Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Nós… contra nós!

Quarta-feira, 30.01.08

Tudo quanto é coisa pública, (res pública) é coisa nossa.

Como é lógico e evidente – tudo que é nosso foi pago por nós –

é pago por nós.

Todas as aldeias, todas as vilas, todas as cidades têm os seus edifícios públicos, a sua iluminação de rua, as suas praças e jardins, as suas igrejas…

Parece que, por vezes, as pessoas – utentes – de todos esses bens, se esquecem que “esse” é o “bem” de todos os portugueses. É nosso! – Ora, se nos cabe a obrigação – a todos – de respeitar o alheio – também nos cabe – a todos sem excepção – o dever de amar, cuidar, conservar e defender o que é nosso.

-- Porquê então a pedrada que cega o candeeiro, que quebra o vidro da janela da escola, da repartição, do edifício público?

-- Porquê o sinal de trânsito torcido, inutilizado?

-- Porquê o assento do transporte público queimado caprichosamente com o cigarrinho, cortado com navalha?

-- Porquê o consumo abusivo e o desperdício de tudo quanto é pago pelo público desde as gasolinas, às tintas, aos papéis, ao mobiliário, passando por todos os materiais e coisas do estado?

-- Porquê o uso e consumo para fins privados do que é público?

-- Porquê?

-- Então, o público não somos nós?

-- Então, não somos nós – público – que pagamos contribuições e impostos para que se possa comprar e consumir tudo quanto é para uso público?

-- Tudo quanto serve a todos?

-- Tudo quanto é nosso?

-- Então, porquê nós – contra nós?

-- Porquê?

-- Não entendo! …

 

                 Maria José Rijo

@@@@@

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.764 – 14 de Dezembro de 1984

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:20

Por favor! Turvem um pouco!

Terça-feira, 29.01.08

Têm sido tantas, nestes últimos tempos, as reuniões, os depoimentos, as cimeiras e os congressos de tudo quanto é partido político, que o nosso justo espanto só é suplantado pelo nosso justo desencanto.

É lógico que tão febril actividade é sempre esclarecedora.

-- Aí não, que não!

De resto, propaga-se aos sete ventos que se andam a clarificar posições e estratégias!

-- Claro! Claro! – e, ambições, também!

E, é já tudo de tal forma transparente que só apetece pedir:

-- Por favor! – Turvem um pouco!

Escondem um nadinha os truques!

É que é tão espelhado e límpido o horizonte da nossa desilusão: é tão nítido o panorama que nem para algumas esfarrapadas ilusões já fica espaço!...

Apetece concluir que nem Júlio Verne que soube imaginar – quando parecia impossível – a volta ao mundo em oitenta dias – poderia ter previsto as viagens de “circum-navegação” dos nossos políticos, os seus espantosos equilíbrios em poleiros desconjuntados e outras evidências acrobáticas exibidas sobre a estóica resistência dum povo que merecia melhor sorte…

Sabe-se bem repetir o que uma vez já aqui disse – só quando:

 

              Como quem diz: - minha Mãe

                  Se disser: - nosso País

                    Nós seremos irmãos

                    Seiva da mesma raiz

 

 

                        Maria José Rijo

@@@@@@

 

A Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.763 – 7 de Dezembro de 1984

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:06

Postal nº 1 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Segunda-feira, 28.01.08

Chega confiante do montado ou do chiqueiro porque

sempre comeu, bebeu e dormiu, como a natureza lhe pedia.

Antes de pesar arrobas, até lhe chamaram afectuosamente

“bacorinho” e sorriram à gracinha do seu focinho

rosado e trombudinho.

Agora no terreiro, rodeado de mirones será transformado

em fonte de alimento e abastança.

                             Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:47

Saber escutar

Segunda-feira, 28.01.08

Ninguém me tira da cabeça que as coisas falam!

- A cada um de sua maneira! – Concedo. Mas, falam!

Entra-se numa casa, olha-se um objecto com interesse, ou apenas curiosidade e alguém esclarece: - É, ou era, de Meu Pai, ou de minha Avó! Logo cada um de nós só por isso, “sabe” e “ouve” qualquer coisa sobre alguém que poderá até não ter conhecido. Só por um silêncio, um sorriso, ou apenas, uma entoação particular de voz, ou um olhar, se percebe o diálogo íntimo que há entre cada objecto e a pessoa que o usa ou o conhece.

Saber ouvir, saber escutar, parece-me importante para se poder estabelecer laços de alma, parentesco de amor, com a vida à nossa volta.

Andava a pensar nisto a propósito de Elvas e da “tentativa de agressão” que a ameaça.

Elvas é uma cidade viva. Um corpo inteiro, que para ser “operado” – “amputado” ou “enxertado” tem que dar ou recusar o seu próprio consentimento.

Elvas, decide, sobre Elvas: porque Elvas fala, pensa, ama, sofre, trabalha, respira e vive pela boca, pela cabeça, pelo corpo, pelo sangue da sua população.

Elvas é mãe da sua gente – que a terra onde se nasce é mãe também – (diz o poeta).

Elvas canta e chora, orgulha-se e envergonha-se, com o que nela ou com ela, se passa. Elvas tem coração.

      Elvas tem amigos que a conhecem e enaltecem.

Já D. Diniz em 1334 assim dizia: 

                       “ eu por fazer mercê ao concelho de Elvas,

                por que elles ham gram coraçon para me servir…”

 

De Elvas disse António Sardinha em “ de vita et moribus”:

           “ Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e

                o seu Aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa,

               um apelo súbito às energias mais fundas da nossa

                          sensibilidade “

Eurico Gama conta nas suas “crónicas de Odiana” que lera no jornal

“O Século” – escrito por pena responsável:

               “Elvas é um poema épico que não pode ler-se sem coração”.

E, conta mais. Conta que, de Azinhal Abelho, se gravou em pedra

    esta legenda:

           “Quem passou por ti, Elvas cidade que te marcou

                         com siglas e com chagas?”

E, depois de mais algumas citações, remata com toda a força da sua paixão por esta cidade que amou e serviu como filho dedicado, que sempre soube ser:

              “Vinde, pois, a Elvas, todos os portugueses, e sentires

                       mais ainda orgulho de o ser”.

Depois disto haverá quem duvide que o velho manuscrito onde se lê:

                   “Chave defensa escudo

                    Sou do reino lusitano

                   Freio sou do Castelhano

                     Elvas sou e digo tudo “

 

Tenha sido ditado pela própria cidade e mandado escrever pela mão de alguém, com alma bastante, para entender e traduzir para a linguagem de toda a gente – a voz dum passado de honra e glória – que nos cabe defender – e que cada pedra repete a quem a olhe e saiba escutar? ….

 

Maria José Rijo

 

@

@@@@@@

Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.752 – 14 de Setembro de 1984

@@@@@

fotos do blog -->  http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:06

Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Domingo, 27.01.08

“Comprareis um porquito, fareis uma matança

e por mim esperareis vivendo na abastança…”

já assim constava da lendária carta do

“galego” que no Alentejo ganhara esforçadamente

Três tostões a que atribuía poderes sem

Fim e enviara à família recomendando:

 

“Mulher:

 

Aí te mando, aí te escrevo três tostões

tamanhos que nem três olhos de bois, mui

bem os governareis, comereis e bebereis,

pagareis a quem deveis, metereis nosso filho

a frade e a nossa filha a freira…”

 

E depois de alvitrar a compra do porquito

como certeza de mesa farta garantindo rematava

com um último conselho:

 

“Se vos sobrar algum vintém, guardareis

Para o ano que vem.”

Maria José Rijo

@

@@@@@

Colecção de Gastronomia

MATANÇA

"A Festa da Abastança"

- Quarta e última Coleção de Gastronomia

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:41

A telha

Domingo, 27.01.08

Deu-lhe na telha!

Não tem telha onde se acoite!

Está com a telha!

Estar debaixo de telha!

Sei lá de quantas mais expressões me poderia agora socorrer para lembrar como “ a telha” essa pequena peça de barro que se destina à feitura de telhados também pode ser conotada até com o bom senso e compostura dos indivíduos, o que até nem é difícil de entender se pensamos que é a cabeça que encima o corpo, assim como o telhado o faz no casario.

Mas, vamos à estória...contava-se que durante a ditadura Salazarista, quando entrou em vigor a multa pelo uso de isqueiros (não licenciados), numa das clausulas se dizia que: - estavam isentos de pagamento, quando usados debaixo de telha – o que queria significar: - em casa.

Parece que então para tornar mais evidente o ridículo de tal determinação um grupo de estudantes de Coimbra, ostensivamente saíram para a rua usando os seus isqueiros na via publica, mas pondo como pára-vento pequenas telhas que transportavam debaixo das capas.

Assim, infringiam uma lei, garantindo estar a cumpri-la à risca pois só utilizavam o isqueiro debaixo de telha...

Curiosamente, agora, que ninguém mais paga licença de isqueiro porque essas violências eram coisas de ditadores e impensáveis “em democracia” – quem fumar debaixo de telha – está sob a alçada da fiscalização.

Mas, cuidado, que agora que somos livres e democratas, toda a gente pode funcionar como “os notáveis” bufos da PIDE.

Todas as denúncias são aceitas porque assim se educam, em democracia, os povos.

Ora, na hora em que a ASAE até ameaça o brinhol feito na hora, à nossa vista, nas feiras e arraiais do nossa gente, que mais se pode dizer senão que estamos à mercê de quaisquer fantasias que dêem na telha a qualquer “socializante” senhor Ministro destes em quem Portugal tanto apostou!

Por muito que justifiquem as “mudanças” eu só posso aplaudir o que o Dr. António Barreto muito justamente escreveu, no jornal O Publico –“ Eles estão doidos!”

Ninguém de bom senso se opõe ao progresso.

Ninguém!

O que jamais se pode aceitar é que em nome de uma fundamentalista convicção de que – as ordens lá de fora é que são boas – se destrua a

tradição – a Matriz cultural - de um povo impondo regras e mais regras até ao delírio da loucura, como se de uma limpeza ética se tratasse!

E toda uma série impensável de alterações que nos pretendem conduzir a um igualitarismo opressor, que nos tornará desprezíveis, como párias ou mendigos, deixando de ser quem sabíamos ser com dignidade e honra, mesmo sem grandezas, para nos tornarmos clones de experiências alheias.

Acorde Senhor Primeiro-ministro!

Acorde!

Lá no “meu” Baixo Alentejo até se canta: - quem tem cuidados não dorme!

Acorde! - Senão, fica para aí parado à espera que o INEM o leve às

urgências que já todo o mundo de si reclama, e – falece politicamente – antes de lá chegar... 

Olhe que os seus Ministros, são: - tão – tão cega e surdamente ministros, que nem sequer conseguem ver e entender “as romagens” de alegria de um povo inteiro!

Fazem – apenas – permita-se-me o plebeísmo – o que lhes dá na telha!

Comove tanta devoção à Pátria!

Tão lindos!

Tão lindos – todos! - Benza-os Deus!

Refiro os proventos que auferem! – Como é óbvio!

E, dos Excelentíssimos Gestores – também!

           Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.953 – 24-Janeiro-2008

Conversas Soltas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:22

Os Padres das nossas vidas

Sexta-feira, 25.01.08

A morte inesperada do senhor padre Acácio Marques que a todos nós

surpreendeu e a alguns de nós, como a mim própria, provocou sofrimento e um doloroso sentimento de perda, fez-me pensar profundamente na presença, por vezes tão mal avaliada dos Padres nas nossas vidas.

Talvez, também a isso me levasse um dolorido desabafo, de um amigo que muito preso: - “a morte de um padre é também uma desgraça”, e acrescentou; há tão poucos!

Muita gente pensa e diz escarnecendo que os padres fazem isto, aquilo, aqueloutro. E, por tal os julgam e condenam, como se julgar fosse obrigação sua.

 Mas, quando nos baptizam, nos dão a comunhão, nos confirmam na fé, nos casam ou dão a extrema unção, para além dos seres humanos falíveis como todos os demais, eles são nesses momentos muito especialmente a voz e a mão de Deus.

E, não é tão difícil assim de entender. Quando os nossos próprios pais, por mais defeitos que tenham como gente que são, nos abraçam e aconselham – não procedas assim por estas mais aquelas razões, embora continuem a ser os frágeis humanos que erram, são mais, muito mais, do que isso são, na divina medida do humano – “os Pais” são então, a mais sincera voz do amor pelos filhos.

E, quer queiramos quer não, o Padre, enquanto Portugal “ainda” tiver liberdade para, pelo menos, nas igrejas conservar os seus Santos e viver sem perseguições a sua Fé Cristã, os padres continuarão a ser figuras de referência nas nossas vidas.

São ainda os padres que nos encaminham nas aflições e nos abrem caminhos de redenção. Quer dizer, em todos os actos solenes das nossas existências, lá está o “Padre” connosco levando a palavra de Deus às nossas vidas.

Mas, o padre Acácio, que dele vinha falar, era, e foi, um padre especial. Tirava da sua fé a coragem de não agradar, se ela a isso o intuísse.

Lutava pelo Amor de Deus, não para que a amassem a ele.

Quando há cerca dezasseis anos passou uma tarde em nossa casa a falar comigo fiquei a dever-lhe não a piedade, nem a palmadinha nas costas. Fiquei a dever-lhe a coragem de ir em frente.

Depois, pouco mais falamos, a não ser quando baptizou dois dos meus sobrinhos netos e foi almoçar connosco a Juromenha, mas uma ou outra vez, no Comercio do Porto, onde colaborava fazia-me um aceno por escrito.

Guardo-o no meu coração pelo afecto e pela admiração e respeito que lhe devo.

E, hoje pensando nele, pareceu-me justo trazer à lembrança de todos nós “os Padres das nossas Vidas” – que nos amparam, nos aconselham, nos abençoam e que, tantas vezes andam longe demais da nossa gratidão e dos nossos corações.

Rezemos por ele e por todos nós.

                          Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.952 – 17 – Janeiro – 2008

Conversas Soltas

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:54

Até parece fácil!

Sexta-feira, 25.01.08

“O eterno é a reunião de todo o passado e todo o futuro num só instante, a eternidade é o instante.”

Esta frase, este pensamento, de Santo Agostinho é um verdadeiro manancial de sabedoria.

Santo Agostinho, por Botticelli (1480)

Fechando, embora, um conceito adquirido pela sua percepção e pelos conhecimentos do seu espírito, ela abre, para nós, portas a um mundo infindável de caminhos da razão.

Todos nós, já pensamos ou dissemos a propósito de alguém: - à última hora, ou, no último instante, redimiu-se, arrependeu-se...concertou o mal que tinha feito.

A sabedoria popular, afirma: - até ao lavar dos cestos é vindima...

A fé assegura-nos que até ao último momento da Vida, da Vida de qualquer um de nós, ainda é tempo de como qualquer filho pródigo voltar a casa do Pai – e ser recebido em festa!

Na verdade, a Vida terrena é apenas um pequeno percurso no tempo, uma fracção ínfima de um todo infinito.

Um ponto numa linha cujo começo não se identifica e cujo termino não se determina.

Na verdade, a Vida, é apenas a conquista do instante que nos concede a entrada na eternidade.                   

Sendo assim, se assim for, a morte é tão-somente o mergulho no infinito, no eterno.

O regresso à mão que nos concedeu a oportunidade da experiência de ser.

Até parece fácil pretender a gente embrenhar-se no pensamento de um Santo que até aos 32 anos foi frívolo, amante de mulheres, mas, ao que contam os seus biógrafos: sempre ávido de Deus.

Não será também essa a tradução dos nossos anseios de perfeição, sucesso, poder, e tudo o mais que interpretamos como caminhos de felicidade e realização pessoal?

Não será tudo isso, apenas e somente um anseio de Deus, concebido à medida pequena da nossa pequeníssima dimensão?

                            Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.713 – 6/Junho/03

Conversas Soltas

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:01

A íntima relação

Quinta-feira, 24.01.08

É indiscutível a íntima relação entre a terra e as plantas, por exemplo.

Também é indiscutível a relação entre a água, a luz e a vida.

Já não pensamos tanto, ou, pelo menos, com tanta frequência, na intima relação que existe entre o nosso corpo e a nossa própria Vida a não ser quando nos falta a saúde.

Se bem pensarmos, quando dizemos – eu – não estamos a pensar especificamente, no nosso corpo.

Quando afirmamos: - sou uma pessoa bem disposta, ou, gosto ou não gosto de isto ou daquilo, nós próprios estamos a afirmar a nossa dualidade de ser.

Ninguém pensa ou diz, sou um corpo bem disposto.

Jamais se diz: - sou um corpo!

Afirma-se: - tenho um corpo!

Quando dizemos: - dói-me a cabeça, ou o pé ou a perna, estamos a denunciar a consciência de que há qualquer anomalia com o nosso físico, com o nosso corpo, logo, estamos a afirmar implicitamente que não somos apenas isso – um corpo.

Não é o corpo que o diz, nós é que dele falamos.

Até porque muitas vezes afirmamos, dói-me a alma, estou triste perdi a esperança, perdi a coragem, perdi a fé, e, ao afirmá-lo sabemos que não é da condição física que falamos.

Talvez se pensássemos um pouco mais na fragilidade do         “suporte” do nosso eu verdadeiro, quero dizer, do nosso corpo, talvez nos preocupássemos mais em respeitar ditames de consciência esmerar atitudes, e menos em apurar as aparências, que tantas vezes, nem enganam os outros, quanto mais quem deliberadamente elabora o logro.

Estava a ler o prólogo de “a Última Confissão”, de Morris West quando a propósito de uma frase que vou citar me ocorreram estes comentários.

Na verdade a leitura ainda continua a ser uma das melhores companhias que se podem escolher...

Eis a frase: - Morris também percorreu o Universo mas, no final, caiu, como acontece a todos os que morrem pacificamente por causa de alguma traição íntima e ínfima do próprio corpo.

Vou aproveitar um pouquinho deste espaço que o jornal me concede para desejar o melhor êxito para a operação de João Aranha, cuja “ausência” todos iremos sentir.

É que, muito embora eu não aprecie touradas, aprendi com João Aranha, a aceitar, que na arte, como manifestação de Vida que é, também se pode encarar a morte.

Ainda uma referência para a ausência de J.R. – jovem, mais ou menos, do meu tempo – de quem não temos notícias... 

                                               Saúde a todos  

                            Maria José Rijo

@@@@@@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.703 – 28 / Março/2003

@@@@@

Fotos do blog --> http://olhares-meus.blogspot.com/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:38

Uma pequena incursão

Quarta-feira, 23.01.08

Embora tenha decidido, salvo em raras excepções, não comentar o dia a dia dos acontecimentos políticos e, manter-me à margem, limitando-me o observar e a guardar silêncio, a verdade, é que algumas circunstâncias impelem à intervenção compulsória.

Agora, assim aconteceu com a história da tentativa de “casamento” entre duas mulheres.

Cada qual, nasce com as tendências que, não escolhe, mas que lhe são intrinsecamente peculiares.

Nasce-se como um Mozart, música materializada em gente.

         Nasce-se, como um padre António Vieira, com o dom da oratória, esse uso privilegiado da palavra...

Nasce-se com capacidades excepcionais em vários ramos da ciência, das artes, da técnica...

Nasce-se feio ou bonito...como se nasce com deficiências físicas, sempre sem culpa e sem pecado.

A cultura, a educação, nem a própria religião, podem alterar profunda e estruturalmente estas circunstâncias.

Por outro lado, a vida em sociedade está assente em normas, que não foram, nem poderiam jamais ter sido, inventadas ao sabor de fantasias ou caprichos de quem quer que fosse, ou seja.

Elas resultam ou resultaram da interpretação de hábitos, regras instituídas, em princípio de práticas empíricas, e depois, logicamente aceitas e transformadas como leis de base para uma vivência comum, civilizada e pacífica.

Assim que a Família é uma dessas instituições.

Tem suas leis, seus princípios morais, criados em defesa desse pequeno núcleo, ou seja, marido e mulher que se unem pelo casamento, como projecto de Pai, Mãe, filhos.

Para quem é crente é necessária a benção do seu Deus, e ao acto civil, sobrepõe em valor o acto religioso, que crê e aceita como sacramento, e, portanto, indissolúvel.

Ora, muito bem.

Isto, é o que todos sabemos e é a norma.

Porém, todas as normas têm excepções.

E, integrar, agora estas excepções que publicamente se reconhecem com tolerância e respeito pela diferença, parece urgente e inadiável.

Não é mais possível fechar os olhos a esta realidade.

Então, que se crie uma figura jurídica que sancione legalmente a defesa dos interesses, quer económicos, quer outros, dessas “ sociedades a dois”, dessas pessoas que não têm culpa de ter nascido diferentes, e que vivendo em comum, sem jamais serem um casal, o simulam, formando pares.

Afigura-se-me necessário, e preferível que isso aconteça evitando especulações e maiores desgastes morais numa sociedade onde, parece haver a preocupação de corromper o que desde sempre se assumiu como sua base sólida e moral, como um bem maior- a Família – que São Francisco de Assis  padronizou no presépio de Belém, e o mundo cristão celebra em cada Natal.

As indumentárias, e o circo que cada um armar depois para a festa, já não são da conta de mais ninguém, nem é necessário que esses eventos se transformem em escândalos, notícia de rádio ou de televisão, já que, caindo na banalidade, cairão no esquecimento, na vulgaridade.

         Embora esta opinião tenha apenas o peso relativo que tem qualquer parecer da pessoa comum, que sou, o assunto é, a meu ver, tão delicado que, em consciência, pensei que, quem julga, não deve eximir-me, também, a ser julgado.

                        Maria Jose Rijo                     

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.852 – 9-2-06         

Conversas Soltas

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:40


Pág. 1/5





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Janeiro 2008

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031


comentários recentes

  • Anónimo

    ADOROAdoroooooooooooooMeu Deus Tia gosto imenso de...

  • Anónimo

    Mas que bom...As gavetas da memória ... que saudad...

  • Anónimo

    Oh minha querida Tiazinhacomo eu adoro este artigo...

  • Anónimo

    Querida Amiga de minha MãeAgradeço as suas palavra...

  • Maria José Rijo

    Creia que foi com profunda tristeza que recebi a n...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

Um pouco de mim...

EFEMERIDES

Blogs- quem nos cita

Deambulo por

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Aniversarios Blog



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.