Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



As cores e o luto

Quinta-feira, 29.11.07

Sebastião da Gama, poeta de “ O Segredo é Amar”, olhando com piedade, o drama da perda de liberdade, de um insignificante grilo, preso numa gaiola, escreveu um texto – belo e lúcido, como tudo que nascido da sua alma – em que interpreta, como luto, a cor negra da asa aprisionada - que antes, por natureza, era apenas de cor negra.


Muitas, muitas vezes, penso neste texto, porque, muitas, muitas vezes, penso no valor da Liberdade, e nas múltiplas formas de forçar a sua privação, quando vejo sem grades nem gaiolas, cercea-la aos mais fracos, talvez da forma mais perversa, a forma sub-reptícia
Assim, quando alguém faz um trabalho e outro o apresenta como seu empoleirando-se numa qualquer falsa hierarquia, não há da vitória, branco, ou cor, que ressalte, porque a supressão da verdade, abafa a liberdade que assim fica de luto.
- É dos livros!...
Mas, por gostar do texto referido e por paixão pela obra de Sebastião da Gama tive curiosidade de investigar que espécie de insecto é o grilo.
Tenho a firme convicção de que, à parte o cri-cri do seu canto, bem conhecido, e da crença popular de que os de asas amarelas cantam mais e melhor, nada mais deles se sabe.
Que se distinguem das grilas porque elas têm os élitros mais curtos e pelo número das pequenas caudas, também é da sabedoria corrente.
Da história de animal tão presente nos nossos campos, pouco, ou nada mais, se refere.
Investiguei um pouco, e do seu caracter aprendi: - é anti-social, manifestam uns pelos outros inter-repulsão. São tão belicosos que os chineses os treinam e usam para combates, que transpostos para a nossa escala seriam aterradores e no final o vencedor devora o vencido!
“Afirma-se ainda, que, só na altura de acasalar, têm relações mais civilizadas com os seus congéneres e que os que nascem da mesma postura vivem algum tempo juntos mas, breve, parte cada qual para seu destino solitário. Que defendem duramente o seu pequeno território contra os seus congéneres embora a riqueza que os seus intratáveis cérebros guardam, seja apenas um pequeno e escuro túnel.” [in: Os grandes enigmas da vida animal- citação]
Quem diria que bichinho tão decorativo era capaz de feitos tais...
Mas, a verdade é que tendo as características que tem, porque faz cri-cri, tolera-se, desde que não cante demais, porque então irrita, cansa e desassossega. O seu habitat é o campo, embora às vezes apareçam nas ruas dos povoados, onde, logo chamam a atenção.
É que, saindo da erva verde, onde pastam e se escondem, quem os avista logo tenta caça-los o que não é fácil, porque saltitam, mostram-se, aparecem e desaparecem e lá se vão escapando.


Um dos meus sobrinhos, o Luís, quando criança, caçava-os e guardava-os no boné. Quando o víamos rir sem razão aparente já se sabia que eram os grilos a fazer-lhe cócegas na cabeça.
Até dizia que quando crescesse queria ter um filho para lhe chamar – Zé Grilo. Afinal é pai de um João e de um Pedro!
De onde se depreende que há quem goste, e goste muito.
Pois, quem me diria que bicho tão insignificante – pelo menos na aparência – que até diverte as crianças se pode tornar tão agressivo para os seus semelhantes.
Mas, eu vinha falar, não de um insecto, mas de cores e de Liberdade.
O saudoso Senhor Professor Agostinho da Silva, afirmava que a Liberdade era o maior bem do homem.
Os partidos, ditos democráticos, não sei com que convicção, fazem da Liberdade, bandeira, mas cada qual, tenta subjugar os outros...
Porém, sejam os seus símbolos de cor vermelha, rosa, laranja, branca ou às pintinhas, com a visita ao nosso País, de “Hugo da Venezuela” – que pelo que se viu, não faz tenção de se calar e diz o que lhe dá na gana – não restam dúvidas, que a liberdade ao que se confirmou, na nossa era, nasce, vive e floresce nos poços de petróleo, o que torna as cores diferentes com o constrangimento da subordinação à realidade que se impõe.
Assim, qualquer cor, para quem necessita de petróleo, por mais vibrante que seja, será apenas como o preto da asa do triste grilo engaiolado – luto.

 

           Maria José Rijo

      @@@@@

CONVERSAS SOLTAS

Nº 2.945

29 de Novembro de 2007

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 20:39





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Novembro 2007

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930


comentários recentes

  • Anónimo

    Lindo,como sempre

  • Anónimo

    Querida Tia Maria JoséQue alegria chegar mais um d...

  • Anónimo

    Minha querida e Boa amigaque alegria chegar aos 93...

  • Anónimo

    Minha querida tiaEu sabia que era hoje o dia do se...

  • Anónimo

    Titia queridaQue alugria nesse seu aniversário.Des...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

Um pouco de mim...

EFEMERIDES

Blogs- quem nos cita

Deambulo por

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Aniversarios Blog



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos