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A íntima relação

Quinta-feira, 24.01.08

É indiscutível a íntima relação entre a terra e as plantas, por exemplo.

Também é indiscutível a relação entre a água, a luz e a vida.

Já não pensamos tanto, ou, pelo menos, com tanta frequência, na intima relação que existe entre o nosso corpo e a nossa própria Vida a não ser quando nos falta a saúde.

Se bem pensarmos, quando dizemos – eu – não estamos a pensar especificamente, no nosso corpo.

Quando afirmamos: - sou uma pessoa bem disposta, ou, gosto ou não gosto de isto ou daquilo, nós próprios estamos a afirmar a nossa dualidade de ser.

Ninguém pensa ou diz, sou um corpo bem disposto.

Jamais se diz: - sou um corpo!

Afirma-se: - tenho um corpo!

Quando dizemos: - dói-me a cabeça, ou o pé ou a perna, estamos a denunciar a consciência de que há qualquer anomalia com o nosso físico, com o nosso corpo, logo, estamos a afirmar implicitamente que não somos apenas isso – um corpo.

Não é o corpo que o diz, nós é que dele falamos.

Até porque muitas vezes afirmamos, dói-me a alma, estou triste perdi a esperança, perdi a coragem, perdi a fé, e, ao afirmá-lo sabemos que não é da condição física que falamos.

Talvez se pensássemos um pouco mais na fragilidade do         “suporte” do nosso eu verdadeiro, quero dizer, do nosso corpo, talvez nos preocupássemos mais em respeitar ditames de consciência esmerar atitudes, e menos em apurar as aparências, que tantas vezes, nem enganam os outros, quanto mais quem deliberadamente elabora o logro.

Estava a ler o prólogo de “a Última Confissão”, de Morris West quando a propósito de uma frase que vou citar me ocorreram estes comentários.

Na verdade a leitura ainda continua a ser uma das melhores companhias que se podem escolher...

Eis a frase: - Morris também percorreu o Universo mas, no final, caiu, como acontece a todos os que morrem pacificamente por causa de alguma traição íntima e ínfima do próprio corpo.

Vou aproveitar um pouquinho deste espaço que o jornal me concede para desejar o melhor êxito para a operação de João Aranha, cuja “ausência” todos iremos sentir.

É que, muito embora eu não aprecie touradas, aprendi com João Aranha, a aceitar, que na arte, como manifestação de Vida que é, também se pode encarar a morte.

Ainda uma referência para a ausência de J.R. – jovem, mais ou menos, do meu tempo – de quem não temos notícias... 

                                               Saúde a todos  

                            Maria José Rijo

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.703 – 28 / Março/2003

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publicado por Maria José Rijo às 00:38





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