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Faz obséquio!

Sábado, 29.12.07

Preparativos para a cimeira do Tratado de Lisboa - Foto Paulo Carriço/Lusa

Com a reportagem da televisão mostrando o Museu dos Coches a propósito da refeição, oferecida pelo Senhor Presidente Cavaco Silva aos visitantes de Portugal, como epílogo da Cimeira, vieram-me à memória reminiscências de infância, tão misteriosas de entender – na altura, para mim – como hoje alguns dos eventos desta cimeira.

http://fsinfo.cs.uni-sb.de/~lynx/texts/petitprince.html.fr

 Quando eu era pequena, pequena, como todos os adultos também já foram – pois que, até - como  diz  Le Petit Prince : “toutes les grande personnes ont d’abord été des enfants”...

Circunstância que muitas vezes parecem ter esquecido, de tão ocupados que estão a ser “Importantes”, o que convenhamos deve ser uma representação muito desgastante e enfadonha.

Mas a escolha é deles e, eu nada tenho que ver com isso.

Contava eu, que, de vez em quando, meus pais levavam-nos a Lisboa.

Estas decisões eram sempre precedidas de conciliábulos à mesa que levavam em conta, também os pareceres da Avó e das Tias. Era assim uma espécie de cimeira familiar.

Eles já tinham a sua decisão tomada, (tenho esse convencimento) mas não lhes custava nada serem corteses com as respeitáveis representantes do passado de quem haviam herdado princípios e preceitos morais e ouvi-los, como se os seus pareceres fossem decisivos. Sabendo, embora todos, que não eram.

“ Temos que levar as garotas a Lisboa”. Têm que ver outras coisas. Só a praia no Verão e as férias no Algarve com os primos, não é suficiente.

Têm que visitar museus, andar de eléctrico, ir ao Jardim Zoológico, viver situações diferentes. Estão sempre aqui e acabam ficando acanhadas. Só conhecem árvores e bicharada, têm que saber estar à vontade noutros meios.

Minha irmã, entrara para a escola e essa nova etapa da sua vida, favorecia-me também, visto que embora sendo dois anos mais nova, acabava por fruir daquelas decisões.

Então lá íamos, de comboio, em segunda classe, até ao Barreiro e, depois de barco – de vapor – até ao Terreiro do Paço.

Daí, até a um “hotelzinho de famílias” numa rua da Baixa estreita e de prédios muito altos, frequentado também por amigos e familiares – não me lembro. Sei que no meu espírito ecoa uma palavra: - caleche! Mas seria?- vão 76 anos...Já nem tenho a quem perguntar...

Embora eu me sentisse toda só olhos e fosse quase pendurada de minha Mãe, entre extasiada e assustada, muitos pormenores desses acontecimentos, o tempo já escondeu da minha memória.

Museu dos Coches

Ficou-me destas visitas a lembrança das idas ao Zoo, ao Aquário Vasco da Gama, ao Museu dos Coches, Mosteiros e outros lugares onde nem sempre, depois de adulta voltei...

Porém, como se fora agora, vejo a figura do porteiro do hotel, com uma farda que tinha galões e dragonas como só tinham, no meu conhecimento, os príncipes dos contos de fadas, o que me deslumbrou

 Então, quando ao abrir a porta, nos convidando a entrar, se curvou cumprimentando solene e disse: - faz obséquio!

A minha imaginação voou!

Era a primeira vez que escutava tal palavra.

 O que quereria dizer, não sabia, mas...abre-te Césamo! Não tinha mais mistério, nem mais beleza, aos meus ouvidos.

Meu Pai, com a benevolência do costume, lá me explicou que era apenas uma forma de dizer – faz favor. 

Ora, não é que revendo na televisão o Museu dos Coches recheado de pessoas para mim de intenções e hábitos tão herméticas como impressionantes me ocorreu pensar que o mesmo pode estar a acontecer à maioria dos portugueses tão desprovidos “do saber” destes meandros como acontece comigo?

Image

Pensei então que era altura de pedir ao Senhor Primeiro-ministro que, descodifique a cimeira para os leigos como eu.

É só, e apenas, trocar todo o palavreado “bonito” por linguagem comum.

Sem fardas, nem galões. Nua, mas verdadeira.

Coisa que se entenda de caras, como um vulgar - Se faz favor!

Queremos saber se há referendo e para referendar o quê.

Não me digam que “Dez Quilos” de conversa escrita, vale apenas a saliva gasta numa pergunta de sim ou não!

Queremos entender. Precisamos entender.

Faz obséquio!

                      Maria José Rijo    

@@@@@

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.948 – 20 de Dezembro – 2007

Conversas Soltas

   

 

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publicado por Maria José Rijo às 13:43





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