Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
À Laia de resposta
Olá a todos!
Aqui estou para tentar responder às perguntas que me têm sido dirigidas, e que, me envergonho ter deixado, até agora, sem resposta.
Sei que entenderão que a minha dificuldade se insere na inabilidade com que uso a Internet. A minha cabeça está arrumada como as dispensas antigas, cheias de caixas e caixinhas rotuladas e arquivadas em prateleiras, onde, mais ou menos, com o tempo e paciência descubro o que procuro, e, onde por vezes fico horas a remexer até naquilo de que me esquecera e de súbito se me apresenta.
Pois bem a Internet não me permite esses tempos compassados, intromete-se, dá-me respostas a perguntas que não fiz! – Pestaneja, isto é: apaga-se-me no écran! – Desaparece-me, em suma confunde-me e, embora a admire, confesso que me atrapalha. Temo-a. Está fora do meu ritmo, do compasso do meu tempo.
Daí que só me abalance a “visitá-la”, mas não – a “usa-la” – sem a presença da Paulinha, o que, só acontece, com a frequência possível a quem, como ela, tem responsabilidades profissionais, de família, etc,etc …
Assim, que hoje, usando a sua disponibilidade, possa eu satisfazer a vossa – tão honrosa curiosidade e interesse pelo que me respeita.
Começo então:
Nasci em Moura há 81 anos.

(( com 10 anos ))
Fiz instrução primária na aldeia de Santa Victória e, o liceu em Beja e casei na Vila de Cuba, na bela Igreja de São Vicente, há 60 anos.
Tive a dolorosa e inesquecível experiência de ser uma das quatro ou cinco crianças que bem alimentadas, bem vestidas e calçadas faziam parte do grupo das trinta ou mais, que descalças e mal agasalhadas foram minhas companheiras de infância, e me ensinaram com a sua humildade o amor e o respeito pelas migalhas que tantos desprezam, e, nas suas vidas eram o essencial.
Desse tempo, guardei as rezas e benzeduras. Manifestações de simplicidade e pureza expressas em crendices, é certo! – Mas carregadas de humanismo e fé na Vida, que bem madrasta lhes era.
Do liceu, a aprendizagem de alinhar à esquerda, como qualquer zero sem valor, perdidas as prerrogativas vividas embora, sem nítida consciência, na escola.
Ao longo de toda a vida a procura de mim como gente igual a toda a gente entre acertos e desacertos mas, sempre, como disse Lutero, sentindo que, “ainda que o mundo termine amanhã deverei plantar hoje as minhas macieiras…”

(( a receber um prémio de Poesia nuns Jogos Florais))
Aos 22 anos estive 40 dias internada numa maternidade, de onde saí jovem, como era, mas adulta, como se houvessem sido anos os dias contados.
E, a partir daí o recurso aos meus amores de infância, a escrita, a pintura, o artesanato.
Resumindo: O trajecto perfeito de quem sendo oficial de muito ofício – acabou não sendo mestre de nenhum.

(( Com o marido José Rijo, numa das suas exposições de pintura e artesanato ))
Meu Marido, companheiro de 44 anos fez editar dois livros meus. Edições de 500 exemplares que entre amigos e conhecidos se consumiram e paramos por aí porque se o primeiro só teve louvores da crítica, essa não foi a sorte do segundo e, ele não suportava a ideia de que eu pudesse sofrer.
O amor tem destas cegueiras…
Sem ele, qualquer aventura dessas, deixou de ser viável.
Creio, no entanto, que o mais importante é fazer o que julga ser certo. Tudo é acessório e, já nos ultrapassa.

((Na fotografia com o ilustrador do livro Manuel Jesus na
Cessão de autógrafos no lançamento do livro Rezas e Benzeduras ))
Aconteceu a edição das “Rezas” por homenagem do jornal onde, de há muitos anos colaboro – com o patrocínio “café Delta”.
Feito a resenha biográfica respondo ao resto:
Conheci a Maria Isabel Mendonça Soares, no casamento de minha irmã, há 60 anos, porque ela era prima de meu cunhado.
Estreitamos relações por afinidades de gostos, numa amizade que perdura, durante a “tal” permanência na maternidade onde a sua companhia foi um presente do céu.
Foi ela que me induziu a escrever histórias infantis para a então Emissora Nacional, mais de duas dezenas, o que aconteceu, espaçadamente, ao longo de anos, até ao 25 de Abril.
A Matilde Araújo, foi professora na Escola Técnica de Elvas, nos anos 56, 57, por aí. Acontece que tendo meu marido sido aluno do Colégio Militar e, tendo na tropa adquirido a qualidade de professor de ginástica, juntava essa actividade à sua profissão, facto que trouxe a Matilde ao nosso convívio e amizade que também tem resistido ao tempo e persiste.
Quanto aos postais de gastronomia, foram editados por uma Câmara a que pertenci – sem filiação partidária –
(( com a Secretária de Estado da Cultura Dra. Teresa Patricio Gouveia ))

(( com o Dr. Mario Soares - aquando da Inauguração da
Sala Eurico Gama ))
como vereadora da Cultura e Turismo – por um escasso mandato – de que não me arrependo mas me vacinou contra maus olhados e sortilégios… por convicção – sem precisar de benzeduras.
Eis a traços largos, a história que responde às vossas perguntas e apreço e que com gratidão por todos – que muito gostaria de conhecer e a quem deixo um grande abraço – dedico hoje, um pouco mais, a Frederich , Dolores e à Dina – que está de parabéns porque acaba de festejar o aniversário da sua primogénita – e, que, como gente de casa tenho o gosto de encontrar dia a dia.
Também retribuo o “beijo nas mãos” aos que por suas mãos, escrevem para mim palavras belas que não saberei merecer mas me fazem sentir ainda útil e me ajudam a viver.
Também esclareço que não estou constipada, estou, é verdade, sentindo alguma dificuldade em acertar o andamento entre duas realidades irrefutáveis e coexistentes – a idade e o pensamento.
Falta-me agradecer, o que faço agora, pensamentos, poemas e orações que me têm dado a aprender e muito apreciei.
Se antes as tivesse sabido tê-las-ia acrescentado, às que conheci enriquecendo assim o livro.
Grata
Maria José Rijo

