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São Mateus

Sexta-feira, 07.09.07

Todos os meses do ano, são meses das nossas Vidas. Porém, para qualquer de nós, de entre todos, algum, ou alguns, ganham especial significado.

São os meses dos nossos aniversários, ou das pessoas que nos são queridas.

Dias de meses vividos em festas de alegria celebrados entre amigos, familiares, companheiros de trabalho. Outras vezes, já só evocados em saudade, no recato da nossa intimidade desfiando orações, partilhando só com Deus, quase em segredo, mistérios de afectos que resistem a ausências de morte.

São aqueles que falam das datas que marcaram de qualquer forma as nossas existências, ou referem acontecimentos que se tornaram simbólicos nas terras onde nascemos, ou habitamos.

Isto, não referindo, esses outros, que no mundo inteiro se concelebram, como Natais, Páscoas, e, até alguns de Santos Padroeiros, ou, aquelas datas que evocam catástrofes que indelevelmente marcaram a história de povos e, a cuja memória de sofrimento a humanidade rende preito de geração em geração.

 O mês de Setembro em Elvas, é, por excelência o mês do coração.

O mês do amor, o mês da saudade, o mês das lembranças, o mês do reacender das tradições...

O mês das histórias da nossa história. Da história da cidade e da sua gente. Das gentes que antes de nós foram, da gente que somos...das gentes que depois de nós hão-de vir...

Nele se celebram as festas em honra do Senhor Jesus da Piedade.

Pai do céu, invocado, por todos nós, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ligando-nos a ELE em todos os actos importantes das nossas Vidas, e, também, nas pequenas agruras de um quotidiano, nem sempre fácil, mas sempre até ao fim dos nossos dias.

Em Setembro, pelo São Mateus, em seculares tradições que nalguns casos ainda persistem, se marcavam casamentos, baptizados, se contratava pessoal para a lavoura, se apalavravam ou desfaziam contratos de arrendamento de herdades, se comprava gado, se geria o futuro imaginado para cada ano.

Falava-se de moios de trigo, de “decas” de azeite, de jornas e comedorias de maiorais e feitores.

Eram ecos de vozes da terra; que da terra vinha trabalho, pão e sustento.

Tinha-se prestado atenção cuidada ás “canículas e aos caniculares” que Agosto, como um oráculo fiel, sempre fornecia, para se marcarem sementeiras, depois das águas novas que em Setembro surgiam, como favas contadas.

Começava-se a prestar atenção ao aparecimento da “folhinha” – como era familiarmente denominado o “Borda-d’água”, onde, em cada ano, se colheriam o resto das informações imprescindíveis para bem projectar todas as tarefas dos trabalhos de campo. E, no entretanto aproveitava-se o arraial de São Mateus para confraternizar com romeiros, parentes e amigos, exibir as galas das vestimentas estreadas, que, para cada uma, das três missas, havia farpela nova, como mandava o figurino.

Á sombra das árvores se faziam os acampamentos. Ficava o cão preso sob o carro de canudo de onde saía desde a tábua de engomar, até ao ferro de brasas e a tudo o mais para organizar a improvisada cozinha de onde emanavam os bons cheiros das boas petisqueiras tradicionais.

 

Descansavam as muares mastigando palha nas gorpelhas...

Foi assim! - Era assim...

Mudam os tempos. Mudam as modas. Mudam os hábitos.

Tudo muda. Até o buraco do ozono desmente a verdade- que era indesmentível - das canículas e caniculares.

Porém, em cada Setembro, vindos lá de onde vierem, em dia de Pendões, junto á voz de todos os presentes, há-de ressoar em cada coração como um eco de saudade, a voz dos que já não têm mais do que as nossas vozes cantando:

 

                                  “Senhor Jesus da Piedade

                                 Luz da luz, Deus verdadeiro 

                                 Olha aos pés da Tua Cruz

                                 Agrupado um povo inteiro.”

 

Porque, através  dos tempos, em qualquer tempo, é assim a nossa Gente.

Boas Festas a todos.

                                          Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.884 – 21/9/06

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 19:58

“... E as flores também!”

Quinta-feira, 06.09.07

        Um amigo querido, respondendo à interrogação dos meus olhos, lá no adro da Igreja, fez-me um comentário lúcido e inteligente:

-“Já não há ninguém da geração dele”.

        Voltei a olhar em redor com a calma serenidade de quem aceita a inevitabilidade dos factos e sente que não está a viver uma tragédia – apenas, mais uma mágoa.

        Com a fria eficiência que a profissão requer, os homens, sérios e circunspectos, arrumam junto à urna as poucas flores; fecham as portas do carro, que, em seguida lentamente se afasta.

        Tudo tranquilo.

Mais uns abraços, uns beijos, uns sorrisos, uns acenos e, cada um retorna ao ritmo das suas vidas.

O céu continua azul.

A vida corre serena. Nada de essencial mudou.

Repentinamente invadiu-me uma tristeza funda e uma retrospecção se me impôs.

Este homem de 96 anos a quem toda a minha vida considerei como um amigo, partia para sempre.

Partia – apagado, anónimo, esquecido.

Quem era afinal?

Quem fora?

Chamava-se Ernesto Gomes da Silva, era formado em Ciências Económicas e viveu em Elvas 51 anos.

Viveu e trabalhou.

Foi Agente do Banco de Portugal.

Nessa qualidade interferiu na vida da cidade.

Era um homem de bem e, pela influência que a sua profissão lhe permitia exercer nas decisões sempre melindrosas de

facilitar – ou não – créditos – toda a gente, então, o conhecia e reverenciava.

Fez parte desse núcleo restrito que, de certo modo, orientava a vida da cidade que serviu com brio e honradez.

Conhecendo, por dever de ofício, o poder económico dos seus concidadãos, ele podia, por avaliação própria, acrescentar-lhe a “mais valia” da confiança que cada qual lhe merecesse e alargar-lhe os créditos.

Dentro do seu critério próprio de justiça, usou essa faculdade com respeito pelo segredo a que se devia, como profissional, e como homem de boa formação moral – que tinha.

Depois os tempos mudaram.

O Banco emissor fechou em Elvas.

Outros Bancos proliferaram.

São tempos diferentes.

Já não há ninguém da sua época – é verdade! – Mas a cidade está aí.

E estas efemérides fazem parte da sua história, do seu crescimento, da sua evolução.

E a história das cidades é também feita pela história das suas instituições e cabe ás gerações presentes prestar culto a essas memórias.

Mas, as cidades, lamentavelmente, não têm agenda de deveres sociais, que lhes permita mostrar oficialmente gratidão a quem as serviu a não ser que daí colham dividendos imediatos.

Nas famílias também já é assim.

Prolifera o desinteresse por tudo quanto não respeite directamente a cada um.

Aliena-se o gosto pela memória. Traz obrigações – é chato! – E inútil.

Bom é o “p’rafrentex” – que de tudo desobriga – como a loucura.

Afinal, melhor memória têm os pássaros.

As andorinhas voltaram.

Graças a Deus, pelo menos elas e as cegonhas e outras aves mais – todas – cumprem os ritos dos Invernos e Primaveras.

É verdade! – As flores também.

 

  Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2. 342 –  15 de Abril de 1996

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:05

Vaidade e Fama

Quarta-feira, 05.09.07

No momento em que me sento frente ao computador para escrever, ainda há buzinadelas de carros pelas ruas, embora o desafio de futebol, que Portugal ganhou aos ingleses, já tivesse terminado há bem mais de uma hora.

Amanhã em grossas parangonas jornais e revistas a cores e com toda a fantasia possível, vão falar de heróis, de sofrimento, de coragem e, juntar a estes, todos os demais adjectivos que a euforia da vitória saberá utilizar superlativando cada gesto, cada palavra, cada gota de suor que sulcou as faces dos jogadores e, bem assim cada sorriso radioso após o triunfo.

E, tudo vai ser merecido. Merecido para todos.

Até porque andamos sequiosos de motivos que elevem o nosso baixo astral, e, sem dúvida esta selecção está dando esse presente aos portugueses, fanáticos pelo futebol.

Para alem do espectáculo que acho bonito, algumas vezes com trocas de bola e passes que chegam a parecer bailado, é impossível ficar indiferente à onda de braços no ar e de gritos da assistência quando, a uma só voz, todos vitoriam ou, desolados se manifestam em sofrimento com os incidentes do decorrer dos jogos.

Vejo, às vezes, por ver, como espectáculo, porque de tudo que em campo se passa, só identifico a situação de golo, e pouco mais.

Sinto-me, sem saber bem, ainda, explicar porquê, um tanto constrangida com aquele cuidar do físico, esmerado, espiolhado até à mais exagerada minúcia de que os jogadores são alvo, como se até a privacidade mais íntima do seu corpo fosse pertença dos adeptos e negociável por contrato.

Sinto-os despojados de si próprios, como máquinas propiciadoras de prazer para os outros.

Depois, olho-os junto das famílias, com os filhos ao colo, abraçando as mulheres e as namoradas, e reencontro-os como gente igual a toda a gente, e perco-me um pouco nas minhas conjecturas...

Porém, em jogos desta importância, não consigo olhar, sequer.

Fico rezando, por dentro, para que ganhem e identifico os golos pela gritaria que a um tempo sai pelas portas e janelas das casas e me anuncia o andamento do resultado.

Depois, como agora, fico a pensar nas famílias e amigos recortando as referências, comentando, saboreando cada palavra de louvor fazendo álbuns, tentando “reter” os momentos de glória, como todos fazemos com as fotografias e referências onde, tantas vezes, anos mais tarde, mal nos reconhecemos e tanto afagaram a nossa auto – estima ou, a nossa vaidade.

Revistas e jornais veículos propagadores de derrotas, mas também, vaidades, famas e glórias...Que destino têm!...

O grosso da partida, caberá à reciclagem... mas, parte vai para as mesas de salas de espera de consultórios onde são folheadas por desfastio. Olhadas, raramente com interesse, porque, subjacente ao gesto, está a preocupação do preço da consulta, das tarefas inevitáveis que lá fora esperam, da gravidade do diagnóstico que sempre se receia.           

Depressa ficam gastas e vão servir para forrar o caixote do lixo, onde heróis, estadistas, poetas, escritores, reis e papas, vivos e mortos ficam parados na estampa, sorrindo ou sérios e graves ganhando indefesos os tons das nódoas e gorduras que tudo funde e homogeneíza - e tudo fica pequeno, ínfimo, até.

Grande – Grande! - Só a Vida! - Que de qualquer tamanho, qualquer destaque, qualquer grandeza, qualquer miséria, escreve sempre o final de cada história e de todas as histórias de forma igual – Morte.

 

 

                                       Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.875 – 20 – Julho -06

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:10

Rir até chorar

Terça-feira, 04.09.07

            Sempre quis, aliás, mais de metade da nossa alma é feita desse querer, desse sonho de realizar coisas que jamais se fazem! - Mas, sempre quis, sempre desejei, contar esta história que desde a minha juventude carrego comigo.

            É uma história verdadeira e, talvez por essa razão, mais difícil de contar.

            Ela enternece e perturba porque sendo inesperada fez rir. Fez rir tanto a toda a gente que terminou - sabe Deus se a todos os presentes- dando também vontade de chorar. E é desse rubor que me subiu ao rosto e dessas lágrimas que eu sempre quis falar e não sabia como.

            Acontece que ao ler uma citação de um poema de Alexandre O’ Neill intitulado: “RIR” senti que poderia contar a história sem pudor porque não magoaria ninguém

            É assim o poema:

                                        E se fossemos rir,

                                        Rir de tudo, tanto,

                                        Que à força de rir

                                         Nos tornássemos pranto,

 

                                        Pranto colector

                                        Do que em nós sobeja?

                                        No riso, e na dor,

                                        Que o homem se veja. 

            

             É assim a história:

            Tinha terminado aquele ano lectivo. Uns ficaram para traz, como sempre acontece. Outros passaram sem brilho, como também é de uso acontecer. Outros passaram com distinção e ganharam prémios.

Era da praxe apresentarem-se fardados da “ Mocidade Portuguesa “na festa de gala em que receberiam diplomas e prémios pecuniários.

            Naquela altura “ainda” eu pertencia ao grupo dos laureados o que me obrigava a estar presente, e estive.

            Na data fixada o melhor de todos os alunos do Liceu não pode comparecer por ter adoecido.

            Era um Rapazinho muito pobre a quem o Pai faltara ainda de berço mas que na escola se salientara de tal forma pela sua inteligência que a Professora fez questão de o ensinar, vestir e calçar e preparar para a admissão ao Liceu.

            Chegado lá foi logo número um e sem hipótese de dar o lugar a quem quer que fosse; aliás, assim havia de sempre acontecer até ao fim do curso que fez por inteiro com” bolsa de estudo.”

            Como em cima da hora, adoeceu, nada podendo ser alterado, foi sua Mãe

 representá-lo.

            Depois das discursatas habituais começaram os alunos a ser chamados a um e um pelos seus nomes completos.

           Aproximavam-se da mesa de honra faziam a saudação de braço no ar, perfilados e ali em destaque era ventilado alto e bom som o seu mérito seguido das felicitações e louvores, após o que se retirava renovando a saudação.

            Chegada a vez do menino ausente foi sua Mãe, uma pobre e humilde mulher que comovida e nervosamente percorreu em nome do Filho aquele pequeno percurso de momentânea glória. As cardas dos seus sapatos ouviam-se no soalho lustroso quase como as batidas do seu coração. Chegada ao estrado onde estava a tribuna fez a saudação que vira fazer: aconchegando o xaile para que não lhe escorregasse, ergueu o braço, uniu os calcanhares e perfilada aguardou.

            A sala vibrou com a estrondosa gargalhada que a garotada presente não foi capaz de suster, e aquela Mãe, que chegara à festa orgulhosa e feliz, regressou ao seu lugar com fogo de vergonha no rosto e lágrimas nos olhos carregados de tristeza

Foi então que uma de nós se levantou e começou a bater palmas. Foi um delírio.

 

“ Pranto colector

Do que em nós sobeja?

No, riso e na dor,

Que o homem se veja.”     

 

 

 

                                                 Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.449 – 17-Abril - 1998

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:27

REZAS E BENZEDURAS III

Segunda-feira, 03.09.07

             Minha lindíssima Tia Francisca Amália - irmã mais nova de minha Avó

 paterna, a quem deferentemente tratava por “Mana” - namorou quanto desejou (privilégio de sua distinção , graça e beleza) esteve noiva de um Marquês de Alvito e morreu  aos noventa anos - solteiríssima - por sua escolha.

          Foi dela que minha irmã e eu recebemos uma notável herança de memórias e tradições de família, já que, quando Deus chamou nossa Avó ainda eramos tão jovens que não avaliavamos a importância do legado que nos era, por ela, oferecido.

Francisca Amália - a Tia Chica  -  quando se viu como a representante mais idosa da família - chamou a si  - naturalmente - o legítimo direito de dirigir as “relações públicas” com a Corte Celetial - como já minha avó M. Bárbara  fizera ao suceder nessas funções a sua Mãe  minha bisavó Mariana. Todas bondosíssimas e devotas senhoras.

Sabiam o Santo ou Santa a invocar em cada circunstância e a forma de o conseguir – ou seja: - a reza adequada.

         Lembro-me que quando deram, por engano, salsa ao canário junto com alface - o passarinho morreu por subida de tensão  - como diagnosticou o veterinário que veio  apreciar o drama.

Pois, mesmo assim, partiu reconfortado com uma prece a S. Francisco de Assis, que, era suposto tê-lo feito ressuscitar pela fé de minha tia e pela nossa choradeira - o que - obviamente , não  aconteceu.

         Naqueles tempos ninguém saia de casa sem pedir permissão para o fazer, dizer para onde ia e dar um beijo de cortesia a pais e parentes.

         Eram esses os costumes.

         Daí que ninguém saísse à porta sem ser abençoado ou responsado, por eles, amorosamente.

                                   (desenho de Manuel Jesus (1933-2001)

                                                               @

 Fazendo o sinal da Cruz, assim, rezava por nós minha tia:

 

“ Na arquinha de Belém seremos nós guardados

Com o leite da Virgem seremos borrifados

O Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

teremos em nossos corpos.

Para  que não sejamos presos, nem mortos

nem maltratados, nem da justiça apanhados.

Caminhos escusos andaremos

Os maus e os bons encontraremos.

Os maus não nos verão e os bons nos guardarão.

E andaremos  tão  em paz e tão salvos como os

fradinhos de S. Francisco

quando receberam as cinco chagas  de Cristo.

Chagas abertas, coração ferido, sangue de Nosso Senhor

Jesus Cristo

derramado entre nós e o perigo.

Anjo da nossa guarda - nos guarde

Santas e Santos dos nossos nomes e todos os

Espíritos em geral

e Vós em particular Santíssima Virgem -

tomai-nos na vossa protecção.

Defendei-nos de todas as tentações do demónio

e alcançai-nos

em Deus (um dia, uma noite, uma viagem, o que

se pretender)

sossegado e feliz.

A graça de uma santa e ditosa morte que nos

conduza à vida eterna

- Amém ! “

 

                  Considero este responso um poema enternercedor.

                  Uma verdadeira delícia de ingenuidade, beleza, doçura e fé.

                  Quando evoca os “fradinhos de S. Francisco” - até me parece vê-los, na modéstia dos seus hábitos, como formiguinhas deligentes arrostando temporais e perigos - amparados na sua fé - calcurreando montes e vales para  espalhar o bem.

                  Pode o tempo e a idade dar-nos uma visão diferente dos factos que na infância vivemos com uma emoção e simplicidade irrecuperáveis.

                  Pode.

                  Porém, nada, rigorosamente nada, altera a evidência da força do amor – do sonho indomável de desejar proteger - resguardando do mal aqueles que  nos são queridos.

                 Hoje, com 97 anos, poderia ser minha mãe e chamar a si estas rezas e benzeduras.

                 Nunca o fez, nem o fará – são outras as suas raízes.

                 Mantem-se fiel a Nossa Senhora e ao Divino Espirito Santo. Recita o Pai-nosso, a Avé-Maria, o seu Terço diário.

            Chamei, por isso, a mim estas reminiscências. E, agora que os Candidatos à nossa Câmara Municipal já tomaram lugar na grelha de partida – para amenizar tamanha responsabilidade resolvi responsá-los a todos.

               É que bem precisamos todos da graça de Deus.

              Eu os responso:

                                      “ Que lhes valha S. Silvestre

                                         E as três camisas que ele veste

                                         E as três toalhas de altar

                                         Que não haja homem ou mulher

                                         Que lhes possa fazer mal “

 

                    Tratados assim, tão democraticamente, por igual espero que o vencedor ao ser confrontado com alguma opinião divergente - que sempre houve, há, e haverá opiniões diferentes - não se julgue perseguido ou vítima de mau olhado.

                                            Maria José Rijo 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.409 – 4 – Julho-1997   

Conversas Soltas    

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Livro Publicado em Novembro de 2000    

Muito interessante

Pode adquirir este livro no Jornal Linhas de Elvas

                             

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:35

O bibe. Essa velha instituição...

Sábado, 01.09.07

Quantos de nós  nos lembraremos ainda do bibe – aquele avental, por vezes com mangas, que as crianças usavam para não sujar o fato – segundo a descrição dos dicionários!

O bibe era uma verdadeira instituição!

O bibe tinha tecidos próprios para a sua confecção.

Eram riscados, tobralcos, sarjas, eram, tinham que ser, tecidos resistentes e com cores fixas, porque o bibe se destinava a proteger de nódoas e de outros acidentes o fato de lã, o vestidinho de seda, o fatinho do menino, a camisola de estimação que a avó, a mãe, ou a madrinha, tricotara serão após serão, para prendar pelo Natal, ou pelo aniversário, a criança que distinguia com o seu afecto.

Lembrei-me do bibe, porque ele representava a era da poupança, a era do cuidado com o vestuário. O bibe estava ligado ao desvelo, pela conservação do que sendo objecto de uso, merecia, e carecia de atenção para durar. para ter vida mais longa.

E, mais : - marcava também a distinção entre as pessoas arranjadas, metódicas, económicas e as outras que não contavam na sua formação com essas virtudes.

Era o tempo do: - remenda o teu pano e chegará ao ano! – Torna a remendar e tornará a chegar!

Era o tempo das grandes baínhas que identificavam as “roupas com futuro”, que deveriam ser herdadas de irmão para irmão ou para primo ou prima...

O desaparecimento do bibe marca a época do usa e deita fora. A época do consumismo.

Nos tempos do bibe, cada pessoa, vestia-se de forma particular, de acordo com o seu gosto pessoal.

O vestuário, ainda, individualizava.

Agora, não.

Agora pontuam as marcas.

Naqueles outros tempos, pontuavam os tecidos.

Era chique vestir “pano cetim”. Era chique usar “cachemiras,” sedas naturais, chifons, e sei lá quantas coisas mais que poderia talvez ,ainda, respigar da memória, reavivando reminiscências de conversas com a minha Santa Avó, que Deus tenha em Sua Santa guarda !

No tempo do bibe, era assim que se dizia...

Mas todos esses preciosos tecidos, eram confeccionadas de acordo com o gosto pessoal.

Todos os feitios deveriam ter um laço ,uma fita, uma fivela, uma prega que os diferenciasse dos demais.

Havia o culto do requinte.

Agora, estamos sem dúvida na era da nódoa. Na era da entronização do desmazelo, pelo menos, aparente.

Os  tecidos com os quais se confecciona o vestuário, principalmente as calças, são decorados com rasgões, manchas de desbotado, ou salpicos vários, como nódoas.

Outro processo de decoração é o enrodilhado.

Com todos estes elementos de uma só vez, ou não, se fabricam, como se fardas fossem, as peças de roupa que uniformizam o aspecto da juventude em geral.

Não sei se esse fenómeno é um bom ou mau indício.

Às vezes detenho-me a pensar que a coragem de assumir a própria escolha se pode cultivar até nestas pequenas decisões...

Outras vezes ocorre-me pensar que estas modas são apenas um reflexo dos tempos apressados que todos vivemos e servem para mascarar com a sua aparente negligência a incapacidade por falta de tempo ou de preparação que a gente nova tem para cuidar do próprio fato.

“Só deixarás de usar bibe, quando não te sujares!” – dizia-se antigamente ás crianças desgostosas por não puderem mostrar a todo o instante, a beleza das suas roupas.

Penso que o bibe, era , ou é , parente do “guarda pó”, com que os lojistas defendiam da sujidade os seus fatos. Seriam talvez, também, da família dos “manguitos” dos mangas de alpaca que não deixavam os casacos  criar brilho – o lustro – que denunciava o excesso de uso...do tecido puído pelo tempo.

A todos estes artifícios, estas invenções de zelo . que serviam para prolongar a vida às roupas de vestir, sobreviveu , penso -  o avental.

Ele é o herdeiro legítimo do laço que  também rematava o bibe, do bolso que guarda o lenço, do tecido de lavar e durar que o torna resistente e prestável como protector do fato feio ou bonito com que enfrentamos a luta do dia a dia com o máximo de comodidade e conforto que somos capazes de concretizar

 

                                                           Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.682 – de 1/11/02

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publicado por Maria José Rijo às 21:50


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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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