Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Assuntos Sérios
Tertúlias de boa conversa - que me conste - passaram à história ! As pessoas juntam-se nas discotecas onde será possível ensurdecer – mas, conversar, definitivamente: - não!
De política não vale a pena falar porque está mais ou menos entregue aos que uma vez descoberta: - “ A arte em dar a ilusão a quem é mandado de que está a mandar. É este o maior perigo da democracia, a demagogia.” Sábias palavras de Pacheco Pereira”- de lá ninguém os tira !... e segue a marcha!
Resta, então, para falar a sério, falar dos ensinamentos que nos deixam os grandes pensadores. Valha-nos isso! - Porque nos enriquece o conhecimento, aguça a observação e esclarece o espírito. E, como quem dá o que tem a mais não fica obrigado - já que escrever também pode fazer parte de um destino - cá vou cumprindo o meu com a companhia, que eles - os meus “ vitalícios” livros - me dão. E porque hoje o meu pendor é para falar a sério escolhi como tema para conversar alguns excertos de: - “ Cartas Abertas “ de Jean Guitton - especialmente alguns que, por razões várias, mais me fascinam.
“Envelhecer é ver Deus de mais perto”
“ a história de um filho e de sua mãe é a de uma lenta, de uma deliciosa metamorfose, desde o tempo em que ele era um pouco da sua carne até à idade em que pode levar a sua mãe pelo braço pela sombra de uma álea. Então ele conversa misteriosamente com ela, como com a sua imagem, mais pesada com a idade, mas também mais ligeira, mais viva, mais pura que ele próprio...”
“ Depois da partida de um ente querido, de um pai, de uma mãe, temos a impressão de que o essencial nunca foi dito.
Os ausentes habitam em nós, frequentemente mais presentes que os vivos. E preparam-nos discretamente para essa vida superior onde nos precedem.”
Sem morbidez, sem puxar à lágrima fácil, com a dignidade simples de quem está por dentro do entendimento da vida, estas cartas, de onde extrai estes pensamentos – são lições de conhecimento humano.
São profundas e belas como silêncios de contemplação frente à obra de Deus. São bordões onde podemos amparar as nossas meditações e esclarecer algumas das nossas dúvidas.
Fascina-me. Não vejo, porque não sei, outra palavra que melhor defina a sensação que me invade quando num jornal, num livro, numa
outra circunstância qualquer - encontro expresso em meia dúzia de palavras aquilo que em conturbadas emoções às vezes nos preenche sem que encontremos a maneira concisa de o dizer.
Há quem seja dependente do tabaco, do jogo, de drogas.
Cada um, de acordo com os seus gostos, tendências, fragilidades
arranja bordões que lhes amparem os passos, vida fora...
Confesso a minha “livro dependência”
E, se a companhia da leitura nos ajuda, por vezes, - muitas vezes - a entender melhor os nossos sentimentos, é lógico que nos ensinará a esclarecer também o traçado mais justo para delinear o nosso caminho.
Assim, aquilo que num olhar leviano, impensado, para alguns pode parecer uma prisão, para outros, mais afeitos a amadurecer as suas decisões, pode ser difícil, sim! - Mas, – razão de Vida, missão que de coração se cumpre.
Maria José Rijo
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Jornal Linhas De Elvas
Nº 2.613 – 29/Junho/2001
Conversas Soltas
Jornal Linhas De Elvas
Nº 2.613 – 29/Junho/2001
Conversas Soltas

