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“ Miscelânea “

Terça-feira, 05.02.08

            Relativamente á amnistia, tão falada, contestada, etc., etc., etc., - aconteceu como nunca se duvidou que iria acontecer ...

            Quem manda, manda! – o resto é conversa .

            E... Conversa, foi.

            Quanto às “honestas” convicções dos felizes “laureados” também se ouviu da boca de um deles a repetida afirmação de que: - tudo foi como devia ser e que é legítimo matar etc., etc., etc.,

            O entrevistador da Antena Um (atónito!) repetiu a pergunta para que não restassem dúvidas mas, a resposta não sofreu alteração.

            Exemplar!

            Dizia-me há dias minha Mãe, com a invejada lucidez dos seus quase 96 anos: não acredito que pensem amnistiar Otelo sabendo as mortes que provocou.

            Não acredito!

            Alimentando o seu espírito, quase só pelas lembranças que revive e pela atenta escuta da Rádio Renascença - nada lhe escapa – e á luz da sua sólida  formação moral não se furta a emitir com segurança as suas opiniões.

            Cá pela casa: “amigos, amigos, negócios à parte” – disse-se – e muitas outras coisas vão sendo ditas “sem tabus”...

            Na casa dos vizinhos houve eleições.

            Resultados surpreendentes.

            Porque o que parecia certo – aconteceu.

            Pois é!

            Só que ás vezes não basta ganhar.

            Confortável é ganhar de forma convincente.

            Não sendo esse o caso, como convencer ???

            No sábado os jornais saíram à rua falando da morte de Vergílio Ferreira.

            Falando – não é certo.

            Saíram, contando o luto da literatura portuguesa.

            Do Brasil acrescentaram; da língua portuguesa.

            Rádio, televisão, Jornais foram relatando episódios, comentários.

            Fizeram-se entrevistas. Mesas redondas.

            Vergílio Ferreira já tinha partido mas, mais do que nunca estava vivo entre nós.

                   

            Foi curioso seguir com atenção as primeiras opiniões e comentários.

            Delas se depreendia a amizade, a admiração, até o nível cultural de quem as formulava. Depois quando já não era surpresa – ficou tudo menos livre, menos espontâneo, menos sincero.

            Já tudo tinha um ar erudito e elaborado.

Citaram-se livros, acontecimentos, factos da sua vida.

            Ouviu-se Vergílio falando de si próprio.

            Lembrei-me então de uma delicada história que me contou um amigo seu.

            Lembrei-me das “Cartas a Sandra”.

                                 

            Essa “Sandra” de quem os amigos lhe davam notícias escrevendo-lhe, ou, contando-lhe quando com ele se encontravam: “Vi a Sandra” – continua linda, etérea”.

            “Cartas a Sandra” estava anunciado como último dos seus livros.

            Se eu pudesse mudar alguma coisa no destino de alguém teria feito que Vergilio Ferreira tivesse escolhido para título do seu último livro: - “encontro com Sandra”.

            Enquanto apontava estas ideias que muitas vezes me apanham desprevenida e até me surpreendem – ouvi a notícia da morte duma grande escritora francesa: Marguerite Duras.

            Tem uma obra enorme que lamentavelmente conheço mal.

            “Hiroxima meu Amor” – é quase só a minha referência. No entanto há frases, há pensamentos seus que valem como definições de obras e, até, de vidas.

            Foi Marguerite Duras quem afirmou: “ Não preciso ser célebre se não tiver liberdade para dizer o que penso”.

            Apetece-me, hoje, acreditar que foi pensando em seres assim reais, ou, “Sandras” mais reais ainda – porque sonhadas – que personagens criados por Vergilio Ferreira dizem frases como:

            “Vou-te amar até no infinito da tua perfeição”

            ou:

            “Eu te baptizo em nome da Terra dos astros e da perfeição”.

            É que Marguerite disse o que “Sandra” se calhar, também poderia ter dito:

            “é terrível escrever

            é o que chamo de maravilhosa desdita”.

            Frente a coisas tais, a gente encanta-se e diz humildemente: Ámen!

 

                               Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.341 – de 8 de Março de 1996

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:35





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