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“PRANTO por uma menina de outros tempos”

Quinta-feira, 10.01.08

Voltou como desejava o poeta: para “dormir o sono eterno abrindo junto ao berço a sepultura”.

Retornou quem com outras meninas da sua geração fez a Primavera viva da nossa cidade, no seu tempo.

Talvez ela até gostasse assim!

-- Morrer antes de envelhecer de corpo e espírito.

-- Morrer como gostava de ser, e foi até ao fim: esbelta, bonita, cativante.

-- Talvez… para que dela fique, como de sua Mãe já ficara, um rasto de saudade inconformada, um magoado recordar que a faz ser evocada, por quantos a conheceram, com o jeito sonhador de quem conta uma lenda: …

-- Era tão bonita!...

E… também canta outro poeta: “por morrer uma andorinha não acaba a Primavera…”

Mas…

              

                 Quando na vida se perde

                 Um amigo ou um parente,

                 P’ra que serve a Primavera?

                 - Se o frio está dentro da gente.

 

 

                                          Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

A la Minute

Nº 1724 – 2 Março de 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:38

A Cada um a sua Dignidade

Quinta-feira, 10.01.08

Tenho a certeza de que ninguém pensou, desejou, ou quis que os membros do governo viajassem levando a sopa quentinha na garrafa térmica e os torresmos, as azeitonas e o resto do conduto no taleigo de retalhos, como fez a “velha fofa” lá da minha terra quando foi a Fátima.

Até porque eles já correram tanto mundo que, se calhar, já nem sonham, e não tiveram 70 anos para amadurecer a aventura de sair da sua vila, como a ela aconteceu.

Porém, quando enviuvou, decidiu-se: vendeu os “bicos”, comprou um bilhete de excursão e foi ver Nossa Senhora a quem encomendou a alma do marido!

Não! Isso não cabe na cabeça de ninguém – e se 10.000$00 por dia for pouco para quem tem obrigações, levem à nossa conta, a conta certa. Mas…

-- Deixe-se ao minhoto o caldo verde, a broa com cebola crua, o seu naco de presunto, a sua pinga gostosa…

-- Não se negue a todo o norte o “serrabulho”, o cabrito assado, pingando tempero e perfume sobre o arroz que abre no forno, a falar de festas de família e romarias… o verde verdinho… as alheiras… os rojões…

-- Deixem-se às Beiras, morcelas de ossos, de sangue, as farinheiras, o pão de centeio, que “chama” o queijo da Serra feito pelas mãos frias das mulheres já velhas, no segredo das cozinhas escuras e fumacentas…

   Deixe-se-lhes a batata da terra – assada, a murro, ou cozida e suada com o pano dobrado na boca da panela – para comer com molhinho de azeite, alhos socados, vinagre e pimentão flor…

-- Deixe-se pelos Alentejanos a açorda, o gaspacho, as migas, a febra da matança grelhada na brasa do cepo de azinho que “cura a parreira” e aquece… o ensopado das bodas… um trago branco de Borba ou tinto da Vidigueira…

-- Deixe-se ao Algarvio o “o peixe frite”, as papas de xarém, o “charrinho limade”, uma golada de Lagoa ou de aguardente de “figue” no petisco de polvo seco batido e assado na brasa…

-- Deixe-se ao Açoriano a “massa sovada”, a alcatra, o vinho de cheiro, o feijão com funcho, a manteiga, o leite, o queijo…

-- Deixe-se ao Madeirense o inhame, a espetada e milho cozido, o bolo de caco…

 

-- E nos grandes centros onde desaguam os sonhos vindos de todos os cantos, o pão de cada dia a gosto das origens, como fruto do trabalho de cada qual…

 

Pois que:

 

                  A cada um seu direito

                  A cada terra seu uso

                  A cada boca um quinhão

                  A cada roca seu fuso

 

 

                                           Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

A LA MINUTE

Nº 1.725 – 9 – Março – 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:17





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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

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