Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Uma visita mais
Mais uma visita, mais um pouco de conversa, aliás, outra coisa não é de esperar, quando tal acontece.
Alguém que aparece, sempre tem hipótese de contar algo de novo.
Ora, não é que fui informada – e, tendo sido publica a apreciação, era fatal que ela correspondesse ao desejo de quem a fez, de que chegasse ao conhecimento dos visados – duma precipitada e infeliz apreciação feita por quem deveria ter o cuidado de não falar do que desconhece...
Assim, como o recado, era para chegar...chegou.
Falemos dele, então:
Foi muito, muito feio, que um convidado na mesa de honra de uma festa de aniversário, ou, outra que fosse, começasse a sua intervenção apostrofando pejorativamente, uma discreta saída de três pessoas que por imperiosa necessidade deixaram o recinto, esgueirando-se – para não incomodar – enquanto soavam as palmas entre a actuação de um orador e a de outro.
Foi feio, muito, muito feio e intempestivo.
Mas...
Como dizia Bocage, quando mandou flores a quem lhe mandara lixo – “cada qual dá do que tem!”
- Eu, se rosas tivera, na circunstância dá-las-ia, ao Senhor da Piedade, (que tão invocado é por tão devoto crente) não para que lhe perdoasse por metade, mas, por inteiro. Metade já nem por artes de magia... seria suficiente, até, porque uma coisa, não dá nada com a outra.
Só venho lembrar que estando eu, na idade – talvez já “de diamante” – mereceria algum cuidado a quem protege “a idade de ouro.”
Jóias, são sempre jóias, e, por vezes, quanto mais antigas mais preciosas, talvez mesmo de maior fragilidade.
Porque não preocupar-se com essa possibilidade? – E fazer o raciocínio expontâneo – das pessoas, ditas normais:
- O que teria acontecido para que pessoas amigas que sempre estiveram ao lado do promotor da festa se ausentassem?
Porquê – sem hesitação atribuir grosseria e falta de educação quando não se conhecem as causas de algumas atitudes?!
Será que foi por comparação com comportamentos próprios?
Porquê sentir-se alguém, tão dono do mundo, que nem pensa – nem vê – que “a ofensa”, se existisse (o que na circunstância, era impensável) era para quem tinha feito o convite!
- Nunca, para um qualquer outro convidado fosse qual fosse o seu lugar político.
Será que por distracção minha, ou cegueira, não identifiquei o centro do universo!
Convenhamos que em Elvas os poços de petróleo não são de “Hugo da Venezuela”.
São outros os poços e, têm outro dono...
Porém, quem respira tantos vapores “do incenso da adulação”, não admira que a cabeça, por vezes, lhe ande à roda e nada mais vislumbre que o seu próprio ego.
No dia em que, terminada a representação, a divindade, tiver que se despedir do palco – embora esteja na vida bem acomodada – verá que é capaz de contar em seu redor, mais avestruzes do que admiradores...
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Lembrei-me deste bicho, porque dele se conta, que mete a cabeça na areia para não ver o que lhe desagrada.
Não sei se é verdade.
Razão porque não o afirmo.
Não espalho boatos.
Maria José Rijo
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Jornal O Despertador
28 de Novembro de 2007
Nº 221


