Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Recordação ((( A MINHA IRMÃ )))
Nasci e cresci numa família devota de Nossa Senhora do Carmo.
Minha avó paterna usava escapulário e, porque ele era a reprodução fiel daquele outro que figurava pendente da mão de sua Santa padroeira – que sempre vira no quadro que centrava a parede do seu quarto à cabeceira da cama – isso mostrava (aos meus olhos de criança) o celestial parentesco – eu que unia as duas – Nossa senhora e minha avó.
Minha avó rezava muito. Rezava baixinho mexendo os lábios e fazendo correr as contas polidas do seu rosário entre os dedos das suas mãos, de grossas veias azuis salientes, descansadas no regaço.
Minha avó rezava com o cuidado, o amor e a serenidade com que fazia tudo – desde as roupinhas para as nossas bonecas ao arranjo dos seus vasos de flores – craveiros, flores de Lis e cambraias, ou ao passajar da roupa da casa.
A figura da avó, além de importante era cheia de atraentes mistérios e grande parte da sua sedução residia no jeito de afagar e consolar na doença ou no castigo; no gosto de entreter conversando, contando velhas histórias de família, lendas e orações longas e lindas como contos de fadas.
Tudo quanto a avó fazia ou dizia tinha o mesmo ar respeitável e antigo da nossa doce, querida e paciente avó.
Pela mão da avó íamos à missa, ao mês de Maria, à novena do Sagrado Coração de Jesus e às procissões.
Pela mão da avó se levavam flores ao cemitério e se ia rezar pela paz dos mortos, pela mão da avó se ia à festa da Senhora do Carmo, em Moura, a nossa Vila natal, agradecer o bem da vida e o amor da família, no primeiro domingo de Outubro de cada ano.
Pela mão da avó se ia à chaminé por o sapatinho na noite de Natal…
Pela mão da saudade trago aqui hoje, esta lembrança como homenagem a todos os Avós, porque Natal é também a evocação dos que passaram pelas nossas vidas e nelas deixaram marcas de amor que só a nossa própria morte desfará.
Maria José Rijo
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Á
Jornal linhas de Elvas
Nº 1.920 – 25 de Dezembro de 1987
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SOPA DE TOUCINHO

Frite o toucinho com chouriço (com o chouriço, se houver).
Retire os torresmos e o chouriço frito.
Na gordura, frite os temperos – alho, cebola, hortelã, salsa.
Acrescente a água necessária.
Verta o caldo sobre o pão fatiado.
Acompanhe com as carnes frias e azeitonas.

Maria José Rijo
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Colecção de Gastronomia - Pão

