Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Coisas e loisas
Ás vezes decido calar! Depois, reconsidero e procuro prudentemente intervir. Não é porque as coisas me digam particularmente respeito a mim. Não. É porque é a participar que se vive.
Viver é conviver, disse – segundo creio –
Santo Agostinho. Conviver é viver com os outros e, se como disse o poeta Michel Quoist – eu sou o outro – necessariamente, o outro sou eu.
Resulta assim evidente que o respeito que tivermos por nós próprios, se reflecte na forma como se convive com o próximo. Assim que a nossa atitude pessoal tenha que ser avaliada, não isoladamente do conjunto em que estamos inseridos. Daí que, se enquanto pessoa me pode enternecer a ingenuidade que permite estender roupa a secar nas traseiras do palácio da Justiça – como elemento duma sociedade, como “outro” parte dum colectivo (a cidade, neste caso) – esse facto agride pelo que representa de impreparação social, pelo que representa de atitude de sub-mundo pelo que destoa tal uso, feito de tal local…
Verdade que uma ou outra vez já temos visto também algum pacífico borrego a pastar na cerca que se sonhou jardim do dito Palácio da Justiça. Verdade também que sempre se pensa que o borrego está bem na pastagem vicejante… A pastagem é que lá não está certa…
Julgo que esta insólita nota de “folclore local” adicionada às cordas de roupa a secar à entrada do Jardim Municipal, mais a profusão de tabuletas, muito das quais escritas em espanhol, não são coisas que enobreçam ou embelezem esta nossa terra.
Aplauso deve ficar aqui, sim, para o repovoamento protegido de árvores que foi feito e cuja falta desdentava, tristemente, a bordadura de praças e avenidas…
E porque cada um de nós, para além da sua qualidade de individuo, é parte deste todo que é a cidade, por cuja dignidade somos responsáveis, será bom que não nos deixemos adormecer sobre esse plano inclinado que começa por resvalar da incúria para o desleixo, que abre o caminho à degradação,
Coisas e loisas esparsas
Como a ferrugem – se pica
Como a lama dos caminhos
Se pisada… nos salpica.
Maria José Rijo
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A
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1.727 – 23-Março-1984

