Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
PRÉMIO ESPECIAL - Zé de Mello

Aonde fui - estou
Trago flores e sol
Sementes e lutos
Mortes e esperanças no meu olhar
E nos meus silêncios
E quando estendo as mãos
para te afagar
Sou a ribeira que corre
O mar que tu amas
Os sonhos que tens
O corpo que pedes...
E o meu carinho
Cheio de seiva do passado
É nessa hora
As nascente a engrossar
As raízes do amanhã !
Que, dizer hoje, nos promete!
Maria José Rijo
2 Comments:
Autoria e outros dados (tags, etc)
Reminiscências 7
@
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.497 – 26 / Março / 1999
Conversas Soltas
Num dia seis de Março, há vinte anos, faleceu, já então, muito velhinha uma pessoa maravilhosa, cheia de sabedoria e bondade, que encheu a nossa infância e adolescência (de minha irmã e minha) com contos, poemas, histórias e orações. Era irmã de meu Pai e, tal como a dele, a sua vida foi, para nós, lição de coragem, trabalho, dignidade e caracter.
Como era muito inteligente e generosa tinha sempre a preocupação de encontrar forma de ensinar o que achava necessário da maneira mais subtil e mais divertida que pudesse.
Daí, que usasse o célebre poema de João de Deus – Militarão - para nos precaver contra a gula. Quando na via irresistivelmente tentadas a comer doces em excesso, com um bondoso sorriso de condescendência ela repetia: - daqui a pouco nem vos cabem dois dedos na boca, como ao militarão, e sorrindo ia recordando:
Um valente militar
Ficou tão abarrotado
N’um opíparo jantar
A que fora convidado,
Que o que fazia era impar,
E estava dando cuidado.
Diz - lhe aflita uma das manas:
“Meta dois dedos na boca,
Provoque as ânsias, a ver!
Dois dedos na boca... louca?
Se eu os pudesse meter,
Metia duas bananas.
Também jamais poderia esquecer a delicadeza com que nos estimulava a coragem que ás vezes é necessária para cultivar a lealdade.
Contava que quando Nossa Senhora fugia com S. José para salvar o menino Jesus da fúria de Heródes encontrou duas aves, um pisco e um chasco.
Assustada, receando encontrar-se com os seus perseguidores, perguntou Nossa Senhora aos passarinhos: pisco! - Indo por aqui encontrarei os soldados?
Sem sequer pensar, o pisco respondeu: pis, pis, por í, bem is e, foi à sua vida fugindo às confusões, sem mais se importar com a aflição daquela Sagrada Família.
Foi então que o chasco muito aflito começou a voar por todos os lados até que avistando os soldados voltou, para alertar, piando: chás, chás, por í, mal vás e os carrascos encontrarás .
Agradecida, Nossa Senhora, abençoou o chasco para que fizesse o ninho nos buracos das rochas, bem alto, para que as suas crias ficassem mais protegidas
. Seguiu Nossa Senhora o seu caminho e ao passar junto do mar perguntou a um linguado se a maré enchia ou vazava. Sentindo-se muito seguro pela sua cor de areia que
o dissimulava aos olhares e pela facilidade com que na água se deslocava, permitiu-se o peixe , sem saber com quem falava, troçar da pergunta fazendo uma careta e repetindo-a com desdém , em lugar de dar a resposta que lhe tinham solicitado.
Que a boca te fique de lado, disse-lhe então a Senhora, para sempre te lembrares que quem pede ajuda deve ser ajudado e não arremedado.
Ao perceber com quem falara quis o peixe desfazer o mal pedindo desculpas.
Mas, Nossa Senhora, avisou:- assim te lembrarás que o bem se faz sem olhar a quem. Outra pequena história, engraçada, servia para que fixássemos que tudo na vida está nas mãos de Deus e que nunca deveríamos ser arrogantes.
Era assim: - em certo dia, Jesus disfarçado de mendigo perguntou a um vaidoso: - aonde vais montado no teu burrinho? - Vou à feira; foi a resposta.
Se Deus quiser, – acrescentou Jesus.
Logo o outro com arrogância retorque: que Deus queira que não queira, com o meu burro vou à feira.
Calou-se Jesus e o feirante seguiu o seu caminho. Porém, logo adiante ao passar por um riacho apareceram tantas rãs aos saltos que o animal se assustou e deitou o homem ao chão. Lamentando-se, com o fato todo molhado, como uma sopa queria o arrogante segurar o burro que só escoiceava e não dava mão. Então, passa de novo Jesus que volta a perguntar: aonde vais? - À feira, disse o outro voltando a escorregar.
À feira? Insistiu Jesus.
Sim! Desde que Deus queira. E, dizendo assim, imediatamente se levantou agarrou o burro e retomou a marcha tendo-lhe o fato secado como por milagre.
Olhou então em redor para ver se avistava quem lhe falara. Já não viu ninguém, mas havia por todos os lados uma música tão suave, um ar tão lavado e fresco, uma tal paz na Natureza que o homem percebeu que Deus dele se compadecera e lhe mostrara que é erro grave viver com o coração tão cheio de soberba.
Maria José Rijo



De todos os prémios este é sem dúvida o mais justo e merecido. Parabéns!
Quando me contaram da vossa escolha - julguei tratar-se de uma destas brincadeiras que se têm entre amigos.
Que não!- Que não!- vim ver...
Nunca tal me passara pelo espírito! -mas, já que aconteceu quero confessar que estou grata, porque para mim isto é "um nobel da amizade"- pois só por esse motivo- tal - poderia ter acontecido.
Ora, como todos , sem excepção, gostamos de ter Amigos - obrigada pela generosa lembrança que me fez sentir que nunca estamos tão sós quanto por vezes pensamos.
Não sei quem veste a figura lendária de Zé de Melo... mas,seja quem for, sei que de coração abraço esse, ou esses, amigos desconhecidos e afirmo que, se os textos são meus , a mentora e autora do blog é a Paula.
O seu a seu dono.
Bom ano!- Felicidades!
maria josé Rijo