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PALAVRAS SOLTAS - Nini

Sexta-feira, 07.12.07

Hoje – com desejos de Boas Festas para todos – quase um conto de Natal.

                               (Registo - trabalho de Maria José Rijo)

Nos Açores, na Ilha Terceira apelidavam de “marau” as mulheres que viviam da exploração do sexo.

A mãe do garoto era marau.

Às vezes saia, deixava o pequenino ao Deus dará e voltava dois ou três dias depois, sem cuidados ou remorsos.

A vizinhança condoía-se, acarinhava-o, olhava por ele, alimentava-o.

Um dia, uma santa mulher, mãe de filhos já criados, até já casados – emigrados no Canadá – não resistiu: - levou consigo o menino e, no segredo do seu coração de acordo com o seu homem – chamou-lhe de filho.

Marcou-lhe um lugar à mesa que não consentia trocas mesmo frente a lágrimas e caprichos de netos. Destinou-lhe cama e quarto e assim corajosamente se dispôs a cria-lo.

O tempo foi correndo. O casal trabalhava duro e feio.

Levantavam-se de madrugada e saíam cada um ao seu destino.

Em certa época, já o pequeno frequentava a escola, pensou que gostava de ajudar os “pais” na luta pela vida.

Só não sabia como proceder.

Um dia, porém, quando pelas cinco da manhã o padeiro que, como sempre, àquela hora empurrava a porta para deixar o pão ofereceu-lhe a oportunidade sonhada.

-- “Quer-se sentir homem” – assentiram os “Pais”.

Passou a estar preparado e pronto em cada madrugada e, com a sacola dos livros à tiracolo, lá ia ajudar na distribuição do pão percorrendo ruas e canadas, dando volta à freguesia até à hora de entrar para a escola a que não faltava.

Ganhava assim uns trocados e o pão de cada dia que começou a ser sobre a mesa o seu contributo de amor filial.

Durante três anos convivi com esta nobre gente.

Ajudei a criar os pássaros que as tempestades faziam cair dos ninhos e o garoto que recolhia das enxurradas nas madrugadas frias, antes que os gatos tivessem acordado…

Ainda vejo mesmo de olhos fechados o seu vulto ligeiro a percorrer os “cerrados” em procura de alimento para um pequeno mocho, fofo como um peluche, com os olhos amarelos, luminosos e profundos como os algares  da sua ilha natal, que ele salvou.

Acolhemos um pardalzinho que respondia por “Nini” – e esvoaçava pela casa como se toda ela fora o seu grande ninho.

Depois… foi o terramoto.

A mãe do pequeno, perdida a casa de habitação, condicionou a sua ida para o Canadá para junto dos filhos à possibilidade de levar o adoptivo.

Com imensas dificuldades conseguiu legalizar o seu sonho.

Lá foram.

O rapaz estudou, cresceu.

Naturalizou-se cidadão do Canadá.

Polícia Montada do Canadá

Pertence à polícia montada.

Mandam notícias em cada Natal.

Já casou, tem três filhos.

Conta coisas novas mas recorda os Açores e os amigos desses tempos idos.

Esta é a história verdadeira de uma criança caída do seu ninho e criada em ninho alheio, que colhia todos os bichos estropiados e passarinhos implumes que achava pelos caminhos.

Um menino que só faltou à escola no dia em que o padeiro, já velhote, porque a gota o obrigava a deixar a profissão, vendeu a carroça e o burro a que o rapazinho muito se afeiçoara também.

O Luís – que assim se chamava – foi então a pé, ao outro lado da ilha, até à casa do novo dono para se despedir e ver onde ficava o seu companheiro de trabalho – o burro.

É também a história de uma criança que trabalhou porque o coração lho pediu.

Trabalhou como sempre viu fazer aos pais que o adoptaram e souberam aceitar e respeitar o seu desejo de trazer para a mesa o pão-nosso de cada dia.

É uma história de vida.

É uma história de partilha.

É uma história de amor que vi viver e guardo na minha lembrança como um BELO CONTO DE NATAL.

 

Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.831 – 20- Dezembro-1996

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 21:53

Natal

Sexta-feira, 07.12.07

                                            

Mesmo sobre a saudade, a

doçura do Natal, embala cada

coração como uma

música de esperança.

@

Maria José Rijo

@@@

Postal

Fotografia de

João Carpinteiro

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publicado por Maria José Rijo às 00:43

SOPA DE BATATA

Sexta-feira, 07.12.07

 Azeite; Cebola e um dentinho de alho; Pimentão flor (umas pitadinhas para dar cor); Um bom ramo de hortelã; Um nadinha de salsa; Batatas às rodas grossas.

 Deixe a cebola ficar transparente na gordura quente antes de deitar os cheiros e as batatas.

Tape para estufar em lume brando. Junte água a pouco e pouco até a batata cozer.

Faça-o lentamente para o caldo engrossar. Acrescente o caldo à conta que precisar. Escalfe ovos (se as galinhas andam a pôr).

Deite tudo a ferver sobre a sopa de pão acamada na “tigela” em que há-de ir á mesa.

Veja se a louça é curtida (isto é uma velha recomendação popular, daí o senão), caso contrário sabe a barro.

                         Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Gastronomia - Pão

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publicado por Maria José Rijo às 00:22





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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