Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



“Reminiscências”---- Pontos de vista

Terça-feira, 22.01.08

Considero que há uma certa ligeireza, uma certa insensatez, na forma como por vezes, se definem escolhas e comportamentos.

O que está na moda é bom e belo, o que não estiver, tenha a qualidade que tiver nem merece apreciação.

Objectos vários, em bom estado, vão parar ao lixo porque são de cor verde e saiu em qualquer “maria” ou “anúncio” de rádio ou jornal que a moda é o amarelo ou o azul ou a cor de burro quando foge...

Ora, cá no meu conceito, como aprendi com o Ti Carrapiço que era o maioral das vacas lá naquela aldeia igual a todas as aldeias do Alentejo, que, como ilhas, perdidas no mar das searas estavam longe das rotas das modas –“ bom é sempre bom, menina! – acredite”

         “E, mau é sempre mau, nunca se deixe enganar...”

E, destas e de outras tais reminiscências se sustenta de verdade o meu coração.

Ele era um tanto filósofo.

De Inverno vestia pelico e safões sobre a jaqueta e as calças de serrobeco. No Verão as calças eram de cotim, mas não dispensava o pelico sobre a camisa de riscado.

Curtia os dias sozinho com os seus cães, acompanhando a manada pelos pastos que conhecia como a palma das próprias mãos.

Encostava-se ao cajado, olhava os longes, seguia o voo das abetardas. Sabia à distância onde havia gado morto “por via da chusma de corvos que se ajuntam! “

            Conhecia os pássaros pelo canto, sabia-lhes os hábitos, identificava cada ninho, convivia com toda a natureza envolvente, pensava nas “coisas desta vida” e reflectia.

Para o seu tempo e para o seu mister de pastor, era “letrado”. Desenhava o nome com alguns suspiros no peito a acompanhar o sacrifício dos lentos movimentos da mão calejada e fartos suores a escorrerem-lhe pelo rosto que ia limpando com um lenço que fechava enrodilhado na outra mão.

Mas, lia razoavelmente as letras gordas dos jornais e os rótulos das garrafas na taberna que, mais para ler não tinha nas redondezas, a não ser o “Borda d’Água” que se consultava o ano inteiro com a atenção que mereceria um Breviário.

Aprendera a juntar as letras só, assim se gabava, e era cheio de sabedoria.

“ Há coisas que nunca mudam!

Daqui p´ra Lisboa são as léguas que são. S´a menina for de trem, ou no camboio leva menos tempo ca mim, s’ê for a péi. Mas as léguas são nas mesmas, a questão são-nos stramportes...

Nã emporta vestir o mal de bonito! – é sempre mal, mesmo desfarçado!

Olhe, ê cá dou-me bem com ricos e pobres.

Só nã m’entendo com a corja dos polintras que querem pracer o que nã são.”

E, assim, com lucidez e convicção, defendia os seus pontos de vista bem amadurecidos no silêncio dos seus dias.

Vou andando, dizia às vezes no meio duma conversa, vou que o tempo vai piorar, o vento mudou, olhe os bezerros a farejar a chuva!

E lá ia, prevendo o tempo por sinais que pressentia como se para além dos sentidos dispusesse de códigos secretos que lhe desvendassem os ocultos mistérios da vida.

Muitas vezes me quedava a vê-lo afastar-se, no seu passo vagaroso que a idade também já condicionava e sentia que dele irradiava uma paz, uma tranquilidade como se fosse uma árvore frondosa que fizesse parte da harmonia da paisagem.

Era autêntico e verdadeiro como a terra que pisava e o céu que lhe servia de dossel.

Não o enganavam as modas, que entre o ser e o parecer, havia a raça dos pelintras que ele, por instinto, esconjurava.

 

                                   Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

28-Abril-05 – Nº 2.811

Conversas Soltas

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:25

Coisas e loisas

Segunda-feira, 21.01.08

Ás vezes decido calar! Depois, reconsidero e procuro prudentemente intervir. Não é porque as coisas me digam particularmente respeito a mim. Não. É porque é a participar que se vive.

Viver é conviver, disse – segundo creio – Imagem de Santo AgostinhoSanto Agostinho. Conviver é viver com os outros e, se como disse o poeta Michel Quoist – eu sou o outro – necessariamente, o outro sou eu.

Resulta assim evidente que o respeito que tivermos por nós próprios, se reflecte na forma como se convive com o próximo. Assim que a nossa atitude pessoal tenha que ser avaliada, não isoladamente do conjunto em que estamos inseridos. Daí que, se enquanto pessoa me pode enternecer a ingenuidade que permite estender roupa a secar nas traseiras do palácio da Justiça – como elemento duma sociedade, como “outro” parte dum colectivo (a cidade, neste caso) – esse facto agride pelo que representa de impreparação social, pelo que representa de atitude de sub-mundo pelo que destoa tal uso, feito de tal local…

Verdade que uma ou outra vez já temos visto também algum pacífico borrego a pastar na cerca que se sonhou jardim do dito Palácio da Justiça. Verdade também que sempre se pensa que o borrego está bem na pastagem vicejante… A pastagem é que lá não está certa…

Julgo que esta insólita nota de “folclore local” adicionada às cordas de roupa a secar à entrada do Jardim Municipal, mais a profusão de tabuletas, muito das quais escritas em espanhol, não são coisas que enobreçam ou embelezem esta nossa terra.

Aplauso deve ficar aqui, sim, para o repovoamento protegido de árvores que foi feito e cuja falta desdentava, tristemente, a bordadura de praças e avenidas…

E porque cada um de nós, para além da sua qualidade de individuo, é parte deste todo que é a cidade, por cuja dignidade somos responsáveis, será bom que não nos deixemos adormecer sobre esse plano inclinado que começa por resvalar da incúria para o desleixo, que abre o caminho à degradação,

 

Coisas e loisas esparsas

Como a ferrugem – se pica

Como a lama dos caminhos

Se pisada… nos salpica.

 

 

                       Maria José Rijo

@@@@@

A LA MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.727 – 23-Março-1984

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:03

PRÉMIO ESPECIAL - Zé de Mello

Sábado, 19.01.08
http://www.zedemello.blogspot.com/
 
Este ano o blogue Zé de Mello quer reconhecer uma personalidade especial da nossa Elvas. Uma mulher, avó, poetisa, artesã da alma e dos seus afazeres, Maria José Rijo. Por toda uma vida de mais de 80 anos e pelo amor que transmite aqueles que a conhecem e a todos a que a cumprimentamos.
.
 POEMA PARA TI
Tudo o que amo - sou
Aonde fui - estou
Trago flores e sol
Sementes e lutos
Mortes e esperanças no meu olhar
E nos meus silêncios
E quando estendo as mãos
para te afagar
Sou a ribeira que corre
O mar que tu amas
Os sonhos que tens
O corpo que pedes...
E o meu carinho
Cheio de seiva do passado
É nessa hora
As nascente a engrossar
As raízes do amanhã !
Que, dizer hoje, nos promete!

              Maria José Rijo

@@@@@ pena de Ze de Mello @

 

2 Comments:

Blogger Dina disse de sua justiça...

De todos os prémios este é sem dúvida o mais justo e merecido. Parabéns!

4:21 AM  
Blogger a-la-minute disse de sua justiça...

Quando me contaram da vossa escolha - julguei tratar-se de uma destas brincadeiras que se têm entre amigos.
Que não!- Que não!- vim ver...
Nunca tal me passara pelo espírito! -mas, já que aconteceu quero confessar que estou grata, porque para mim isto é "um nobel da amizade"- pois só por esse motivo- tal - poderia ter acontecido.
Ora, como todos , sem excepção, gostamos de ter Amigos - obrigada pela generosa lembrança que me fez sentir que nunca estamos tão sós quanto por vezes pensamos.
Não sei quem veste a figura lendária de Zé de Melo... mas,seja quem for, sei que de coração abraço esse, ou esses, amigos desconhecidos e afirmo que, se os textos são meus , a mentora e autora do blog é a Paula.
O seu a seu dono.
Bom ano!- Felicidades!
maria josé Rijo

4:15 PM  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:07

Reminiscências 7

Sábado, 19.01.08

     @

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.497 – 26 / Março / 1999

Conversas Soltas

Reminiscencia nº 7

 

Num dia seis de Março, há vinte anos, faleceu, já então, muito velhinha uma pessoa maravilhosa, cheia de sabedoria e bondade, que encheu a nossa infância e adolescência (de minha irmã e minha) com contos, poemas, histórias e orações. Era irmã de meu Pai e, tal como a dele, a sua vida foi, para nós, lição de coragem, trabalho, dignidade e caracter.

            Como era muito inteligente e generosa tinha sempre a preocupação de encontrar forma de ensinar o que achava necessário da maneira mais subtil e mais divertida que pudesse.

            Daí, que usasse o célebre poema de João de Deus – Militarão - para nos precaver contra a gula. Quando na via irresistivelmente tentadas a comer doces em excesso, com um bondoso sorriso de condescendência ela repetia: - daqui a pouco nem vos cabem dois dedos na boca, como ao militarão, e sorrindo ia recordando:

 

                        Um valente militar

                        Ficou tão abarrotado

                        N’um opíparo jantar

                        A que fora convidado,

                        Que o que fazia era impar,

                        E estava dando cuidado.

 

                        Diz - lhe aflita uma das manas:

                        “Meta dois dedos na boca,

                        Provoque as ânsias, a ver!

Dois dedos na boca... louca?

Se eu os pudesse meter,

Metia duas bananas.

 

Também jamais poderia esquecer a delicadeza com que nos estimulava a coragem que ás vezes é necessária para cultivar a lealdade.

Contava que quando Nossa Senhora fugia com S. José para salvar o menino Jesus da fúria de Heródes encontrou duas aves, um pisco e um chasco.

Assustada, receando encontrar-se com os seus perseguidores, perguntou Nossa Senhora aos passarinhos: pisco! - Indo por aqui encontrarei os soldados?

Sem sequer pensar, o pisco respondeu: pis, pis, por í, bem is e, foi à sua vida fugindo às confusões, sem mais se importar com a aflição daquela Sagrada Família.

            Foi então que o chasco muito aflito começou a voar por todos os lados até que avistando os soldados voltou, para alertar, piando: chás, chás, por í, mal vás e os carrascos encontrarás .

            Agradecida, Nossa Senhora, abençoou o chasco para que fizesse o ninho nos buracos das rochas, bem alto, para que as suas crias ficassem mais protegidas

 .          Seguiu Nossa Senhora o seu caminho e ao passar junto do mar perguntou a um linguado se a maré enchia ou vazava. Sentindo-se muito seguro pela sua cor de areia que

o dissimulava aos olhares e pela facilidade com que na água se deslocava, permitiu-se o peixe , sem saber com quem falava, troçar  da pergunta fazendo uma careta e repetindo-a com desdém , em lugar de dar a resposta que lhe tinham solicitado.

            Que a boca te fique de lado, disse-lhe então a Senhora, para sempre te lembrares que quem pede ajuda deve ser ajudado e não arremedado.

            Ao perceber com quem falara quis o peixe desfazer o mal pedindo desculpas.

Mas, Nossa Senhora, avisou:- assim te lembrarás que o bem se faz sem olhar a quem.  Outra pequena história, engraçada, servia para que fixássemos que tudo na vida está nas mãos de Deus e que nunca deveríamos ser arrogantes.                 

            Era assim: - em certo dia, Jesus disfarçado de mendigo perguntou a um vaidoso: - aonde vais montado no teu burrinho? - Vou à feira; foi a resposta.

            Se Deus quiser, – acrescentou Jesus.

            Logo o outro com arrogância retorque: que Deus queira que não queira, com o meu burro vou à feira.

Calou-se Jesus e o feirante seguiu o seu caminho. Porém, logo adiante ao passar por um riacho apareceram tantas rãs aos saltos que o animal se assustou e deitou o homem ao chão. Lamentando-se, com o fato todo molhado, como uma sopa queria o arrogante segurar o burro que só escoiceava e não dava mão. Então, passa de novo Jesus que volta a perguntar: aonde vais? - À feira, disse o outro voltando a escorregar.

            À feira? Insistiu Jesus.

            Sim! Desde que Deus queira. E, dizendo assim, imediatamente se levantou agarrou o burro e retomou a marcha tendo-lhe o fato secado como por milagre.

            Olhou então em redor para ver se avistava quem lhe falara. Já não viu ninguém, mas havia por todos os lados uma música tão suave, um ar tão lavado e fresco, uma tal paz na Natureza que o homem percebeu que Deus dele se compadecera e lhe mostrara que é erro grave viver com o coração tão cheio de soberba.

 

 

                           Maria José Rijo

 

                       

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:11

A sério e a brincar...

Sexta-feira, 18.01.08

Para aprender o valor da pontuação e para desenferrujar a língua, agilizando a fala era costume convidar as crianças a escreverem e dizerem em voz alta, frases e histórias engraçadas, que desafiassem a sua atenção e perspicácia.

Uma que agora me ocorreu fazia uma brincadeira com o advérbio interrogativo – como - e alguns tempos do verbo comer.

Era assim o diálogo:

- Como come?

- Como, como?

-Como, como como!

- Come, como come?

- Como.

            - Não é que agora me ocorreu que se perguntássemos a alguém: - como és? E nos respondessem. – Como sou? – Sou, como sou!

E à admiração da nossa resposta de: - és, como és? – Escutássemos um singelo – sou! – Ficaríamos a saber tanto como no princípio da brincadeira; isto é – nada.

Na verdade o que sabemos nós uns dos outros? O que sabemos, mesmo depois de convivermos anos e anos a fio? – Nada.

Quantas vezes em reportagens de televisão nos mostram vizinhos de vidas inteiras confessando o espanto de descobrir que o homem cortês e simpático que afável cumprimentava toda a gente, matara a mulher e a enterrara na cave. Ou, ao contrário, que o feito fora da autoria da pacata senhora que saía para a missa todos os dias com passinho miúdo, vestes largas e os olhos pudicamente varejando o chão?

Ou, que aquele personagem, bicho de mato, que parecia quase rosnar um simples – bom dia! - Quando se cruzava com alguém do mesmo prédio – e, todos detestavam por isso - gastava os seus dias ao serviço de leprosos e  toda a espécie de desgraçados?

Na realidade como poderíamos saber tanto dos outros se de nós próprios às vezes tão pouco conhecemos!

Mais curioso ainda é quando descobrimos quantas certezas têm sobre nós as pessoas com quem contactamos com mais intimidade. Pessoas que trazemos tão aconchegadas no nosso coração que as tratamos como parte nossa, com o displicente à-vontade que usamos para nós próprios, e que portanto, seriamos incapazes, jamais, de ferir, e que nos surpreendem com acusações impensáveis!

Também, por via de regra, esses “sabem” como nós somos, e como deveríamos ser, juram as nossas intenções, os nossos propósitos, deixando-nos perplexos por verificar como são incapazes de perceber o afecto que se lhes dispensa.

E, deles próprios, o que saberão se de nós tanto sabem? Será que é mais fácil ver o argueiro nos olhos dos outros do que nos próprios?

E, quando somos nós a acusar? Que bitola usamos? Será a do amor-próprio ferido, da vaidade beliscada – que gera a ira – ou será a do coração magoado que predispõe ao entendimento?

Será que somos todos tão seguros das nossas inexcedíveis virtudes, que nem nos passa pela cabeça que pelo menos nalgum pormenor possamos estar equivocados e que possa ter sobrado à misericórdia Divina quaisquer migalhas para alindar a alma dos outros mortais que avaliamos com impiedade?

Afinal, como somos? Ser como somos! – Não é resposta. Certo seria sermos mais duros para nós do que para os outros, talvez... Ou, talvez não! Que em matéria de certezas só tenho uma: - de mim é que darei contas. Portanto prefiro que me agravem, a agravar, eu, seja quem for.

Só reconheço – como alguém já afirmou – duas forças incontroláveis: o amor e a morte. Todo o mais se pode alterar por força de vontade.

Peço a Deus que nunca me retire o Seu espírito de paz. - Como disse o santo padre Pio Ele faz-nos sentir uma dor tranquila, humilde e confiante, que depende e nos advém da Sua misericórdia.

Poderemos assim dormir descansados, e guardar na alma um sorriso para responder a quem faça conjecturas amargas a nosso respeito:

- Sou, como sou!

- Somos como somos, só que às vezes muito distantes do que julgamos ser.

                      Maria José Rijo

@@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.692 – 10 /Janeiro/2003

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:17

Postal nº 10 - Colecção de Gastronomia - Ameixas

Quinta-feira, 17.01.08

E se pela primeira vez em 1849, delas se fala em actas da

Câmara, contam velhos alfarrábios e a tradição popular, que já

em 1613, ou talvez antes, eles faziam parte dos banquetes da

realeza, onde se apresentavam como “convidadas de honra”,

entre rendas… de papel.

 

                                       Maria José Rijo

@@@@@@@

Colecção de Gastronomia - Ameixas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:25

Para quem comenta...

Quinta-feira, 17.01.08

Sei que sabem quanto me alegra sentir a compreensão e apreço por este meu jeito -

a que me rendo desde garota - de contar estórias e comentar o que se passa em meu redor .

Sei que acreditam que as vossas "presenças" me confortam e acompanham -me fazem bem - sei!
Sei também que entendem quanto eu gostaria de responder a cada um de vós expressamente.
Sei!
Acontece porém que quando nos escrevem "idoso" até nos bilhetes de comboio e,

nos jornais, quando gente da minha idade é atropelada os seus nomes são

substituidos por : septagenário ou octogenário ninguém nos está insultando -

embora de forma pouco agradável - nos estejam apenas avaliando pelo tempo vivido.

E o problema, é na verdade esse : -tempo
Assim que, já não conseguindo fazer como desejaria, tenho que vos pedir tolerância

para que aceiteis o que posso fazer; que é deixar para todos um abraço grato e

amigo e um pequeno poema que dedico especialmente a quem gostar de poesia.


Curriculum


Meus dias são
deslumbrados - exaltados
febris - doentes...
cheios de auroras e poentes!
Meus dias são preguiçosos - dolentes
acomodados -indiferentes
bocejantes - inquietantes
tão sem préstimo
insignificantes
e, porque os vivo
tão, tão importantes...

Maria José

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:09

Postal nº 9 - Colecção de Gastronomia - Ameixas

Quarta-feira, 16.01.08

 

           É assim, iguais e redondinhas, que as ameixas de Elvas se

                     Acamam em caixas, para correr mundo.

                                Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Gastronomia - Ameixas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 01:19

Reminiscência --- A Sedução

Quarta-feira, 16.01.08

Uma das maiores seduções da infância, sempre foi e será, o aconchego do colo da mãe, do pai das velhas tias ou dos avós, muito principalmente quando os seus abraços se tornam – ainda - mais amplos pelo acrescente dos xailes com que se abrigam pelas costas nos serões de Inverno. É que, então. Os seus braços abertos, parecem enormes asas protectoras que se fecham quase plasmando as crianças junto aos seus corações.

Quando pequenas, minha irmã e eu, nessas circunstâncias, sempre explorávamos a oportunidade de ficar, ouvindo contos ou histórias e família, até à hora de ir para a cama, que implacável não consentia adiamentos...

(Era a avó corajosa que, da janela, tinha disparado para o ar, a espingarda do avô para afastar os ladrões que rondavam a casa. Era o avô que levava o dinheiro dentro dum cinto tecido em malha de meia, enrolado à cintura quando saía em negócios...eram as suas próprias reminiscências, acordadas do sono da alma para nos entreter e encantar...)

Seguia-se depois o ritual das despedidas, e, antes de deitar, as orações, o aconchegar da roupa, e o apagar do candeeiro de petróleo seguida da última recomendação: - durmam sem medo que estamos aqui e a porta do quarto fica aberta...

Assim acontecia e os risos misturados com o som das vozes no entusiasmo do decorrer do jogo da “sueca” com que, a feijões, “os crescidos” se distraiam nos serões, faziam o embalo para o nosso descanso tranquilo de crianças.

O outro deslumbre da minha vida, eram, as idas ao mês de Maria, à novena do Sagrado Coração de Jesus e outras cerimónias a que nossa Avó decidisse que poderíamos, ou deveríamos ir, e, aí era a sua vez de pedir aconchego no Regaço Materno.

Das idas à missa, também gostava. Minha avó tinha cadeira e genuflexório privado, na Igreja de Estombar, no Algarve, onde isto acontecia. Tinha ela, e tinham todos os frequentadores habituais, porque as Igrejas, pelo menos nas terras pobres, como aquela, então, era, não dispunham de bancos, ou tinham-nos em muito pouco número.

As pessoas assistiam de pé, ou de joelhos às cerimónias. Mais tarde, aí pelos anos – 50 – ainda vim encontrar essa mesma situação na Igreja S. Miguel de Seide, quando visitei a casa de Camilo. Aí, eu própria, me sentei no soalho como os habitantes locais. o que me deu o gosto de uma outra espécie de comunhão na autenticidade da Fé que coabita com a humildade de, em qualquer circunstância se saber dizer – Amem !

Mas, eu vinha contar da maravilha que, na minha infância, era a reza do terço.

Verdade, verdade, eu nem saberia então o que verdadeiramente o terço significava. Só sabia do encanto que era ver as bocas todas a bichanar um palavreado misterioso com as mãos a deixarem correr as contas, com um Cristo crucificado, a balouçar, e os olhos atentos, fixos no sacerdote, de quem  se repetiam as frases.

Algumas contas, de alguns rosários tilintavam como pequenas campainhas, mormente se eram de vidro, e, eram esses sons a causa do meu enlevo, do meu comovido deslumbramento.

Minha avó orgulhava-se do nosso comportamento e, por essa razão levava-nos com ela. O padre até nos ofereceu uns pequenos livros de missa. O meu tinha capa branca, com uma cruz dourada em relevo, e foi prémio da exemplar compostura dos meus escassos cinco anos, o de minha irmã era azul e mais volumoso.

Ainda hoje, que Deus me perdoe, me perco das rezas a olhar as bocas e as mãos dos penitentes – as mãos gastas e calosas, quantas vezes quase enclavinhadas, como que convulsas, lado a lado com outras cheias de anéis com unhas pintadas por onde as contas, também escorrem, uma a uma como lágrimas contidas de súplicas de fundas angustias que só à misericórdia da Mãe, de coração para coração, se confessam, mas que as mãos, muitas vezes, indiscretas, indiciam...

Talvez as crianças de hoje, guardem a memória do tilintar de copos, da música que fazem tinindo em toques de saudações nas reuniões que, quer em casa, quer em bares, já só se fazem de copo na mão como se essa fora a única expressão possível de conviver e mostrar alegria.

Talvez guardem não as confidências dos familiares idosos que fechados no silêncio, definham enfileirados em Lares - nem a lembrança do brilho das contas dos rosários, mas sim a memória dos reflexos das luzes no colorido dos vinhos e licores a escorrer para as bocas de quem - fora de si –se procura...

Talvez! - É que vi – e comparei – o ontem e o hoje, numa reportagem de tirar o sono – a um País - sobre meninos, querendo parecer grandes, no que os grandes têm de pior – (o vício como distracção) – o vício - do álcool...neste mesmo País – o nosso - onde a reforma da educação acaba de  excluir do currículo escolar a disciplina de Moral, por desnecessária- deduz-se!

                         Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal O Linhas de Elvas

Nº 2.893 – 23-Novembro-2006

Conversas Soltas

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:36

Postal nº 8 - Colecção de Gastronomia - Ameixas

Quarta-feira, 16.01.08

Passados um dia ou dois, sofrem nova cozedura, desta vez

mais demorada, e de novo se retiram com a espumadeira, para

que a calda ferva e ganhe ponto que baste para as cobrir e nela

se conservarem (ponto de fio).

Quem as quiser sem calda, dela as retira, passa-as por água e

seca-as ao sol sobre uma rede.

                                          Maria José Rijo

@@@@@@

Colecção de Postais de Gastronomia - Ameixas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:33






mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Janeiro 2008

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031


comentários recentes

  • Anónimo

    Cá estou eu ... meia hora depois da meia-noite...B...

  • Anónimo

    PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS Muitos beijinhos n...

  • Anónimo

    Minha querida TiaMuitos Parabéns pelos 94 anos - q...

  • Anónimo

    Boa AmigaSou o filho de Augusta Silva Torres que a...

  • Anónimo

    Eu sabia... sabia que era este mês que a tia fazia...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

BLOGS DA CASA

EFEMERIDES

Aniversarios Blog

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2020

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Blogs- quem nos cita



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.