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Assuntos Sérios

Terça-feira, 06.11.07

           Tertúlias de boa conversa - que me conste - passaram à história ! As pessoas juntam-se nas discotecas onde será possível ensurdecer – mas, conversar, definitivamente: - não! 

            De política não vale a pena falar porque está mais ou menos entregue aos que uma vez descoberta: - “ A arte em dar a ilusão a quem é mandado de que está a mandar. É este o maior perigo da democracia, a demagogia.” Sábias palavras de Pacheco Pereira”-  de lá ninguém os tira !... e segue a marcha!

            Resta, então, para falar a sério, falar dos ensinamentos que nos deixam os grandes pensadores. Valha-nos isso! - Porque nos enriquece o conhecimento, aguça a observação e esclarece o espírito. E, como quem dá o que tem a mais não fica obrigado - já que escrever também pode fazer parte de um destino - cá vou cumprindo o meu com a companhia, que eles - os meus “ vitalícios” livros - me dão. E porque hoje o meu pendor é para falar a sério escolhi como tema para conversar alguns excertos de: - “ Cartas Abertas “ de Jean Guitton -  especialmente alguns que, por razões várias, mais me fascinam.

            “Envelhecer é ver Deus de mais perto”

            “ a história de um filho e de sua mãe é a de uma lenta, de uma deliciosa metamorfose, desde o tempo em que ele era um pouco da sua carne até à idade em que pode levar a sua mãe pelo braço pela sombra de uma álea. Então ele conversa misteriosamente com ela, como com a sua imagem, mais pesada com a idade, mas também mais ligeira, mais viva, mais pura que ele próprio...”

            “ Depois da partida de um ente querido, de um pai, de uma mãe, temos a impressão de que o essencial nunca foi dito.

 Os ausentes habitam em nós, frequentemente mais presentes que os vivos. E preparam-nos discretamente para essa vida superior onde nos precedem.”

            Sem morbidez, sem puxar à lágrima fácil, com a dignidade simples de quem está por dentro do entendimento da vida, estas cartas, de onde extrai estes pensamentos – são lições de conhecimento humano.

            São profundas e belas como silêncios de contemplação frente à obra de Deus. São bordões onde podemos amparar as nossas meditações e esclarecer algumas das nossas dúvidas.

            Fascina-me. Não vejo, porque não sei, outra palavra que melhor defina a sensação que me invade quando num jornal, num livro, numa

outra circunstância qualquer - encontro expresso em meia dúzia de palavras aquilo que em conturbadas emoções às vezes nos preenche sem que encontremos a maneira concisa de o dizer.

            Há quem seja dependente do tabaco, do jogo, de drogas.

            Cada um, de acordo com os seus gostos, tendências, fragilidades

arranja  bordões que lhes amparem os passos, vida fora...

            Confesso a minha “livro dependência”

E, se a companhia da leitura nos ajuda, por vezes, - muitas vezes - a entender melhor os nossos sentimentos, é lógico que nos ensinará a esclarecer também o traçado mais justo para delinear o nosso caminho.

            Assim, aquilo que num olhar leviano, impensado, para alguns pode parecer uma prisão, para outros, mais afeitos a amadurecer as suas decisões, pode ser difícil, sim! - Mas, – razão de Vida, missão que de coração se cumpre.

 

 

                                                Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas De Elvas

Nº 2.613 – 29/Junho/2001

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 15:47





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Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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