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Postal nº 1 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Segunda-feira, 28.01.08

Chega confiante do montado ou do chiqueiro porque

sempre comeu, bebeu e dormiu, como a natureza lhe pedia.

Antes de pesar arrobas, até lhe chamaram afectuosamente

“bacorinho” e sorriram à gracinha do seu focinho

rosado e trombudinho.

Agora no terreiro, rodeado de mirones será transformado

em fonte de alimento e abastança.

                             Maria José Rijo

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Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

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publicado por Maria José Rijo às 00:47

Saber escutar

Segunda-feira, 28.01.08

Ninguém me tira da cabeça que as coisas falam!

- A cada um de sua maneira! – Concedo. Mas, falam!

Entra-se numa casa, olha-se um objecto com interesse, ou apenas curiosidade e alguém esclarece: - É, ou era, de Meu Pai, ou de minha Avó! Logo cada um de nós só por isso, “sabe” e “ouve” qualquer coisa sobre alguém que poderá até não ter conhecido. Só por um silêncio, um sorriso, ou apenas, uma entoação particular de voz, ou um olhar, se percebe o diálogo íntimo que há entre cada objecto e a pessoa que o usa ou o conhece.

Saber ouvir, saber escutar, parece-me importante para se poder estabelecer laços de alma, parentesco de amor, com a vida à nossa volta.

Andava a pensar nisto a propósito de Elvas e da “tentativa de agressão” que a ameaça.

Elvas é uma cidade viva. Um corpo inteiro, que para ser “operado” – “amputado” ou “enxertado” tem que dar ou recusar o seu próprio consentimento.

Elvas, decide, sobre Elvas: porque Elvas fala, pensa, ama, sofre, trabalha, respira e vive pela boca, pela cabeça, pelo corpo, pelo sangue da sua população.

Elvas é mãe da sua gente – que a terra onde se nasce é mãe também – (diz o poeta).

Elvas canta e chora, orgulha-se e envergonha-se, com o que nela ou com ela, se passa. Elvas tem coração.

      Elvas tem amigos que a conhecem e enaltecem.

Já D. Diniz em 1334 assim dizia: 

                       “ eu por fazer mercê ao concelho de Elvas,

                por que elles ham gram coraçon para me servir…”

 

De Elvas disse António Sardinha em “ de vita et moribus”:

           “ Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e

                o seu Aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa,

               um apelo súbito às energias mais fundas da nossa

                          sensibilidade “

Eurico Gama conta nas suas “crónicas de Odiana” que lera no jornal

“O Século” – escrito por pena responsável:

               “Elvas é um poema épico que não pode ler-se sem coração”.

E, conta mais. Conta que, de Azinhal Abelho, se gravou em pedra

    esta legenda:

           “Quem passou por ti, Elvas cidade que te marcou

                         com siglas e com chagas?”

E, depois de mais algumas citações, remata com toda a força da sua paixão por esta cidade que amou e serviu como filho dedicado, que sempre soube ser:

              “Vinde, pois, a Elvas, todos os portugueses, e sentires

                       mais ainda orgulho de o ser”.

Depois disto haverá quem duvide que o velho manuscrito onde se lê:

                   “Chave defensa escudo

                    Sou do reino lusitano

                   Freio sou do Castelhano

                     Elvas sou e digo tudo “

 

Tenha sido ditado pela própria cidade e mandado escrever pela mão de alguém, com alma bastante, para entender e traduzir para a linguagem de toda a gente – a voz dum passado de honra e glória – que nos cabe defender – e que cada pedra repete a quem a olhe e saiba escutar? ….

 

Maria José Rijo

 

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Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.752 – 14 de Setembro de 1984

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