “

Segunda-feira, 24.09.07

             De norte a sul – em todo o país – se agitam os presos nas cadeias e, é impossível ignorar o que a tal respeito se conta e especula.

                              

            Falta de espaço...

            Falta de condições...

            Falta de cuidados de Saúde...

            Faltas, faltas, faltas...

            Auscultando as opiniões de quem de direito sobre o assunto de tanto melindre, conclui-se que ao indivíduo – quando preso – está a ser negado – quase sempre – o respeito pelos mais elementares direitos humanos.

            O que, convenhamos, não está certo, não é cristão, nem é digno para qualquer das partes.

            Se na verdade a privação da liberdade se faz em nome da justiça como castigo e forma de aprendizagem de deveres morais e cívicos para com os outros – não há lógica em fazer que os atingidos sofram a privação deles.

            Mas...

                                             

-          Quanto custam os presos à sociedade que é forçada a encarcerá-los?!

           Ainda não vi essas contas ventiladas com as minúcias que são usadas para acusar a sociedade – que, ao que parece – é tomada como carrasco – quando é a primeira vítima.

            Pedem-se para os reclusos, celas individuais com casa de banho privativa e mais um rol de coisas dignificantes da condição de gente.

            Estarão nessas condições os idosos nos lares depois de terem trabalhado vidas inteiras sem terem jamais ofendido a sociedade de que foram quase escravos? – Creio bem que não.

                                                       DR

       Serão maiores as obrigações para com quem prevarica do que para com quem cumpre?!

            Afinal, quem rouba, faz terrorismo, viola e mata – quem nada respeita poderá falar assim de tão alto exigindo benefícios sem conta daqueles que lesou e ofendeu?

            Que justiça pode obrigar que todos os contribuintes paguem para que os destabilizadores da ordem e dos direitos de qualquer cidadão tenham tais benefícios – não entendo!

            Pensando nestas coisas com mágoa e preocupação pasmo. Pasmo por não ver e ouvir as preocupações com estes casos orientadas noutro sentido.

            Parece-me que mais certo, era estudar formas prisionais que levassem os detidos a trabalhar.

                 

             A trabalhar no duro.

            Como qualquer rural ou outros.

            A trabalhar para pagar o seu sustento e as comodidades que desejar.

            Não me convenço que seja certo que, depois de ofendidos, sejamos ainda nós, nós todos, por força da nossa qualidade de contribuintes a sustentá-los.

            Não o podendo ou não querendo eles fazê-lo esse encargo pertenceria às respectivas famílias.

            Vêem-se a toda a hora nos jornais subscrições públicas para tratamentos de doentes.

            De crianças, muitas vezes. Operações, transplantes, etc, etc,

                                                     

            Se não há assistência social que possa comportar tais gastos – não consigo entender porque teremos que pagar prisões como hotéis de várias estrelas para quem tão pouco respeito teve para com os outros.

            Ponha-se essa gente a trabalhar, a ser útil, em lugar de os conservar a viver como parasitas de quem labuta honestamente vidas inteiras e, sabe Deus, às vezes com que tremendas dificuldades.

                              

            Dessa maneira, cada qual, pagará as instalações modelares que ache próprias para si e deixará de ser pesado encargo para a sociedade que lesou e não deve ser duplamente vítima sua e saibamos escalonar as prioridades.

            Como não pretendo ser boazinha, tolerantezinha, etc, etc,... cá vou andando neste meu jeito de frontalmente não ir na onda dos “reclusos coitadinhos”...

-          É verdade!

-          Quanto nos custa um preso?

        

                                                    Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.364 – 23 / 8 / 96

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:02

O pequeno castanheiro – (história verdadeira)

Sábado, 22.09.07

         Quando rompeu a crosta da terra e apareceu à luz do dia pensou: - meus pais, avós e demais antepassados deverão estar por perto observando-me. Pensou e, por sua vez, sentiu vontade, uma vontade doida de crescer para se mostrar e ver o mundo que o rodeava e conhecer e honrar a sua espécie.

         Sabia, de um saber de génese, sem que lhe fosse contado ou o tivesse lido, que pertencia a uma família de árvores antiquíssima oriundas da Ásia.

         Descendia e pertencia à família das Fagáceas.

         A ainda nem tinha folhas mas esperava-as lanceoladas, alternas, dentadas e tinha a certeza de que seriam caducas.

         Há traços de família que são inalienáveis e com esses bens de herança contava para viver.

         Sabia que o seu destino era o de florir em épocas certas, criar seus verdes ouriços e deles soltar os frutos gostosos engordados no segredo desse berço de veludo.

         Via-os castanhos, brilhantes de polimento, via, idealizava já as suculentas e gordinhas castanhas. Tinha consciência da importância desses frutos na história dos homens.

         “Os castanheiros, titulados nas serras com respeitoso carinho os ossos de Portugal, que levam dezenas de anos a crescer, trezentos no seu ser e trezentos a morrer” (Aquilino Ribeiro, Avós dos Nossos Avós).

         Sabia que vivia em Guilhafonso, perto da cidade da Guarda, um antepassado seu que já era árvore quando as caravelas das descobertas acharam o Brasil e hoje era um nobre e frondoso gigante falado e respeitável.

         Sabia, só por provir de onde provinha.

         Por isso com alegria nasceu e quis crescer.

         Não era muito exigente.

         Não pedia ar condicionado, quer dizer: estufas ou requintes de modernidade.

         Apenas pedia terras não calcárias e um verãozinho longo para amadurecer os seus frutos.

         Quando ganhou uns palmos de altura olhou em seu redor muito interessado e reparou que em “souto” não vivia. Nem avistava família que mesmo de longe afavelmente o saudasse.

         Ficou preocupado com a solidão mas concentrou-se para crescer mais e melhor. Das aves que passavam nos céus e já o procuravam para pousar, que se recordasse, nunca ouvira falar.

         Pareciam-lhe exóticas, coloridas em excesso para o que julgava encontrar.

         Escutou os nomes: Alma de gato, Beija-flor, Maria preta, Maria branca, Saíra, Tié-preto, Tié-Sangue, Sanhaço, Ferro-velho, Tucano, Papagaio, Arara, Piriquito,, Saracura !!!

         Familiar só ouvira: - pica-pau, rolinha, garça, coruja...

Ficou intrigado.

Distraiu-se quando ouviu falar em: Natal. Alegrou-se, até.

Nevará? – Conjecturou!

Mas fazia tanto calor!

Toda a gente citava o Verão!

Desorientou-se um pouco. Porém, sabendo-se jovem aguardou o futuro confiado.

Nada tinha que dizer da beleza das árvores e plantas suas vizinhas. Prestava-lhes até, culto, com a sua admiração. Impressionavam-no as bananeiras que tanto se ocupavam a engordar seus enormes cachos de frutos sabendo que morriam a seguir.

Entendia o canto de alegria na cor das flores da spatódea, com sua laranja tão intenso que parecia rubro ao sol, como fogo.

Percebia a “vaidade” das tripsális quando as comparavam com plumagens de cor.

Levava horas embevecido com os “Ipês” roxos, brancos, amarelos...

Porém, no conjunto, tudo isto o inquietava.

Por perto via os macacos, quando o suposto era ver javalis, na calada da noite, resfolegando a fossar em procura das glandes caídas sob o manto das folhagens que atapetavam o solo com os mais variados tons de ouro e cobre nos Outonos doces das regiões montanhosas do interior de Portugal onde supunha viver.

As falas das pessoas iludiam-no. Eram as mesmas. Talvez mais coloridas como acontecia com os pássaros.

Mas não desesperou.

Vou fazer o meu dever – decidiu! – Quando já se salientava o bastante entre as outras árvores, e até já se notava a sombra que a sua copa projectava no chão.

Nessa noite, olhou o céu e pensou: - Esta Primavera darei flor e depois tudo se seguirá normalmente. Mas, quem recebeu a sua confidência, foi o cruzeiro do Sul e não a Estrela Polar como ele queria.

Ninguém o prevenira de que estava no Brasil. Que o haviam plantado na Serrinha do Alambari e que as estações do ano nem coincidem, nem têm a regularidade que ele sabia de cor nos meses da sua terra. Era outro hemisfério.

Vestir-se na Primavera, dar sombra no Verão, frutos no Outono, despir-se no Inverno, eram os dados que transportava e o comandavam.

Mas... que Primavera? – Que Verão?

Desorientou-se completamente.

Enganavam-no os frios, as chuvas, os sóis.

Floria fora do tempo. Repetia as próprias flores e empenhava-se noutras na esperança de alcançar a tempo o sol que as ajudasse a tornarem-se frutos.

Quando quase o conseguia o tempo voltava a traí-lo e os ouriços caiam vazios.

Chegou a florir três vezes num só ano. E apenas, uma vez conseguiu dar frutos. Nunca mais. Perdeu o gosto pela vida. Exausto desistiu.

Agora é poleiro de aves, tem orquídeas, nos ramos e erva de passarinho e com o seu jovem tronco erecto e seco conta a sua terna e triste história de emigrante que, talvez por solidão não encontrou seu caminho e se deixou vencer como ás vezes também acontece mesmo quando é o amor que comanda a aventura.

Porém, no coração do homem que o plantou, haverá sempre um menino que na sua terra natal brincava à sombra de castanheiros e esses, como a saudade, resistem a sóis e luas...

 

                                      Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.358 – 6-Junho-1996

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:29

A visita – Egas Moniz

Sexta-feira, 21.09.07

Estava agora a pensar que se quisesse escolher para meu exemplo uma figura da história de Portugal, se calhar, iria buscar aquela figura, que desde a minha infância me comove e orgulha: - Egas Moniz.

O fidalgo português que descalço vestido de burel, como sua mulher e filhos, se apresentaram em Toledo a Afonso VII de Leão e Castela, de baraço envolvendo o pescoço, para responder com as suas vidas pela quebra da palavra comprometida em nome de D. Afonso Henriques.

Pela palavra se comprometia a honra e, pela quebra de um compromisso caía a desonra sobre o faltoso.

Hoje, talvez os heróis sejam os astronautas, ou apenas personagens virtuais que se manobram nos computadores e podem executar as mais mirabolantes fantasias.

Talvez! Não sei.

Sei que era das figuras da história, das vidas dos Santos e dos missionários que se bebia então o exemplo de sacrifícios e heroísmos exemplares.

E, são essas reminiscências do que em crianças nos marcou a sensibilidade, que ficaram, como marcos, referências a que sem darmos por isso vamos arrimando os nossos procedimentos ao longo da vida.

Quer quando os respeitamos, quer quando dele fazemos letra morta, sempre a sua referência nos acode ao espírito.

Eu sei que escrever, ou não, para este ou outro jornal, não é essencial, para a sua sobrevivência.

Sei! Mas prometi.

E, porque promessa é, e sempre será, assunção de dívida, aqui estou fiel ao meu compromisso de amizade para com o Despertador, nestes breves momentos de conversa, porque as visitas, diz o sábio Povo, se não dão alegria à entrada, dão à saída...

Assim que, sendo breve me fica a esperança de dar alegria duas vezes: aparecendo, e não aborrecendo, inutilmente, com demoras.

Até à próxima

 

Maria José Rijo

 

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Jornal – O DESPERTADOR

10 – Maio – 2006 nº 187 – ano XIII

 

 

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:45

PAI NOSSO

Sexta-feira, 21.09.07

Em Mayo de 1737 – assim se conta:
- Neste anno se fez a hirmida de N. Sºr da Piedade onde estava antigamente hua cruz, que por estar velha mandou o Beneficiado Manoel Antunes, q alli tem hua horta fazer hua cruz nova...
E, em Setembro de 2007 assim se contará : ...
Onde era um lugar de paz e de retiro, avizinhado de olivais , como o horto do Senhor, prolifera agora o casario polícromo , que desvirtua o local que foi, de silêncio, de paz, de oração e preces.
Na vida tudo muda e evolui.
Só não é necessário e imperioso que mude para pior.
Rezemos com fé e esperança, a oração que o Senhor nos ensinou para que o bom senso e o respeito pelo ambiente, não soçobrem mais, sob o peso da ganância e que jamais esqueçamos que palácios ou choupanas tudo, tudo, cá fica.
Connosco, ficam apenas, as nossas intenções...

Senhor Jesus da Piedade
Pai nosso que estais no céu
Nossa estrela e nosso guia
Santificado seja o Vosso Nome
Senhor, a teus pés estamos
Venha a nós o Vosso Reino
Que o céu é a nossa esperança
Seja feita a Vossa Vontade
E que a nossa , a Vossa seja
Assim na terra como no céu
Teu amor é nosso porto
O pão nosso de cada dia nos daí hoje
Nossas obras , o que vedes...
Perdoai as nossas ofensas,
Ainda que o não mereçamos
Assim como nós perdoamos
Nosso esforço te oferecemos
A quem nos tem ofendido
Nossos erros e enganos...
Não nos deixeis cair
em tentação
Senhor
, Tua mão pedimos, doce Pai de piedade
Bendito Sejais!
Livrai-nos do mal
Amen.

Maria José Rijo

 

 

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Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº- 2.935 – 20-Setembro-2007

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publicado por Maria José Rijo às 02:31


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